Essa donas são amazonas,
não querem saber
de sócio no negócio
e o negócio delas
tem a ver com uruá,
e está dando certo,
portanto,
trate de ser esperto,
de ficar de olho aberto,
senão,
vai perder a clientela
que elas oferecem
satisfação todo dia
na extensão
que a cliente quiser
e a garantia
é sem limite
pra qualquer apetite,
e, acredite,
não adianta alegar
concorrência desleal,
já há jurisprudência
afirmando que é legal!,
é...
já soou o alarma!,
para não ter
que pedir falência,
parece que o único jeito
é você ter peito
pra lutar com arma igual!,
quer dizer,
com arma adicional!
sexta-feira, julho 28, 2006
quinta-feira, julho 27, 2006
Samba ao alho e óleo!
Receita ou partitura,
eis a questão?!,
a questão que sujeita
esta criatura insegura!,
não sei se o feijão cato e cozinho
ou se dou um trato
no cavaquinho e no tarol?!,
não sei se preparo
vianda e verdura
ou se encaro a banda
pra torrar a gordura
e fazer jorrar o colesterol,
não sei se faço acém
com coentro e couve
ao óleo e alho,
como houve por bem
ordenar a patroa,
ou se entro no samba
com a Nilmária,
moleca danada de boa?!,
eureca!,
achei a solução!,
vou cair no samba,
samba ao alho e óleo!,
assim,
vou evitar galho e imbróglio
na minha área,
vai por mim!,
que vou me espalhar no bloco
sem tirar o foco
da obrigação culinária!
eis a questão?!,
a questão que sujeita
esta criatura insegura!,
não sei se o feijão cato e cozinho
ou se dou um trato
no cavaquinho e no tarol?!,
não sei se preparo
vianda e verdura
ou se encaro a banda
pra torrar a gordura
e fazer jorrar o colesterol,
não sei se faço acém
com coentro e couve
ao óleo e alho,
como houve por bem
ordenar a patroa,
ou se entro no samba
com a Nilmária,
moleca danada de boa?!,
eureca!,
achei a solução!,
vou cair no samba,
samba ao alho e óleo!,
assim,
vou evitar galho e imbróglio
na minha área,
vai por mim!,
que vou me espalhar no bloco
sem tirar o foco
da obrigação culinária!
quarta-feira, julho 26, 2006
Pomba, que 'piromba'!
Nego me arrasa
e zomba de mim,
é sim!,
e zomba nego idoso,
nego moço e formoso,
nego obscuro e nego famoso,
nego claro e nego escuro,
não raro,
até senhora,
e toda hora
minha casa tomba
e vai pro fosso
que alguém se empomba,
ribomba
e arromba
meu portão chinfrim,
e vem com aquela tromba,
e é só negão da maromba,
e tome pitomba
e bomba na cabeça,
pomba,
que piromba!,
seja lá o que isso for,
não há quem mereça
esta hecatomba,
por favor,
chega de tanta gente com lomba,
de tanta gente
em festa de arromba,
de tanta zorra,
chega de tanta afronta,
porra!,
que só eu pago esta conta!
e zomba de mim,
é sim!,
e zomba nego idoso,
nego moço e formoso,
nego obscuro e nego famoso,
nego claro e nego escuro,
não raro,
até senhora,
e toda hora
minha casa tomba
e vai pro fosso
que alguém se empomba,
ribomba
e arromba
meu portão chinfrim,
e vem com aquela tromba,
e é só negão da maromba,
e tome pitomba
e bomba na cabeça,
pomba,
que piromba!,
seja lá o que isso for,
não há quem mereça
esta hecatomba,
por favor,
chega de tanta gente com lomba,
de tanta gente
em festa de arromba,
de tanta zorra,
chega de tanta afronta,
porra!,
que só eu pago esta conta!
Zé Arisco
"Marcha soldado,
cabeça de papel,
se não marchar direito,
vai preso pro quartel,"
não,
tu não vais não,
menino de rua,
vais pr'alguma vala
cavada nesse inferno,
neste eterno desatino,
que o fuzil atira,
a bala não é de mentira
e rasga tuas entranhas,
e te perdes,
enquanto abocanhas teu soldo,
soldo de soldado
lotado em ruelas, becos e favelas,
"Pai Francisco entrou na roda,
tocando o seu violão,
pororompompom,
vem de lá seu delegado,
e Pai Francisco vai pra prisão,
como ele vem todo requebrado,
parece um boneco desengonçado...”,
"Zé Arisco entrou na coça,
botou sangue do pulmão,
pororompompom,
o pessoal ficou calado
e Zé Arisco foi pro caixão,
como ele foi muito torturado,
morreu um menor abandonado...”,
assim,
vais indo por aí,
pois quem devia,
não zela por ti,
te larga vestido nessa pele amarela,
azul de fome,
passando em branco,
sem letra e sem nome,
entre pungas e malotes de bancos,
embora verde ainda,
já findas qualquer dia,
e velas, touca, sunga, numa noite fria,
"murcha coitado,
pereça por guinéu,
vão te pegar de jeito,
deixar teu corpo ao léu,
murcha coitado,
pereça por guinéu,
vão te pegar de jeito,
deixar teu corpo ao léu,
murcha coitado,
pereça por guinéu,
..."
cabeça de papel,
se não marchar direito,
vai preso pro quartel,"
não,
tu não vais não,
menino de rua,
vais pr'alguma vala
cavada nesse inferno,
neste eterno desatino,
que o fuzil atira,
a bala não é de mentira
e rasga tuas entranhas,
e te perdes,
enquanto abocanhas teu soldo,
soldo de soldado
lotado em ruelas, becos e favelas,
"Pai Francisco entrou na roda,
tocando o seu violão,
pororompompom,
vem de lá seu delegado,
e Pai Francisco vai pra prisão,
como ele vem todo requebrado,
parece um boneco desengonçado...”,
"Zé Arisco entrou na coça,
botou sangue do pulmão,
pororompompom,
o pessoal ficou calado
e Zé Arisco foi pro caixão,
como ele foi muito torturado,
morreu um menor abandonado...”,
assim,
vais indo por aí,
pois quem devia,
não zela por ti,
te larga vestido nessa pele amarela,
azul de fome,
passando em branco,
sem letra e sem nome,
entre pungas e malotes de bancos,
embora verde ainda,
já findas qualquer dia,
e velas, touca, sunga, numa noite fria,
"murcha coitado,
pereça por guinéu,
vão te pegar de jeito,
deixar teu corpo ao léu,
murcha coitado,
pereça por guinéu,
vão te pegar de jeito,
deixar teu corpo ao léu,
murcha coitado,
pereça por guinéu,
..."
domingo, julho 23, 2006
Que derrota!
Que derrota!,
só a muito custo
levantei o ferro
e toquei o barco,
mas,
me perdi na rota
e quase fui a pique,
justo eu
que me encharco
de mares de bebida,
justo eu
que erro todos os bares
e aos bares
diariamente vou a pé,
e saio em linha reta
e de seta não necessito
na hora de ir embora,
justo eu,
quase um mito,
chamado até de alambique
por rivais e concorrentes,
justo eu
que bebo
simultaneamente
quente e gelado,
justo eu
que o expediente
nunca encerro
sem antepenúltima, penúltima,
saideira, expulsadeira
e outras que tais,
justo eu,
beberrão inveterado,
fiquei daquela maneira
e dei à platéia
razão pra achar graça,
e me derrubou a Azaléia,
é isso mesmo,
e um amor de Azaléia,
delicada e bela como a flor,
rapaz,
que mancada eu dei!,
um gole a mais,
mais um chouriço,
mais um torresmo,
e passei vergonha,
e ponha vergonha nisso!,
eu passei da linda
e a linda me venceu,
e fiquei um tanto
mole e bambo,
pudim de cachaça
dançando mambo,
e ela,
que assombro!,
estava ali
esbanjando raça,
rija que nem poste,
e falou assim:
“se encoste aqui
no meu ombro
que eu garanto!”,
e ainda
me sacaneou:
“só não mija em mim!”
só a muito custo
levantei o ferro
e toquei o barco,
mas,
me perdi na rota
e quase fui a pique,
justo eu
que me encharco
de mares de bebida,
justo eu
que erro todos os bares
e aos bares
diariamente vou a pé,
e saio em linha reta
e de seta não necessito
na hora de ir embora,
justo eu,
quase um mito,
chamado até de alambique
por rivais e concorrentes,
justo eu
que bebo
simultaneamente
quente e gelado,
justo eu
que o expediente
nunca encerro
sem antepenúltima, penúltima,
saideira, expulsadeira
e outras que tais,
justo eu,
beberrão inveterado,
fiquei daquela maneira
e dei à platéia
razão pra achar graça,
e me derrubou a Azaléia,
é isso mesmo,
e um amor de Azaléia,
delicada e bela como a flor,
rapaz,
que mancada eu dei!,
um gole a mais,
mais um chouriço,
mais um torresmo,
e passei vergonha,
e ponha vergonha nisso!,
eu passei da linda
e a linda me venceu,
e fiquei um tanto
mole e bambo,
pudim de cachaça
dançando mambo,
e ela,
que assombro!,
estava ali
esbanjando raça,
rija que nem poste,
e falou assim:
“se encoste aqui
no meu ombro
que eu garanto!”,
e ainda
me sacaneou:
“só não mija em mim!”
sexta-feira, julho 21, 2006
Não há moral que resista!
Tome bandalha!,
tome falcatrua!,
e a gentalha
cada vez mais pálida,
cada vez mais esquálida,
cada vez mais sem dente,
quando sai pra rua,
bóia nua
ao léu da corrente
do esgoto a céu aberto
sem saber ao certo
aonde vai dar,
sem falar
no assédio do ladrão,
quando se apóia,
se apóia
num salário escroto,
e é sacaneada
até no ludopédio
que já deu satisfação,
mas,
do salafrário esperto
não escapa nem um vintém,
a velhacada rapa
cada cobre da escola,
enfia a mão
no do remédio do ancião,
deita e rola
no do rango do pobre,
se deleita
com o que devia servir
pra construir morada
e não permite que sobre
nem um tostão
pra ser investido
no samango subnutrido,
eu lhe peço perdão,
mas,
por mais que eu evite,
não dá
pra não ser pessimista
à vista de tanta descaração,
e a descaração
tanto cresce por aqui
que parece
não ter limite nem solução,
acho até
que não é
só questão de putaria,
é perversão,
perversão total,
perversão genética,
hereditária qual alergia,
aí...
a ética é secundária,
não há moral que resista!
tome falcatrua!,
e a gentalha
cada vez mais pálida,
cada vez mais esquálida,
cada vez mais sem dente,
quando sai pra rua,
bóia nua
ao léu da corrente
do esgoto a céu aberto
sem saber ao certo
aonde vai dar,
sem falar
no assédio do ladrão,
quando se apóia,
se apóia
num salário escroto,
e é sacaneada
até no ludopédio
que já deu satisfação,
mas,
do salafrário esperto
não escapa nem um vintém,
a velhacada rapa
cada cobre da escola,
enfia a mão
no do remédio do ancião,
deita e rola
no do rango do pobre,
se deleita
com o que devia servir
pra construir morada
e não permite que sobre
nem um tostão
pra ser investido
no samango subnutrido,
eu lhe peço perdão,
mas,
por mais que eu evite,
não dá
pra não ser pessimista
à vista de tanta descaração,
e a descaração
tanto cresce por aqui
que parece
não ter limite nem solução,
acho até
que não é
só questão de putaria,
é perversão,
perversão total,
perversão genética,
hereditária qual alergia,
aí...
a ética é secundária,
não há moral que resista!
terça-feira, julho 18, 2006
Deixe de moda comigo
Deixe de moda comigo
que você
não me engoda
quando se faz de boba
e vem com essa conversa fiada
de oba-oba
em que só amizade rola,
eu não entro nessa!,
comigo,
essa parada não cola,
estou bem por dentro
desse negócio de amigo
que faz festa
sem maldade,
e mais,
não quero sócio
nessa empreitada
nem adorno na testa,
sei que você
pinta e borda
no centro da roda
quando não estou de olho,
agora,
acabou a sopa,
ou você vira
senhora distinta
e transpira
no forno e no fogão,
ou vai
pro olho da rua,
mas,
nua não vai não,
vai com a roupa do corpo!,
aquela túnica singela,
sua roupa do corpo única,
que as demais eu lhe dei!,
e sei que você sabe
que nela
você já não cabe!
que você
não me engoda
quando se faz de boba
e vem com essa conversa fiada
de oba-oba
em que só amizade rola,
eu não entro nessa!,
comigo,
essa parada não cola,
estou bem por dentro
desse negócio de amigo
que faz festa
sem maldade,
e mais,
não quero sócio
nessa empreitada
nem adorno na testa,
sei que você
pinta e borda
no centro da roda
quando não estou de olho,
agora,
acabou a sopa,
ou você vira
senhora distinta
e transpira
no forno e no fogão,
ou vai
pro olho da rua,
mas,
nua não vai não,
vai com a roupa do corpo!,
aquela túnica singela,
sua roupa do corpo única,
que as demais eu lhe dei!,
e sei que você sabe
que nela
você já não cabe!
segunda-feira, julho 17, 2006
O normal é não ser são!
Há louco demais,
louco
que não acaba mais,
louco que se gaba de ser
e louco que se gaba
de não ser louco,
louco
que ficou louco de uma vez
e louco que se fez louco
pouco a pouco,
há louco minguado e louco farto,
há aqualouco
e louco que não sai da água,
louco que mágoa guarda
e louco que não guarda,
louco avaro e louco pródigo,
louco caro e louco módico,
louco claro e louco confuso,
há louco
que é um livro aberto,
livro escrito
pra que entenda até analfabeto,
e louco abstruso e secreto
que não desvenda
nem o sábio
mais hábil e louco,
há louco certo e louco errado,
louco desregrado
e louco metódico,
louco culto e erudito
e louco de código bem restrito,
há louco adulto e louco infantil,
louco que vive a mil
e louco desanimado,
há louco,
cá entre nós,
que já era danado de louco
lá no ventre,
louco nato,
e há louco
que ficou louco
após o parto,
ficou louco
em função do contato,
ou, então,
porque fez voto,
há louco
trancado no quarto
e louco
solto no meio da rua,
há louco
que só fica louco
se alguém disser
que ele é louco
e louco
que louco fica
se se disser
que louco ele não é,
é muito louco, né?!,
há louco de feito e de fato
que sempre dá um jeito
de sair bem na foto
e louco que fica na sua,
que não quer sair na foto
de jeito nenhum,
há louco
louco por zero a zero,
por um a um, dois a dois, três a três
por um a zero ou zero a um,
ou por um, dois, três
ou até mais,
e até de uma vez,
pois louco capaz de topar
qualquer placar,
há louco
que acha o fino
imitar louco famoso
e louco que acha horroso
não ser um louco genuíno,
há louco
tão louco pelo seu louco nicho
que é capaz
de se irritar e virar bicho
se vier algum louco
atrás do seu louco lugar
e há louco
que jamais sossega,
não se apega nem ao lar,
há louco titular e louco reserva,
há louco
que é fogo na roupa,
faz a maior zorra
e nos faz ter inveja
de sua régia porra-louquice
e louco cuja maluquice
não nos poupa,
nos faz sentir muito dó,
há louco com e sem medida,
há louco com doidice suja
que ficou louco
por causa de pó, erva,
bebida e jogo,
fuja desse louco
que esse louco é fogo!,
e há o louco por romance
que não perde a chance
de ficar louco
de paixão por uma mulher,
há louco que finge ser esfinge
porque não quer
dar explicação
sobre essa vida louca
e o louco
que fala pelos cotovelos
e o faz literalmente,
e não se cala
apesar de todos os apelos,
há louco inteligente e fidalgo,
e o louco tacanho e grosso,
há louco comum e louco estranho,
louco justo e louco injusto,
há louco
com muita aptidão
pra qualquer coisa louca
e louco com muito pouca,
há louco vetusto e louco moço,
louco esgalgo e louco atarracado,
há louco
que não liga pra nada
e louco ligado em cada tostão,
há louco sem poder
e louco com poder
saindo pelo ladrão,
em geral,
podres poderes,
como disse o Caetano,
há loucos com e sem haveres,
e os sem
não são poucos,
há loucos
de tudo que é sorte,
do louco insano e rasgado
ao louco com porte
e bem posto,
louco por gosto,
o chamado louco por esporte,
conclusão:
em razão da loucura
da conjuntura atual,
o normal
é não ser são!
louco
que não acaba mais,
louco que se gaba de ser
e louco que se gaba
de não ser louco,
louco
que ficou louco de uma vez
e louco que se fez louco
pouco a pouco,
há louco minguado e louco farto,
há aqualouco
e louco que não sai da água,
louco que mágoa guarda
e louco que não guarda,
louco avaro e louco pródigo,
louco caro e louco módico,
louco claro e louco confuso,
há louco
que é um livro aberto,
livro escrito
pra que entenda até analfabeto,
e louco abstruso e secreto
que não desvenda
nem o sábio
mais hábil e louco,
há louco certo e louco errado,
louco desregrado
e louco metódico,
louco culto e erudito
e louco de código bem restrito,
há louco adulto e louco infantil,
louco que vive a mil
e louco desanimado,
há louco,
cá entre nós,
que já era danado de louco
lá no ventre,
louco nato,
e há louco
que ficou louco
após o parto,
ficou louco
em função do contato,
ou, então,
porque fez voto,
há louco
trancado no quarto
e louco
solto no meio da rua,
há louco
que só fica louco
se alguém disser
que ele é louco
e louco
que louco fica
se se disser
que louco ele não é,
é muito louco, né?!,
há louco de feito e de fato
que sempre dá um jeito
de sair bem na foto
e louco que fica na sua,
que não quer sair na foto
de jeito nenhum,
há louco
louco por zero a zero,
por um a um, dois a dois, três a três
por um a zero ou zero a um,
ou por um, dois, três
ou até mais,
e até de uma vez,
pois louco capaz de topar
qualquer placar,
há louco
que acha o fino
imitar louco famoso
e louco que acha horroso
não ser um louco genuíno,
há louco
tão louco pelo seu louco nicho
que é capaz
de se irritar e virar bicho
se vier algum louco
atrás do seu louco lugar
e há louco
que jamais sossega,
não se apega nem ao lar,
há louco titular e louco reserva,
há louco
que é fogo na roupa,
faz a maior zorra
e nos faz ter inveja
de sua régia porra-louquice
e louco cuja maluquice
não nos poupa,
nos faz sentir muito dó,
há louco com e sem medida,
há louco com doidice suja
que ficou louco
por causa de pó, erva,
bebida e jogo,
fuja desse louco
que esse louco é fogo!,
e há o louco por romance
que não perde a chance
de ficar louco
de paixão por uma mulher,
há louco que finge ser esfinge
porque não quer
dar explicação
sobre essa vida louca
e o louco
que fala pelos cotovelos
e o faz literalmente,
e não se cala
apesar de todos os apelos,
há louco inteligente e fidalgo,
e o louco tacanho e grosso,
há louco comum e louco estranho,
louco justo e louco injusto,
há louco
com muita aptidão
pra qualquer coisa louca
e louco com muito pouca,
há louco vetusto e louco moço,
louco esgalgo e louco atarracado,
há louco
que não liga pra nada
e louco ligado em cada tostão,
há louco sem poder
e louco com poder
saindo pelo ladrão,
em geral,
podres poderes,
como disse o Caetano,
há loucos com e sem haveres,
e os sem
não são poucos,
há loucos
de tudo que é sorte,
do louco insano e rasgado
ao louco com porte
e bem posto,
louco por gosto,
o chamado louco por esporte,
conclusão:
em razão da loucura
da conjuntura atual,
o normal
é não ser são!
Essa carne fraca me fez fazer feio
Essa carne fraca
me fez fazer feio
e levar vaia
quando saí de maca
ainda no meio
da primeira etapa,
e cheguei até a pensar
que tinha
o mapa da mina,
que besteira!,
a menina recatada
sob a saia justa
era quem tinha,
quem diria!,
era ela quem tinha...
e a cacofonia
é bem apropriada,
e de saia justa eu fiquei
quando tirei a dela,
que bastou uma soprada
e se apagou a vela,
e eu estava crente
que ia alumiar o ambiente
de ponta a ponta,
é...
a vela que antes algo valia
não vale agora nem um tusta,
bem,
como não sou mais criança,
é hora de mudança,
e já mudei
da água pro vinho,
daqui pra frente,
só vou com o azulzinho!
me fez fazer feio
e levar vaia
quando saí de maca
ainda no meio
da primeira etapa,
e cheguei até a pensar
que tinha
o mapa da mina,
que besteira!,
a menina recatada
sob a saia justa
era quem tinha,
quem diria!,
era ela quem tinha...
e a cacofonia
é bem apropriada,
e de saia justa eu fiquei
quando tirei a dela,
que bastou uma soprada
e se apagou a vela,
e eu estava crente
que ia alumiar o ambiente
de ponta a ponta,
é...
a vela que antes algo valia
não vale agora nem um tusta,
bem,
como não sou mais criança,
é hora de mudança,
e já mudei
da água pro vinho,
daqui pra frente,
só vou com o azulzinho!
Que tititi!
Esse tititi
não é um tititi à-toa
e vai dar pano pra mangas,
e pra mangas
de batina e albornoz,
aliás,
cá entre nós,
vai ser a redenção
de uma multidão de otários,
os maridos traídos
para os quais o Ricardão
foi muito mais do que algoz,
pegaram a traição em pessoa
e decano da Associação
dos Usuários da Senhora Alheia
todo prosa numa canga rosa
e com uma pequenina
tanga de crochê
cheia de miçanga e paetê,
agora,
a tranqüilidade marital
é total e manifesta,
você já pode deixar
sua cara-metade
ir com a vizinha
àquela atividade social vespertina
sem recear contrair
aquele probleminha na testa
para o qual não há vacina!
não é um tititi à-toa
e vai dar pano pra mangas,
e pra mangas
de batina e albornoz,
aliás,
cá entre nós,
vai ser a redenção
de uma multidão de otários,
os maridos traídos
para os quais o Ricardão
foi muito mais do que algoz,
pegaram a traição em pessoa
e decano da Associação
dos Usuários da Senhora Alheia
todo prosa numa canga rosa
e com uma pequenina
tanga de crochê
cheia de miçanga e paetê,
agora,
a tranqüilidade marital
é total e manifesta,
você já pode deixar
sua cara-metade
ir com a vizinha
àquela atividade social vespertina
sem recear contrair
aquele probleminha na testa
para o qual não há vacina!
sábado, julho 15, 2006
Uma vez carioca da gema...
