sábado, março 22, 2014

Orgulho é como remédio, tem hora certa e dose adequada.

quinta-feira, março 13, 2014

Pardalofobia é o medo intenso que acaba sentindo o motorista que, diariamente, é obrigado a lutar para não ser devorado pela multidão de pardais vorazes que estão espalhados por aí.

segunda-feira, março 10, 2014

Caso veja duas luzes no fim do túnel, você pode até ficar duplamente animado, mas, por precaução, saia imediatamente da pista de rolamento.

sábado, março 08, 2014

O café vai ficando mais doce conforme se vai colocando mais açúcar, mas, as pessoas vão se isolando mais e mais à medida que são colocados à sua disposição mais meios de comunicação, portanto, as pessoas não deveriam ser tratadas como se fossem um cafezinho.

quarta-feira, março 05, 2014

A velhice não vence, a mocidade se rende, agora, se ainda não descobriram uma forma de evitar a rendição, a culpa não é minha.

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Se você não consegue ouvir as palavras que uma pessoa não pronuncia quando fala e o que ela diz quando está calada, você não a conhece realmente.

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Rio e souRio

Rio e souRio
de Janeiro a Janeiro,
souRio
com esse meu Rio
que tem o dom de sorrir,

e sorri
um sorriso de primeira
da feira de Acari à Cobal do Leblon,
e sorri em Arcos,
o marco da Lapa,
e sorri na sé do Outeiro
que do sorriso é a Glória,
e, no mapa do sorriso,
sorri história no Paço Imperial,
e sorri de rombo e de tombo
como sorriu a República
do escorregão na Ilha Fiscal,
mas,

a coisa pública
ainda vai indo de mão em mão!,
mas o Rio
dá o sorriso por cima,
quem já deu
sorrisos secos e molhados
na velha Primeiro de Março,
dentifrício da Granado,
quem saçaricou sorrisos
na porta da Colombo
e foi um assombro,
não desanima,

dá gosto sorrir assim,
e dá até pagando imposto!;
e inunda o Rio

o sorriso Carnaval,
sorri cuíca,
sorri tarol,
sorri tamborim,
e o Rio faz Chacrinha pra sorrir,
buzina sorrisos e não desafina,
e a todo instante

desata a sorrir
o fascinante sorriso-mulata;
assim é o Rio,
sorri Blecaute,
sorri Risadinha,
e o sorriso do Rio

a nocaute não vai não;
define bem o Rio

o sorriso Lamartine,
um sorriso, um hino,
um hino, um time,
um time, uma paixão;
o Rio é bamba
e sorri samba em Vila Isabel,
Noel sorri “Palpite infeliz”,
"Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira,
Oswaldo Cruz e Matriz
quem sempre sorriram muito bem";
e o meu Rio
desfila sorrisos pela Sapucaí,
sorri pelo calçadão
da Princesinha do Mar,
no Mercadão de Madureira,
e a Praça da Bandeira fica cheia,
e sorri tatuí,

sorri sardinha,
sorri baleia,
e, quando

já não dá mais pé,
o Rio sobe
a escadaria da Penha,
e a gente
aproveita a maré
e sobe com o Rio e ora,
e a prece é feita com fé,
e como a coisa melhora!;
depois,
o Rio desce e se embrenha
no meio da Central do Brasil
e sorri com garra:
"Cidade Maravilhosa
cheia de sorrisos mil",
e o mar de sorrisos não para,
vem lá do Recreio,
passa pela Barra,
São Conrado,
Ipanema,

Baía de Guanabara,
é o Rio,
sorriso-Atlântico,
romântico poema;
mas,
de repente,
aquele sorriso-aviso:
"sorrisos ao alto",
e assalta a gente
um sorriso banguela
no asfalto da Cancela,
é meio-dia e quinta-feira,
e sorri assim
dá até tremedeira,
e não quero morrer de rir,
por favor,
São Cristóvão,

ouça meu sorriso-oração
e guie esse sorriso-aviso
pois ninguém
o está guiando por aqui!;
mas,

o Rio vai à forra
quando jorra

algum “Biggs” sorriso por aí,
como o do gringo,
e o sorriso dele não foi mixo!,
e, em cada esquina,
o Rio sorri
bingo, bicho, sena, quina,
e, quando a bola
rola redondinha,
o Rio sorri
seu sorriso-Maracanã,
ah!,
meu Rio,
como é bom

ouvir esse bom-dia
que sorri sua manhã,

como é bom
sentir sua tardinha
sorrindo poesia e amor,

ah!,
meu Rio,

como é bom

sonhar com seu sorriso
nos braços do Redentor!

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Se quiser ficar com um olho no padre e o outro na missa, não fique muito perto do altar.

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Você

Você é a graça da vida!,
do meu sonho o enfeite,
do meu peito,
deleite e aconchego,
feito sossego
de praça florida
em avenida
coberta de pressa,
da ferida aberta,
é compressa,
gaze e unguento,
e ponho,
e a dor passa,
e a brecha se fecha,
e você
me anima a alma
quando da lida
chego quase morto,
em meio
a vento e temporal,
você é porto e esteio,
e me abraça,
acalma e me dá alento,
ainda por cima,
linda e sensual,
lança no ar
o cheiro do amor
que me faz virar
criança embevecida
no conforto do quarto,
mas,
um segundo sem você
e me afundo
em desespero de aborto
sangrando a esperança do parto!

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Se não tiver certeza de que não há raposa por perto, não cante de galo.

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Quando alguém lhe disser o que faria se estivesse no seu lugar, a única coisa sensata a fazer é ficar com a pulga atrás da orelha.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Fazer o quê?!

Fazer o quê?!
A gente é o presente
no país do futuro
e grude, saúde, segurança, escola pra criança,
tudo, tudo fica pr’amanhã (bis)
mas a bola é rica e rola,
e vem aí a Copa,
e pra Copa ter sucesso
já gastaram um montão,
e não vou ao estádio
porque não tenho
sequer o do ingresso,
mas,
tenho opção,
vou ouvir o jogo
com filha, mulher e família
pelo rádio da Brasília           
que não nega fogo,
pega sem demora,
faz sua obrigação,
a manutenção não é cara
e não pára na hora do apagão.

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Não se torne uma vítima de suas trancas, antes de se trancar, verifique se o inimigo não está lá dentro já.

domingo, fevereiro 02, 2014

Peito à deriva é paixão, amor é coração no porto.

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Desde que não nos impeça de dar o próximo passo, viver com o pé atrás é muito bom.
Todos temos o direito de procurar um caminho, mas, não temos o direito de sair pisando em tudo por aí.
Só saber andar não nos leva a lugar nenhum, o que pode nos levar a algum lugar é saber andar equilibrando a cabeça em cima do pescoço.
Procuro ser politicamente correto, mas, confesso que pensar em certas posições ainda me perturba.
Fazer o quê? Nós somos o presente no País do futuro, e alimentação, saúde, segurança, escola, tudo vai ficando pr'amanhã.
Não dê as costas ao bumerangue que você atirou.

sábado, julho 27, 2013

Com um Francisco em cada paróquia, ninguém segura a Igreja Católica!

segunda-feira, junho 03, 2013

Antes de chutar o pau da barraca, certifique-se de que ele já está suficientemente bambo.

segunda-feira, maio 13, 2013

Aqueles que observam com atenção a História têm mais condições de não repetir velhos erros, mas, há os novos, e, afinal, errar é humano.

quinta-feira, abril 25, 2013

Caso algum amigo da família ou primo da sua senhora esteja frequentando muito a sua casa e chegando bem antes da hora em que você chega do trabalho, ponha mais cerveja na geladeira, assim, você vai, pelo menos, encontrar uma gelada quando chegar.

terça-feira, abril 16, 2013

Ao apontar o culpado, mesmo diante do espelho, você pode estar se atirando nos braços de um inimigo.

segunda-feira, abril 08, 2013

Vagabundo é aquele cara que não tem dinheiro para se manter na vagabundagem.

terça-feira, abril 02, 2013

Antes de mergulhar de cabeça, veja se há água suficiente.

segunda-feira, abril 01, 2013

O problema de entrar em bola dividida é que você pode não sair inteiro dela.

segunda-feira, março 25, 2013

Pedir perdão não é tão difícil assim, difícil mesmo é deixar de fazer o que vai motivar o próximo pedido.

quarta-feira, março 06, 2013

Amor com amor se paga, menos no bordel.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Na teoria, a crítica construtiva é um excelente investimento, mas, na prática, é o elogio que dá lucro, mais ainda o gratuito.