Uma vez carioca da gema,
carioca da gema até gemer,
uma vez carioca da gema,
carioca da gema até gemer
de tanto beber gemada
com gema choca,
gema de ovo
sem clara nem casca,
gema de ovo
cada vez mais estranha,
mas,
o carioca da gema não pára,
rema e nada,
e não ganha nem empata,
apanha,
e tome porrada na lata
que o pau come!,
mas não faz mal,
o carioca da gema
nada e rema de novo
e mais ainda se lasca,
e torna a remar e a nadar,
e bóia
que a ladainha
cada vez mais
tem mais abobrinha,
e, por trás,
mais barganha e tramóia,
e de novo
rema o carioca da gema
e nada,
nada de paz,
nada de casa,
nada de escola,
nada de hospital
e nem sinal de emprego,
e o nego carioca da gema
só não se arrasa
porque se consola
com uma talagada de goró,
aí,
não se abala com toró,
com condução
ruim de dar dó,
nem com bala e ladrão,
se for chinfrim então,
nem nota,
e o carioca da gema,
por mais que torça,
já não tem força
pra puxar brasa
pra sua sardinha,
pra encarar
a alta da farinha
que tanta falta
faz ao pirão,
uma vez carioca da gema,
carioca da gema até gemer,
uma vez carioca da gema,
carioca da gema até gemer...
carioca da gema até gemer,
uma vez carioca da gema,
carioca da gema até gemer
de tanto beber gemada
com gema choca,
gema de ovo
sem clara nem casca,
gema de ovo
cada vez mais estranha,
mas,
o carioca da gema não pára,
rema e nada,
e não ganha nem empata,
apanha,
e tome porrada na lata
que o pau come!,
mas não faz mal,
o carioca da gema
nada e rema de novo
e mais ainda se lasca,
e torna a remar e a nadar,
e bóia
que a ladainha
cada vez mais
tem mais abobrinha,
e, por trás,
mais barganha e tramóia,
e de novo
rema o carioca da gema
e nada,
nada de paz,
nada de casa,
nada de escola,
nada de hospital
e nem sinal de emprego,
e o nego carioca da gema
só não se arrasa
porque se consola
com uma talagada de goró,
aí,
não se abala com toró,
com condução
ruim de dar dó,
nem com bala e ladrão,
se for chinfrim então,
nem nota,
e o carioca da gema,
por mais que torça,
já não tem força
pra puxar brasa
pra sua sardinha,
pra encarar
a alta da farinha
que tanta falta
faz ao pirão,
uma vez carioca da gema,
carioca da gema até gemer,
uma vez carioca da gema,
carioca da gema até gemer...
sexta-feira, julho 14, 2006
O meu ideal!
Lá no prédio
mora a Berenice
que foi misse
quando
ainda não havia fio-dental
e foto de misse
publicava o jornal,
e a Berenice me disse
que andava com tédio
e que era hora
de agarrar um ideal,
então,
fiz uma tolice,
lhe ofereci o meu
só pra ser gentil,
mas,
a maluca ficou a mil
e quebrou um pau!,
e como doeu!,
e nem cheguei a botar
meu ideal pra fora!,
onde já se viu?!,
é...
hoje em dia,
não dá mais
pra ser educado
nem pra tentar
fazer uma cortesia,
além de ter apanhado,
fui processado
por assédio sexual,
e o Sinédio,
marido da maluca,
diz que eu não presto
e que está decidido,
vai usar uma bazuca
pra dar cabo
de cabo a rabo
do meu ideal!,
que é até
um ideal bem modesto!,
o que é que eu faço agora,
pessoal?,
mas,
meu amigo,
se você
não for qual o Sinédio,
enquanto meu ideal
não se evapora,
se sua senhora precisar
debelar o tédio,
mande-a falar comigo
que eu lho empresto!
mora a Berenice
que foi misse
quando
ainda não havia fio-dental
e foto de misse
publicava o jornal,
e a Berenice me disse
que andava com tédio
e que era hora
de agarrar um ideal,
então,
fiz uma tolice,
lhe ofereci o meu
só pra ser gentil,
mas,
a maluca ficou a mil
e quebrou um pau!,
e como doeu!,
e nem cheguei a botar
meu ideal pra fora!,
onde já se viu?!,
é...
hoje em dia,
não dá mais
pra ser educado
nem pra tentar
fazer uma cortesia,
além de ter apanhado,
fui processado
por assédio sexual,
e o Sinédio,
marido da maluca,
diz que eu não presto
e que está decidido,
vai usar uma bazuca
pra dar cabo
de cabo a rabo
do meu ideal!,
que é até
um ideal bem modesto!,
o que é que eu faço agora,
pessoal?,
mas,
meu amigo,
se você
não for qual o Sinédio,
enquanto meu ideal
não se evapora,
se sua senhora precisar
debelar o tédio,
mande-a falar comigo
que eu lho empresto!
quarta-feira, julho 12, 2006
Alma nômade
Alma nômade,
de quando em quando,
me abandona
sem alerta ou aviso,
deixa a porta aberta
e me deixa solto,
então,
vêm à tona
aquela vontade torta e frouxa
e fico envolto numa colcha
de desejos imprecisos,
mais lampejos
que outra coisa qualquer,
é um efêmero fogo
que não sustenta,
não alenta
bons beijos, bons abraços,
alma nômade
que se desatrela de mim
quando mais preciso dela
e me devasso
num jogo
de não poucas
loucas aventuras,
uma procura
que não tem fim,
minha alma é assim
e me faz inconstante,
me desassossega,
me nega a todo instante
o prazer de fazer
um afago menos breve,
me nega o prazer
de fazer afago
como se deve,
afago profundo,
aí,
vagabundo pela luxúria
aqui e ali,
e vagabundo
com aquela fúria
de quem não sabe o quer,
de quem não sabe sequer
se o que quer quer saber!
de quando em quando,
me abandona
sem alerta ou aviso,
deixa a porta aberta
e me deixa solto,
então,
vêm à tona
aquela vontade torta e frouxa
e fico envolto numa colcha
de desejos imprecisos,
mais lampejos
que outra coisa qualquer,
é um efêmero fogo
que não sustenta,
não alenta
bons beijos, bons abraços,
alma nômade
que se desatrela de mim
quando mais preciso dela
e me devasso
num jogo
de não poucas
loucas aventuras,
uma procura
que não tem fim,
minha alma é assim
e me faz inconstante,
me desassossega,
me nega a todo instante
o prazer de fazer
um afago menos breve,
me nega o prazer
de fazer afago
como se deve,
afago profundo,
aí,
vagabundo pela luxúria
aqui e ali,
e vagabundo
com aquela fúria
de quem não sabe o quer,
de quem não sabe sequer
se o que quer quer saber!
quarta-feira, junho 28, 2006
A bem da verdade
Não sou mais moço,
não sou mais
o touro de outrora,
o osso duro de roer,
e a paixão agora
já não me arrebata,
se foi a fase de ouro
e chegou a de prata
quase sem eu perceber
que fui cumulando
cada hora de cada dia,
cada folia de cada madrugada
e acabei herdando
o que me deixou a boemia,
entretanto,
lhe juro
que não cumulei covardia
e ainda brigo
quando mexem comigo,
dou o troco,
seja até soco e pontapé,
mas,
a bem da verdade,
hoje em dia,
essa valentia
já não me serve mais,
pois,
acuado e só no meu canto,
tenho brigado só com o pranto
por causa dessa tal de saudade!
não sou mais
o touro de outrora,
o osso duro de roer,
e a paixão agora
já não me arrebata,
se foi a fase de ouro
e chegou a de prata
quase sem eu perceber
que fui cumulando
cada hora de cada dia,
cada folia de cada madrugada
e acabei herdando
o que me deixou a boemia,
entretanto,
lhe juro
que não cumulei covardia
e ainda brigo
quando mexem comigo,
dou o troco,
seja até soco e pontapé,
mas,
a bem da verdade,
hoje em dia,
essa valentia
já não me serve mais,
pois,
acuado e só no meu canto,
tenho brigado só com o pranto
por causa dessa tal de saudade!
segunda-feira, junho 26, 2006
A quadratura do círculo
O país se ufana do rapaz
e o rapaz se ufana
de ser a glória do país,
como está cheio de grana,
não tem nem receio
de fazer filosofia,
diz que se lixa
pra essa história
de deixar cair a ficha
porque não é orelhão;
então,
quando a bola rola
e a partida principia,
não cai
a ficha da figura
e não se dá a ligação,
mas,
a torcida cai na real
que o artista esfola
e desfigura a coitada
porque cismou
que vai provar
a quadratura do círculo,
e não há no mundo
nada mais profundo,
nada mais genial,
segundo falou
um especialista em mundial
numa entrevista
pra revista, tevê e jornal,
e a malta que pagou
pra ver futebol,
quando o cisco sai,
vê o visco,
o círculo vicioso:
por falta de classe,
o passe é horroso
e quadrada fica a bola,
com bola quadrada,
a jogada não rola,
se não rola a jogada,
não vem o gol,
se gol não vem,
a malta,
pra não deixar
passar em branco
toco, soco, tapa,
erro, rapa e tranco,
em tom choroso,
sai falando
que tem garçom paca
bem mais virtuoso
dando show de madrugada
em pelada no Aterro,
se safando de perrengue
e dando a bola de bandeja,
aquela bela bola
que enseja ao cozinheiro
fazer gol de faca
e dançar no meio da cozinha
merengue, valsa,
tango ou fado,
caramba!,
tá errado,
enseja ao cozinheiro
dançar samba
na bandeirinha de escanteio
depois de fazer gol de placa
em goleiro que se realça
por não engolir frango
nem com salsa e cebolinha!
e o rapaz se ufana
de ser a glória do país,
como está cheio de grana,
não tem nem receio
de fazer filosofia,
diz que se lixa
pra essa história
de deixar cair a ficha
porque não é orelhão;
então,
quando a bola rola
e a partida principia,
não cai
a ficha da figura
e não se dá a ligação,
mas,
a torcida cai na real
que o artista esfola
e desfigura a coitada
porque cismou
que vai provar
a quadratura do círculo,
e não há no mundo
nada mais profundo,
nada mais genial,
segundo falou
um especialista em mundial
numa entrevista
pra revista, tevê e jornal,
e a malta que pagou
pra ver futebol,
quando o cisco sai,
vê o visco,
o círculo vicioso:
por falta de classe,
o passe é horroso
e quadrada fica a bola,
com bola quadrada,
a jogada não rola,
se não rola a jogada,
não vem o gol,
se gol não vem,
a malta,
pra não deixar
passar em branco
toco, soco, tapa,
erro, rapa e tranco,
em tom choroso,
sai falando
que tem garçom paca
bem mais virtuoso
dando show de madrugada
em pelada no Aterro,
se safando de perrengue
e dando a bola de bandeja,
aquela bela bola
que enseja ao cozinheiro
fazer gol de faca
e dançar no meio da cozinha
merengue, valsa,
tango ou fado,
caramba!,
tá errado,
enseja ao cozinheiro
dançar samba
na bandeirinha de escanteio
depois de fazer gol de placa
em goleiro que se realça
por não engolir frango
nem com salsa e cebolinha!
sábado, junho 24, 2006
Me desculpe, amigo
Me desculpe
o mau gosto
posto que pergunto
“como vai?!”
quando vejo você,
mas,
sai sem querer,
me desculpe,
tocando no assunto,
dou a você o ensejo
de falar um “vou indo...”
de quem já não avança
ou de se enganar
com um “tá tudo bem”
de quem já perdeu
até a esperança,
então,
eu não me empolgo
nem me atrevo
a dizer sorrindo
o usual ‘folgo em saber’
e não digo
que sei que não devo,
enfim,
amigo,
não se ofenda,
não contenda comigo,
entenda o “como vai?!”
como refrão ruim
que a cantar eu sigo,
apesar
de estar ciente
que não cabe
perguntar “como vai?!”
quando se sabe
que quem é normal,
normal minimamente,
certamente
vai indo bem mal!
o mau gosto
posto que pergunto
“como vai?!”
quando vejo você,
mas,
sai sem querer,
me desculpe,
tocando no assunto,
dou a você o ensejo
de falar um “vou indo...”
de quem já não avança
ou de se enganar
com um “tá tudo bem”
de quem já perdeu
até a esperança,
então,
eu não me empolgo
nem me atrevo
a dizer sorrindo
o usual ‘folgo em saber’
e não digo
que sei que não devo,
enfim,
amigo,
não se ofenda,
não contenda comigo,
entenda o “como vai?!”
como refrão ruim
que a cantar eu sigo,
apesar
de estar ciente
que não cabe
perguntar “como vai?!”
quando se sabe
que quem é normal,
normal minimamente,
certamente
vai indo bem mal!
segunda-feira, junho 19, 2006
Deu ziquizira na atual conjuntura
Parece mentira,
mas,
não é não!,
deu ziquizira
na atual conjuntura,
até a tradicional cuíca
anda com um jeito
muito suspeito,
estica o bolero
e vai à loucura,
quando do bolero sai
e tenta um samba,
empola o pobre tanto
que nem santo agüenta,
ou faz um samba
tão nobre e austero
que até parece feito
pra ser levado
por viola de gamba,
aí,
a ginga do bamba
não ata nem desata,
a mulata vira senhora
e rebola um rebolado
tão fora de moda
que nem dá na vista,
e a roda não vinga,
enfim,
é uma ziquizira tão ruim
que tem sambista
se engasgando com pinga.
mas,
não é não!,
deu ziquizira
na atual conjuntura,
até a tradicional cuíca
anda com um jeito
muito suspeito,
estica o bolero
e vai à loucura,
quando do bolero sai
e tenta um samba,
empola o pobre tanto
que nem santo agüenta,
ou faz um samba
tão nobre e austero
que até parece feito
pra ser levado
por viola de gamba,
aí,
a ginga do bamba
não ata nem desata,
a mulata vira senhora
e rebola um rebolado
tão fora de moda
que nem dá na vista,
e a roda não vinga,
enfim,
é uma ziquizira tão ruim
que tem sambista
se engasgando com pinga.
quarta-feira, junho 14, 2006
Malandro por osmose
Não o proíbo de os perder,
mas,
tente não perder os estribos
a ponto
de sair no tapa com o fato,
se conforme,
meu chapa,
é bem mais inteligente
já que o que está feito,
feito está,
e pronto, e ponto,
e é preciso ter muita malícia
pra escapar intato,
portanto,
antes de passar recibo
de sua enorme imperícia
e de consumar o prejuízo,
vá à Lapa,
primeiro,
se encoste num poste
de uma esquina
e até pose,
mas sem exagero,
gente fina,
a seguir,
entre num bar,
peça uma dose de quinado
e vá bebericando
bem devagar,
gole a gole,
e dando asas à imaginação
até se sentir em casa,
então,
imagine
um malandro ao seu lado,
não um malandro
sem tino nem psicologia
pra se livrar
de confusão e percalço,
não um malandro
falso, chucro
e sem selo de garantia,
imagine
um malandro genuíno,
malandro de fato
e do sapato bicolor
à brilhantina no cabelo,
tente imaginar
um digno exemplar,
um malandro de valor,
malandro capaz de botar
panos quentes
nos piores atropelos
e de tirar algum lucro
dos maiores danos,
quiçá,
após ter bebericado
a dose de quinado,
você
tenha se tornado malandro,
malandro por osmose!
mas,
tente não perder os estribos
a ponto
de sair no tapa com o fato,
se conforme,
meu chapa,
é bem mais inteligente
já que o que está feito,
feito está,
e pronto, e ponto,
e é preciso ter muita malícia
pra escapar intato,
portanto,
antes de passar recibo
de sua enorme imperícia
e de consumar o prejuízo,
vá à Lapa,
primeiro,
se encoste num poste
de uma esquina
e até pose,
mas sem exagero,
gente fina,
a seguir,
entre num bar,
peça uma dose de quinado
e vá bebericando
bem devagar,
gole a gole,
e dando asas à imaginação
até se sentir em casa,
então,
imagine
um malandro ao seu lado,
não um malandro
sem tino nem psicologia
pra se livrar
de confusão e percalço,
não um malandro
falso, chucro
e sem selo de garantia,
imagine
um malandro genuíno,
malandro de fato
e do sapato bicolor
à brilhantina no cabelo,
tente imaginar
um digno exemplar,
um malandro de valor,
malandro capaz de botar
panos quentes
nos piores atropelos
e de tirar algum lucro
dos maiores danos,
quiçá,
após ter bebericado
a dose de quinado,
você
tenha se tornado malandro,
malandro por osmose!
quinta-feira, junho 08, 2006
Esse ele
Ele aprecia entrada franca
e boca-livre,
conforme a entrada
é mais franca
e a boca é mais livre,
mais ele aprecia,
ele não dorme de touca,
ele é fã de carteirinha
do farinha pouca,
meu pirão primeiro,
ele banca o intelectual
e enuncia
relha e velha expressão
sem preposição
e com adverbial cacofonia:
“sã mente corpo são”;
ele é useiro e vezeiro
em conto e pulo-do-gato,
especialmente,
em conto-do-vigário
e da carochinha,
basta ele achar pela frente
um mais tonto,
mais otário do que ele,
e ele está sempre pronto
a tirar o corpo fora
pra não pagar o pato,
e ele comemora
quando o pato
é pago por alguém,
agora,
ele fica gago, tremilica e até chora
quando tem que pagar
e ele chega a se inflar de indignação
quando o pagão é sua nega,
amigo ou parente chegado,
mas,
se o pagador for inimigo,
sogra, sogro,
cunhada ou cunhado,
ele até malogra feliz
e é capaz de pedir bis
de tanto que se apraz
com o remate do malogro,
enfim,
até aí,
nada de mais,
que há gente assim
em qualquer local
desse disparate global,
é um denominador comum,
mas aqui,
o numerador é atroz,
sua dimensão
faz a fração
ser quase igual a um,
é isso aí!,
entre nós,
esse ele
é pronome bem universal
em gênero, número e grau!
e boca-livre,
conforme a entrada
é mais franca
e a boca é mais livre,
mais ele aprecia,
ele não dorme de touca,
ele é fã de carteirinha
do farinha pouca,
meu pirão primeiro,
ele banca o intelectual
e enuncia
relha e velha expressão
sem preposição
e com adverbial cacofonia:
“sã mente corpo são”;
ele é useiro e vezeiro
em conto e pulo-do-gato,
especialmente,
em conto-do-vigário
e da carochinha,
basta ele achar pela frente
um mais tonto,
mais otário do que ele,
e ele está sempre pronto
a tirar o corpo fora
pra não pagar o pato,
e ele comemora
quando o pato
é pago por alguém,
agora,
ele fica gago, tremilica e até chora
quando tem que pagar
e ele chega a se inflar de indignação
quando o pagão é sua nega,
amigo ou parente chegado,
mas,
se o pagador for inimigo,
sogra, sogro,
cunhada ou cunhado,
ele até malogra feliz
e é capaz de pedir bis
de tanto que se apraz
com o remate do malogro,
enfim,
até aí,
nada de mais,
que há gente assim
em qualquer local
desse disparate global,
é um denominador comum,
mas aqui,
o numerador é atroz,
sua dimensão
faz a fração
ser quase igual a um,
é isso aí!,
entre nós,
esse ele
é pronome bem universal
em gênero, número e grau!
quarta-feira, junho 07, 2006
Sou essa mistura!
De fato,
sou essa mistura!,
mistura
misturada a contento
no momento exato,
a contento e exato pra mim,
aliás,
pelo que sei,
é sempre assim...
e não sei mais nada...
não sei
se fui exuberante fagulha
num contato faiscante
ou uma agulha
que achou no palheiro
alguém que nem procurava,
pra ser verdadeiro,
não posso nem dizer
se havia um intento,
se havia,
se do intento eu constava,
não posso nem dizer
‘do intento saí tanto por cento’,
pois é,
o tanto que sei
é que sou essa mistura,
e, desde então,
me misturei por aí,
às vezes,
a intenção até foi boa,
e daí?!,
se sequer sei dizer
em quanta mistura
me misturei,
mistura de fato,
e, quando ocorreu
de fato mistura,
sequer sei dizer
se foi meio a meio,
se valeu,
se não foi mistura
misturada à toa!,
mistura de nada!,
enfim,
sou assim e só sei dizer:
sou essa mistura!
sou essa mistura!,
mistura
misturada a contento
no momento exato,
a contento e exato pra mim,
aliás,
pelo que sei,
é sempre assim...
e não sei mais nada...
não sei
se fui exuberante fagulha
num contato faiscante
ou uma agulha
que achou no palheiro
alguém que nem procurava,
pra ser verdadeiro,
não posso nem dizer
se havia um intento,
se havia,
se do intento eu constava,
não posso nem dizer
‘do intento saí tanto por cento’,
pois é,
o tanto que sei
é que sou essa mistura,
e, desde então,
me misturei por aí,
às vezes,
a intenção até foi boa,
e daí?!,
se sequer sei dizer
em quanta mistura
me misturei,
mistura de fato,
e, quando ocorreu
de fato mistura,
sequer sei dizer
se foi meio a meio,
se valeu,
se não foi mistura
misturada à toa!,
mistura de nada!,
enfim,
sou assim e só sei dizer:
sou essa mistura!
terça-feira, junho 06, 2006
Tampe o seu nariz!
Não liga pra essa figura
repleta de pose,
contudo,
caso a pose incomode,
imagine o posudo no vaso,
e pode ser ele quem for,
doutor, capitalista,
artista ou atleta,
ou até a boazuda
cheia de frescura
que sacaneia a gente,
a gente dura e miúda,
é bom que se diga,
e como o posudo não cabe
em vaso de flor...
você já sabe
de que vaso estou falando,
e comece
imaginando o todo
pra ter visão completa,
depois,
vá direito aos closes,
e closes a rodo
pra captar cada faceta,
cada careta, veia e trejeito,
não há pose que resista,
bom,
caso falhe
e siga chateando a pose,
passe em revista
um outro detalhe,
som ou aroma,
ou mesmo os dois,
depois,
me diga se a pose
não entrou em coma,
e em coma profundo,
todavia,
não se dobre de rir,
ria só por dentro,
deixe o pobre infeliz
seguir em frente
achando que é o centro do mundo!,
mas,
disfarçadamente,
tampe o seu nariz!
repleta de pose,
contudo,
caso a pose incomode,
imagine o posudo no vaso,
e pode ser ele quem for,
doutor, capitalista,
artista ou atleta,
ou até a boazuda
cheia de frescura
que sacaneia a gente,
a gente dura e miúda,
é bom que se diga,
e como o posudo não cabe
em vaso de flor...
você já sabe
de que vaso estou falando,
e comece
imaginando o todo
pra ter visão completa,
depois,
vá direito aos closes,
e closes a rodo
pra captar cada faceta,
cada careta, veia e trejeito,
não há pose que resista,
bom,
caso falhe
e siga chateando a pose,
passe em revista
um outro detalhe,
som ou aroma,
ou mesmo os dois,
depois,
me diga se a pose
não entrou em coma,
e em coma profundo,
todavia,
não se dobre de rir,
ria só por dentro,
deixe o pobre infeliz
seguir em frente
achando que é o centro do mundo!,
mas,
disfarçadamente,
tampe o seu nariz!
quinta-feira, junho 01, 2006
Fazer sessenta é mole...
Fazer sessenta é mole...
bole positivamente com a gente
que são muitos motivos pra ficar feliz,
muitos motivos...
muitos...
quais são, hein?!,
parece que a gente
fica frente a frente...
é...