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Mulher é aquele ser que põe um vestido bem curto e decotadíssimo e fica o tempo todo puxando a barra para baixo e o decote para cima.

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Acaso é um eufemismo, a palavra mesmo é ignorância.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Malandro mesmo nunca descarta a possibilidade de estar diante de um malandro mais malandro do que ele.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

A ideologia anestesia o pensamento, mas, é preciso reconhecer que, em muitos casos, é a única solução.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

No último estágio do complexo de inferioridade, o sujeito arrota sardinha depois de ter comido camarão.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Quando gritarem “pega ladrão”, grite também, assim, quem estiver por perto talvez acredite que o pessoal está atrás de outro.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Mulher é aquele ser com manequim 48 que consegue entrar numa calça tamanho 42 e não precisa ir  ao banheiro com antecedência.

quinta-feira, dezembro 27, 2012

Não importa quem está pedindo, se você não tem certeza de que não vai cair junto, nem pense em quebrar um galho.

quarta-feira, dezembro 26, 2012

Tenho nojo de dinheiro, só uso cartão de crédito.

sábado, dezembro 22, 2012

A idiotice é um vírus tão contagioso que você pode ser contaminado ao abrir um e-mail.

sexta-feira, dezembro 21, 2012

Coisas que não saem do papel: carta de pobre para o Papai Noel e promessa feita em comício.

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Se o sujeito ri de tudo o tempo todo, não é alegria, é tarja preta.

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Triste coincidência é o irmãozinho querido da patroa que mora conosco usar roupa exatamente do mesmo tamanho da que nós usamos, mas, felizmente, há uma compensação, sempre será possível dizer que o batom na cueca só pode ser da namorada dele.

terça-feira, dezembro 18, 2012

Falar é fácil, difícil é ficar calada.

segunda-feira, dezembro 17, 2012

Mocidade é 5ª. marcha com o pé no acelerador, velhice é 1ª. com o pé no freio, e, no intervalo, a gente vai debreando e reduzindo, acelerando cada vez menos e freando cada vez mais, por isso, o ideal seria ir da maternidade direto para a autoescola.

sábado, dezembro 15, 2012

Persiga muitos objetivos ao mesmo tempo porque, caso você não alcance nenhum, poderá botar a culpa na quantidade.

sexta-feira, dezembro 14, 2012

Se a prática fosse tudo, garçom seria imbatível na hora de pôr as coisas em pratos limpos.

quinta-feira, dezembro 13, 2012

A evolução foi tão grande que, hoje em dia, bordel precisa ter cardápio.

terça-feira, dezembro 11, 2012

Tarado é aquele cara que foi descoberto.
Namorar moça que tem irmã gêmea é viver com aquela dúvida gostosa.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Ficar sozinho só é ruim quando a companhia não é boa.

sábado, dezembro 08, 2012

Só fica melhor com o passar do tempo o que está envelhecendo em um barril de boa madeira.

sexta-feira, dezembro 07, 2012

No fundo, as formas!, pegadas que o tempo, mesmo depois de consumir o concreto, não conseguirá apagar! (Uma homenagem a Oscar Niemeyer)

quinta-feira, dezembro 06, 2012

No fundo, as formas!

quarta-feira, dezembro 05, 2012

A coisa anda tão complicada que tem imberbe alugando barba para botar de molho.

terça-feira, dezembro 04, 2012

Se estiver prestes a levar um pontapé na bunda, a pior coisa que um homem pode fazer é virar-se de frente.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

De certeza em certeza, a humanidade vai caminhando cada vez mais cheia de dúvidas.

sábado, dezembro 01, 2012

São mais saudáveis as coisas feitas às claras, gemas têm colesterol.

sexta-feira, novembro 30, 2012

Na sinfonia da vida, uns botam a boca no trombone, outros metem a viola no saco.

quarta-feira, novembro 28, 2012

Olho por olho!, dente por dente!, moça, que tal descermos mais um pouco?!

segunda-feira, novembro 26, 2012

 
Não gaste seu tempo procurando pelo em casca de ovo, mas, se
um dia achar um, não estrague tudo usando lâmina de barbear.

quinta-feira, novembro 22, 2012

Bebo por uma só razão: viver sóbrio é um porre.

terça-feira, maio 01, 2012

Deixe de ser boboca

Deixe de ser boboca (babaca),
não mije mais na rua,
você dá sua mijada de mão beijada
e o Governo não lhe dá um tostão em troca!

Armarinho

Estou abrindo um bar na praia,
o "Armarinho",
venha beber um dedal de cachaça comigo

sexta-feira, novembro 11, 2011

Acorda e vai, moleque!

Sou craque
e fã não vai me faltar,
no Maracanã
vou dar show de bola,
vou driblar
beque e goleiro
e marcar gol com classe,
e na tevê
vou ser destaque,
e um cartola estrangeiro
pelo meu passe
vai pagar milhões,
acorda,
moleque!,
é tudo quimera,
sem dita e sem escola,
de opções não tens um leque,
acorda,
moleque!,
pega a marmita e o trem
que a refrega te espera,
e algum
implora ao patrão
que estamos a nenhum
e somos seis agora,
é...
agora somos seis,
teu pai
me gravidou outra vez
antes de dar no pé,
acorda e vai,
moleque!, já é hora!

segunda-feira, março 21, 2011

Só não largo o copo!

Com você,
tanto faz
fundo do poço
ou topo do mundo,
tudo me apraz,
por você,
preparo
o almoço de domingo
pra sogrinha que fala
e não para de falar
e de mandar na tropa
da sala, da copa e da cozinha,
e pra sogrinho pilantropo,
cunhadinha, uma cara-lisa,
e cunhadinho
que de suar a camisa
não gosta nem um pingo,
por você,
paro com aposta,
fezinha e porrinha no bar,
e tem mais,
encaro
formatura em auditório
com pais aos borbotões,
e as emoções em cascata
nem toalha de banho segura,
e como o ranho atrapalha...
inspiro o pó
de paletó e gravata,
expiro,
vou pegar sua tia
que mora na Baixada
e encaro casório
em dia de sol
e sem recepção,
e na hora do futebol,
encaro
reunião de condomínio,
síndico linha-dura
e subsíndico
que tem fascínio
por abobrinha
e relatório condominial,
pois é,
mulher,
por você,
topo qualquer parada,
café amargo,
jiló,
feijoada sem gordura,
só não largo o copo!

terça-feira, março 15, 2011

Que fiasco!

Um copo de braseira,
e mais um copo,
e nem um gole deu ao santo!,
a ingratidão não é mole...
e começou
a dizer bravata,
e cascateou tanto,
meu irmão,
que cascata virou cachoeira,
e, no Mangue, levou um banho,
por pouco não foi de sangue!,
mais um copo,
e com estranho
puxou assunto e discutiu
política, futebol, religião,
e gesticulou de tal maneira
que acabou virando a mesa,
todavia,
virou junto e caiu
em posição tão crítica
que fraturou a valentia
e ficou de saia justa,
não custa nada dizer
que a casa
meteu na despesa
data, mesa, copo, casco,
e de gorjeta cem por cento,
e nem reclamou
o fanfarrão,
pra pagar a conta,
deu toda a grana,
pulseira, cordão
e até o anel da boda,
e deu no pé
equilibrando a tonta,
e, como o do aluguer
gastou com a danada,
levou porrada da mulher,
valentão, que fiasco!

sábado, março 05, 2011

É Carnaval

É Carnaval,
vamos lá,
desencabule,
se enfie na folia
e circule
noite e dia
cantando e dançando,
vamos lá,
o Carnaval exige alegria,
mas,
não se esqueça,
não abuse,
não mije na rua,
não afogue sua cabeça
na cerveja e na purinha,
não se drogue e se proteja,
sempre use camisinha!