é melhor deixar pra lá...
fico imaginando então
como deve ser
fazer sessenta e nove?!,
ou será que já fiz
e nem me lembro?!
puxa...
nem lembro
onde deixei o meu Engov?!,
bom...
não dá mesmo
pra recuperar o que foi perdido,
noite de sono,
manhã curtindo ressaca
e podia ter bebido logo outro gole,
quantos goles não bebidos...
aqueles dias
com a faca e o queijo na mão...
queijo e faca na mão do dono!,
o chefe, o fiscal, o guarda no sinal,
o gerente do banco,
bom...
não dá mesmo
pra apagar aquele blefe esperto,
tão esperto
que nem certo deu
e a patroa
o botou no meu prontuário
como razão pra tentar
a remoção dos meus testículos...
e seria um arranco à-toa...
não dá nem pra imaginar!,
ia ser mesmo ridículo...
sexagenário
e ainda por cima...
felizmente saí ileso
e, como ainda os prezo,
isso até me anima um pouco...
um pouco...
pra que servem mesmo os testículos?!,
enfim,
parabéns pra mim,
agora,
ao lado da minha senhora,
vou apagar...
quer dizer,
sou soprar minhas velhinhas!
(não me goze
nem me desça o malho
que não foi cinismo
nem ato falho
em dose dupla
depois de mais uma dose,
foi só barbarismo,
e não deu tempo pra apagar...,
quer dizer,
não deu tempo pra corrigir),
bem,
preciso admitir
que uma vantagem
o sexagenário tem,
o pessoal botou até o plural
na conta da esclerose
e não deu nenhum galho!
bole positivamente com a gente
que são muitos motivos pra ficar feliz,
muitos motivos...
muitos...
quais são, hein?!,
parece que a gente
fica frente a frente...
é...
é melhor deixar pra lá...
fico imaginando então
como deve ser
fazer sessenta e nove?!,
ou será que já fiz
e nem me lembro?!
puxa...
nem lembro
onde deixei o meu Engov?!,
bom...
não dá mesmo
pra recuperar o que foi perdido,
noite de sono,
manhã curtindo ressaca
e podia ter bebido logo outro gole,
quantos goles não bebidos...
aqueles dias
com a faca e o queijo na mão...
queijo e faca na mão do dono!,
o chefe, o fiscal, o guarda no sinal,
o gerente do banco,
bom...
não dá mesmo
pra apagar aquele blefe esperto,
tão esperto
que nem certo deu
e a patroa
o botou no meu prontuário
como razão pra tentar
a remoção dos meus testículos...
e seria um arranco à-toa...
não dá nem pra imaginar!,
ia ser mesmo ridículo...
sexagenário
e ainda por cima...
felizmente saí ileso
e, como ainda os prezo,
isso até me anima um pouco...
um pouco...
pra que servem mesmo os testículos?!,
enfim,
parabéns pra mim,
agora,
ao lado da minha senhora,
vou apagar...
quer dizer,
sou soprar minhas velhinhas!
(não me goze
nem me desça o malho
que não foi cinismo
nem ato falho
em dose dupla
depois de mais uma dose,
foi só barbarismo,
e não deu tempo pra apagar...,
quer dizer,
não deu tempo pra corrigir),
bem,
preciso admitir
que uma vantagem
o sexagenário tem,
o pessoal botou até o plural
na conta da esclerose
e não deu nenhum galho!
quarta-feira, maio 31, 2006
Prezado Senhor Ladrão
Prezado Senhor Ladrão,
atire,
mas,
se vire pra mirar em mim
e errar o alvo,
assim,
o senhor cumprirá
seu relevante papel
e não mandará
um ser insigificante pro beleléu,
juro que não é
egoísmo mal disfarçado,
é patriotismo puro,
Senhor Ladrão,
que me preservar
é essencial
pra preservação do mercado,
caso eu escape são e salvo
do assalto presente,
o senhor vai poder ir em frente
que vai ter alguém
pra assaltar amanhã
na mesma hora e no mesmo local,
portanto,
não seja afoito,
nem me atrase também,
Senhor Ladrão,
já são quase oito da manhã,
se eu chegar atrasado,
nos põe na rua meu patrão,
por outro lado,
apesar de ser injusto
exigi-la do senhor
já que, na qualidade
de profissional neoliberal,
não pode incluí-la
no seu custo operacional,
soube que o Senhor
ainda não pagou
sua contribuição marginal,
por favor,
entenda
que minha assertiva
nada tem de pessoal,
mas,
se o senhor não contribuir,
não terá inscrição
nem carteira de Ladrão
e não poderei deduzir
no meu imposto de renda
minha colaboração em real,
cheque, jóia, auto, cartão e celular,
e o mais que o senhor
quiser pegar!,
aliás,
contribuição
que me enche de alegria
e de vaidade como cidadão,
posto que eu não passe
de um cidadão de terceira classe
que não faz mais
do que cumprir sua obrigação social
quando apóia e auxilia V. Sa.,
um cidadão de primeira,
a sustentar o alto padrão
de sua atividade produtiva
sem precisar puxar o breque
em razão de crises
e deslizes na economia!
Respeitosamente,
Fulano de Tal
atire,
mas,
se vire pra mirar em mim
e errar o alvo,
assim,
o senhor cumprirá
seu relevante papel
e não mandará
um ser insigificante pro beleléu,
juro que não é
egoísmo mal disfarçado,
é patriotismo puro,
Senhor Ladrão,
que me preservar
é essencial
pra preservação do mercado,
caso eu escape são e salvo
do assalto presente,
o senhor vai poder ir em frente
que vai ter alguém
pra assaltar amanhã
na mesma hora e no mesmo local,
portanto,
não seja afoito,
nem me atrase também,
Senhor Ladrão,
já são quase oito da manhã,
se eu chegar atrasado,
nos põe na rua meu patrão,
por outro lado,
apesar de ser injusto
exigi-la do senhor
já que, na qualidade
de profissional neoliberal,
não pode incluí-la
no seu custo operacional,
soube que o Senhor
ainda não pagou
sua contribuição marginal,
por favor,
entenda
que minha assertiva
nada tem de pessoal,
mas,
se o senhor não contribuir,
não terá inscrição
nem carteira de Ladrão
e não poderei deduzir
no meu imposto de renda
minha colaboração em real,
cheque, jóia, auto, cartão e celular,
e o mais que o senhor
quiser pegar!,
aliás,
contribuição
que me enche de alegria
e de vaidade como cidadão,
posto que eu não passe
de um cidadão de terceira classe
que não faz mais
do que cumprir sua obrigação social
quando apóia e auxilia V. Sa.,
um cidadão de primeira,
a sustentar o alto padrão
de sua atividade produtiva
sem precisar puxar o breque
em razão de crises
e deslizes na economia!
Respeitosamente,
Fulano de Tal
segunda-feira, maio 29, 2006
Foi o bonde que se perdeu!
Você é percussionista precursor
da percussão sem tambor
que não precisa ser percussor
pra fazer a platéia percutir
em toda a extensão da emoção,
você é cantor precursor
do canto que encanta
quando você não canta
porque o encanto
é fazer fluir na idéia a canção,
e mais,
você é artista
e baluarte da encenação
que vai de encontro à arte
pra lhe dar um encontrão,
e abalar, e sacudir,
recontro pra partir o coração,
e parte,
e rolam cacos pelo chão e pela fala,
e com a fala vêm
gotas e mais gotas,
e o perdigoto não rega,
esbodega o broto,
garoto, garota,
donde,
se pode concluir,
não fui eu
que perdi o bonde,
foi o bonde que se perdeu!
da percussão sem tambor
que não precisa ser percussor
pra fazer a platéia percutir
em toda a extensão da emoção,
você é cantor precursor
do canto que encanta
quando você não canta
porque o encanto
é fazer fluir na idéia a canção,
e mais,
você é artista
e baluarte da encenação
que vai de encontro à arte
pra lhe dar um encontrão,
e abalar, e sacudir,
recontro pra partir o coração,
e parte,
e rolam cacos pelo chão e pela fala,
e com a fala vêm
gotas e mais gotas,
e o perdigoto não rega,
esbodega o broto,
garoto, garota,
donde,
se pode concluir,
não fui eu
que perdi o bonde,
foi o bonde que se perdeu!
Vou perder por aí o juízo
Vou perder por aí o juízo
que o juízo
me atirou na armadilha,
a loucura da vida séria,
ganhar dinheiro e pagar fatura,
e uma pilha pra pagar,
vida sem pilhéria e sem piada,
e dei guinada
do riso maneiro
pra cara emburrada
sem receio de ruga e carquilha,
fui qual cordeirinho
do recreio pra sala de aula
ligado no raio do boletim,
adeus!, pebolim, pelada,
gude e papagaio!,
adeus!, juventude!,
desisti da fuga no meio do caminho
e, sem escala,
voltei pra jaula apertada,
de dia, escritório,
de noite, lar doce lar,
fui do boteco pro consultório
pra levar sermão
e passei a sentir
um treco aqui e outro ali,
ou seja,
adquiri o velório à prestação
e a coroa à vista
que a patroa
meteu o arreio em mim,
e o broto fez a pista,
que broto não vinga
numa vida assim,
aí,
em vez de pinga, cerveja,
rabada e feijoada completa,
dieta
com canja e laranja-seleta,
em vez de show e madrugada,
reunião com a parentada,
em vez de orgia e desfrute,
amor caseiro
com posição e hora marcada,
cheiro e sabor de chuchu,
e nada de repeteco,
em vez do chute a gol que arrepia,
a apatia do tiro de meta,
agora,
avisa a seta quando viro
e entro pra direita ou pra esquerda,
e se divisa
a luz de freio perfeita
quando breco pra não sair do centro,
donde se deduz
que preciso
perder por aí esse juízo
enquanto não é plena a perda
e ainda dá
pra erguer algum caneco!,
se é que ainda dá?!
que o juízo
me atirou na armadilha,
a loucura da vida séria,
ganhar dinheiro e pagar fatura,
e uma pilha pra pagar,
vida sem pilhéria e sem piada,
e dei guinada
do riso maneiro
pra cara emburrada
sem receio de ruga e carquilha,
fui qual cordeirinho
do recreio pra sala de aula
ligado no raio do boletim,
adeus!, pebolim, pelada,
gude e papagaio!,
adeus!, juventude!,
desisti da fuga no meio do caminho
e, sem escala,
voltei pra jaula apertada,
de dia, escritório,
de noite, lar doce lar,
fui do boteco pro consultório
pra levar sermão
e passei a sentir
um treco aqui e outro ali,
ou seja,
adquiri o velório à prestação
e a coroa à vista
que a patroa
meteu o arreio em mim,
e o broto fez a pista,
que broto não vinga
numa vida assim,
aí,
em vez de pinga, cerveja,
rabada e feijoada completa,
dieta
com canja e laranja-seleta,
em vez de show e madrugada,
reunião com a parentada,
em vez de orgia e desfrute,
amor caseiro
com posição e hora marcada,
cheiro e sabor de chuchu,
e nada de repeteco,
em vez do chute a gol que arrepia,
a apatia do tiro de meta,
agora,
avisa a seta quando viro
e entro pra direita ou pra esquerda,
e se divisa
a luz de freio perfeita
quando breco pra não sair do centro,
donde se deduz
que preciso
perder por aí esse juízo
enquanto não é plena a perda
e ainda dá
pra erguer algum caneco!,
se é que ainda dá?!
sexta-feira, maio 26, 2006
Esplêndido prazer!
Que esplêndido contorno
e entorno meu prazer
em torno do seu,
você me contorna
enquanto contorno você,
quanto prazer!,
prazer esplêndido,
que esplêndida montaria
você se torna,
que cavalgada esplêndida,
eu desmonto
e pronto você monta,
e a montada nos desvaria,
e não nos amendronta
nenhum vale,
não há monte
que a gente não escale,
não há ponte
que a gente não cruze,
não há fonte
que a gente não use,
em que a gente
não se molhe,
não há flor nem folha
que a gente
não desflore e desfolhe,
não há sabor
que não aflore,
que a gente
não adore consumir,
sentir todo o gosto,
não há fronteira
que nos tolha,
que a gente não afronte,
não há limite
que nos seja imposto,
nem maneira
que a gente evite
ou não explore,
prazer esplêndido,
esplêndido prazer!
e entorno meu prazer
em torno do seu,
você me contorna
enquanto contorno você,
quanto prazer!,
prazer esplêndido,
que esplêndida montaria
você se torna,
que cavalgada esplêndida,
eu desmonto
e pronto você monta,
e a montada nos desvaria,
e não nos amendronta
nenhum vale,
não há monte
que a gente não escale,
não há ponte
que a gente não cruze,
não há fonte
que a gente não use,
em que a gente
não se molhe,
não há flor nem folha
que a gente
não desflore e desfolhe,
não há sabor
que não aflore,
que a gente
não adore consumir,
sentir todo o gosto,
não há fronteira
que nos tolha,
que a gente não afronte,
não há limite
que nos seja imposto,
nem maneira
que a gente evite
ou não explore,
prazer esplêndido,
esplêndido prazer!
quinta-feira, maio 25, 2006
De improviso
Moa,
meu irmão,
sua improvisação
foi muito boa,
mas,
mesmo de improviso
foi meu riso fuleiro,
riso de quem do pandeiro
tirou miado
e precisou jogar no veado
pra não ser apanhado
pelo dono do bichano,
um Fulano de Tal
torturante como ele só
e com muita prática
que serviço relevante já prestou
à medicina artesanal
dando nó nas tripas,
retirando glândula hepática
e metendo a ripa
em muita gente fina,
sem nem medir pressão arterial,
e fez tudo isso
lá mesmo no quintal
onde corria a batucada,
bem...
como tem medo quem tem
e já não é assim tão cedo...
lá vai uma talagada,
homeopatia,
pra me acalmar a nervosia!!!
meu irmão,
sua improvisação
foi muito boa,
mas,
mesmo de improviso
foi meu riso fuleiro,
riso de quem do pandeiro
tirou miado
e precisou jogar no veado
pra não ser apanhado
pelo dono do bichano,
um Fulano de Tal
torturante como ele só
e com muita prática
que serviço relevante já prestou
à medicina artesanal
dando nó nas tripas,
retirando glândula hepática
e metendo a ripa
em muita gente fina,
sem nem medir pressão arterial,
e fez tudo isso
lá mesmo no quintal
onde corria a batucada,
bem...
como tem medo quem tem
e já não é assim tão cedo...
lá vai uma talagada,
homeopatia,
pra me acalmar a nervosia!!!
terça-feira, maio 23, 2006
Sou batuqueiro
Sou batuqueiro
e batuqueiro só batuca
se puder batucar
o batuque inteiro
sem magoar
pandeiro e tamborim,
e não abro mão de ser assim,
pra mim,
se magoa,
é coisa de nada,
qualquer coisa à-toa,
o que você quiser,
mas não é batucada,
pode ser até batucação
que é coisa de quem
não tem o batuque no lugar,
coisa de quem
mete os pés pelas mãos
quando se mete com o tarol,
então,
cada um batuca o que bem quer,
um batuca e diz que é sol,
um sol que não esquenta,
outro inventa e dó diz que é,
e dá muito dó,
o mesmo dó que dá
quem vem de lá
e vem cheio de si,
batuca em fá
e diz que é batuque em mi,
e mais feio ainda é
quem vem de ré
e faz o batuque andar pra trás,
meu camarada,
essa coisa maluca
é qualquer coisa
ou coisa qualquer,
se quiser,
chame de batucação!,
mas,
de batucada
não chame não!
e batuqueiro só batuca
se puder batucar
o batuque inteiro
sem magoar
pandeiro e tamborim,
e não abro mão de ser assim,
pra mim,
se magoa,
é coisa de nada,
qualquer coisa à-toa,
o que você quiser,
mas não é batucada,
pode ser até batucação
que é coisa de quem
não tem o batuque no lugar,
coisa de quem
mete os pés pelas mãos
quando se mete com o tarol,
então,
cada um batuca o que bem quer,
um batuca e diz que é sol,
um sol que não esquenta,
outro inventa e dó diz que é,
e dá muito dó,
o mesmo dó que dá
quem vem de lá
e vem cheio de si,
batuca em fá
e diz que é batuque em mi,
e mais feio ainda é
quem vem de ré
e faz o batuque andar pra trás,
meu camarada,
essa coisa maluca
é qualquer coisa
ou coisa qualquer,
se quiser,
chame de batucação!,
mas,
de batucada
não chame não!
sexta-feira, maio 19, 2006
Que porcaria!
Quando a porca torce o rabo,
brabo fica o porco
ronca e mete bronca,
mas,
fica surda a porca
e manda o porco amolar o boi,
sacando que já foi
pro brejo a vaca,
aliás,
que foi pro brejo a porca,
chafurda na lama o porco
pra não criar fama de burro
nem dar com os eles n’água,
mas,
dá murro o porco
em ponta de faca
que a porca está cheia,
cheia de sérias mágoas,
então,
quando parece
não haver solução,
oferece o porco
mundos e fundos,
mais fundos que mundos,
cartão e conta sem limite,
e faz convite fascinante:
férias eternas
em Palma de Maiorca!,
é o bastante,
a porca se acalma e abre as pernas!
brabo fica o porco
ronca e mete bronca,
mas,
fica surda a porca
e manda o porco amolar o boi,
sacando que já foi
pro brejo a vaca,
aliás,
que foi pro brejo a porca,
chafurda na lama o porco
pra não criar fama de burro
nem dar com os eles n’água,
mas,
dá murro o porco
em ponta de faca
que a porca está cheia,
cheia de sérias mágoas,
então,
quando parece
não haver solução,
oferece o porco
mundos e fundos,
mais fundos que mundos,
cartão e conta sem limite,
e faz convite fascinante:
férias eternas
em Palma de Maiorca!,
é o bastante,
a porca se acalma e abre as pernas!
quinta-feira, maio 18, 2006
Reze!
Não esqueça:
na cabeça não bata
se não estiver certo
de que se trata de prego;
se puder virar rolo,
não dê nó cego
que é nó
que não se desata;
só fale em solar
se souber
que não se trata de bolo
e se não houver
mulher por perto,
se falar,
ela pode querer se casar;
desconfie de consolo
que pode haver dolo
e não ser colo nem ombro,
e você pode ficar acostumado;
não se fie só no desassombro
que de desassombrado
o cemitério está cheio,
e o receio às vezes é tão saudável;
seja sério,
mas,
não tanto a ponto
de ser bastante tonto
pra não juntar o útil ao agradável;
mesmo se parecer inconsútil,
procure tacha, emenda, costura,
afinal,
quem procura acha;
se renda se for mais barato
do que não se render;
tenha a sua versão,
mas,
saiba que pode não ser
a melhor versão do fato
e que revisão talvez caiba;
e sempre se preze,
mas,
não seja pernóstico
não banque o tal,
não despreze
nem lese os demais;
aliás,
seja ateu, agnóstico,
descrente em geral,
se quiser ter paz
pra seguir em frente,
faça como eu,
reze!,
que rezar mal nunca faz!
na cabeça não bata
se não estiver certo
de que se trata de prego;
se puder virar rolo,
não dê nó cego
que é nó
que não se desata;
só fale em solar
se souber
que não se trata de bolo
e se não houver
mulher por perto,
se falar,
ela pode querer se casar;
desconfie de consolo
que pode haver dolo
e não ser colo nem ombro,
e você pode ficar acostumado;
não se fie só no desassombro
que de desassombrado
o cemitério está cheio,
e o receio às vezes é tão saudável;
seja sério,
mas,
não tanto a ponto
de ser bastante tonto
pra não juntar o útil ao agradável;
mesmo se parecer inconsútil,
procure tacha, emenda, costura,
afinal,
quem procura acha;
se renda se for mais barato
do que não se render;
tenha a sua versão,
mas,
saiba que pode não ser
a melhor versão do fato
e que revisão talvez caiba;
e sempre se preze,
mas,
não seja pernóstico
não banque o tal,
não despreze
nem lese os demais;
aliás,
seja ateu, agnóstico,
descrente em geral,
se quiser ter paz
pra seguir em frente,
faça como eu,
reze!,
que rezar mal nunca faz!
terça-feira, maio 16, 2006
Promessa é promessa
Cobrei fundo do Viriato
o fato que me prometeu,
eu sou assim
que sou de um fim de mundo
onde ninguém capa o mato
pra não pagar promessa,
onde de promessa ninguém escapa,
eu sou de uma plaga
onde quem de uma vez
a promessa não paga,
paga lapa a lapa,
mês a mês,
mas faz a paga,
sou de plaga
em que não se brinca
com promessa,
pois,
quem por bem não paga,
paga então no tapa,
e tem até gente
que no promitente a faca finca,
minha plaga fica distante à beça,
tão distante,
que nem sei se lá já chegou o mapa,
mas,
me ouça,
se um dia você chegar,
não faça promessa,
agora,
se promessa fizer,
não deixe de pagar
e pague na hora,
que sua linda mulher
inda é moça pra enviuvar!
o fato que me prometeu,
eu sou assim
que sou de um fim de mundo
onde ninguém capa o mato
pra não pagar promessa,
onde de promessa ninguém escapa,
eu sou de uma plaga
onde quem de uma vez
a promessa não paga,
paga lapa a lapa,
mês a mês,
mas faz a paga,
sou de plaga
em que não se brinca
com promessa,
pois,
quem por bem não paga,
paga então no tapa,
e tem até gente
que no promitente a faca finca,
minha plaga fica distante à beça,
tão distante,
que nem sei se lá já chegou o mapa,
mas,
me ouça,
se um dia você chegar,
não faça promessa,
agora,
se promessa fizer,
não deixe de pagar
e pague na hora,
que sua linda mulher
inda é moça pra enviuvar!
sexta-feira, maio 12, 2006
"Juris tantum"
Você abusa da gala e da prosa
e mal-usa a seleção natural
quando fala do seu DNA,
segundo você,
não há nada tão especial,
conclusão:
posa de patrão do mundo
e não faz caso
da macacada do macacão;
mas que besteira!,
você está na mesma lida,
é empregado da vida
tal qual outro qualquer,
carteira assinada
por prazo indeterminado
e fundo de garantia,
mas,
o prazo acaba um dia
e sequer a garantia é nova,
a garantia
é o fundo da cova,
seja rasa ou não,
e essa constatação
arrasa a sua presunção
que não é juris et de jure,
mas juris tantum,
portanto,
pode ser rebatida,
desmentida e muito mais,
aliás,
saiba mais sobre as locuções,
procure as definições do Houaiss!
e mal-usa a seleção natural
quando fala do seu DNA,
segundo você,
não há nada tão especial,
conclusão:
posa de patrão do mundo
e não faz caso
da macacada do macacão;
mas que besteira!,
você está na mesma lida,
é empregado da vida
tal qual outro qualquer,
carteira assinada
por prazo indeterminado
e fundo de garantia,
mas,
o prazo acaba um dia
e sequer a garantia é nova,
a garantia
é o fundo da cova,
seja rasa ou não,
e essa constatação
arrasa a sua presunção
que não é juris et de jure,
mas juris tantum,
portanto,
pode ser rebatida,
desmentida e muito mais,
aliás,
saiba mais sobre as locuções,
procure as definições do Houaiss!
quinta-feira, maio 11, 2006
A simpatia saía às avessas
Sem saber que caía,
caí na conversa,
ele sabia fazer simpatia,
mas,
eu não sabia
que a simpatia
saía às avessas,
e não é história não,
comecei pedindo dinheiro
pra pagar o que devia,
ele fez simpatia pra vir grana,
o dinheiro não veio,
todavia,
veio promissória
e só não fui em cana
porque meti meu jamegão,
entretanto,
não desisti não,
voltei e pedi
pra fechar bom negócio
que estava quase fechado,
pois bem,
ele se pôs a fazer
simpatia de fechamento
e foi tão fundo
que o negócio deu errado
um segundo depois,
bem,
como sou insistente,
talvez louco,
e carecia de apartamento
um pouco maior,
fui em frente,
ele fez simpatia de melhor moradia,
então,
o maior não veio não,
perdi o menor que tinha
e tive aumento na prestação,
já ia jogar a toalha
quando lembrei da Amália,
minha vizinha,
ela estava a fim de casamento
e não saía de cima de mim,
aí,
muito esperto,
peguei da Amália
retrato e calcinha,
e corri atrás da falha,
pedi casório imediato
e ele tinha no repertório
bela simpatia,
que ironia...
a simpatia deu certo!,
casei com ela naquele dia!
caí na conversa,
ele sabia fazer simpatia,
mas,
eu não sabia
que a simpatia
saía às avessas,
e não é história não,
comecei pedindo dinheiro
pra pagar o que devia,
ele fez simpatia pra vir grana,
o dinheiro não veio,
todavia,
veio promissória
e só não fui em cana
porque meti meu jamegão,
entretanto,
não desisti não,
voltei e pedi
pra fechar bom negócio
que estava quase fechado,
pois bem,
ele se pôs a fazer
simpatia de fechamento
e foi tão fundo
que o negócio deu errado
um segundo depois,
bem,
como sou insistente,
talvez louco,
e carecia de apartamento
um pouco maior,
fui em frente,
ele fez simpatia de melhor moradia,
então,
o maior não veio não,
perdi o menor que tinha
e tive aumento na prestação,
já ia jogar a toalha
quando lembrei da Amália,
minha vizinha,
ela estava a fim de casamento
e não saía de cima de mim,
aí,
muito esperto,
peguei da Amália
retrato e calcinha,
e corri atrás da falha,
pedi casório imediato
e ele tinha no repertório
bela simpatia,
que ironia...
a simpatia deu certo!,
casei com ela naquele dia!
quarta-feira, maio 10, 2006
Vesti a camisa
É...
vesti a camisa
que me deram o aviso
e quem avisa amigo é,
disseram
que era preciso vesti-la
pra evitar perigo
que não capta
minha popular pupila
pois não está apta a captar,
disseram
que era preciso vesti-la
pra não ter
que ficar na fila
à guisa de desempregado,
um nobre pobre-coitado
que não tem o que fazer,
o que comer,
o que vestir,
disseram
que era preciso vesti-la,
senão,
ia arranjar quizila
com os caras do bonze
e me inserir
em camisa de onze varas,
vesti a camisa
que me deram o aviso
e quem avisa amigo é,
e não sei
qual é o piso da classe,
não sei
se vou ter passe
ou se vou precisar
ir e vir a pé
pra melhorar a constituição,
não sei
se vou ter vale-refeição
ou se vou fazer regime,
não sei
em que posição vou jogar
caso me escale o treinador,
não sei
de que time a camisa é
nem se o time tem torcedor!
mas...
já vesti a camisa
que quem avisa...
sei lá?!
vesti a camisa
que me deram o aviso
e quem avisa amigo é,
disseram
que era preciso vesti-la
pra evitar perigo
que não capta
minha popular pupila
pois não está apta a captar,
disseram
que era preciso vesti-la
pra não ter
que ficar na fila
à guisa de desempregado,
um nobre pobre-coitado
que não tem o que fazer,
o que comer,
o que vestir,
disseram
que era preciso vesti-la,
senão,
ia arranjar quizila
com os caras do bonze
e me inserir
em camisa de onze varas,
vesti a camisa
que me deram o aviso
e quem avisa amigo é,
e não sei
qual é o piso da classe,
não sei
se vou ter passe
ou se vou precisar
ir e vir a pé
pra melhorar a constituição,
não sei
se vou ter vale-refeição
ou se vou fazer regime,
não sei
em que posição vou jogar
caso me escale o treinador,
não sei
de que time a camisa é
nem se o time tem torcedor!
mas...
já vesti a camisa
que quem avisa...
sei lá?!
Varig, Varig, Varig!
Vôos por todos os céus,
por céus de todos,
céus sem distinção,
vôos de todas as gentes,
cores e raças
tão diferentemente iguais,
aliás,
irmãos voando lado a lado,
vôos oficiais de presidente,
vôos de gente como eu,
amadores simplesmente,
e benditos vôos de seleção:
é campeão!, é campeão!,
dê-me a taça:
tintim!,
Galeão,
bonitos vôos do meu peito
que você me deu asas,
asas que levo comigo,
asas que divido contigo agora,
hora de te tirar do hangar
pra alçar mais vôos,
que não vou ficar
sem esse seu jeito
brasileiramente amigo de voar!,
Varig, Varig, Varig!
por céus de todos,
céus sem distinção,
vôos de todas as gentes,
cores e raças
tão diferentemente iguais,
aliás,
irmãos voando lado a lado,
vôos oficiais de presidente,
vôos de gente como eu,
amadores simplesmente,
e benditos vôos de seleção:
é campeão!, é campeão!,
dê-me a taça:
tintim!,
Galeão,
bonitos vôos do meu peito
que você me deu asas,
asas que levo comigo,
asas que divido contigo agora,
hora de te tirar do hangar
pra alçar mais vôos,
que não vou ficar
sem esse seu jeito
brasileiramente amigo de voar!,
Varig, Varig, Varig!
terça-feira, maio 09, 2006
Já não se faz mais...
Quando dá bode
e o cabrito berra aqui,
dá pra ouvir
lá na Terra do Fogo,
quiçá em Camberra ou Serra Leoa,
como é que pode?!,
vamos abrir o jogo
numa boa?!,
já não se faz mais cabrito
como se fazia antigamente,
cabrito silente
que ia com o cabriteiro,
passava pela portaria
sem acordar o vigia,
fosse diurno ou noturno,
e sem ser visto pelo porteiro,
agora,
cabrito adora ser
um misto de cantor de rock
e de locutor de futebol,
deve ser um choque
pra um escroque
de alto gabarito
esse salto do cabrito
que degenerou do ancestral,
faz esporro, pede socorro,
e a deixa pista
em revista e em jornal,
mas,
o escroque atual é coisa nova,
já não liga pra nada,
não liga
nem pra prova divulgada!,
dá gargalhada e diz que não!,
é...
quer dizer,
mé...
já não se faz mais escroque
qual escroque da antiga
que tinha algum pudor,
dava algum valor à reputação!
e o cabrito berra aqui,
dá pra ouvir
lá na Terra do Fogo,
quiçá em Camberra ou Serra Leoa,
como é que pode?!,
vamos abrir o jogo
numa boa?!,
já não se faz mais cabrito
como se fazia antigamente,
cabrito silente
que ia com o cabriteiro,
passava pela portaria
sem acordar o vigia,
fosse diurno ou noturno,
e sem ser visto pelo porteiro,
agora,
cabrito adora ser
um misto de cantor de rock
e de locutor de futebol,
deve ser um choque
pra um escroque
de alto gabarito
esse salto do cabrito
que degenerou do ancestral,
faz esporro, pede socorro,
e a deixa pista
em revista e em jornal,
mas,
o escroque atual é coisa nova,
já não liga pra nada,
não liga
nem pra prova divulgada!,
dá gargalhada e diz que não!,
é...
quer dizer,
mé...
já não se faz mais escroque
qual escroque da antiga
que tinha algum pudor,
dava algum valor à reputação!
segunda-feira, maio 08, 2006
Brado do gordinho
Abaixo a opressão da balança!
que me mantém
refém de um enlatado dietético,
me desfigura e me deprime
que me trata
com o peso da mão do estético,
a chibata de um teso regime totalitário,
que enrança
meu estado culinário de direito
e oprime a massa, a birita e o confeito;
abaixo a tirania da fita tétrica!,
por métrica passa
e intensa a ditadura da verdura
e rejeita democracia na gastronomia,
por isso,
reprime a liberdade de despensa
e de cozinha com censura às receitas,
na verdade,
espezinha doce, chouriço e fritura,
qual fosse crime saborear uma iguaria;
abaixo a fita métrica!,
abaixo a balança!,
e que venha a cerveja,
que venha o macarrão,
que nade em salgado o feijão!
abaixo a fita métrica!,
abaixo a balança!,
e que venha a cerveja,
que venha o macarrão,
que nade em salgado o feijão!
que me mantém
refém de um enlatado dietético,
me desfigura e me deprime
que me trata
com o peso da mão do estético,
a chibata de um teso regime totalitário,
que enrança
meu estado culinário de direito
e oprime a massa, a birita e o confeito;
abaixo a tirania da fita tétrica!,
por métrica passa
e intensa a ditadura da verdura
e rejeita democracia na gastronomia,
por isso,
reprime a liberdade de despensa
e de cozinha com censura às receitas,
na verdade,
espezinha doce, chouriço e fritura,
qual fosse crime saborear uma iguaria;
abaixo a fita métrica!,
abaixo a balança!,
e que venha a cerveja,
que venha o macarrão,
que nade em salgado o feijão!
abaixo a fita métrica!,
abaixo a balança!,
e que venha a cerveja,
que venha o macarrão,
que nade em salgado o feijão!
Suave e tenra ave
Suave e tenra ave
em movimento tão leve
que não consegue notar o ar,
suave e tenra ave
em movimento tão breve
que não o percebe o tempo,
e o tempo tudo circunscreve,
tenra ave,
nave naturalmente alada
que escreve delicada poesia
quando voa
o mais vadio vôo,
que o vôo mais à-toa
veste como uma luva
a canção da natureza,
chuva, sol, noite, dia,
frio, flor,
calor, folha no chão,
suave e tenra ave,
tenra e suave beleza,
nada mais há
que meu peito
tão suavemente acolha,
nada mais há
que com tanto jeito,
que tão tenramente
em minha emoção se crave!
em movimento tão leve
que não consegue notar o ar,
suave e tenra ave
em movimento tão breve
que não o percebe o tempo,
e o tempo tudo circunscreve,
tenra ave,
nave naturalmente alada
que escreve delicada poesia
quando voa
o mais vadio vôo,
que o vôo mais à-toa
veste como uma luva
a canção da natureza,
chuva, sol, noite, dia,
frio, flor,
calor, folha no chão,
suave e tenra ave,
tenra e suave beleza,
nada mais há
que meu peito
tão suavemente acolha,
nada mais há
que com tanto jeito,
que tão tenramente
em minha emoção se crave!
Acorda!, meu bem
Acorda!,
meu bem,
vem ver a borda clara
desse dia lindo
que se escancara
e vai encobrindo
a surpresa madrugada,
acorda!,
meu bem,
vem ver a beleza da vida
que a vida está acordada,
que a vida é aqui e agora,
e não demora,
é rara e cara cada hora,
e contada volta a volta,
e o ponteiro não pára,
avoluma o ontem
sem piedade
e o ontem é bruma
e fonte de saudade,
vamos lá,
meu bem,
acorda!,
vem ver o inteiro carinho
da claridade do dia
persuadindo canto a canto
os cantos todos da cidade,
abrindo caminho
pra todo esse encanto
que se escondia
sob o manto da escuridão,
vem,
meu bem,
vem agora,
não demora não!
meu bem,
vem ver a borda clara
desse dia lindo
que se escancara
e vai encobrindo
a surpresa madrugada,
acorda!,
meu bem,
vem ver a beleza da vida
que a vida está acordada,
que a vida é aqui e agora,
e não demora,
é rara e cara cada hora,
e contada volta a volta,
e o ponteiro não pára,
avoluma o ontem
sem piedade
e o ontem é bruma
e fonte de saudade,
vamos lá,
meu bem,
acorda!,
vem ver o inteiro carinho
da claridade do dia
persuadindo canto a canto
os cantos todos da cidade,
abrindo caminho
pra todo esse encanto
que se escondia
sob o manto da escuridão,
vem,
meu bem,
vem agora,
não demora não!
Quebra-cabeça
Por incrível que pareça,
somos adultos,
somos cultos até,
mas,
o amor inda é
um quebra-cabeça
que não sabemos compor,
de quebra,
damos atenção a zunzum,
baixamos o nível por intrigas
e trocamos insultos sem pudor,
fazemos confusão
por coisas fúteis
e brigamos brigas inúteis
que não levam a lugar nenhum,
só nos fazem perder
o respeito e a razão,
não sei
se já ando sujeito à alucinação
ou sonhando à beça
um sonho sem valor,
mas,
proponho uma solução:
que tal um manual
que ensine a amar,
a encaixar
cada peça do amor?!
somos adultos,
somos cultos até,
mas,
o amor inda é
um quebra-cabeça
que não sabemos compor,
de quebra,
damos atenção a zunzum,
baixamos o nível por intrigas
e trocamos insultos sem pudor,
fazemos confusão
por coisas fúteis
e brigamos brigas inúteis
que não levam a lugar nenhum,
só nos fazem perder
o respeito e a razão,
não sei
se já ando sujeito à alucinação
ou sonhando à beça
um sonho sem valor,
mas,
proponho uma solução:
que tal um manual
que ensine a amar,
a encaixar
cada peça do amor?!
sexta-feira, maio 05, 2006
Paguei o preço do prazer
A fome,
apetite farto,
a sede sem limite,
a dama sem nome
e a cama no quarto,
cela ambígua e diminuta
com parede retinta
que fazia jus
à luz amarela e exígua
do abajur de poucas velas,
e o glamour da puta
cansada da cinta apertada
e cheia de ser puta,
e a meia e a liga,
e a navalha entre elas,
navalha pronta pra briga,
pra quem achasse graça,
pra quem
não pagasse a conta,
fosse pinta ou fosse praça,
e a bebida farjuta,
no prato o queijo,
do mata-rato a fumaça fedida,
e deu finta a meretriz
que na boca não dava beijo,
de todas as sedes,
essa a puta não matava,
e saciou sem paixão e pudor
as outras sedes do aprendiz,
depois,
água de talha, toalha e sabão
pra lavar as migalhas
que ficaram à flor da pele,
reconheço que não foi poesia,
embora se revele agora
como poesia em mim,
é o que posso dizer,
foi assim meu começo,
paguei o preço do prazer.
apetite farto,
a sede sem limite,
a dama sem nome
e a cama no quarto,
cela ambígua e diminuta
com parede retinta
que fazia jus
à luz amarela e exígua
do abajur de poucas velas,
e o glamour da puta
cansada da cinta apertada
e cheia de ser puta,
e a meia e a liga,
e a navalha entre elas,
navalha pronta pra briga,
pra quem achasse graça,
pra quem
não pagasse a conta,
fosse pinta ou fosse praça,
e a bebida farjuta,
no prato o queijo,
do mata-rato a fumaça fedida,
e deu finta a meretriz
que na boca não dava beijo,
de todas as sedes,
essa a puta não matava,
e saciou sem paixão e pudor
as outras sedes do aprendiz,
depois,
água de talha, toalha e sabão
pra lavar as migalhas
que ficaram à flor da pele,
reconheço que não foi poesia,
embora se revele agora
como poesia em mim,
é o que posso dizer,
foi assim meu começo,
paguei o preço do prazer.
quinta-feira, maio 04, 2006
Caitituando
Confesso pra quem quiser ouvir
que vou me caitituar
até conseguir
cem por cento de sucesso,
até que você me coloque
no primeiro lugar da sua parada,
mulher,
vai ser da pesada a caitituagem!,
pra que você me escute
o dia inteiro todo dia
e sem interlúdio nem intervalo,
até abuso da dosagem
e uso tratamento de choque,
pode acreditar,
mulher,
eu vou me caitituar
até que você me escute
onde quer que você esteja,
seja no embalo da rua,
seja nua no chuveiro
extasiada com o prelúdio
de uma ensaboada fantasia,
vou me caitituar
até que você me escute
dormindo, acordada,
chorando, sorrindo,
e vou em frente me caitituando
sem trégua, régua e compasso,
e só vou parar,
mulher,
quando você estiver
completamente caitituada
e me caitituando nos meus braços!
que vou me caitituar
até conseguir
cem por cento de sucesso,
até que você me coloque
no primeiro lugar da sua parada,
mulher,
vai ser da pesada a caitituagem!,
pra que você me escute
o dia inteiro todo dia
e sem interlúdio nem intervalo,
até abuso da dosagem
e uso tratamento de choque,
pode acreditar,
mulher,
eu vou me caitituar
até que você me escute
onde quer que você esteja,
seja no embalo da rua,
seja nua no chuveiro
extasiada com o prelúdio
de uma ensaboada fantasia,
vou me caitituar
até que você me escute
dormindo, acordada,
chorando, sorrindo,
e vou em frente me caitituando
sem trégua, régua e compasso,
e só vou parar,
mulher,
quando você estiver
completamente caitituada
e me caitituando nos meus braços!
Me dá o meu boné!
Estou de saco cheio de andar pronto
e às tontas no meio de tanto conto,
já perdi a conta de quantos contos são,
é o conto da conta que vem
e o produto não vem não,
é o naco de nota de conto de réis
que o astuto põe na mão do otário
e o outro naco,
só se o sujeito for eleito,
são contos diários com e sem horário,
descontos que não descontam nada,
pontos que nada somam,
impostos que tomam
até o que você não tem
e os postos não funcionam
que não têm funcionários a postos,
é o conto da embalagem que fala em pitéu
e o que está embalado é murundu,
mistura de chuchu com fel,
é o conto da viagem especial e segura
com traslado até em trem-bala,
e você vai em trem de carga,
faz escala no deserto
e amarga hospedagem
em hotel a céu aberto
pra contar as estrelas que ele tem,
é o conto do remédio, da planta medicinal
que não cura o que deve,
é o conto do prédio mais leve que o ar
que da planta só sai em forma de gaivota
ou que cai quando fica pronto
que não se cumpriu a norma,
estou cheio de ser um Zé,
cheio de tanto conto e lorota,
me dá o meu boné!
e às tontas no meio de tanto conto,
já perdi a conta de quantos contos são,
é o conto da conta que vem
e o produto não vem não,
é o naco de nota de conto de réis
que o astuto põe na mão do otário
e o outro naco,
só se o sujeito for eleito,
são contos diários com e sem horário,
descontos que não descontam nada,
pontos que nada somam,
impostos que tomam
até o que você não tem
e os postos não funcionam
que não têm funcionários a postos,
é o conto da embalagem que fala em pitéu
e o que está embalado é murundu,
mistura de chuchu com fel,
é o conto da viagem especial e segura
com traslado até em trem-bala,
e você vai em trem de carga,
faz escala no deserto
e amarga hospedagem
em hotel a céu aberto
pra contar as estrelas que ele tem,
é o conto do remédio, da planta medicinal
que não cura o que deve,
é o conto do prédio mais leve que o ar
que da planta só sai em forma de gaivota
ou que cai quando fica pronto
que não se cumpriu a norma,
estou cheio de ser um Zé,
cheio de tanto conto e lorota,
me dá o meu boné!
quarta-feira, maio 03, 2006
Ave em ação (Questão ornitológica)
Era uma vez um pavão
que ia e vinha
e se pavoneava de montão,
mas,
tinha só uns tico-ticos
e, com tal quantia,
não ia ganhar a cara andorinha
que o enlouquecia
quando andorinhava pela cidade
balançando seu balaio,
então,
dispensou a vaidade
e voou um dia inteiro
à cata de dinheiro,
entretanto,
precisava de tanto
que acabou precisando
do velho papagaio!
(veja no Aurélio do que se trata),
mas,
teve um dissabor
e ficou uma arara
com um caminheiro
barbudinho, com bigodinho
e metido a assobiador,
mas não pôde dar um pio!,
que deu uma de águia o sombrio,
mostrou o pica-pau
e botou a andorinha no bagageiro,
e o pavão ficou na saudade,
todavia,
lendo um poema de um cisne
cheio de penas do pavão
e que o cisne fizera montado na ema,
ficou sabendo a andorinha
que tinha feito besteira,
que a vida bela prometida
era balela pura,
pois,
na verdade,
o caminheiro era feio
que nem corredeira,
mistura de carcará e avestruz,
aí,
gritou credo-em-cruz!
e voltou correndo,
mas encontrou o pavão
vivendo com uma galinha
que a andorinha conhecia
de outros Carnavais,
então,
jesus-meu-deus!,
foi uma confusão danada,
aliás,
um estrupício
pra ninguém botar defeito,
e nem o violeiro,
que merecia respeito
porque na função
era muito capaz,
deu jeito no salseiro,
e um pica-pau
que passava pelo local,
por dever de ofício,
meteu a passarada no viveiro!
que ia e vinha
e se pavoneava de montão,
mas,
tinha só uns tico-ticos
e, com tal quantia,
não ia ganhar a cara andorinha
que o enlouquecia
quando andorinhava pela cidade
balançando seu balaio,
então,
dispensou a vaidade
e voou um dia inteiro
à cata de dinheiro,
entretanto,
precisava de tanto
que acabou precisando
do velho papagaio!
(veja no Aurélio do que se trata),
mas,
teve um dissabor
e ficou uma arara
com um caminheiro
barbudinho, com bigodinho
e metido a assobiador,
mas não pôde dar um pio!,
que deu uma de águia o sombrio,
mostrou o pica-pau
e botou a andorinha no bagageiro,
e o pavão ficou na saudade,
todavia,
lendo um poema de um cisne
cheio de penas do pavão
e que o cisne fizera montado na ema,
ficou sabendo a andorinha
que tinha feito besteira,
que a vida bela prometida
era balela pura,
pois,
na verdade,
o caminheiro era feio
que nem corredeira,
mistura de carcará e avestruz,
aí,
gritou credo-em-cruz!
e voltou correndo,
mas encontrou o pavão
vivendo com uma galinha
que a andorinha conhecia
de outros Carnavais,
então,
jesus-meu-deus!,
foi uma confusão danada,
aliás,
um estrupício
pra ninguém botar defeito,
e nem o violeiro,
que merecia respeito
porque na função
era muito capaz,
deu jeito no salseiro,
e um pica-pau
que passava pelo local,
por dever de ofício,
meteu a passarada no viveiro!