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

E que Iemanjá te proteja!

Não tema,
respeite o mar
e espreite a remada
de quem já rema bem,
se solta e sai,
vai e à enseada
seu escaler traz de volta,
espreite, aprenda a remar
e seja um bom marinheiro
e até ousado
se o mar lhe disser
que é hora de ousar,
agora,
sempre atento
aos pontos cardeais,
calados, faróis,
contos de faroleiro,
seja atento o bastante
pra não se perder
diante do inesperado,
saiba ler o céu,
se valer das marés,
desatar
os nós do vento
e se livrar da corrente,
saiba ver através
do véu intransigente
da mais feia madrugada,
e não se deixe levar por nada,
nem por pranto
ou canto de sereia,
e aprenda a pescar
e a vender seu peixe,
mas,
jamais se venda,
vamos lá,
um bom marinheiro seja
e vá sem medo
e sem se afobar
porque é cedo
e, dia após dia,
mais um segredo
vai te contar o mar,
e que Iemanjá te proteja!

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Já vou indo

Já vou indo
pra não passar da hora,
por favor,
pague
a conta do boteco
que, no momento,
estou desprevenido,
e vou beber a saideira
que não poderia ir a seco,
não esqueça
a sardinha do Folgado
nem de regar a Etelvina,
mas,
não a encharque,
ela é muito frágil,
e ponha adubo
uma vez por semana,
como de hábito,
deixei no banheiro
toda enrolada
a toalha de banho,
e molhei o chão,
e usei o vaso
sem levantar a tábua,
não queria por nada
que parecesse a ida
confissão seguida de fuga,
esqueci sobre a cômoda
o seu retrato,
o que levava na carteira,
rasgue-o se quiser,
não deixei
meu novo endereço
que é melhor
você nem saber
onde vou morar.
Um abraço e um beijo.

P.S. Risquei o beijo
que o achei inoportuno!

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Tenho dezoito só!

Não me venha
com essa besteira
de “cresça e apareça,
dê tempo ao tempo,
quem avisa amigo é”;
não precisa me avisar,
quero jogar o jogo,
botar lenha na fogueira
e o fogo toco se precisar,
e quero mais, muito mais,
meu amigo,
quero meu bloco,
minha passeata
e encarar tapa e bofetão
com faixa, brado e cartaz,
cabeça baixa
não é comigo não,
quero ir à cata do amor
e, tal qual camelô,
oferecer paixão
plantado no meio
da avenida da vida
sem ter receio do rapa,
e ser o pivô da disparada,
quero ser
o melhor amante,
e com meu suor
cobrir a minha amada,
quero ser
comandante do meu barco
e navegar e no mar
ser um marco importante,
por favor,
tenha dó,
não me venha com essa,
não me peça
pra não ser afoito,
tenho dezoito só!

sábado, fevereiro 19, 2011

Beijo vazio (The End)

Beijo vazio
é um beijo aflito
e cheio de pressa
e faz o peito sofrer
de um jeito esquisito,
e que aliviação quando cessa!,
e seu gosto ruim
o fim da paixão prenuncia,
ainda assim,
de quando em quando,
nos impele e seduz
e o desejo aflora
e a pele insiste,
todavia,
é um desejo seco,
tão seco
que nos esfola
e faz gemer gemido
que denuncia o fastio,
e o desejo é premido
e rola pra fora
feito pus de ferida,
e o coração
não resiste e chora,
e, um dia,
“The End”,
e se acende a luz!

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Na clave de cifrão

Hoje em dia,
a maioria do samba
que a gente ouve
de samba não tem nada,
não é, de fato,
prato da nossa culinária,
o paladar é de amargar ,
dá pra imaginar
feijoada sem nosso tempero?!,
sem couve, sem paio, sem chouriço?!,
sem isso,
a harmonia cediça enjoa,
a poesia não é boa
e dá urticária no idioma,
e o raio do troço enche linguiça,
por essa razão,
o samba verdadeiro vai se aposentando
e o bamba vai mal
e quase entrando em coma,
é... é grave a situação
que o que mais por aí a gente ouve
é um troço
que nosso jeito não tem não,
troço feito na tal clave de cifrão!

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Velha-Guarda (Ponha-se no seu lugar!)

Quem você pensa que é?,
rapaz,
nem contou até dez
antes de entrar!,
aliás,
entrou
sem pedir licença
e fazendo escarcéu,
não pediu bença a ninguém,
nem ao menos
com o chapéu fez um aceno!,
ponha-se no seu lugar,
rapaz,
um dia,
talvez você volte,
mas,
vai voltar
com ferida nos pés,
o regalo da estrada,
e com calo na mão
que a vida
é plantada e colhida,
é enxada e é ancinho,
vai voltar com a alma
encharcada de sereno
e trazendo
alegrias e dissabores
deixados pelos amores
encontrados pelo caminho,
e vai voltar com calma,
vai parar
diante da porta aberta,
com o panamá branco
vai fazer um pequeno aceno
e, na certa,
a Velha-Guarda lhe dirá:
“pode entrar!”,
mas,
até lá,
sendo muito franco,
ponha-se no seu lugar!

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Verão no asfalto

O verão aquece o asfalto
que ferve que só
meu galipão fervia
e não tem dó
do pezinho da morena,
e a morena
pra mim é uma uva,
e que se conserve assim!,

todavia,
uva é fruta
passada e pequena,
hoje em dia,
graças ao progresso,
a fruta é maior,
aliás, bem maior!,
e o ponteiro gira
e a danada
não mais vira passa,
o progresso é maneiro...
agora,
causa confusão,
é!!!, tenho certeza que é!!!,
não!!!, tenho certeza que não!!!,
é ou não é?!?!?!,
causa ou não causa?!,
bem,
pelo sim, pelo não,
pausa pra meditação!,

e o asfalto
amolece o salto alto,
e a morena
solta gritinho erótico,
faz beicinho e chora
chorinho hipnótico,
chora à la “Brasileirinho”,

sai milênio, entra milênio
e o chorinho não passa!,

e abunda a ajuda
frenética, eclética,
ou melhor, sincrética,
bossa bem nossa!,
e inunda a praça
um cheiro intenso
de incenso, arruda e suor,

mas,
tem gente que alega porre
e se apega
à ação diurética da cervejota,
lorota!,
a bem da verdade,
essa gente
mija por aí em bloco
porque tem o tico
de fazer de penico a cidade,
e um Rio de urina corre
e o Rio se afunda na fedentina,

vá mijar no banheiro!, mijão!,

bem,
o foco é a morena
e a morena é uma só,
e tem tribo bradando:
“farinha pouca,
meu pirão primeiro,
e a ética que se funda!”,
e tem bando passando recibo,
e essa rinha é muito louca,

e tem a vasa
que não poupa a infância
que na esquina tá dando sopa
porque não tem casa,
ou porque não tem escola,
ou porque na sala não há professor,
e lá se vai a infância pela latrina...

e um cínico,
de branco à la doutor,
não dá bola
pra tranco e bafafá,
entra em cena
e examina e embala
o tornozelo da morena,
mas,
ao vê-lo com olho clínico,
um profissional aventa indício
de exercício ilegal da medicina,
e chama a polícia,
e com a notícia a chama aumenta,
porém,
se de cínico merece a pecha,
de babaca
o cara não tem nada
e nem se abala
que saca cada brecha do sistema,
poxa!, como o sistema tem brecha!,
e o cara
a panturrilha escala
e já fala em coxa e virilha,

e um patife
da Baixada ou de Ipanema,
um machucho barrigudinho
trajando terno de grife
que freou o veículo de luxo
e apeou do celular ultramoderno
e que pode até
ser cafona e ridículo,
mas que de trouxa não tem nada,
pra ganhar espaço na zona,
dá de exaltar
o que, por aqui,
é o mapa da mina,
padrinho e pedigree,
e tem meia, cueca e mala cheia de grana,
e se dana muita gente que rala,
e não escapa
nem gente fina com bom currículo...