Berlineta Interlagos
O que não consegui
com galanteios e afagos,
consegui por meio da mística
da Berlineta Interlagos,
amarrei aquela gracinha!,
Julieta,
a diva quase ficou louca
e eu nem conhecia
a sua faceta automotiva,
se preferir,
faceta automobilística,
mas,
a glória foi transitória e pouca,
pouco cantei vitória
e nem deu
pra chegar junto de fato,
que a Julieta
só com a Berlineta
queria contato e assunto,
e a Berlineta nem era minha,
era de um chapa
que ainda papa a Julieta,
pois é...
depois da inglória luta,
fiz a devolução
e a Julieta bateu pé
pra ir com a Berlineta!,
e não minto se disser
que fez uma puta questão!
com galanteios e afagos,
consegui por meio da mística
da Berlineta Interlagos,
amarrei aquela gracinha!,
Julieta,
a diva quase ficou louca
e eu nem conhecia
a sua faceta automotiva,
se preferir,
faceta automobilística,
mas,
a glória foi transitória e pouca,
pouco cantei vitória
e nem deu
pra chegar junto de fato,
que a Julieta
só com a Berlineta
queria contato e assunto,
e a Berlineta nem era minha,
era de um chapa
que ainda papa a Julieta,
pois é...
depois da inglória luta,
fiz a devolução
e a Julieta bateu pé
pra ir com a Berlineta!,
e não minto se disser
que fez uma puta questão!
The End!
Sou herói,
como sói ocorrer
nesse caso,
sei dizer
onde me dói o calo,
mas não falo,
pois,
como um herói que se preza,
e assim reza o credo
do nosso sindicato,
me arraso, me ralo
e não peço socorro,
me viro como posso,
não tiro o pé do sapato
nem o pé do mato arredo
quando o cachorro
dá no pé,
sou e faço qual faz o herói
e sei que até
dei um bom passo,
afinal,
comecei como bói,
mas,
o que mais rói e arde,
o que mói mais mesmo,
é não poder
comer o que engorda,
torresmo, macarrão, feijão,
é ter que suar, correr, pular corda,
senão samba
quem está na corda bamba,
enquanto isso,
a horda descaradamanete
o batente finta
bem na minha frente,
pinta e borda no ócio
sem nenhum pudor
e ainda festeja
o primeiro de maio
qual trabalhador festeiro,
dorme e acorda tarde,
bebe cerveja
e come paio e chouriço,
ainda bem,
e quem diria
que eu acabaria
falando isso,
ainda bem
que está chegando
a hora da aposentadoria
e vou poder
sair bem de fininho dessa roda,
desse negócio tão fora de moda,
e talvez seja até capaz
de trilhar caminhos
que me levem à glória
em histórias em quadrinhos,
o que também rende bem mais,
The End!
como sói ocorrer
nesse caso,
sei dizer
onde me dói o calo,
mas não falo,
pois,
como um herói que se preza,
e assim reza o credo
do nosso sindicato,
me arraso, me ralo
e não peço socorro,
me viro como posso,
não tiro o pé do sapato
nem o pé do mato arredo
quando o cachorro
dá no pé,
sou e faço qual faz o herói
e sei que até
dei um bom passo,
afinal,
comecei como bói,
mas,
o que mais rói e arde,
o que mói mais mesmo,
é não poder
comer o que engorda,
torresmo, macarrão, feijão,
é ter que suar, correr, pular corda,
senão samba
quem está na corda bamba,
enquanto isso,
a horda descaradamanete
o batente finta
bem na minha frente,
pinta e borda no ócio
sem nenhum pudor
e ainda festeja
o primeiro de maio
qual trabalhador festeiro,
dorme e acorda tarde,
bebe cerveja
e come paio e chouriço,
ainda bem,
e quem diria
que eu acabaria
falando isso,
ainda bem
que está chegando
a hora da aposentadoria
e vou poder
sair bem de fininho dessa roda,
desse negócio tão fora de moda,
e talvez seja até capaz
de trilhar caminhos
que me levem à glória
em histórias em quadrinhos,
o que também rende bem mais,
The End!
terça-feira, maio 02, 2006
Criou fama, deite-se na cama!
Sou praticamente uma flecha
quando disparo,
mas,
tem gente
que fala que sou lerdo,
sou leve
quanto deve ser
um bom peso-mosca,
mas,
tenho a pecha
de ser um baita fardo,
não guardo
o que ganho ou herdo,
gasto a gaita
e não temo ficar teso,
mas,
me acusam de ser
um avaro sem tamanho,
o saber não é raro
nem a cultura tão fosca,
tão tosca assim,
mas,
sempre ouço falar
que o preparo é chinfrim,
que não estou à altura
de ocupar o cargo,
não sou o mais bonito,
mas,
mesmo que me enfeite,
só falam que sou feio,
é... moço,
pode até ser amargo,
mas,
aceite o dito
que ele acertou em cheio:
criou fama, deite-se na cama!
quando disparo,
mas,
tem gente
que fala que sou lerdo,
sou leve
quanto deve ser
um bom peso-mosca,
mas,
tenho a pecha
de ser um baita fardo,
não guardo
o que ganho ou herdo,
gasto a gaita
e não temo ficar teso,
mas,
me acusam de ser
um avaro sem tamanho,
o saber não é raro
nem a cultura tão fosca,
tão tosca assim,
mas,
sempre ouço falar
que o preparo é chinfrim,
que não estou à altura
de ocupar o cargo,
não sou o mais bonito,
mas,
mesmo que me enfeite,
só falam que sou feio,
é... moço,
pode até ser amargo,
mas,
aceite o dito
que ele acertou em cheio:
criou fama, deite-se na cama!
segunda-feira, maio 01, 2006
Você o viu por aí?!
Ei!, psiu!,
você o viu por aí?!,
ouvi dizer
que anda a mais de mil
e bem mais que mil de nós,
que só sai,
só vai e volta
com escolta e polícia,
que manda e desmanda,
e não manda mais notícia,
que anda distante
e distante de bandas,
cirandas e rouxinóis,
sinistro, não?!,
você o viu por aí?!,
se o viu,
tem registro?!,
afinal,
viu ou não viu?!,
será que ele sumiu?!,
será séria
ou fictícia a matéria
que sai em tevê e jornal?!,
será só a versão oficial do fato?!,
será que ele
não admite mais emoção,
não permite mais
contato imediato de primeiro grau?!,
se você o viu,
viu certo?!,
chegou bem perto?!,
sentiu cheiro, sabor, emoção?!,
o calor de beijo e abraço?!,
deram um bordejo por aí,
dando a mão
e partilhando o passo?!,
ei!, psiu!,
você o viu por aí?!,
ou será
que ele nunca existiu?!,
será que são ilusões
as canções dele que escuto?!,
será tudo fruto da imaginação?!
você o viu por aí?!,
ouvi dizer
que anda a mais de mil
e bem mais que mil de nós,
que só sai,
só vai e volta
com escolta e polícia,
que manda e desmanda,
e não manda mais notícia,
que anda distante
e distante de bandas,
cirandas e rouxinóis,
sinistro, não?!,
você o viu por aí?!,
se o viu,
tem registro?!,
afinal,
viu ou não viu?!,
será que ele sumiu?!,
será séria
ou fictícia a matéria
que sai em tevê e jornal?!,
será só a versão oficial do fato?!,
será que ele
não admite mais emoção,
não permite mais
contato imediato de primeiro grau?!,
se você o viu,
viu certo?!,
chegou bem perto?!,
sentiu cheiro, sabor, emoção?!,
o calor de beijo e abraço?!,
deram um bordejo por aí,
dando a mão
e partilhando o passo?!,
ei!, psiu!,
você o viu por aí?!,
ou será
que ele nunca existiu?!,
será que são ilusões
as canções dele que escuto?!,
será tudo fruto da imaginação?!
sábado, abril 29, 2006
Se puder
Depois da escolha feita,
ninguém troca de bolha,
e mais que bolha não é não,
portanto,
vê se aceita a verdade,
a realidade nua e crua,
vê se ajeita sua vida
entre a lida e o frevo,
entre o riso e o pranto,
pois é preciso,
tire uma a uma as folhas do trevo,
olhando pra Lua,
morda a rolha e faça o pedido,
depois,
faça figa e torça com força e fé
até ser ouvido,
mas,
se conforme e espere a sua vez
pois a fila é enorme
e quem reclama e estrila
perde um lugar,
quem briga perde dois,
quem blasfema
perde bem mais de três,
agora,
chama a atenção
quem ora
com a oração
que tem no peito,
mesmo que tenha jeito
de poema ou de canção,
logo,
evite blasfemar,
tente não reclamar
e faça por ficar distante
de gente que só quer confusão,
e ore, cante, recite bastante,
se precisar,
ore, cante, recite na raça,
se puder,
ore, cante, recite sem parar!
ninguém troca de bolha,
e mais que bolha não é não,
portanto,
vê se aceita a verdade,
a realidade nua e crua,
vê se ajeita sua vida
entre a lida e o frevo,
entre o riso e o pranto,
pois é preciso,
tire uma a uma as folhas do trevo,
olhando pra Lua,
morda a rolha e faça o pedido,
depois,
faça figa e torça com força e fé
até ser ouvido,
mas,
se conforme e espere a sua vez
pois a fila é enorme
e quem reclama e estrila
perde um lugar,
quem briga perde dois,
quem blasfema
perde bem mais de três,
agora,
chama a atenção
quem ora
com a oração
que tem no peito,
mesmo que tenha jeito
de poema ou de canção,
logo,
evite blasfemar,
tente não reclamar
e faça por ficar distante
de gente que só quer confusão,
e ore, cante, recite bastante,
se precisar,
ore, cante, recite na raça,
se puder,
ore, cante, recite sem parar!
terça-feira, abril 25, 2006
É bom bem no ponto!
Não é bife,
mas,
é bom bem no ponto!,
tonto!,
sem nenhum desconto
pra não ficar no canto
bancando o xerife,
tomando conta
de quem tá pronto
pra aprontar,
e também sem acréscimo
pra não chegar
àquele péssimo ponto
em que o caminho manca
e vai aos trancos e barrancos,
tonto!,
entretanto,
só o bastante
pra dar uma gravata
no colarinho branco
e deixar o paletó sem ar,
mas não o patrão,
que não é bom
botar essa banca,
ser franco a esse ponto,
tonto o bastante
pra contar uma bravata,
autuar em flagrante
letra e melodia
e tirar de letra
a euforia da mulata,
nunca tonto
a ponto de sair do sério,
perder o critério
e cair em qualquer conto,
até no mais banal,
como o conto da vestal
recém-saída da clausura
que censura
essa vida mundanal,
e cair
sem nem sacar
a pala que lhe deu o adjunto,
o adnominal,
sem sacar que a vestal
da fala se valeu
pra chegar junto
e encobrir o ato falho,
tonto sim!,
mas não assim,
a ponto de virar paspalho
e cair num conto tão chinfrim!
mas,
é bom bem no ponto!,
tonto!,
sem nenhum desconto
pra não ficar no canto
bancando o xerife,
tomando conta
de quem tá pronto
pra aprontar,
e também sem acréscimo
pra não chegar
àquele péssimo ponto
em que o caminho manca
e vai aos trancos e barrancos,
tonto!,
entretanto,
só o bastante
pra dar uma gravata
no colarinho branco
e deixar o paletó sem ar,
mas não o patrão,
que não é bom
botar essa banca,
ser franco a esse ponto,
tonto o bastante
pra contar uma bravata,
autuar em flagrante
letra e melodia
e tirar de letra
a euforia da mulata,
nunca tonto
a ponto de sair do sério,
perder o critério
e cair em qualquer conto,
até no mais banal,
como o conto da vestal
recém-saída da clausura
que censura
essa vida mundanal,
e cair
sem nem sacar
a pala que lhe deu o adjunto,
o adnominal,
sem sacar que a vestal
da fala se valeu
pra chegar junto
e encobrir o ato falho,
tonto sim!,
mas não assim,
a ponto de virar paspalho
e cair num conto tão chinfrim!
sexta-feira, abril 21, 2006
Guerreiro santo, santo guerreiro
São Jorge,
guerreiro santo,
santo guerreiro,
São Jorge,
cavaleiro e lanceiro
da guarda divina,
por favor,
meu santo,
escuta meu rogo,
ensina o coração da gente
que se acovarda
frente ao bom da paixão
a lancear esse dragão interior
que nos faz
lançar o fogo
que queima o amor,
que teima
em nos fazer queimar
em lutas, disputas e guerras,
São Jorge,
guerreiro santo,
santo guerreiro,
São Jorge,
cavaleiro e lanceiro
da guarda divina,
meu santo protetor,
por favor,
ensina a essa gente aflita
como se encerra
essa sina maldita
que traz tanto pranto,
que emperra tanto a paz!
guerreiro santo,
santo guerreiro,
São Jorge,
cavaleiro e lanceiro
da guarda divina,
por favor,
meu santo,
escuta meu rogo,
ensina o coração da gente
que se acovarda
frente ao bom da paixão
a lancear esse dragão interior
que nos faz
lançar o fogo
que queima o amor,
que teima
em nos fazer queimar
em lutas, disputas e guerras,
São Jorge,
guerreiro santo,
santo guerreiro,
São Jorge,
cavaleiro e lanceiro
da guarda divina,
meu santo protetor,
por favor,
ensina a essa gente aflita
como se encerra
essa sina maldita
que traz tanto pranto,
que emperra tanto a paz!
O único otário que conheço
Embora
não seja mediúnico
nem melhor do que ninguém,
evitei até hoje o pior,
não entrei pelo cano
nem enfrentei dano maior,
e só por uma razão
até agora me dei bem,
careço de malandrice!,
foi o que eu disse,
careço sim!,
e pode rir de mim
que sou otário único
e o único otário que conheço,
e, como por perto
tem esperto demais,
o certo
é tomar precaução,
pôr sempre o pé atrás,
se necessário,
pôr até os dois,
por isso,
não me arrisco
nem petisco
como você faz,
vou de feijão com arroz,
só negocio
se entendo do assunto,
mesmo assim,
pra não ficar
com cara de tacho,
acho
que quem negocia comigo
entende bem mais
e vai chegar junto,
então,
dobro a atenção,
cobro mais de mim
e consigo evitar o perigo,
e não empresto, não fio,
não avalizo, não atesto,
não aposto nem dou fiança,
não arrosto nem arrelio
nenhum adversário
quando não sei
se de fato é preciso
e nem dou volta em pato
pra não me atarantar
com a volta que dei,
e tenho um segredo
que só quem é otário tem,
nunca botei
uma aliança no dedo!
não seja mediúnico
nem melhor do que ninguém,
evitei até hoje o pior,
não entrei pelo cano
nem enfrentei dano maior,
e só por uma razão
até agora me dei bem,
careço de malandrice!,
foi o que eu disse,
careço sim!,
e pode rir de mim
que sou otário único
e o único otário que conheço,
e, como por perto
tem esperto demais,
o certo
é tomar precaução,
pôr sempre o pé atrás,
se necessário,
pôr até os dois,
por isso,
não me arrisco
nem petisco
como você faz,
vou de feijão com arroz,
só negocio
se entendo do assunto,
mesmo assim,
pra não ficar
com cara de tacho,
acho
que quem negocia comigo
entende bem mais
e vai chegar junto,
então,
dobro a atenção,
cobro mais de mim
e consigo evitar o perigo,
e não empresto, não fio,
não avalizo, não atesto,
não aposto nem dou fiança,
não arrosto nem arrelio
nenhum adversário
quando não sei
se de fato é preciso
e nem dou volta em pato
pra não me atarantar
com a volta que dei,
e tenho um segredo
que só quem é otário tem,
nunca botei
uma aliança no dedo!
quarta-feira, abril 19, 2006
Já se foi a hora
De fazer alarde
já se foi a hora,
agora é tarde,
já se encerra o dia,
e não há mais
garantia de luz
quando ele já não arde,
que até a do círio é parca,
não é capaz
de afrontar a escureza
que açambarca
a terra inteira,
a um cômodo escuro
o entorno reduz,
a cordilheira
a obscuro contorno,
a incômodo murmúrio
a grandeza do mar,
e lírio, azaléia e antúrio
a uma idéia
tão vaga de beleza
que mais parece
vaga na lembrança,
é tarde pra fazer alarde,
a luz do dia
já não nos alcança,
e cresce,
nos traga a escuridão,
nos assombra e arrepia
qual sombra de assombração!
já se foi a hora,
agora é tarde,
já se encerra o dia,
e não há mais
garantia de luz
quando ele já não arde,
que até a do círio é parca,
não é capaz
de afrontar a escureza
que açambarca
a terra inteira,
a um cômodo escuro
o entorno reduz,
a cordilheira
a obscuro contorno,
a incômodo murmúrio
a grandeza do mar,
e lírio, azaléia e antúrio
a uma idéia
tão vaga de beleza
que mais parece
vaga na lembrança,
é tarde pra fazer alarde,
a luz do dia
já não nos alcança,
e cresce,
nos traga a escuridão,
nos assombra e arrepia
qual sombra de assombração!
terça-feira, abril 18, 2006
Porta errada
Se você queria canja
ou galinha-morta,
bateu na porta errada,
companheiro,
batesse na da granja,
a porta engraçadinha
aqui ao lado,
você bateu na do viveiro
onde se cria cobra criada,
onde o mais bobo
tem peçonha
e sanha de sobra,
onde o mais enfastiado
abocanha a vergonha da netinha,
assanha
e desenfronha a vovozinha,
e na quentinha inda leva o lobo
pra matar a fome
durante a madrugada,
portanto,
rapaz,
tenha mão e tome cuidado,
ponha seu bloco na estrada
sem fazer alarde,
e ponha de uma vez...
antes que o foco
da sua atenção
se ponha a mudar de lado,
e não se ponha mais
a bater em porta errada,
pois,
se esse foco se entorta,
quando arde,
já é tarde,
Inês é morta!
ou galinha-morta,
bateu na porta errada,
companheiro,
batesse na da granja,
a porta engraçadinha
aqui ao lado,
você bateu na do viveiro
onde se cria cobra criada,
onde o mais bobo
tem peçonha
e sanha de sobra,
onde o mais enfastiado
abocanha a vergonha da netinha,
assanha
e desenfronha a vovozinha,
e na quentinha inda leva o lobo
pra matar a fome
durante a madrugada,
portanto,
rapaz,
tenha mão e tome cuidado,
ponha seu bloco na estrada
sem fazer alarde,
e ponha de uma vez...
antes que o foco
da sua atenção
se ponha a mudar de lado,
e não se ponha mais
a bater em porta errada,
pois,
se esse foco se entorta,
quando arde,
já é tarde,
Inês é morta!
quinta-feira, abril 13, 2006
Personalidade!
Não sei se ouvi dizer
que me falaram
que eu teria ouvido
o que de bandeja
me teria dado
um sujeito desconhecido
que nem suspeito quem seja;
não sei também
se pensaram que pensei
ter me dito alguém
o que algum cara
lhe teria falado
que escutara de um terceiro,
e nem sei em que lugar
teria eu escutado isso,
se no serviço, no bar ou no barbeiro,
se é que eu escutei,
o que eu duvido;
enfim,
pelo sim, pelo não,
eu juro,
não vi, não ouvi
e não sei de nada,
não sei
se havia alguma escada,
não sei
quem desceu ou subiu,
nem se alguém
subiu ou desceu,
eu juro,
não sei de nada,
estou boiando,
nem sei
de que muro
vocês estão falando!
que me falaram
que eu teria ouvido
o que de bandeja
me teria dado
um sujeito desconhecido
que nem suspeito quem seja;
não sei também
se pensaram que pensei
ter me dito alguém
o que algum cara
lhe teria falado
que escutara de um terceiro,
e nem sei em que lugar
teria eu escutado isso,
se no serviço, no bar ou no barbeiro,
se é que eu escutei,
o que eu duvido;
enfim,
pelo sim, pelo não,
eu juro,
não vi, não ouvi
e não sei de nada,
não sei
se havia alguma escada,
não sei
quem desceu ou subiu,
nem se alguém
subiu ou desceu,
eu juro,
não sei de nada,
estou boiando,
nem sei
de que muro
vocês estão falando!
terça-feira, abril 11, 2006
E você?!
Não é de desafio não,
não agüenta rio nem mar,
só enfrenta pequeno lago
em dia bem ameno,
é marinheiro de quinta
que nem sequer tem ar
de proeiro ou patrão,
se vangloria de ser mago,
mas não tem nem pinta,
por isso,
pago pra ver,
e se é,
é feiticeiro menor,
por ora,
engatinha em feitiço e magia,
agora,
como cachaceiro,
consegue ser pior,
perde prumo, rumo,
dá vexame e faz estrago
logo que bebe
um trago da braquinha,
fica gago quando acarinha,
tatibitate
quando recebe afago
e aflito em debate ou certame,
e o oponente
não precisa ser perito,
é suficiente um aprendiz,
o infeliz é um fracasso
na hora de mentir,
cora quando mente,
claudica ao ser verdadeiro
e sempre é o primeiro
que dá o braço a torcer,
e não diz ‘não’,
quer dizer,
diz
se ninguém puder ouvir,
enfim,
ele é assim
e a gente sabe
que assim ele é,
e você?!,
como é que você é?!
não agüenta rio nem mar,
só enfrenta pequeno lago
em dia bem ameno,
é marinheiro de quinta
que nem sequer tem ar
de proeiro ou patrão,
se vangloria de ser mago,
mas não tem nem pinta,
por isso,
pago pra ver,
e se é,
é feiticeiro menor,
por ora,
engatinha em feitiço e magia,
agora,
como cachaceiro,
consegue ser pior,
perde prumo, rumo,
dá vexame e faz estrago
logo que bebe
um trago da braquinha,
fica gago quando acarinha,
tatibitate
quando recebe afago
e aflito em debate ou certame,
e o oponente
não precisa ser perito,
é suficiente um aprendiz,
o infeliz é um fracasso
na hora de mentir,
cora quando mente,
claudica ao ser verdadeiro
e sempre é o primeiro
que dá o braço a torcer,
e não diz ‘não’,
quer dizer,
diz
se ninguém puder ouvir,
enfim,
ele é assim
e a gente sabe
que assim ele é,
e você?!,
como é que você é?!
segunda-feira, abril 10, 2006
Recado
Aprendo todo dia
com sambista bamba
como um bom samba
cativa e conquista a mulata,
arrebata o pé da passista,
contagia o cavaco
e o cavaco aviva a magia,
frente a frente
com um bom samba,
eu estaco e me rendo,
até quando menor me sinto
e minto pra mim
pra não me sentir inda pior,
eu entendo
que inspiração é dom,
dom maior
e dom de poucos,
os poucos que sabem o jeito
de criar o par perfeito:
verso e melodia;
mas,
confesso,
não me rendo
quando minha rima
não prima pela beleza,
não me rendo
quando minha rima,
de tão singela e vazia,
não diz
o que eu queria dizer,
não me rendo
que não sou de me render!,
e me sinto feliz
com minha rima chinfrim,
porque tenho certeza
de que fiz o melhor que podia,
sei que dei a ela
o que de melhor havia em mim!
com sambista bamba
como um bom samba
cativa e conquista a mulata,
arrebata o pé da passista,
contagia o cavaco
e o cavaco aviva a magia,
frente a frente
com um bom samba,
eu estaco e me rendo,
até quando menor me sinto
e minto pra mim
pra não me sentir inda pior,
eu entendo
que inspiração é dom,
dom maior
e dom de poucos,
os poucos que sabem o jeito
de criar o par perfeito:
verso e melodia;
mas,
confesso,
não me rendo
quando minha rima
não prima pela beleza,
não me rendo
quando minha rima,
de tão singela e vazia,
não diz
o que eu queria dizer,
não me rendo
que não sou de me render!,
e me sinto feliz
com minha rima chinfrim,
porque tenho certeza
de que fiz o melhor que podia,
sei que dei a ela
o que de melhor havia em mim!
quinta-feira, abril 06, 2006
Carequinha
Hoje é dia de alegria no Céu,
de muita alegria!,
hoje,
Carequinha,
o Céu é o Céu
que cada criança pede,
hoje é dia
do Meio-Quilo, do Zumbi,
de mais uma vez
o Fred acertar em cheio
e fazendo aquilo
que sempre fez,
a gurizada rir
até não poder mais!,
aliás,
hoje é dia
do Chacrinha dar gargalhada,
balançar a pança
e perguntar:
hoje tem goiabada?!
tem sim senhor!,
hoje tem marmeldada?!
tem sim senhor!,
e o palhaço o que é?!,
é ladrão de mulher!,
hoje é dia de sorrir
da palhaçada do Arrelia,
do Benjamin de Oliveira,
do Piolin,
hoje é dia
de alegria e brincadeira,
e tinha esse dia
de ser assim,
tinha sim!,
tinha de nos deixar
com cara e nariz de palhaço,
nariz e cara
de quem não pára de chorar,
chorar de tanto rir,
tinha de ser dia
de nossa criança rir sozinha,
rir às bandeiras despregadas,
rir até morrer de rir
da sua derradeira palhaçada,
palhaço Carequinha!
de muita alegria!,
hoje,
Carequinha,
o Céu é o Céu
que cada criança pede,
hoje é dia
do Meio-Quilo, do Zumbi,
de mais uma vez
o Fred acertar em cheio
e fazendo aquilo
que sempre fez,
a gurizada rir
até não poder mais!,
aliás,
hoje é dia
do Chacrinha dar gargalhada,
balançar a pança
e perguntar:
hoje tem goiabada?!
tem sim senhor!,
hoje tem marmeldada?!
tem sim senhor!,
e o palhaço o que é?!,
é ladrão de mulher!,
hoje é dia de sorrir
da palhaçada do Arrelia,
do Benjamin de Oliveira,
do Piolin,
hoje é dia
de alegria e brincadeira,
e tinha esse dia
de ser assim,
tinha sim!,
tinha de nos deixar
com cara e nariz de palhaço,
nariz e cara
de quem não pára de chorar,
chorar de tanto rir,
tinha de ser dia
de nossa criança rir sozinha,
rir às bandeiras despregadas,
rir até morrer de rir
da sua derradeira palhaçada,
palhaço Carequinha!
quarta-feira, abril 05, 2006
Você ateia fogo em mim!
Melenas
com raias de ouro,
apenas
de tomara-que-caia
e saia branca de cambraia
pra que o tesouro
de todo não se revele,
sua pele,
escultura morena,
você abraseia
as areias da praia
e enleia o mar
que estanca a seus pés
até virar pura espuma,
com esse lume nas veias,
com esse perfume
que enciúma
as mais cheias marés,
com esse jogo
de sorriso sem fim
e olhos azuis,
você me seduz,
você ateia fogo em mim!
com raias de ouro,
apenas
de tomara-que-caia
e saia branca de cambraia
pra que o tesouro
de todo não se revele,
sua pele,
escultura morena,
você abraseia
as areias da praia
e enleia o mar
que estanca a seus pés
até virar pura espuma,
com esse lume nas veias,
com esse perfume
que enciúma
as mais cheias marés,
com esse jogo
de sorriso sem fim
e olhos azuis,
você me seduz,
você ateia fogo em mim!
Sabe a Vilma
Sabe a Vilma,
minha senhora,
que me adora a Nara,
sabe que a Sara
não pára a câmara
nem dispensa posição
quando me filma,
sabe que a Sâmara
em tentação cai
quando me vê
e perde a noção da hora,
sabe que a Dilma
tem imensa tara
aqui pelo papai,
e com intensa
variação ambiental,
sabe que a Mara
faz questão de dizer
que me acha o tal,
sabe que a Dora
não pode se conter,
chora um chorar sem fim
só de pensar em mim
e nem oculta o pranto,
sabe que exulta a Nilma
e perde a fleuma um tanto
quando da história
sou o tema,
sabe que a Neuma
não sublima
o tesão que tem
aqui pelo gostosão,
sabe que a Glória
me dá mole
e nem faz charme,
sabe que a Carme se anima
na minha presença,
sabe que a Moema,
tomou um gole,
fica tensa,
se inflama e faz celeuma
quando apareço,
sabe que da Bia
acendo toda a chama,
e sabe que mereço
de Lia, Laís e Flora
uma baita atenção,
bem acima do normal,
mas,
nada diz,
não chia nem reclama,
agora,
minha senhora
não engole
e quebra um pau
quando a gente ensaia
de minissaia e gaita de fole,
eu e o Dorgival!
minha senhora,
que me adora a Nara,
sabe que a Sara
não pára a câmara
nem dispensa posição
quando me filma,
sabe que a Sâmara
em tentação cai
quando me vê
e perde a noção da hora,
sabe que a Dilma
tem imensa tara
aqui pelo papai,
e com intensa
variação ambiental,
sabe que a Mara
faz questão de dizer
que me acha o tal,
sabe que a Dora
não pode se conter,
chora um chorar sem fim
só de pensar em mim
e nem oculta o pranto,
sabe que exulta a Nilma
e perde a fleuma um tanto
quando da história
sou o tema,
sabe que a Neuma
não sublima
o tesão que tem
aqui pelo gostosão,
sabe que a Glória
me dá mole
e nem faz charme,
sabe que a Carme se anima
na minha presença,
sabe que a Moema,
tomou um gole,
fica tensa,
se inflama e faz celeuma
quando apareço,
sabe que da Bia
acendo toda a chama,
e sabe que mereço
de Lia, Laís e Flora
uma baita atenção,
bem acima do normal,
mas,
nada diz,
não chia nem reclama,
agora,
minha senhora
não engole
e quebra um pau
quando a gente ensaia
de minissaia e gaita de fole,
eu e o Dorgival!
Questão de ortografia (Nem vem que não tem)
Nem vem que não tem,
meu amigo,
pode perder a esperança,
fiança não é comigo,
e sou eu
quem lhe afiança
que não é nada pessoal,
que essa garantia
posso lhe dar,
e só essa,
e olhe lá;
é tão-só
questão de ortografia
que a de fiador é dose,
sempre me arrepia,
aí,
por osmose,
também detesto aval
e não empresto
bem ou valor,
incluindo grana,
resumindo,
prefiro ganhar um inimigo
antes de afiançar
a depois levar
de um amigo uma banana!
meu amigo,
pode perder a esperança,
fiança não é comigo,
e sou eu
quem lhe afiança
que não é nada pessoal,
que essa garantia
posso lhe dar,
e só essa,
e olhe lá;
é tão-só
questão de ortografia
que a de fiador é dose,
sempre me arrepia,
aí,
por osmose,
também detesto aval
e não empresto
bem ou valor,
incluindo grana,
resumindo,
prefiro ganhar um inimigo
antes de afiançar
a depois levar
de um amigo uma banana!
O que é felicidade?!
Felicidade,
o que é felicidade?!,
infinita reta?!,
linha sinuada,
inexata e discreta?!,
ponto cá, ponto acolá,
e pronto?!,
será que se trata
de mansa caminhada
por estrada bendita
em planície suave e quieta,
seta em cada encruzilhada,
estrada por onde
a gente caminha
sem encontrar entrave?!,
ou será
andança atribulada
ao pé de uma serra
que cai lá do pico
sobre uma superfície
imprecisa e sem divisa
que esconde arapuca
e sinuca de bico?!,
o que é felicidade?!,
será terra?!,
ar?!, água?!, fogo?!,
será variada
e misturada mistura
de tudo que está em jogo?!,
mas,
cabe falar
que a felicidade
é incessante procura
até pra quem não sabe
que a está procurando,
é luta constante:
desmando versus austeridade,
disputa sem sossego
entre loucura e sanidade,
não dá pra negar
que ela pode ser
um querer aberto,
por todos ter apego
sem se apegar a ninguém
em particular,
ou nunca deixar de ter
o maior apego
mas só por um certo alguém,
não dá pra negar
que felicidade
ora é devaneio,
ora é realidade,
e até
realidade e devaneio
meio a meio!,
ora?!,
o que é felicidade?!,
será que é
o que estou sentindo agora?!
o que é felicidade?!,
infinita reta?!,
linha sinuada,
inexata e discreta?!,
ponto cá, ponto acolá,
e pronto?!,
será que se trata
de mansa caminhada
por estrada bendita
em planície suave e quieta,
seta em cada encruzilhada,
estrada por onde
a gente caminha
sem encontrar entrave?!,
ou será
andança atribulada
ao pé de uma serra
que cai lá do pico
sobre uma superfície
imprecisa e sem divisa
que esconde arapuca
e sinuca de bico?!,
o que é felicidade?!,
será terra?!,
ar?!, água?!, fogo?!,
será variada
e misturada mistura
de tudo que está em jogo?!,
mas,
cabe falar
que a felicidade
é incessante procura
até pra quem não sabe
que a está procurando,
é luta constante:
desmando versus austeridade,
disputa sem sossego
entre loucura e sanidade,
não dá pra negar
que ela pode ser
um querer aberto,
por todos ter apego
sem se apegar a ninguém
em particular,
ou nunca deixar de ter
o maior apego
mas só por um certo alguém,
não dá pra negar
que felicidade
ora é devaneio,
ora é realidade,
e até
realidade e devaneio
meio a meio!,
ora?!,
o que é felicidade?!,
será que é
o que estou sentindo agora?!
sábado, abril 01, 2006
Falando francamente
Minha cara
cara-metade,
falando francamente,
não precisa ficar fula
nem fingir
que ficou contente,
o fato não vai se repetir,
não vai haver reprise
ou repeteco do ato,
na verdade,
não voltei a ter
a gula de antigamente,
foi só um deslize,
como saí torto do boteco,
ao chegar ao lar
quase morto,
vacilei no comprimido,
em vez
de tomar o de marido,
meu tranqüilizante,
tomei o de amante
que é um barato mas sai caro,
e, é claro,
não dá pra ir adiante
e saciar fome de duas
sem aumento de despesa,
e tenho
cem por cento de certeza
de que você
não vai querer poupar
nas coisas suas
pra arcar
com o gasto ‘pilular’,
não há de querer
deixar de mão
dentista, massagista
e o vasto e rijo Ricardão
que tanto regozijo lhe dá,
portanto,
deixe pra lá!
cara-metade,
falando francamente,
não precisa ficar fula
nem fingir
que ficou contente,
o fato não vai se repetir,
não vai haver reprise
ou repeteco do ato,
na verdade,
não voltei a ter
a gula de antigamente,
foi só um deslize,
como saí torto do boteco,
ao chegar ao lar
quase morto,
vacilei no comprimido,
em vez
de tomar o de marido,
meu tranqüilizante,
tomei o de amante
que é um barato mas sai caro,
e, é claro,
não dá pra ir adiante
e saciar fome de duas
sem aumento de despesa,
e tenho
cem por cento de certeza
de que você
não vai querer poupar
nas coisas suas
pra arcar
com o gasto ‘pilular’,
não há de querer
deixar de mão
dentista, massagista
e o vasto e rijo Ricardão
que tanto regozijo lhe dá,
portanto,
deixe pra lá!
sexta-feira, março 31, 2006
Sonhar sempre!
Sonhar sempre!,
até quando não souber
que está sonhando,
e seja qual for o sonho,
mas,
nem sempre
sonhar um sonho só,
e continuar sonhando
quando o galo
estiver cantando,
e continuar o sonho
mesmo quando o café
não puder ser mais ralo,
não puder ter sabor pior,
e sonhar deitado, sentado,
e sonhar de pé
quando está esperando,
sonhar
que chegou a sua vez
de chegar ao guichê
e se apossar
do sonho tão sonhado
que tiraram de você,
e sonhar até
quando de sonho
houver escassez no mercado,
questão de oferta e procura,
sonhar que qualquer mistura
há de ser a mistura certa,
seja a mais rara,
a mais clara,
a mais escura,
sonhar de olhos fechados,
mas,
um sonho
que de olhos abertos
não pára de ser sonhado,
sonhar
aquele sonho tão bonito
que faz querer
não dispertar do sono,
faz querer
que o sono seja infinito,
e continuar sonhando
quando estiver disperto,
sonhar um sonho
por mais incerto
que o sonho seja,
por mais
que seja só um sonho,
sonhar sem se importar
se é um sonho distante
ou se um sonho
que já está bem perto,
sonhar... sonhar... sonhar...
ter sonho a todo instante,
sonhar até
que tem um sonho
se um sonho não tiver!
até quando não souber
que está sonhando,
e seja qual for o sonho,
mas,
nem sempre
sonhar um sonho só,
e continuar sonhando
quando o galo
estiver cantando,
e continuar o sonho
mesmo quando o café
não puder ser mais ralo,
não puder ter sabor pior,
e sonhar deitado, sentado,
e sonhar de pé
quando está esperando,
sonhar
que chegou a sua vez
de chegar ao guichê
e se apossar
do sonho tão sonhado
que tiraram de você,
e sonhar até
quando de sonho
houver escassez no mercado,
questão de oferta e procura,
sonhar que qualquer mistura
há de ser a mistura certa,
seja a mais rara,
a mais clara,
a mais escura,
sonhar de olhos fechados,
mas,
um sonho
que de olhos abertos
não pára de ser sonhado,
sonhar
aquele sonho tão bonito
que faz querer
não dispertar do sono,
faz querer
que o sono seja infinito,
e continuar sonhando
quando estiver disperto,
sonhar um sonho
por mais incerto
que o sonho seja,
por mais
que seja só um sonho,
sonhar sem se importar
se é um sonho distante
ou se um sonho
que já está bem perto,
sonhar... sonhar... sonhar...
ter sonho a todo instante,
sonhar até
que tem um sonho
se um sonho não tiver!
quinta-feira, março 30, 2006
O tempo passa...
Qualquer peripécia
de mulher famosa,
Catarina, Lucrécia, Messalina,
em prosa narrada
me fazia
esbanjar adrenalina;
qualquer foto
de modelo ou vedete
era um terremoto
e não resistia ao apelo,
pintava o sete
e derramava
meus votos de saúde,
e derramava amiúde;
qualquer festa
que via e ouvia
por fresta ou fechadura
me enchia de bravura
e me fazia
manejar minha espada
que não tinha mesmo bainha;
as bacanais
que só vinham a mim
após e pelos jornais
me faziam
derramar a libido,
e assim os Carnavais
de tirar fora halo,
e falo de santo,
dos quais fui excluído
por ser menor
ou um tanto sem grana;
quanta banana
foi descascada a esmo
porque outra fruta
era mesmo muito rala,
quanta luta
desenhada em revista
consumiu o meu melhor,
e sem suor,
que nem suar era preciso,
e bastava pista,
lembrança, aviso, pala
e voltava ao serviço
e nem ficava exaurido,
é isso aí...
mas,
esse tempo já dista,
aqui e agora,
é hora da fala mansa
e da bengala,
e estaria perdido,
teria perdido a graça
sem a esperança
em comprimido
que a drogaria me fia!,
que não dá
pra pagar à vista,
é...
o tempo passa...
de mulher famosa,
Catarina, Lucrécia, Messalina,
em prosa narrada
me fazia
esbanjar adrenalina;
qualquer foto
de modelo ou vedete
era um terremoto
e não resistia ao apelo,
pintava o sete
e derramava
meus votos de saúde,
e derramava amiúde;
qualquer festa
que via e ouvia
por fresta ou fechadura
me enchia de bravura
e me fazia
manejar minha espada
que não tinha mesmo bainha;
as bacanais
que só vinham a mim
após e pelos jornais
me faziam
derramar a libido,
e assim os Carnavais
de tirar fora halo,
e falo de santo,
dos quais fui excluído
por ser menor
ou um tanto sem grana;
quanta banana
foi descascada a esmo
porque outra fruta
era mesmo muito rala,
quanta luta
desenhada em revista
consumiu o meu melhor,
e sem suor,
que nem suar era preciso,
e bastava pista,
lembrança, aviso, pala
e voltava ao serviço
e nem ficava exaurido,
é isso aí...
mas,
esse tempo já dista,
aqui e agora,
é hora da fala mansa
e da bengala,
e estaria perdido,
teria perdido a graça
sem a esperança
em comprimido
que a drogaria me fia!,
que não dá
pra pagar à vista,
é...
o tempo passa...
quarta-feira, março 29, 2006
Queria ser o vento
Queria ser o vento
que volta e meia
se solta sem receio,
censura e estapeia o estandarte
no meio da batalha,
que do massacre espalha
a loucura e o cheiro acre,
que se esgueira e invade
trincheira e baluarte,
vento que a queimada denuncia
e anuncia a tempestade
que está por vir,
que alenta o barco,
enfuna a vela da escuna,
mas,
sem pedir permissão,
bate em retirada
e inventa a calmaria,
vento que não respeita
prumo, marco ou regalia,
nem aceita pacto
com rumo e direção,
vento que a flor acaricia
com prazer e pudor,
entretanto,
zomba do cacto,
tomba e prostra o jatobá,
vento que venta
quando quer ventar,
quando quer,
mostra a sua sanha
e destrói e arrasa
e arranca casa do lugar,
mas,
a duna constrói com arte,
queria ser o vento
que vem e parte
quando bem quer,
que faz arrepio,
faz tremer de frio,
que é capaz
de arrefecer qualquer calor,
vento que assanha os pêlos
e os cabelos do meu amor!
que volta e meia
se solta sem receio,
censura e estapeia o estandarte
no meio da batalha,
que do massacre espalha
a loucura e o cheiro acre,
que se esgueira e invade
trincheira e baluarte,
vento que a queimada denuncia
e anuncia a tempestade
que está por vir,
que alenta o barco,
enfuna a vela da escuna,
mas,
sem pedir permissão,
bate em retirada
e inventa a calmaria,
vento que não respeita
prumo, marco ou regalia,
nem aceita pacto
com rumo e direção,
vento que a flor acaricia
com prazer e pudor,
entretanto,
zomba do cacto,
tomba e prostra o jatobá,
vento que venta
quando quer ventar,
quando quer,
mostra a sua sanha
e destrói e arrasa
e arranca casa do lugar,
mas,
a duna constrói com arte,
queria ser o vento
que vem e parte
quando bem quer,
que faz arrepio,
faz tremer de frio,
que é capaz
de arrefecer qualquer calor,
vento que assanha os pêlos
e os cabelos do meu amor!
Esse mandinguento
Está sempre pronto
pra mais um ponto
esse mandinguento,
e nunca é ponto sem nó,
e não é só,
garante
que não faz de bocó
nenhum semelhante
pois entende
que não tem nenhum,
por isso,
está nesse ramo
e vende feitiço e simpatia
a torto e a direito,
e nem morto
se entrega ou rende
quando a magia pega,
e não se satisfaz
só com bruxaria,
explora a alquimia
e melhora a renda,
negocia adamo e panacéia,
e a venda é um espanto,
rende tanto
que o sujeito
meteu na idéia
que é o melhor,
o mandinguento mor,
e de tudo é capaz de fazer
pra nunca mais
deixar de ser!
pra mais um ponto
esse mandinguento,
e nunca é ponto sem nó,
e não é só,
garante
que não faz de bocó
nenhum semelhante
pois entende
que não tem nenhum,
por isso,
está nesse ramo
e vende feitiço e simpatia
a torto e a direito,
e nem morto
se entrega ou rende
quando a magia pega,
e não se satisfaz
só com bruxaria,
explora a alquimia
e melhora a renda,
negocia adamo e panacéia,
e a venda é um espanto,
rende tanto
que o sujeito
meteu na idéia
que é o melhor,
o mandinguento mor,
e de tudo é capaz de fazer
pra nunca mais
deixar de ser!
terça-feira, março 28, 2006
Essa louca não tem limite!
Não achei coisa igual
em compêndio nenhum,
com fogo de palha
ela faz
um incêndio brutal
e se espalha
mais que boato,
que não é só boca a boca,
é tato a tato,
corpo a corpo,
leito a leito,
evite essa louca!,
essa louca não tem limite!,
não lhe serve
a paixão intensa,
cheia de densas emoções,
não... não lhe serve...
só lhe ferve veias e artérias,
só lhe incendeia as entranhas
a luxúria pela luxúria,
a fúria e a miséria
de espúrias sensações,
a sanha de cios desvairados,
ela não quer
que você zele por ela,
não quer que você
seus lábios sele
com beijos apaixonados,
não quer
que um arrepio
revele os desejos dela,
ela não quer o prazer
que um gemido extravasa,
ela quer na pele
marca de ferro em brasa,
quer o berro sofrido
de um ser que se esfacela!
em compêndio nenhum,
com fogo de palha
ela faz
um incêndio brutal
e se espalha
mais que boato,
que não é só boca a boca,
é tato a tato,
corpo a corpo,
leito a leito,
evite essa louca!,
essa louca não tem limite!,
não lhe serve
a paixão intensa,
cheia de densas emoções,
não... não lhe serve...
só lhe ferve veias e artérias,
só lhe incendeia as entranhas
a luxúria pela luxúria,
a fúria e a miséria
de espúrias sensações,
a sanha de cios desvairados,
ela não quer
que você zele por ela,
não quer que você
seus lábios sele
com beijos apaixonados,
não quer
que um arrepio
revele os desejos dela,
ela não quer o prazer
que um gemido extravasa,
ela quer na pele
marca de ferro em brasa,
quer o berro sofrido
de um ser que se esfacela!