e você,
boneca,
tem calcinha e sutiã,
é... sutiã...
sustenta-seios, porta-seios, califom, estrofião, corpete, corpinho...
aliás,
nessa ocasião, você sabe,
o macete é usar
um sutiã bem larguinho
e uma baita calcinha
porque cabe muito mais gaita!,

aí,
um exemplar
de uma espécie
a um passo da extinção,
e em preservação não ouço falar!,
bem,
um moço cavalheiro
oferece o lenço e o braço,
mas,
à espécie o solo é infenso
e o cavalheirismo não floresce,
e ainda cismo e me amolo com isso...

e tem sapateiro
na cola do calcanhar
e não do sapato da moça,
e o desvio de função é claro,
e tem gangue
achando um barato
andar no calcanhar da cola
e uma poça de sangue no olhar do guri,
e, é claro, mais uma geração no desvio,
e daí?!
se isso ninguém vê...

e vem gelo daqui e dali
voando na gravata-borboleta
e preta que, veja você,
não reclama do atropelo
nem da cliente
exigente pra chuchu:
“põe aqui!”, põe ali!”,
“tira!, tira!, tá doendo!”,
e a gravata-borboleta
esvoaçando e desfazendo o nó,

só não vem a Brahma que eu pedi!,
aí, Zeca, dá pra dar uma ajudinha?!,

e tem Julieta
se metendo no alvoroço,
falando grosso pra cacete,
estendendo tapete vermelho
e a gatinha afagando por extenso,
é munheca no joelho, no artelho, no...
bem,
deixa pra lá...
é... Romeu,
penso eu que você...

e há ambulante
em plena atividade
e a todo instante
dando no berro
seu recado à morena,
o que não é novidade pra ninguém,
e um segurança privado,
cartucheira vazia
que é dia de folga,
se empolga e afiança
que pra sacar ainda tem um ferro,

e, pra ver
o que por aqui
ainda ninguém viu,
e deve ser muito linda!,
tem contorcionista
plantando bananeira
e o corpanzil
virando pelo avesso
apesar da espinhela caída,
e tem cambista
achando que a saída
é rasgar a tabela
e pagar qualquer preço
pra recomprar de turista
um bom lugar no gargarejo,

e tem menestrel de bordel
aproveitando o ensejo
e fazendo chorar
machão
de emoção filial
e madame de saudade,
e não é vexame não,
afinal,
mãe é mãe
e mocidade é mocidade,

aliás,
você que se faz
de palmatória do mundo,
é bom você saber,
segundo seu Zé do Nabo,
que não tem
o vezo de cantar vitória
nem o rabo preso com ninguém,
sua genitora,
quer dizer,
a leitora o enganou
quando leu a sua mão,
e, se seu Zé do Nabo falou,
tá falado!, entendeu o recado?!,

e tem otário inato
apostando
tudo que tem
num trato revolucionário,
estimulação imunológica
com a inoculação,
no tronco da sua árvore,
de células-tronco
da árvore genealógica
de um vigarista hereditário,
e o doador promete
terapia sem dor
e total assepsia
que a introdução é virtual
e as células vêm via Internet,

e tenta iludir a morena
um pacifista
cansado de guerra
que não se manca,
tenta cobrir a pomba
com bandeira branca
que já não se aguenta,
e se ferra
e depauperado ele tomba
que a trincheira é um colosso!,

e tem operário aflito
ao pensar no pito do patrão,
porém,
alegando a mais-valia
e esticando a hora do almoço
pra tentar a sorte
com vale-transporte e tíquete-refeição,
o que mais o salário-mínimo tem?!, o mínimo?!,

e tem até senhora,
titia cansada de consolação,
entrando na dança,
queimando o pé no rolo
e levantando a saia
na esperança
de virar fatia do bolo,
e levando uma vaia danada!,

e na pista
tem um misto
de Narciso e Adônis,
short, camiseta,
silicone embutido,
fones de ouvido
e sorriso de ninfeta,
e, pelo visto,
a torcida tá dividida
que tá dando na vista
tanto quanto a morena,

e um rapagão
visivelmente avantajado
sem acanhamento mete a cara,
apela e não para
de falar em mandar brasa,
e a morena se derrete
e seu assanho extravasa de uma vez,

e vocês ainda creem
que tamanho não é documento...

e o papel do fogaréu
no processo de ebulição,
na frente do pai,
é detalhado
por um pivete
que saca paca do assunto
porque vê novela na tevê,
e seu entusiasmo faz sucesso
e o povão vai junto ao orgasmo!

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

...

Desbota mais uma foto,
e mais uma desbota,
e mais uma,
e me esgoto tentando lembrar,
e lembrar tento tanto,
e tento,
e noto o pranto
e já não tanto tento,
e já não tento tanto,
e já nem tanto pranto,
e já nem noto a foto,
desboto e já nem noto...

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Alguém me rogou essa praga

Ela pisa nos meus calos no café,
repisa no almoço e no jantar volta a pisar,
aproveita os intervalos
e me enjeita, rejeita e pega no meu pé,
mas,
pegar pra ela não basta,
ela pega e não solta
e me arrasta pro fundo do poço,
e quanto mais me afundo,
melhor,
e o pior é que ela
não me alivia nem em dia santo,
e tem mais,
o prato predileto dela
é projeto meu que malogra
e ela festeja quando eu pago o pato,
mas,
quando algum
logra algum sucesso,
ela se vinga
dando vazão ao acesso de gana
e me xinga e excomunga,
e a sogra comunga
com xingadela e excomunhão,
e a dobradinha
festeja de novo
quando meu time se dana,
e festeja
malogro da minha escola
e cobrador na minha cola,
e festeja com furor
quando o sogro canalha,
a rolha do poço
no qual ela me mete,
mete o pau em mim e a mão
no meu panamá novo em folha,
enfim,
moço,
se me achincalha e deprime,
a dobradinha festeja,
ou melhor, o terceto,
melhor ainda, o quarteto
que ela já me avisou
que na cama de casal
não há mais vaga
que o cunhado encostado
adorou colchão,
chinela e pijama de flanela,
e se viciou em ar condicionado,
e eu pago pelo vício do safado...
é... alguém bom no ofício me rogou essa praga!,
garçom, por favor, me traga mais um trago!

quinta-feira, maio 20, 2010

Velhice é subir de madrugada, e madrugada fria e nebulosa, uma trilha estreita, íngreme, escorregadia e com abismo do lado esquerdo e precipício do lado direito, e usando óculos escuros, protetores tapando os ouvidos, luvas de boxe e pés de pato, e carregando a mochila do neto, a valise da filha e o isopor com a cerveja gelada do genro, e guiado por berros e broncas da patroa!, e, a miúdo, parando pra mijar, e, na maioria das vezes, não dá para abrir a barriguilha a tempo, e a barriguilha é sempre fechada antes do tempo.

quarta-feira, março 10, 2010

Tributar é arte

Pensei que era
piada de mau gosto,
qual nada!,
de posse da lei,
fiquei perplexo
pois vi
que era bem pior,
vem aí
o imposto do sexo
e sem abatimento
pra ejaculação precoce
e masturbação
de maior e de menor,
e a cada gozo
o fogoso
vai mudar de faixa,
e nem idoso
vai ficar isento,
vai ter de pagar
ainda que prove
estar de caixa baixa,
e vai pagar
porque já fez
ou porque
sessenta e nove
fazer ainda intenta,
e, esse mês e de tacada,
vão aprovar
a taxa de boemia
e pra madrugada
contribuição de melhoria,
é...
tributar é arte,
a arte
de fazer arte
com a nossa grana,
e vão continuar
levando boa parte,
por essa razão,
meu bom garçom,
eu te rogo,
me perdoa a pressa
e corre
e outra cana
me traze logo
que estão quase
tributando nosso porre!

quarta-feira, março 03, 2010

Não mudo de mulher por nada

A patroa
não me perdoa
quando cochilo
e erro ou vacilo,
e como ecoa o seu berro!,
e dá de gastar com crediário
e de jogar
meu salário no bicho
e no lixo o meu panamá,
e faz escândalo na frente
da gente do meu trabalho,
na verdade,
mente quando me nota
de vândalo e bandalho,
mas,
meu nome bota na lama,
e no lar
chora e faz drama
e consterna a criançada
e me arrasa
a autoridade paterna,
agora,
e creia se quiser,
apesar de tudo,
de mulher
não mudo por nada
que a patroa
é uma serpente
cheia de fome
na hora de amar
e me embosca,
numa boa me pega,
me enrosca,
me abrasa
e me come,
e não sossega o facho
nem quando o macho,
quer dizer,
nem quando a casa não vem abaixo!

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Os treze titulares da seleção

Aí,
mano,
será que sou cartesiano?,
penso, logo existo,
ou,
talvez,
existo, logo penso?!,
pensando bem,
tanto faz como tanto fez,
afinal de contas,
não sou francês,
não sei a quantas ando
nem como anda
minha conta lá no banco,
aliás,
e sendo muito franco,
quem é você
pra me julgar?!,
um pobre mortal
que grita “heureca!”
ao se excitar
com fama e cobre,
mas,
não recita Pessoa e Bandeira
e não loa Dante, Lorca e Kant,
e chora
no final do drama,
e numa cabeceira
de uma cama de motel
se enforca
com a calcinha da boneca
que dá o fora
protegida por um véu
pra não ser reconhecida,
aí, mano,
ser ou não ser (cartesiano),
eis a minha questão!?,
então,
pra não perder a pose,
como outro torresmo
e tomo outra dose
de mel com purinha,
por fim,
no pico da emoção,
me ufano
do meu tirocínio
e dou um close nos treze titulares,
e não me goze,
meu cupincha,
são treze titulares mesmo
que seleção sem eles é besteira:
Ary,
Noel, Aldir, Lupicínio e Cartola,
Caetano, João Nogueira e Pichinguinha,
Garrincha, Chico, Vinícius, Pelé e Silas de Oliveira,
e regendo a seleção Tom Jobim,
e fico vendo as filas
na frente do Opinião
e gente paca
assistindo ao show de bola
e aplaudindo gol de placa!

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Um segundo sem você

Você é a graça da vida!,
do meu sonho, enfeite,
do meu peito,
deleite e sossego,
feito aconchego
de praça florida
em avenida
coberta de pressa,
da ferida aberta,
é compressa,
gaze e unguento,
e ponho
e a dor passa
e a brecha se fecha,
e você
me anima a alma
quando da lida
chego quase morto,
em meio
a vento e temporal,
você é porto e esteio,
e me abraça,
acalma e me dá alento,
ainda por cima,
linda e sensual,
lança no ar
o cheiro do amor
que me faz virar
criança embevecida
no conforto do quarto,
mas,
um segundo sem você
e me afundo
em desespero de aborto
sangrando a esperança do parto!

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

"Quem sai aos seus não degenera"!

Minha nora
é um azougue
e adora mordomia,
e todo dia à fava
manda o domicílio,
e meu filho junto,
e não faz açougue,
quitanda, padaria,
e não é só,
não cozinha,
não lava, não passa
e da mobília não tira o pó,
e ela apela e cala
quem a contraria
e fala no assunto,
todavia,
é nessa ocasião
que meu orgulho
revela a raça da família,
não se aporrinha
nem faz barulho,
se vira como dá
e até do bebê é a babá,
e a nora todo dia
na rua bate perna
e se extrema na gandaia,
é praia, boate, cinema,
academia de ginástica,
na condição
de atração turística,
é a bamba
que se sacode mais
no samba e no pagode,
e faz depilação artística,
alterna
plástica e lipoaspiração
e com silicone
amplia a geografia,
e se interna em spa
pra recuperar a energia,
e não atende nem telefone,
e como rende a internação!,
e no lar,
pra se exercitar,
anda nua na varanda
e não para de dizer:
“o que é bonito é pra se ver”,
mas,
meu filho é fera
e também tem seu dito:
“quem sai aos seus não degenera”!

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Você vai pro "Guinesse"!

Você reclama tanto do fado!,
mas,
enquanto
deplora a situação ruim
e alardeia estado crítico
entre prece e imprecação,
no colchão
maloca a dinheirama,
amiga,
você chora
de barriga cheia
e jamais troca o disco,
parece até dona de botequim!,
qual político em campanha
com sua manha emociona o povão,
comove credor durão,
cobrador arisco
e demove até ladrão
do intento de te assaltar,
e, não raro,
encena cena
em que padece de estresse
e consegue uma façanha,
consegue arrancar
pena e benesse
de avaro avarento!,
é...
a qualquer momento,
mulher,
você vai pro “Guinesse”!

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

É a sua estrada

Vá atrás do seu norte,
rapaz,
é a sua estrada,
e, se puder,
os pés do chão
não tire por nada,
não tire nem por mulher!,
mas,
por precaução,
moço,
reze forte
e leve no bolso
figa, breve e patuá,
de resto,
seja modesto,
preze seu semelhante,
fique distante de briga,
intriga, angu-de-caroço
e principalmente de vício,
e mais,
não é necessário
ficar indiferente ao tutu,
mas,
não se encante
a ponto de ficar tonto
ou de se tornar mercenário,
por revés ou embate
abater não se deixe
e, se cair,
mesmo sendo difícil,
se levante
e trate de ir adiante,
mas,
é importante
aprender a lição
pra seguir
vendendo seu peixe,
porém,
história não invente
que tem gente
que tem boa memória
e quem tem
nem sempre é gente boa,
e não esqueça
que pode aquecer
a cabeça do rival
tentar dar olé
ou ganhar no grito,
e nunca,
nunca cante vitória
antes do apito final,
depois,
por favor,
não pinte
com o perdedor,
ofereça a sua mão,
pois o instante seguinte
uma interrogação sempre é!

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Papel de tolo

Minha deusa
me fez
perder a medida
e no altar
fui parar feliz da vida,
e fiz papel de tolo
já na lua de mel
que a Creusa
ou me deu bolo
ou não me deu bola,
e na piscina entrou nua
e o hotel todo viu
e da sua cola
não saiu mais,
mas,
fez beicinho,
jeitinho
de menina pura,
e fez jura e culpou
o sol e o pilequinho
e implorou meu perdão,
e, quem diria,
caí no anzol e dei,
aí,
arrastei de vez a mala
e no machão
ela entrou de sola,
fez o menestrel
largar esquina e viola
pra tocar pia
e fogão na maloca,
proibiu
cueca na sala
e futebol na tevê,
proibiu
pelada dominical
e até soneca vespertina,
e em troca
nunca me deu nada
que sofria
de cefaleia caseira,
mas,
por filantropia,
vivia faceira
pra lá e pra cá
de domingo a domingo,
era feira, bingo, coquetel,
almoço, café, jantar,
lanche, brunch, chá,
pré-estreia, festival,
e a lista era um colosso,
e nunca ia a pé
que sempre tinha motorista,
aliás,
quando olhei bem o rol,
passei até
a achar natural sair de chapéu
pra não descobrir a rasa e a testa,
agora,
não me resta mais nada
que a Creusa
só me deu despesa
e com uma bela cilada
acabou de me arrasar,
me jogou
pra fora de casa
como um ciclone,
arranjou patrono
e me denunciou
por abandono do lar,
e solicitou pensão
pra ela e pro Bibi,
nosso guri e clone do Ricardão!

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Ninfomania

Se alguém
que quer o seu bem
chama a atenção dessa mulher,
ela se faz de surda
e nem sequer se abala,
ou, então,
se faz de santa, se espanta
e fala em balela e blasfêmia,
mas,
cada vez mais
se chafurda na lama
pois se deita
em qualquer cama
com uma fêmea qualquer
e não rejeita
cacho com macho,
e com dois e com três
e até com bem mais
que nunca diz não,
e não enjeita bis
aceita tara e castigo
e não bufa,
e come e não se sacia,
e o umbigo estufa
e sua fome não para,
seu nome: Ninfomania!