E o macarrão encheu lingüiça
A segunda é sem lei
e o que abunda
não prejudica,
sobretudo figa, fita e birita,
disso tudo eu já sabia
pois é coisa antiga,
agora também sei,
se um ingrediente falta,
até o protagonista do prato,
a pé ou na mão a gente não fica,
a gente Não Muda
Nem Sai de Cima do horário,
vai por mim,
algum especialista
em pulo-do-gato culinário
bota logo outro em pauta,
e foi exatamente assim,
o camarão deu bolo,
mas,
como não é tolo
e tem raça o macarrão,
e só gostava de rolo
quando era massa bruta,
foi à luta e achou solução,
encher lingüiça,
eis metade da missa,
meu confrade;
na metade seguinte,
foi tão feliz
enchendo lingüiça,
tão fundo no requinte,
que tá todo mundo pedindo bis!
e o que abunda
não prejudica,
sobretudo figa, fita e birita,
disso tudo eu já sabia
pois é coisa antiga,
agora também sei,
se um ingrediente falta,
até o protagonista do prato,
a pé ou na mão a gente não fica,
a gente Não Muda
Nem Sai de Cima do horário,
vai por mim,
algum especialista
em pulo-do-gato culinário
bota logo outro em pauta,
e foi exatamente assim,
o camarão deu bolo,
mas,
como não é tolo
e tem raça o macarrão,
e só gostava de rolo
quando era massa bruta,
foi à luta e achou solução,
encher lingüiça,
eis metade da missa,
meu confrade;
na metade seguinte,
foi tão feliz
enchendo lingüiça,
tão fundo no requinte,
que tá todo mundo pedindo bis!
sábado, março 25, 2006
Estou farto de mim
Estou farto dessa lista
com o muito que falta,
dessa falta de dindim,
desse quarto chinfrim,
Copacabana no aluguel
e vista suburbana,
esgoto a céu aberto,
fedor e fumaça na janela,
e dela eu flerto
com um urubu maroto
que tá de olho na carniça,
na criança que tá de molho,
como está
minha escassa esperança
de morar perto do mar
e me excitar
com boto traçando tainha,
estou com o saco cheio dela,
dessa Estela mortiça
com sabor de chuchu,
manequim cinqüenta
e meio amarela,
que a praia não vem cá
e ela nem tenta
chegar lá
pra não entrar na vaia,
não tenho mais paciência
pra escutar
essa freqüência modulada
que produz a voz esganiçada
do povo dessa viela
que não tem água
nem tem luz,
não agüento mais o perdigoto
desse gerente escroto,
um zé vacilão,
baba-ovo e arauto do patrão
que me trata a pontapé
pra fazer jus à promoção,
enfim,
estou farto de mim,
dessa vidinha
e desse outro parto
que aí vem
que a gente não tem
nem pra camisinha!
com o muito que falta,
dessa falta de dindim,
desse quarto chinfrim,
Copacabana no aluguel
e vista suburbana,
esgoto a céu aberto,
fedor e fumaça na janela,
e dela eu flerto
com um urubu maroto
que tá de olho na carniça,
na criança que tá de molho,
como está
minha escassa esperança
de morar perto do mar
e me excitar
com boto traçando tainha,
estou com o saco cheio dela,
dessa Estela mortiça
com sabor de chuchu,
manequim cinqüenta
e meio amarela,
que a praia não vem cá
e ela nem tenta
chegar lá
pra não entrar na vaia,
não tenho mais paciência
pra escutar
essa freqüência modulada
que produz a voz esganiçada
do povo dessa viela
que não tem água
nem tem luz,
não agüento mais o perdigoto
desse gerente escroto,
um zé vacilão,
baba-ovo e arauto do patrão
que me trata a pontapé
pra fazer jus à promoção,
enfim,
estou farto de mim,
dessa vidinha
e desse outro parto
que aí vem
que a gente não tem
nem pra camisinha!
Moreno amor
Mitiga minha solidão,
morena,
com o moreno veneno
que expele a sua pele,
instiga,
morena,
esse dia ameno
que não temdor de espinho
nem o prazer de colher flor,
fustiga,
morena,
essa monotonia
que entedia os dedos,
os distancia do pinho
e do bom sabor da canção
me faz até ter pavor,
mitiga,
morena,
esse meu medo,
esse arremedo de vida
vivida sem graça
e sem emoção,
por favor,
moreno amor,
faça bater o meu coração!
morena,
com o moreno veneno
que expele a sua pele,
instiga,
morena,
esse dia ameno
que não temdor de espinho
nem o prazer de colher flor,
fustiga,
morena,
essa monotonia
que entedia os dedos,
os distancia do pinho
e do bom sabor da canção
me faz até ter pavor,
mitiga,
morena,
esse meu medo,
esse arremedo de vida
vivida sem graça
e sem emoção,
por favor,
moreno amor,
faça bater o meu coração!
quinta-feira, março 23, 2006
Sozinho um gari doura a Sapucaí
Desista da besteira
de ficar infeliz,
de levar a sério
a falta de luxo,
agüente o repuxo!,
aliás,
é verdade
que o luxo
é capaz de fazer vista,
mas,
vista faz
à maneira do verniz!,
portanto,
enfrente o desafio,
não se grile com realidade,
assimile a melancolia
e não reze pra fidalguia
não vir ao desfile,
que venham
Império e Imperatriz!,
se preze e não torça
pra que em fevereiro
o Salgueiro esteja murcho,
pra que não dê a Mangueira
fruta gostosa
e pra que a Grande Rio
não venha caudalosa
e escoe
qual ribeiro pela pista,
ou, até,
pra que a Padre Miguel
venha sem fé e fervor,
se preze e não torça
pra que venha singela
e sem força
pra se abrir a Portela
e pra que não voe a Beija-Flor,
não faz sentido
essa coisa maluca
de pedir a desunião
da União da Ilha,
da Unidos da Ponte,
da Tijuca e de Vila Isabel,
preste atenção,
é fonte gratuita de animação
o ardor da torcida,
é fonte gratuita
de esplendor e inspiração
essa maravilha de Céu,
portanto,
esqueça ibope,
Tradição,
tope seu desafio
e fantasie a passarela
com sua emoção,
agora é a hora
de aproveitar o embalo
e mostrar no pé
que pode ser também
a tal do Carnaval
quem é bamba
no samba do dia-a-dia,
é hora de expor
seu enredo cotidiano
que começa bem cedo,
antes até do canto do galo,
e só finda
quase de madrugada,
e, entra ano, sai ano,
um pingo de folga,
se tanto,
empolga um domingo,
dia santo
ou feriado nacional,
é hora de mostrar
o desassombro e a garra
com que
você leva na marra
o morro nos ombros,
e não protesta
nem pede socorro,
aí,
modesta Escola,
bola pra frente!,
cresça e apareça
com sua gente,
e não esqueça,
se uma andorinha sozinha
não faz verão,
sozinho um gari
doura a Sapucaí
de vassoura na mão,
e sem subvenção!
de ficar infeliz,
de levar a sério
a falta de luxo,
agüente o repuxo!,
aliás,
é verdade
que o luxo
é capaz de fazer vista,
mas,
vista faz
à maneira do verniz!,
portanto,
enfrente o desafio,
não se grile com realidade,
assimile a melancolia
e não reze pra fidalguia
não vir ao desfile,
que venham
Império e Imperatriz!,
se preze e não torça
pra que em fevereiro
o Salgueiro esteja murcho,
pra que não dê a Mangueira
fruta gostosa
e pra que a Grande Rio
não venha caudalosa
e escoe
qual ribeiro pela pista,
ou, até,
pra que a Padre Miguel
venha sem fé e fervor,
se preze e não torça
pra que venha singela
e sem força
pra se abrir a Portela
e pra que não voe a Beija-Flor,
não faz sentido
essa coisa maluca
de pedir a desunião
da União da Ilha,
da Unidos da Ponte,
da Tijuca e de Vila Isabel,
preste atenção,
é fonte gratuita de animação
o ardor da torcida,
é fonte gratuita
de esplendor e inspiração
essa maravilha de Céu,
portanto,
esqueça ibope,
Tradição,
tope seu desafio
e fantasie a passarela
com sua emoção,
agora é a hora
de aproveitar o embalo
e mostrar no pé
que pode ser também
a tal do Carnaval
quem é bamba
no samba do dia-a-dia,
é hora de expor
seu enredo cotidiano
que começa bem cedo,
antes até do canto do galo,
e só finda
quase de madrugada,
e, entra ano, sai ano,
um pingo de folga,
se tanto,
empolga um domingo,
dia santo
ou feriado nacional,
é hora de mostrar
o desassombro e a garra
com que
você leva na marra
o morro nos ombros,
e não protesta
nem pede socorro,
aí,
modesta Escola,
bola pra frente!,
cresça e apareça
com sua gente,
e não esqueça,
se uma andorinha sozinha
não faz verão,
sozinho um gari
doura a Sapucaí
de vassoura na mão,
e sem subvenção!
Deixe passar o corso
Moço,
deixe passar o corso
que vai indo
pro arquivo morto
levando outro bando,
vai quem foi esquecido
na posta-restante,
quem não suportou
o desmedido esforço
do exercício findo
e quem não agüentou
o balanço no dorso
do passivo circulante;
moço,
não ouse atrapalhar
o avanço do corso
que vai indo
pro arquivo morto
levando outro bando,
vai quem fez o jogo
e perdeu a aposta,
quem tropeçou
em vício, fogo de assalto,
e quem brigou em alto-mar
mas acabou
afundando aqui na costa;
moço,
não se atreva
a bloquear o corso
que vai indo
pro arquivo morto
levando outro bando,
vai quem rolou
quando a encosta desceu,
quem deu
um salto no escuro
e se espatifou no chão
e quem deu duro
mas não alcançou o pão,
aí,
moço,
nada de zombaria
ao passar o corso
que vai chegar o seu dia!
deixe passar o corso
que vai indo
pro arquivo morto
levando outro bando,
vai quem foi esquecido
na posta-restante,
quem não suportou
o desmedido esforço
do exercício findo
e quem não agüentou
o balanço no dorso
do passivo circulante;
moço,
não ouse atrapalhar
o avanço do corso
que vai indo
pro arquivo morto
levando outro bando,
vai quem fez o jogo
e perdeu a aposta,
quem tropeçou
em vício, fogo de assalto,
e quem brigou em alto-mar
mas acabou
afundando aqui na costa;
moço,
não se atreva
a bloquear o corso
que vai indo
pro arquivo morto
levando outro bando,
vai quem rolou
quando a encosta desceu,
quem deu
um salto no escuro
e se espatifou no chão
e quem deu duro
mas não alcançou o pão,
aí,
moço,
nada de zombaria
ao passar o corso
que vai chegar o seu dia!
Vai-da-valsa do Maracanã
Cruzei o Maracanã
num divã
cujo estado dava dó,
e tão sujo
que dava asco,
e deparei
com mó de cascos,
frascos e quejandos,
e cruzei o Maracanã
com parcas velas
pra tantos presuntos,
e juntos, e aos bandos,
e crivados de marcas,
e as velas apagava o vento,
e remei
com um tasco de bandô
que nem sei
se era decô ou rococó,
e busquei alento
no meu aulo
sem brilho
e de uma nota só,
aí,
fiz fiasco,
pois,
fizeram a rota antes
dois grã-navegantes,
Aldir e Paulo Emílio,
e vestido o Aldir
de grão-capitão do Vasco,
então,
vestido de Mengão,
naveguei na água-benta
e fiz questão
de levar pimenta
pra temperar
agrião, hortelã e pimentão,
a rabeira da feira
que toda sexta-feira
bóia entre as bolhas
que nem as rolhas
das garrafas de pilóia
das minhas moafas,
meu esteio,
e não me fale em opróbrio,
se cale,
porra!,
que opróbrio
é ficar sóbrio
no meio dessa zorra,
ah... Maracanã,
rio do Paulo Emílio e do Aldir,
só dói quando ‘sou Rio’,
ah... Maracanã,
rio do Paulo Emílio e do Aldir,
só dói quando ‘sou Rio’!
num divã
cujo estado dava dó,
e tão sujo
que dava asco,
e deparei
com mó de cascos,
frascos e quejandos,
e cruzei o Maracanã
com parcas velas
pra tantos presuntos,
e juntos, e aos bandos,
e crivados de marcas,
e as velas apagava o vento,
e remei
com um tasco de bandô
que nem sei
se era decô ou rococó,
e busquei alento
no meu aulo
sem brilho
e de uma nota só,
aí,
fiz fiasco,
pois,
fizeram a rota antes
dois grã-navegantes,
Aldir e Paulo Emílio,
e vestido o Aldir
de grão-capitão do Vasco,
então,
vestido de Mengão,
naveguei na água-benta
e fiz questão
de levar pimenta
pra temperar
agrião, hortelã e pimentão,
a rabeira da feira
que toda sexta-feira
bóia entre as bolhas
que nem as rolhas
das garrafas de pilóia
das minhas moafas,
meu esteio,
e não me fale em opróbrio,
se cale,
porra!,
que opróbrio
é ficar sóbrio
no meio dessa zorra,
ah... Maracanã,
rio do Paulo Emílio e do Aldir,
só dói quando ‘sou Rio’,
ah... Maracanã,
rio do Paulo Emílio e do Aldir,
só dói quando ‘sou Rio’!
terça-feira, março 21, 2006
Saiba curtir!
Beba seu drinque,
sua cerveja
sua batida de cachaça
com limão ou maracujá,
e brinque até se fartar,
ou seja,
finque o pé
e faça da vida um sarro,
mas,
saiba curtir!,
não faça batida de carro
que não é fruta esse abacaxi!,
vamos lá,
espero que você
venha comigo nessa luta,
que você
entre decidido nessa briga,
não dirija se beber,
e não esqueça a boa maneira
de brindar a pessoa amiga
na hora de ir embora,
a da saideira,
se ela tiver bebido,
mostre que é amigo,
exija que ela não dirija!
sua cerveja
sua batida de cachaça
com limão ou maracujá,
e brinque até se fartar,
ou seja,
finque o pé
e faça da vida um sarro,
mas,
saiba curtir!,
não faça batida de carro
que não é fruta esse abacaxi!,
vamos lá,
espero que você
venha comigo nessa luta,
que você
entre decidido nessa briga,
não dirija se beber,
e não esqueça a boa maneira
de brindar a pessoa amiga
na hora de ir embora,
a da saideira,
se ela tiver bebido,
mostre que é amigo,
exija que ela não dirija!
segunda-feira, março 20, 2006
Bicho-preguiça
Que preguiça!,
bicho,
você não se eriça
nem com fogo!,
bicho-preguiça,
se sufoca com o calor,
com o afogo de matar,
e não troca de posição
nem se abana
pra não precisar
balançar o abanador,
bicho-preguiça,
você não pede mão
pra não ter
de estender o braço,
só quer a banana
que lhe passo
se já vier sem casca,
olha e vê a borrasca,
mas se molha
só pra não ter
nem que se mexer!,
tanta preguiça,
bicho,
é de doer!,
e é rogo em cima de rogo
e mais rogo por cima,
tenha paciência!,
tanta indolência
é caso de polícia!,
nem se levantar
você se levanta
pra não precisar
se deitar outra vez,
e nem de carícia
de mês em mês
você quer saber
pra não ter que fazer amor,
por favor,
bicho-preguiça,
pára!,
e de mim disponha,
disponha sim!...
se vergonha na cara
quiser tomar,
eu sirvo
e sirvo gota a gota
pra você não se cansar!
bicho,
você não se eriça
nem com fogo!,
bicho-preguiça,
se sufoca com o calor,
com o afogo de matar,
e não troca de posição
nem se abana
pra não precisar
balançar o abanador,
bicho-preguiça,
você não pede mão
pra não ter
de estender o braço,
só quer a banana
que lhe passo
se já vier sem casca,
olha e vê a borrasca,
mas se molha
só pra não ter
nem que se mexer!,
tanta preguiça,
bicho,
é de doer!,
e é rogo em cima de rogo
e mais rogo por cima,
tenha paciência!,
tanta indolência
é caso de polícia!,
nem se levantar
você se levanta
pra não precisar
se deitar outra vez,
e nem de carícia
de mês em mês
você quer saber
pra não ter que fazer amor,
por favor,
bicho-preguiça,
pára!,
e de mim disponha,
disponha sim!...
se vergonha na cara
quiser tomar,
eu sirvo
e sirvo gota a gota
pra você não se cansar!
sexta-feira, março 17, 2006
Essa água é que é água!
Essa água é que é água!,
e retórica não é não,
na prática,
se trata
da mais purinha
questão de gramática,
me mata-paixão!,
me mata-paixão
pela linda mulata!,
e vou nessa água,
vou passar da linha-branca
e chegar à amarelinha,
à azulzinha, à azuladinha,
e, com a alma eufórica,
vou me afogar em água-benta,
água-bórica, água-branca,
quando acabar essa água,
minha sede vai à luta
e outra inventa,
água-bruta,
água-de-briga, água-de-cana,
e, se bem me lembro,
água-de-setembro
e a antiga e bacana aguardente,
e minha sede avisa
que vai em frente
à procura de mais água,
água-que-gato-não-bebe,
água-que-passarinho-não-bebe,
água-lisa, água-pé, água-pra-tudo,
ou boa-pra-tudo,
aliás,
o melé cura-tudo,
se for preciso,
a gente consome
até aguarrás,
após,
retrós e tome-juízo,
pra manter
o pique borbulhante,
a extravagante isbelique,
e crislotique em seguida,
mas,
como na vida
não há só prazer,
também há bate-bate,
que venha alicate,
que venha martelo,
ou melhor,
três-martelos,
pra ver correr
suor-de-alambique
e suor-de-cana-torta,
e pode vir corta-bainha,
danadinha, doidinha, marvadinha,
santinha, teimosinha,
branquinha, mulatinha,
que seja
em nanicos agavios
de bico e cerveja,
obra de homeopatia,
que venha assovio-de-cobra,
a-que-incha
ou a-que-matou-o-guarda,
bom cupincha
que bebia de farda,
e pode mandar amorosa,
ardosa, dengosa, chica e chica-boa,
cumbica e canjica,
baga e apaga-tristeza,
e até baronesa em pessoa,
que realeza não me intimida,
e que graça teria a vida
sem cachaça?!
e retórica não é não,
na prática,
se trata
da mais purinha
questão de gramática,
me mata-paixão!,
me mata-paixão
pela linda mulata!,
e vou nessa água,
vou passar da linha-branca
e chegar à amarelinha,
à azulzinha, à azuladinha,
e, com a alma eufórica,
vou me afogar em água-benta,
água-bórica, água-branca,
quando acabar essa água,
minha sede vai à luta
e outra inventa,
água-bruta,
água-de-briga, água-de-cana,
e, se bem me lembro,
água-de-setembro
e a antiga e bacana aguardente,
e minha sede avisa
que vai em frente
à procura de mais água,
água-que-gato-não-bebe,
água-que-passarinho-não-bebe,
água-lisa, água-pé, água-pra-tudo,
ou boa-pra-tudo,
aliás,
o melé cura-tudo,
se for preciso,
a gente consome
até aguarrás,
após,
retrós e tome-juízo,
pra manter
o pique borbulhante,
a extravagante isbelique,
e crislotique em seguida,
mas,
como na vida
não há só prazer,
também há bate-bate,
que venha alicate,
que venha martelo,
ou melhor,
três-martelos,
pra ver correr
suor-de-alambique
e suor-de-cana-torta,
e pode vir corta-bainha,
danadinha, doidinha, marvadinha,
santinha, teimosinha,
branquinha, mulatinha,
que seja
em nanicos agavios
de bico e cerveja,
obra de homeopatia,
que venha assovio-de-cobra,
a-que-incha
ou a-que-matou-o-guarda,
bom cupincha
que bebia de farda,
e pode mandar amorosa,
ardosa, dengosa, chica e chica-boa,
cumbica e canjica,
baga e apaga-tristeza,
e até baronesa em pessoa,
que realeza não me intimida,
e que graça teria a vida
sem cachaça?!
quinta-feira, março 16, 2006
Você já nasceu café pequeno!
De um argueiro
você faz um cavaleiro,
de discussão de nada
faz campo de batalha,
faz tempestade em copo d’água
e a maior bulha
por agulha, grampo ou tostão,
parece que você
vai a pé até Manágua
e na mão levando tralha,
e, na verdade,
vai de frescão
e vai saltar
bem antes da Baixada,
você assusta
e aperreia meio mundo
dando a impressão
que vai escalar o Aconcágua
e a seguir o Himalaia,
e sem parada,
e, na realidade,
vai subir só a escada
do primeiro andar pro segundo,
e nem de saia justa está,
você tem chiliques e tremiliques
por tuta-e-meia,
esperneia e se esgoela
pra só pagar meia-entrada
com carteira de estudante vencida,
fica puta da vida
e sai na porrada
por besteira e por titica,
se descabela
por roscas e chorumelas,
explode por bolacha-quebrada,
emenda os bigodes
por um simples abana-moscas,
esculacha e roda a baiana
por qualquer prenda de borra,
faz uma zorra daquelas
e só está em jogo quixiligangue,
vermelha de sangue,
se ajoelha e faz rogo
por um mimo de merda,
se herda bagulho ou porcaria,
faz barulho
e de orgulho se entulha,
você faz das tripas coração,
fica de tanga e mergulha
no limo do Mangue
atrás de ninharia e bugiganga
e é capaz
de ouvir trovão em dia ameno,
sabe de uma coisa...
você já nasceu café pequeno!
você faz um cavaleiro,
de discussão de nada
faz campo de batalha,
faz tempestade em copo d’água
e a maior bulha
por agulha, grampo ou tostão,
parece que você
vai a pé até Manágua
e na mão levando tralha,
e, na verdade,
vai de frescão
e vai saltar
bem antes da Baixada,
você assusta
e aperreia meio mundo
dando a impressão
que vai escalar o Aconcágua
e a seguir o Himalaia,
e sem parada,
e, na realidade,
vai subir só a escada
do primeiro andar pro segundo,
e nem de saia justa está,
você tem chiliques e tremiliques
por tuta-e-meia,
esperneia e se esgoela
pra só pagar meia-entrada
com carteira de estudante vencida,
fica puta da vida
e sai na porrada
por besteira e por titica,
se descabela
por roscas e chorumelas,
explode por bolacha-quebrada,
emenda os bigodes
por um simples abana-moscas,
esculacha e roda a baiana
por qualquer prenda de borra,
faz uma zorra daquelas
e só está em jogo quixiligangue,
vermelha de sangue,
se ajoelha e faz rogo
por um mimo de merda,
se herda bagulho ou porcaria,
faz barulho
e de orgulho se entulha,
você faz das tripas coração,
fica de tanga e mergulha
no limo do Mangue
atrás de ninharia e bugiganga
e é capaz
de ouvir trovão em dia ameno,
sabe de uma coisa...
você já nasceu café pequeno!