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Pra você

Você se lixa
cem por cento
pro que eu digo,

e ao se lixar
você até capricha
no ar e no argumento,

fala
que já não falo
coisa com coisa
porque sou antigo,
caí da moda,
da roda
e nem percebi,

fala
que resvalo
realidade abaixo,
mergulho no irreal
e me sinto
o dono da verdade
quando me sento
em meu trono,
um trono ideal,
é claro,

aí,

segundo você,

escancaro o frenesi
e vou ao fundo do nada
à procura de não sei o quê,

e o nada vasculho
com um facho extinto
e verso minha loucura,

e torço, distorço, confundo,

aumento, invento e tergiverso,

e não me calo,

enfim,
do prólogo até o fim
vou sem escala,
sem régua, trégua ou intervalo,

e o monólogo
não tem pé nem cabeça,

talvez esteja mesmo
ficando louco
e falando a esmo,
e, apesar do rigor,
mereça o que você me fala,

mas,
não minto
quando falo
que não é pouco
o amor
que por você eu sinto,

não minto
quando falo
que amo você,
que amo você demais,

e mesmo rouco
vou continuar falando
que por você
sou capaz de tudo,

só não sou capaz de ficar mudo!

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Meu horário político

Arco com a responsabilidade,
fiz coisas do arco-da-velha,

abusei
e levei ao desespero
a coitada da Amélia,

e traí o amor
de uma mulher de verdade
com uma flor qualquer
de um canteiro da madrugada

e a flor botei fora
sem sequer perguntar sua graça,

fumei, bebi cachaça,

joguei
e ostentei quando ganhei,
e não perdoei o perdedor,

agora,
pedi pra não pagar quando perdi,

pra me exibir
e divertir os presentes,
pra discutir
até os dentes me armei

e fui cruel

e destilei meu fel
na hora da discussão,

sem dó
fiz pilhéria, piada e gozação,

fui credor inclemente
e deixei devedor na miséria,

envenenei
a mente do povão
e reduzi a pó
a reputação de gente séria,

mas,
só de gente que me fez oposição,

sou assim,
é fato,

jogo o jogo
e no fogo a mão
não boto nem por mim,

e pronto,

e sou candidato,

que venha a eleição!,

e conto com seu voto!

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Pra que serve?

Essa verve
pra que lhe serve
se você ferve à toa
e transborda o caldeirão?,

então,
no outro dia,
acorda
e vê que não está
exatamente numa boa,

perdeu o emprego
que falou na frente do patrão
o que nunca devia ter falado,

apanhou
porque foi exagerado,
elogiou demais a vizinha
e o marido vinha bem atrás,

aliás,
pela cozinha,
o zunzum chegou
ao conchego do lar
e ao ouvido da patroa
que determinou o jejum,
suspendeu o chamego
e resolveu
dar folga à rascoa,

e mais,
acorda amassado e no xilindró,
e recorda
que não só se defendeu,
foi bem além,
tirou onda, deu sermão
e desacatou o delegado!,

me responda,
pra que serve
essa sua verve
se à toa
você se empolga e ferve
e transborda o caldeirão?!

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Não dá pra comparar

Grande sacada que nada!,
criatura,
deixe de besteira
e seu peixe ruim
vá vender noutro lugar,

pra início de conversa,
grande sacada
é coisa bem diversa,
é a de cobertura
de edifício
da Delfim Moreira
decorada com requinte
e debruçada sobre o mar,

o papo é o seguinte,
meu camarada,
não dá pra comparar
cachaça com mulher,

em matéria de pinga,
a 51 é boa ideia sim,
e que ideia boa!,
e não dá
pra não apreciar,

mas,
em matéria
de graça e de ginga,
é outro o papo,
boa ideia é a de 20,
e mulher linda,
ainda sem celulite
e manequim 42,

depois,
evite sonhar se puder!

terça-feira, dezembro 29, 2009

Há muita gente assim

Não sou tão tonto
a ponto de falar
que só há gente
que não dá ponto sem nó,

mas,
vá por mim,
há muita gente assim,

um não se satisfaz com milhão,
outro se sente radiante com vinte,

com vinte reais!,

um é culto, elegante
e a parada
trata com requinte
e bom vocabulário,
o outro
é primário, inculto
e estoura por nada
e trata a barganha
com ameaça e palavrão,

e não é só,

um é de caviar,
camarão
e taça de champanha,
o outro
é de cachaça,
loura gelada e mocotó,

um não apanha
porque tem
secretário pra apanhar,
o outro,
como não tem,
de apanhar não se acanha,

pois é...
tem gente sofisticada
que ao negociar doura a pílula
e tem gente
que nunca ouviu falar
dessa tal de pílula dourada,

mas,
pensando bem,
toda essa gente é igual,
fala o mesmo idioma
e o vil metal
de alguém sempre toma!

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Sou capaz de quase tudo

De tudo sou capaz,

aliás,
de quase tudo,

com o direito na mão,
sou um camicase
e luto feito um leão,

sedento,
com ele disputo
gole a gole a água do rio,

com fome,
não há urso
que o salmão me tome,

quando me dá na veneta,
enfrento o desafio
e discurso pelo planeta,

e critico meio mundo,

e critico feio o terceiro
o segundo e até o primeiro escalão,

pois é,
qualquer peleja eu encaro,
já remei até
com colher de sopa
e espantei
baleia e tubarão
com pontapé na popa
e os meus salvei da cheia,

ou seja,
sou capaz de tudo,

aliás,
sou capaz de quase tudo
que mulher feia
e cerveja quente
não encaro
nem pela minha gente!

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Carioca cem por cento

Sou carioca,
carioca cem por cento,

moreno,

franzino desde menino

mas,
desde pequeno dou banda
e dou banda até em pé-de-vento,

pra mim,
qualquer hora é hora
e não tem tempo ruim,

bem,
não é bem assim
porque me arrepio
e choro até
só de pensar
nas cheias do Rio
que são cheias demais,
mas,
eu sou freguês
que moro num barranco
e uma vez
levei um tranco
e escapei por um fio
e boiando num sofá,

dá pra acreditar?!,

quando chego
ao conchego do lar
mamado e tonto,
sou obrigado
pelo meu pessoal
a cruzar o corredor,
e um polonês original,

quem diria...
corredor importado
em moradia de pronto!,

por outro lado,
ando pensando
naquele gato
estimado até no soçaite,
aquele gato que não mia,
Light,
e até que não é muito caro,

porém,
pensando bem,
socialite é socialite
e cana não é coisa pra bacana,

no verão,
escancaro a geladeira
que vira ar-condicionado
porque
não tem nada pra gelar
e a galera
se aglomera na cozinha,

paletó
só o de madeira
e uma vez só,
e assim mesmo
porque o morro
faz uma vaquinha,

nosso cachorro,
o Torresmo,
uma hora,
é vigia
e fica de olho
do lado de fora,

outra hora,
quente,
é a alegria da gente
do lado de dentro,

e vai sem molho,
sem sal e sem coentro,

mas,
não peço arrego
e vou cobrando a falta,
a falta de emprego,
e mal
não chuto não,
chuto direito e no canto,
no entanto,
não entro
de jeito nenhum
que atrás de um
vem mais de um milhão,

de quando em quando,
ponho a mesa na rua
que o sonho
da minha Teresa
é jantar fora,
e de Lua
o prato fica repleto,

agora,
a gurizada
vive numa boa
que tem o privilégio
de estudar no exterior,
o colégio não tem teto,

também não tem aula
que nunca tem professor,

e a gurizada fica por aí à toa
que comunidade não é zoo,
portanto,
não tem jaula,

e ociosidade é nitroglicerina,

e há tanto chamarisco
que a gurizada
corre o risco de alçar voo,

mas,
o domingo brilha
e eu me vingo,
entro de porre
na piscina da família,
a caixa-d’água de cem litros
com água de chuva
que em nós
como uma luva não se encaixa,

e presto atenção
especialmente no ladrão
que detesto baixa
e a gente não tem boia,

e a boia vem após,
a bem dizer,
outra etapa do regime
e desse regime
a gente não escapa,
e regime assim é de doer,

por fim,
lá pelas cinco,
zinco pegando fogo
e torrando meu miolo,

no bolo tiro o nove
e a bola rola,

e transpiro
mais e mais
que está em jogo
o futuro do meu time,

descer ou não descer,
eis a questão!,

e torço,
torço duro,
aliás,
sou dureza por inteiro,

mas,
meu time
não sai do chove-não-molha,

o nove
afunda na banheira
e o bandeira não dá mole,
na defesa,
o zagueiro não se move
e o goleiro engole um frango,

e meu time se ferra,

e alguém berra:
“olha a segunda divisão aí, gente!”,

que essa gozação
é frequente por aqui,

e já não me zango
que uma vez
me zanguei demais
e parei
na mão do samango
e acabei no xadrez
e lá fiquei
bem mais de um mês!

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Eu sou do "Risque" na vitrola

Se manque,
guria,
e não seja prosa
que eu sou da poesia!,

e não banque a gostosa
pra cima de mim
porque você
não tem manequim,

você é da manhã
com suco
de lima com maçã,
na academia sua todo dia
e não sai por nada da dieta,

eu sou fã
de rua, madrugada,
boemia e botequim,

sou maluco por birita
bife, batata frita
e feijoada completa,

você é do salto alto,
eu sou da alpargata,

você é
do boné de grife,
eu sou do panamá,

e não dá
pra não dar bola
a esse toque final,

você é do rock
no "digital video disk",
eu sou do "Risque" na vitrola!

quinta-feira, novembro 26, 2009

Não vou cobrar direitos autorais

Se não tiver importância,
mas,
importância real,
e no meu rol não estão
ouro, desaforo e xingação,
nem sequer amante da mulher!,
faço que não é comigo
e adiante sigo em paz,
e tem mais,
não peço satisfação
e o passo apresso
pra ganhar distância,
e não fico na bronca
que ao aparelho digestivo
bronca não faz nenhum bem,
mas,
não é conselho não,
meu rapaz,
que sou vivo o bastante
pra não dar conselho a ninguém,
pra todos os efeitos,
é uma explicação
de quem já andou bem mais,
porém,
se gostar,
use e abuse,
direitos autorais
garanto que não vou cobrar!

segunda-feira, novembro 23, 2009

Ida e volta

É a ida de casa pra lida,

é a lida de sol a sol,

é a volta da lida pra casa,

e marmita
e manchete de jornal,

a saída é a birita
que tudo,
tudo é reprise!,

a alta da comida,

o material que falta
no colégio e no hospital,

e uma vaga é um privilégio!,

o trem é uma praga,

o das cinco passa às sete,

e vem cheio,

e a gente entra na raça,

e brinco
no meio da massa
pra evitar uma crise,

mas,
o patrão tem
e grita
com quem se atrasa,

a gente não
e não chama atenção,

bem perto,
o asfalto se inflama,

é mais um assalto
e ninguém,
ninguém vai
atrás do pivete
que se faz de esperto
e anda calmamente
porque já tem fama
e já manda no bando
e na mão tem uma nove
e nem nove ele tem...

começou cedo no vício,
partiu pro ofício
e indício foi deixando,

mas,
ninguém viu!...

eu também não vi,
tive medo de ver
e de conhecer o guri,

hoje chove ou não chove?,

e o meu time?,
outra vez vai ser vice
e aquele outro time
de novo vai ser campeão?,
e mais uma vez o povo
vai me chamar de freguês?,

faço que não dou bola,

mas,
essa gozação me deprime,

e minha escola?,

será que dessa vez
vai chegar em primeiro?,

se não chegar,
por favor,
não me usem
pra explicar o fracasso,
não acusem de velhice
meu passo e meu pandeiro,

como é íngreme!,
como é íngreme essa ladeira!,

besteira!,
Zé,
não desanime!,
mais de um doutor já disse
que nosso motor é de primeira!

quarta-feira, novembro 18, 2009

Não é queixa não

Não é queixa não,
gente,
é constatação,
o tempo tá tão quente
que o pessoal do deixa-disso,
o do tempo
da bandeira branca
pra rasteira e bofetão,
simplesmente se fundiu,
ou será...
bem,
deixa pra lá,
e o pessoal que chegou,
e tem bacana e joão-ninguém,
chegou botando banca
e decidiu
dar sumiço no pendão
e usar tecnologia de ponta
pra atualizar o tempo-quente,
e ataca,
saca, aponta e faz fogo,
e não alivia
jogo do infantil,
gincana de madame
e certame em maternal,
e nesse clima
mais tropical a cada dia,
já se vê
babá de capacete
e colete à prova de bala
por cima do avental,
aliás,
já se fala
em fazer desova
em carrinho de bebê
pra evitar
aquele toque
comercial demais
do carrinho de mercado
e também pra pegar
um bocado dessa onda,
dessa onda de dar choque!

segunda-feira, novembro 09, 2009

Creia em mim

Vá por mim
que como é eu sei bem
que também já fui assim,
moço carente
de cautela e cuidado
e inundado de alvoroço
que ia em frente sozinho
e trela e bola
não dava a ninguém,
nem ao Cartola,
e não tinha quem me desse,
acontece
que você tem!,
e sei que conhece
“O mundo é um moinho”,
e miragem
era o norte do moço
que era seu forte
seu fraco pela quimera,
e mergulhava
de foz em fora,
e a toda hora
me quebrava
no fundo do poço,
e sozinho
caco após caco
catava e colava,
mas,
queixa e cicatriz
a colagem sempre deixa!,
portanto,
por favor,
ouça o que se diz
a respeito de andor
e de santo de louça,
e vá adiante
com jeito e bem passo,
não tanto
como hoje faço
porque dos vinte
já estou bem distante,
mas,
creia em mim
porque definitivamente
sou seu amigo,
e o maior!, o melhor! e o mais antigo!,
é no minuto presente
que o seguinte a gente semeia
e não dá bom fruto semente ruim!

domingo, outubro 04, 2009

Ou melhor

2016!!!!!!!!!!!!!!!!!?
ou melhor
2009!..
2010!!!!!!(?)...?..
...
2014!!!!!!(?)...?..
...
2016!!!!!!!!(?)!(?)...
2017?...

sábado, outubro 03, 2009

segunda-feira, abril 27, 2009

Carioca da gema espúria

O bloco
“Carioca da Gema Espúria”
se entoca no paiol
e não lança perfume
de “Gardênia Azul”
quando se desloca
que não tem esse costume!,

amiúde o bloco avança
pelas artérias da cidade,
circula com fúria
e esquema de morte
e sem vênia
da autoridade da “Saúde”
de norte a sul
as cumula de colesterol,

miseráveis misérias!,

e nós tão vulneráveis!,

e o bloco
não dá férias a ninguém,
dia após dia,
vem em pós
dos meus e dos seus,

é ressaca
e sufoca as Helôs em “Ipanema”,
é furacão
e saca os botões do “Jardim Carioca”,
é erupção
e na “Vila do João” calcina
um sem-fim de Julietas e colombinas,

e da “Cidade de Deus” ao “Joá”
aniquila poemas, canções,
arlequins, pierrôs
e Romeus tupiniquins,

cadê o abrigo?,

meu amigo,
que saudade da “Lapa”!,

e nem criança
escapole da carnificina
que o papão faz caretas
e a engole a muque e a tapa,
ou, então,
a alicia com gorjetas
ou com um velho truque,
meu São Cosme e meu São Damião,
como se fosse doce o que lhe dá,
a criança vicia
no “Cosme Velho” e na “Vila Esperança”
que já não reclama
de não ter mais nenhuma!,

em suma,
esse bloco vai ao ataque
de Rio de Janeiro a Rio de Janeiro
e derrama seus vermes
de “Gericinó” a “Vasco da Gama”,

e sibila
e proclama a quizila
do bandido-carrasco
por Alonsos e Inácios
que do “Estácio” a “Inhaúma”
são destruídos sem dó,

e em “Marechal Hermes”
o pessoal ouve o bus,

e no “Campo dos Afonsos”
o pessoal ouve o baque,
catrapus!,

nesse campo
esse bloco só tem craque!,

e crack, coca, bolinha
e trouxinha de maconha,

e sua peçonha
nos choca
e nos leva ao desespero
que produz mais treva
e o saldo
é mais um presunto
e junto
o caldo que jorrou
e forrou o chão da “Vila Pinheiro”,