Ex-mulher com maridão adinheirado
Como a ex-mulher
tá de marido novo
e numa muito boa,
e sigo um zé-povo
desprovido de numerário,
ou seja,
sigo sem nenhum!,
vou lhe pedir o necessário,
coisa à-toa!,
o do rango, o do celular, o do aluguer,
o do carango zero
que não quero mais
dar sopa por aí
ao andar a pé,
vou pedir o suficiente
pra pagar empregada,
pra trocar o guarda-roupa,
que repetindo o vestuário
pareço estar de farda,
vou pedir o suficiente
pra financiar cerveja, noitada
e pra dar esmola na igreja,
pois,
quem rola essa dívida
fica com a alma lívida
e com a vívida sensação
de estar entrando numa fria,
quer dizer,
numa muito quente,
é... meu irmão,
pense o que quiser,
mas,
ex-mulher com maridão adinheirado
é fado tão bom
quanto ganhar na loteria!
tá de marido novo
e numa muito boa,
e sigo um zé-povo
desprovido de numerário,
ou seja,
sigo sem nenhum!,
vou lhe pedir o necessário,
coisa à-toa!,
o do rango, o do celular, o do aluguer,
o do carango zero
que não quero mais
dar sopa por aí
ao andar a pé,
vou pedir o suficiente
pra pagar empregada,
pra trocar o guarda-roupa,
que repetindo o vestuário
pareço estar de farda,
vou pedir o suficiente
pra financiar cerveja, noitada
e pra dar esmola na igreja,
pois,
quem rola essa dívida
fica com a alma lívida
e com a vívida sensação
de estar entrando numa fria,
quer dizer,
numa muito quente,
é... meu irmão,
pense o que quiser,
mas,
ex-mulher com maridão adinheirado
é fado tão bom
quanto ganhar na loteria!
quarta-feira, março 15, 2006
Vou dar nome aos bois
Mesmo havendo boi,
mó de boi,
uma pá de boi,
minha gente,
não é necessariamente
questão lá do sertão,
e nem viola tem,
e só disse o que disse
pra não ser omisso
nem inconseqüente!,
portanto,
bola pra frente,
mas,
sei que na linha tem boi,
por isso,
vou logo dizendo
que não sou boi de piranha
nem do tipo que apanha
qual boi ladrão,
e participo
que dou nome aos bois
pra saciar
a curiosidade de vocês,
e quem não gostar,
mesmo sendo da cidade,
que vá amolar o boi,
e vou dar
dois nomes de uma vez,
um se chama Catuta
e o outro se chama Braseiro,
mas,
na verdade,
é quase tudo que sei...
pois,
ainda não deu pra saber
qual dos dois
foi primeiro à luta,
se levou Braseiro
Catuta no bagageiro
ou se levou Catuta
Braseiro atrás,
aliás,
ainda não sei
nem sei
se hei de saber
qual dos dois
tem mais idade,
qual dos dois
mais come,
qual dos dois é a fome,
qual dos dois
é a vontade de comer,
qual dos dois
ganhou mais fama,
qual dos dois
se deitou na cama,
qual dos dois
mais rama consome,
ainda não sei
nem sei
se hei de saber
se um dos dois trama
e o outro executa,
se um dos dois fala
e o outro
se cala e escuta,
ainda não sei
nem sei
se hei de saber
se um dos dois
no outro se encosta,
se um dos dois
gosta mais da fruta,
se um dos dois
pode que pode
até não poder mais
e o outro vai atrás
porque na frente
não pode ir,
e sei mais,
e vocês hão de convir
que já é até demais,
pois sei que não são só dois
e que quaisquer dois
não são assim tão iguais
nem tão diferentes assim,
e só dei dois nomes
porque a mim
só dois nomes deram
quando me disseram
que dariam nome aos bois!
mó de boi,
uma pá de boi,
minha gente,
não é necessariamente
questão lá do sertão,
e nem viola tem,
e só disse o que disse
pra não ser omisso
nem inconseqüente!,
portanto,
bola pra frente,
mas,
sei que na linha tem boi,
por isso,
vou logo dizendo
que não sou boi de piranha
nem do tipo que apanha
qual boi ladrão,
e participo
que dou nome aos bois
pra saciar
a curiosidade de vocês,
e quem não gostar,
mesmo sendo da cidade,
que vá amolar o boi,
e vou dar
dois nomes de uma vez,
um se chama Catuta
e o outro se chama Braseiro,
mas,
na verdade,
é quase tudo que sei...
pois,
ainda não deu pra saber
qual dos dois
foi primeiro à luta,
se levou Braseiro
Catuta no bagageiro
ou se levou Catuta
Braseiro atrás,
aliás,
ainda não sei
nem sei
se hei de saber
qual dos dois
tem mais idade,
qual dos dois
mais come,
qual dos dois é a fome,
qual dos dois
é a vontade de comer,
qual dos dois
ganhou mais fama,
qual dos dois
se deitou na cama,
qual dos dois
mais rama consome,
ainda não sei
nem sei
se hei de saber
se um dos dois trama
e o outro executa,
se um dos dois fala
e o outro
se cala e escuta,
ainda não sei
nem sei
se hei de saber
se um dos dois
no outro se encosta,
se um dos dois
gosta mais da fruta,
se um dos dois
pode que pode
até não poder mais
e o outro vai atrás
porque na frente
não pode ir,
e sei mais,
e vocês hão de convir
que já é até demais,
pois sei que não são só dois
e que quaisquer dois
não são assim tão iguais
nem tão diferentes assim,
e só dei dois nomes
porque a mim
só dois nomes deram
quando me disseram
que dariam nome aos bois!
terça-feira, março 14, 2006
Ninguém vai aturar a fedentina
Achei que era o maior,
que meu cacife
suficiente era
e perguntei ao Cacá,
pensador mor
lá da minha esquina:
“por que
a gente não borrifa
patifa e patife
com extrato de gambá
pra poder usar o olfato
e identificar essa galera
no primeiro contato
e defender nosso dinheiro
de tanta patifaria?”,
quem diria...
gente fina,
mas,
fiz essa besteira!,
entretanto,
e pra meu espanto
pois não é comum,
ele me disse
com algum tato:
“não se encafife não,
Luiz Moreira,
mas,
é burrice sua sacação,
e burrice
que você nem imagina,
porque não dá!,
e não borrife não!,
que se borrifar,
mesmo porção menor
de nossos patifes,
vamos ficar na pior,
ninguém vai aturar a fedentina!”
que meu cacife
suficiente era
e perguntei ao Cacá,
pensador mor
lá da minha esquina:
“por que
a gente não borrifa
patifa e patife
com extrato de gambá
pra poder usar o olfato
e identificar essa galera
no primeiro contato
e defender nosso dinheiro
de tanta patifaria?”,
quem diria...
gente fina,
mas,
fiz essa besteira!,
entretanto,
e pra meu espanto
pois não é comum,
ele me disse
com algum tato:
“não se encafife não,
Luiz Moreira,
mas,
é burrice sua sacação,
e burrice
que você nem imagina,
porque não dá!,
e não borrife não!,
que se borrifar,
mesmo porção menor
de nossos patifes,
vamos ficar na pior,
ninguém vai aturar a fedentina!”
segunda-feira, março 13, 2006
Flores que mercam amores
Margarida branca,
e negra, e mestiça, e amarela,
Margarida
que na negra rua se abanca
e nua entra na liça,
Margarida bela, linda,
esguia e fogosa ainda,
assanhada qual almeia,
e Margarida
horrorosa, rota e vazia
que mais nada
da vida anseia,
que já não lhe resta
nem uma miséria de gota,
e há ainda
a Margarida que se alheia
e que se põe a vadiar
cheia a olhos vistos,
mas,
não se presta a chorar,
por isto,
ri como se fosse pilhéria,
é um misto
de noviças viçosas e cruas,
inda ontem donzelas,
que contrastam
com as antigas e idosas
que se arrastam,
Margaridas em negras ruas,
e negras, e mestiças, e brancas,
e amarelas Margaridas,
Margaridas frágeis, fáceis, dóceis,
mas,
são elas
fictícias Margaridas,
pois Franciscas e Aparícias,
e são ariscas
e não são francas,
com truques e manhas,
simulam, dissimulam e fingem
que não há outra saída,
que os fregueses,
muitas vezes,
as cercam
e a muque lhes impingem
suas taras e suas sanhas,
umas são caras,
outras já não são não,
mas,
todas são flores,
flores que mercam amores!
e negra, e mestiça, e amarela,
Margarida
que na negra rua se abanca
e nua entra na liça,
Margarida bela, linda,
esguia e fogosa ainda,
assanhada qual almeia,
e Margarida
horrorosa, rota e vazia
que mais nada
da vida anseia,
que já não lhe resta
nem uma miséria de gota,
e há ainda
a Margarida que se alheia
e que se põe a vadiar
cheia a olhos vistos,
mas,
não se presta a chorar,
por isto,
ri como se fosse pilhéria,
é um misto
de noviças viçosas e cruas,
inda ontem donzelas,
que contrastam
com as antigas e idosas
que se arrastam,
Margaridas em negras ruas,
e negras, e mestiças, e brancas,
e amarelas Margaridas,
Margaridas frágeis, fáceis, dóceis,
mas,
são elas
fictícias Margaridas,
pois Franciscas e Aparícias,
e são ariscas
e não são francas,
com truques e manhas,
simulam, dissimulam e fingem
que não há outra saída,
que os fregueses,
muitas vezes,
as cercam
e a muque lhes impingem
suas taras e suas sanhas,
umas são caras,
outras já não são não,
mas,
todas são flores,
flores que mercam amores!
segunda-feira, março 06, 2006
Tenho Vila no sangue!
Tenho Vila no sangue!,
sou sangue
do seu sangue,
pela Vila
dou meu pranto, meu suor,
meu melhor,
meu maior sorriso,
e do meu sangue,
quanto for preciso,
é por isso,
meu amigo,
e não se zangue
quando eu digo,
ouvindo Noel,
e Noel
é pra ser sempre ouvido:
“não vacila
quem nasce lá na Vila”;
mas,
se vacilar,
pode acreditar,
só pode ter sido
bobeira de parteira,
que tal artista
não devia
ter nascido por lá;
nascer na Vila,
é ser parte do feitiço,
é ser embalado
no berço do samba,
é ser ninado
em colo de bamba
e com solo
de sambista de primeira,
ser da Vila
é Vila ser e ser assim,
é a magia
de ter Vila no sangue,
nesse sangue
que todo dia
desfila em mim!,
sou Vila e sou da Vila!
sou sangue
do seu sangue,
pela Vila
dou meu pranto, meu suor,
meu melhor,
meu maior sorriso,
e do meu sangue,
quanto for preciso,
é por isso,
meu amigo,
e não se zangue
quando eu digo,
ouvindo Noel,
e Noel
é pra ser sempre ouvido:
“não vacila
quem nasce lá na Vila”;
mas,
se vacilar,
pode acreditar,
só pode ter sido
bobeira de parteira,
que tal artista
não devia
ter nascido por lá;
nascer na Vila,
é ser parte do feitiço,
é ser embalado
no berço do samba,
é ser ninado
em colo de bamba
e com solo
de sambista de primeira,
ser da Vila
é Vila ser e ser assim,
é a magia
de ter Vila no sangue,
nesse sangue
que todo dia
desfila em mim!,
sou Vila e sou da Vila!
sexta-feira, março 03, 2006
Desabafo
De antemão,
por fazer desabafo
a essa altura do campeonato
e por baixar o sarrafo,
por descer o malho
sem tato nem compaixão
no paspalho nacional,
figura com um ar tão tropical,
peço perdão a mestre,
grão-mestre, contramestre,
a quem é mestre
em ser do contra,
a quem sempre tem
solução de mestre à mão
e a quem no papo é mestre
ou é mestre
em encher o papo
de grão em grão,
mas,
não é mole não!,
por mais
que me adestre e amole,
por mais que me abale
e rale pra fazer a cama,
por mais que tente
me dar bem na parada,
por mais que imite
um bom exemplo,
por mais que freqüente
toda a sorte de templo
e fale com crente
de toda sorte de seita,
não acho quem me fale
como é feita a reza
que permite a entrada na dança,
mas,
uma carrada
de gente lesa e lerda
que não vale
nem o que pesa
ganha fama
e mama uma lã de monta
mostrando ao fã
merda e lambança
e apresentando a conta!
por fazer desabafo
a essa altura do campeonato
e por baixar o sarrafo,
por descer o malho
sem tato nem compaixão
no paspalho nacional,
figura com um ar tão tropical,
peço perdão a mestre,
grão-mestre, contramestre,
a quem é mestre
em ser do contra,
a quem sempre tem
solução de mestre à mão
e a quem no papo é mestre
ou é mestre
em encher o papo
de grão em grão,
mas,
não é mole não!,
por mais
que me adestre e amole,
por mais que me abale
e rale pra fazer a cama,
por mais que tente
me dar bem na parada,
por mais que imite
um bom exemplo,
por mais que freqüente
toda a sorte de templo
e fale com crente
de toda sorte de seita,
não acho quem me fale
como é feita a reza
que permite a entrada na dança,
mas,
uma carrada
de gente lesa e lerda
que não vale
nem o que pesa
ganha fama
e mama uma lã de monta
mostrando ao fã
merda e lambança
e apresentando a conta!
quarta-feira, março 01, 2006
Qualquer semelhança é pura coincidência...
Antanho seria estranho
e causaria confusão,
mas,
no carnaval
da atual conjuntura,
é comportamento
corriqueiro e normal,
então,
tomou um banho,
parte de assento,
parte banho-de-cheiro,
reduziu com cinta a cintura
de quarenta e cinco
pra quarenta,
pintou no traseiro uma pinta
com tinta vermelha,
talvez magenta,
na orelha pôs brinco,
fez rabo-de-cavalo
e não se fez de rogado,
porque guerra é guerra,
pegou o embalo de um cabo
que ia pro plantão
e desceu a serra
no maior rebolado,
ambas as mãos nas cadeiras,
e cantando um baião,
embora fosse hora de samba:
‘Olê, mulher rendeira,
olê, mulher rendá...’,
e foi namorar
sem se importar
se era patrão ou patroa,
se era a primeira pessoa
do plural ou do singular,
e fez logo sinal
pra um transeunte
que passava pelo local,
mas,
não me pergunte
o que foi que aconteceu
pois anoiteceu de repente
e eu estava sem lanterna,
e a gente não tem boa visão
lá da taberna
porque a pinga é estrábica,
monossilábica também,
e pega fogo
a fábrica de ginga
de uma gringa
que não tem
jogo de cintura,
mas fatura
com o do alheio
e deixa o ambiente
cheio de poluição,
e nem o mais calmo
e menos beberrão
vê um palmo na frente do nariz,
e quem por ali palpita
emite palpite infeliz
e causa a maior grita,
contudo,
no dia seguinte,
como bom ouvinte
do jornal matinal
que em voz alta
pra toda a vizinhança
lê minha vizinha,
que nos falta
até pra leitura,
soube que ao Anacleto coube,
num bloco lá de Copa,
o “Baralho Que em Copas Não se Fecha”,
um rei muito prosa
com suas mechas rosas
e que tudo topa,
e que a criatura
foi direto pra o bloco
de países da Europa,
foi fazer a tal mudança,
remover as varizes
e fazer sua independência
quebrando um galho aqui,
outro ali,
e, no intervalo,
tocando chocalho
e tomando caipirinha pelo gargalo,
mas,
cabe a lembrança,
qualquer semelhança é pura coincidência...
e causaria confusão,
mas,
no carnaval
da atual conjuntura,
é comportamento
corriqueiro e normal,
então,
tomou um banho,
parte de assento,
parte banho-de-cheiro,
reduziu com cinta a cintura
de quarenta e cinco
pra quarenta,
pintou no traseiro uma pinta
com tinta vermelha,
talvez magenta,
na orelha pôs brinco,
fez rabo-de-cavalo
e não se fez de rogado,
porque guerra é guerra,
pegou o embalo de um cabo
que ia pro plantão
e desceu a serra
no maior rebolado,
ambas as mãos nas cadeiras,
e cantando um baião,
embora fosse hora de samba:
‘Olê, mulher rendeira,
olê, mulher rendá...’,
e foi namorar
sem se importar
se era patrão ou patroa,
se era a primeira pessoa
do plural ou do singular,
e fez logo sinal
pra um transeunte
que passava pelo local,
mas,
não me pergunte
o que foi que aconteceu
pois anoiteceu de repente
e eu estava sem lanterna,
e a gente não tem boa visão
lá da taberna
porque a pinga é estrábica,
monossilábica também,
e pega fogo
a fábrica de ginga
de uma gringa
que não tem
jogo de cintura,
mas fatura
com o do alheio
e deixa o ambiente
cheio de poluição,
e nem o mais calmo
e menos beberrão
vê um palmo na frente do nariz,
e quem por ali palpita
emite palpite infeliz
e causa a maior grita,
contudo,
no dia seguinte,
como bom ouvinte
do jornal matinal
que em voz alta
pra toda a vizinhança
lê minha vizinha,
que nos falta
até pra leitura,
soube que ao Anacleto coube,
num bloco lá de Copa,
o “Baralho Que em Copas Não se Fecha”,
um rei muito prosa
com suas mechas rosas
e que tudo topa,
e que a criatura
foi direto pra o bloco
de países da Europa,
foi fazer a tal mudança,
remover as varizes
e fazer sua independência
quebrando um galho aqui,
outro ali,
e, no intervalo,
tocando chocalho
e tomando caipirinha pelo gargalo,
mas,
cabe a lembrança,
qualquer semelhança é pura coincidência...
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
São os ventos
Me tenta ventania,
cascalhada, pé-de-vento,
me atenta e enfrento,
e a danada vira tufão,
de jeito me pega,
arrebenta o leme,
e treme e teme o timão,
e a danada me carrega,
sem rumo nem prumo,
a vela vai ao limite,
cansaço, exaustão,
então,
quando a vela
já não mais agüenta,
recalmão se apresenta
e dá esperança de bonança,
e aceito o convite
pensando em aragem,
bafagem, viração,
e caio em seu braços,
todavia,
vem calma, calmaria
nenhum vento
e sem vento não há salvação,
não é solução
essa vela inerte e fria
que me subverte,
verte falta de emoção,
e a falta não agüento,
e com o coração
agitação a alma ensaia,
é cochicho daqui e dali,
e o cochicho não falha,
se espalha o bicho
pelo corpo inteiro
que a razão
não está de atalaia,
e saio por aí
a buscar carpinteiro, pampeiro,
carpinteiro-da-praia,
mas,
sou assim,
useiro e vezeiro
em pegar mó de vento,
em me aventurar pela fantasia,
me visto de faraó
e insisto em buscar
o alento do cansim
pra desfraldar minha vela,
como já fui até lá,
levado pelo o afefé,
por sua magia,
mãe Iansã,
tento velejar
em harmatã, simum,
os áfricos,
tento um a um,
entretanto,
vem saudade num áfrico
e venta na vela,
e saudade
me faz dar guinada,
trocar catamarã por jangada
e vou atrás de aracati,
marajó, mossoró,
mas,
o vento se reinventa,
inventa repiquete
e repiquete salta e ronda,
e uma onda me assalta,
inverte a direção,
a cada momento
mais desorientação,
mais se desorienta a vela,
mais me desoriento,
fico sem saber
o que fazer
pra ir adiante,
são os ventos
que põem defronte de mim
só o horizonte,
aberto, deserto, sem fim,
igualmente distante
por mais que tente
chegar mais perto,
horizonte...
sempre igualmente distante!
cascalhada, pé-de-vento,
me atenta e enfrento,
e a danada vira tufão,
de jeito me pega,
arrebenta o leme,
e treme e teme o timão,
e a danada me carrega,
sem rumo nem prumo,
a vela vai ao limite,
cansaço, exaustão,
então,
quando a vela
já não mais agüenta,
recalmão se apresenta
e dá esperança de bonança,
e aceito o convite
pensando em aragem,
bafagem, viração,
e caio em seu braços,
todavia,
vem calma, calmaria
nenhum vento
e sem vento não há salvação,
não é solução
essa vela inerte e fria
que me subverte,
verte falta de emoção,
e a falta não agüento,
e com o coração
agitação a alma ensaia,
é cochicho daqui e dali,
e o cochicho não falha,
se espalha o bicho
pelo corpo inteiro
que a razão
não está de atalaia,
e saio por aí
a buscar carpinteiro, pampeiro,
carpinteiro-da-praia,
mas,
sou assim,
useiro e vezeiro
em pegar mó de vento,
em me aventurar pela fantasia,
me visto de faraó
e insisto em buscar
o alento do cansim
pra desfraldar minha vela,
como já fui até lá,
levado pelo o afefé,
por sua magia,
mãe Iansã,
tento velejar
em harmatã, simum,
os áfricos,
tento um a um,
entretanto,
vem saudade num áfrico
e venta na vela,
e saudade
me faz dar guinada,
trocar catamarã por jangada
e vou atrás de aracati,
marajó, mossoró,
mas,
o vento se reinventa,
inventa repiquete
e repiquete salta e ronda,
e uma onda me assalta,
inverte a direção,
a cada momento
mais desorientação,
mais se desorienta a vela,
mais me desoriento,
fico sem saber
o que fazer
pra ir adiante,
são os ventos
que põem defronte de mim
só o horizonte,
aberto, deserto, sem fim,
igualmente distante
por mais que tente
chegar mais perto,
horizonte...
sempre igualmente distante!
Canto e não paro de cantar
Canto
e não paro de cantar
porque sou canção ao vento,
cem por cento peito aberto,
canto
e não paro de cantar
porque sou canção ao vento,
cem por cento peito aberto;
canto
porque estou sujeito
ao amor que coloco
em cada passo,
sou feito
de compasso e harmonia,
sou a alegria de acordar
a cada acorde que faço,
sou a magia
de ser tocado
a cada nota que toco;
canto
porque sou todo música,
mestra música,
música de orquestra,
banda e bateria,
de bloco que anda
e arrasta multidão,
de solista que inebria
e de artista da folia,
folião
que repete
e repete
e repete
e quase desgasta o refrão;
canto
e não paro de cantar
porque sou canção ao vento,
cem por cento peito aberto,
canto
e não paro de cantar
porque sou canção ao vento,
cem por cento peito aberto.
e não paro de cantar
porque sou canção ao vento,
cem por cento peito aberto,
canto
e não paro de cantar
porque sou canção ao vento,
cem por cento peito aberto;
canto
porque estou sujeito
ao amor que coloco
em cada passo,
sou feito
de compasso e harmonia,
sou a alegria de acordar
a cada acorde que faço,
sou a magia
de ser tocado
a cada nota que toco;
canto
porque sou todo música,
mestra música,
música de orquestra,
banda e bateria,
de bloco que anda
e arrasta multidão,
de solista que inebria
e de artista da folia,
folião
que repete
e repete
e repete
e quase desgasta o refrão;
canto
e não paro de cantar
porque sou canção ao vento,
cem por cento peito aberto,
canto
e não paro de cantar
porque sou canção ao vento,
cem por cento peito aberto.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
Madeira de dar em doido
Sei bem
que é nó na madeira,
e em madeira de lei,
e madeira
de dar em doido
que doido é também,
doido de pedra,
doido
de jogar pedra em santo,
doido de causar espanto
em doido varrido
que varre a doideira
como se varre
pro canto a sujeira,
é doido curtido,
tão ou mais doido
que qualquer doido
com carteira e certidão,
é doido metido
e com tradição
que a doideira
é bem de família
e já tem até filha
que brilha na malucação,
e tem fama
de ser doido de cama e mesa,
doido beleza
que vê tudo azul
quando ouve o Raul,
ele é doido, doido,
doidão por inteiro,
mas,
não rasga dinheiro não!
que é nó na madeira,
e em madeira de lei,
e madeira
de dar em doido
que doido é também,
doido de pedra,
doido
de jogar pedra em santo,
doido de causar espanto
em doido varrido
que varre a doideira
como se varre
pro canto a sujeira,
é doido curtido,
tão ou mais doido
que qualquer doido
com carteira e certidão,
é doido metido
e com tradição
que a doideira
é bem de família
e já tem até filha
que brilha na malucação,
e tem fama
de ser doido de cama e mesa,
doido beleza
que vê tudo azul
quando ouve o Raul,
ele é doido, doido,
doidão por inteiro,
mas,
não rasga dinheiro não!
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