e a pupila na escuridão
se dilata à cata de luz!,

SURSUM CORDA!,
irmão,
e rezai!
e luz rogai ao Pai!,

e transborda o Rio
o choro chorado em coro
por quem chora o vazio
que surgiu em “Osvaldo Cruz”,

e alguém tudo viu,
projetil, pistola,
mas,
não perdeu a calma
nem deu bola pro ladrão!?,

e alguém conta piada de valente,

e alguém
deplora a lambança
que prejudica o ambiente
e não se cansa de exigir
a pronta chegada do rabecão,

e alguém fica de porre
e vomita birita e palavrão,

e ninguém,
ninguém ora pela alma do defunto,

e uma lembrança
vem a minha mente:
o João, o Aldir
e aquela “janela de frente...”,

e o assunto de repente morre,

e o arquibaldo
vem da “Pavuna”
e do “Conjunto Pinheiros”
e corre,
atropela canteiros,
se agita, irrita e revolta
e solta seu brado
e berra um bocado...
no “Maracanã”!,

mas,
não tem respaldo
nem acesso à tribuna
e é vã sua grita
e ninguém o escuta,
e se ferra
na volta pra “Bonsucesso”
ao ser arrastado pelo arrastão,

e cada vez mais
perplexo e biruta
fica o povão
e o bloco açambarca
o que lhe dá na veneta
da “Gávea” ao “Parque Anchieta”,

será que esse açambarque
marca mesmo fundo?!,

será que esse açambarque
marca mesmo todo mundo?!,

bem,
a coragem espanta
e acalanta a ignávia
e o “Complexo do Alemão”,

e é o “Campo Grande”
e o bloco se expande
e insiste na tirania
no “Parque Colúmbia”,
ou antes,
na cidadania escarra
e não faz nem “Triagem”
e faz
ficar mais plúmbea “Sepetiba”
e “Inhoaíba” bem mais sombria
e mais pesada a “Barra de Guaratiba”
e mais triste
e mais feio o “Recreio dos Bandeirantes”,

e grassa a tristeza e a beleza se embaça,

e se espalha o receio
como o fogo na palha
em “Botafogo”, “Guaratiba” e “Paquetá”,

e medra o caos
em “Vieira Fazenda”,
na “Praça Mauá” e na “da Bandeira”,

e com “Pedra de Guaratiba”
os maus dão pedrada
em “São Cristóvão”
e em “São Francisco Xavier”,

e todos os dias
há mais retirantes na estrada,
e na “Portuguesa” mais moradias à venda,
mas,
ninguém quer comprar
que o risco não para de subir,

e na “Urca”,
pra andar no fio e não cair,
o aluguer segura a “Taquara”,

e se conspurca
e desfigura mais o Rio,

e não é tédio de cara antigo
que não tem remédio nem cura,

é que o bloco,
digo,
o bando anda a mil,
manda e desmanda
e o vazio vai aumentando
de “Higienópolis” a “Cordovil”,

e muita gente
inda jura pra mim
que nas megalópoles
é assim que a banda toca,

mas eu duvido!,

e o bloco nem se maloca,
munido de fuzil e granada,
aciona o arranque
e faz em “Valqueire”
uma arruaça danada
e mais uma casa captura,

como um “Tanque”
passa por “Cascadura”
e detona e arrasa
mais um alqueire
e se espalha a fumaça,

e nem precisava dizer
que estufa o peito
e com o feito
se rejubila e gargalha
e do efeito estufa
não quer nem saber,

e faz misérias que não estão
no mapa de “Vila Kosmos”,

e no do “Cosmos” também não,

são avarias mais sérias
e avarias menos sérias,

todavia,
dos seus venenos ninguém escapa,

e devassa
e curra “Maria da Graça”
e contamina a pobre menina,

e “Quintino Bocaiúva”,
em protesto,
a luva levanta
e brada: “Assassino!”,
que gesto nobre!,
mas,
não adianta nada
que uma surra toma
e não suporta a pancada,
à toa é morta
mais uma pessoa,
e não é novidade
mais uma unidade na soma,

mas,
soluça um menino
em “Parada de Lucas”
e mais aguça
a fome do bloco
que as botucas arregala,

e tome mais praga,
e praga
em tão larga escala
e tão amarga e daninha
que a coitada da saúva
virou praguinha de nada,

e não para
a chuva de droga
e se esgota e afoga
o “Jardim Guanabara”
e brota uma vala comum,

e um sem-fim de dom-quixotes!,
ideias!, Dulcineias! e Rocinantes!

cadê você, Sancho Pança?!,

e de um lar,
solar ou baiuca,
vem um avião,
e dá rasantes
e faz das suas
com as duas “Freguesias”
e se angustia e desespera
quem espera o desembarque
das mutucas e dos papelotes,

quanto desmancho!,

quanta intemperança!,

e o avião
para no “Centro”,
no “Engenho de Dentro”
e no “Parque União”,

e dá o pinote
quando a justa vem
e dá o bote no “Engenho da Rainha”,

e não vem do “Galeão”
o estrondo do motor
de mais um hediondo avião
que a população assusta
lá no “Humaitá” e cá na “Rocinha”,

e outra flor
fica pálida e cede!,
e retrocede outra crisálida!,
será o fim
do belo e da borboleta?!,
será que não tem fim esse flagelo?!,
será que a ampulheta está no fim?!,

meu irmão,
carioca da boa gema
da “Cidade Universitária”,
de “Sulacap”, do “Rio Comprido”,
estou coa impressão
de que já não há
possibilidade de escape
dessa tremelicação diária
que o trema que foi abolido
não é o arrepio
que o desvario provoca,

e não tape o sol com peneira,
carioca da boa gema,
que essa besteira faz muito mal!,

e cada vez mais
o povo fica mais tonto
que o inimigo
velhaco e ferrenho
com um “Engenho Novo”
de bobo nos faz num instante
em “Vaz Lobo” ou em “Vigário Geral”
ou com o antigo paco
do tal conto-do-vigário
nos engrupe de “Cavalcante” a “Fátima”
e de “Fátima” a “Guadalupe”
a gente simpesmente boia,

o folião desse bloco é de amargar,
e o grandão e o guri,
e devia se chamar “Tauá”
porque “papa-cacau”
aqui na “Gamboa” e lá em “Acari”,
e papa de varão e de mulher,
e papa
de joia de coroa
a bijuteria de guria,
e papa salário de operários
e dos “Bancários”
trocados contados
com o cuidado
que demanda esse mister,

o bloco rapa os nossos bens
e desanda a rir do nosso miserê,
e ri pra chuchu do “Flamengo” a “Timbaú”,

e faz auê
de “Realengo” a “Rubens Vaz”,

e há atropelo
e falta de “Pilares”
de “São Conrado” ao “Riachuelo”,

e em todos os lugares
o pânico nos assalta,

e a malta mata
que tem esse vezo
e sua sanha não tem fim,

no “Jardim Botânico” mata um rico,

em “Copacabana”
mata um coitado teso
e de grana não ganha nem um tico,

na “Lagoa”
defunteia um empecilho
e em “Marcílio Dias”
quem “Pechincha” ou regateia
que essa ousadia não perdoa,

pelo visto,
meu “Santo Cristo”,
foi tanto
contato com a chincha
que ficaram gastos
prato e fiel da balança
e ninguém mais tem privilégio,

não têm
pais de “Magalhães Bastos”
e mães de “Honório Gurgel”,

não têm
a gente de “Colégio”
e a gente de escritório,

e o bloco avança
em cupinchas e afins
do “Rocha” e de “Padre Miguel”,
em compadres e comadres
da “Praça Seca” e de “Nova Holanda”,

e arrocha
“Senador Augusto Vasconcelos”
e morador vetusto de “Rocha Miranda”,

e despedaça
madama em “Benfica”
e ama-seca no “Lins de Vasconcelos”,

e na “Barra da Tijuca”
da bazuca
lança mão na marra
e na hora
se trumbica mais um
e o ex-vivente
o bloco desova
em “Turiaçu” ou em “Curicica”,

será que sente o futum
a gente que mora em “Castelo”?!,

e do “Caju” ao “Cachambi”
o bloco faz
“Zumbi” pular da cova
pra dançar
o “Catumbi” e o caxambu
em passo bem nervosinho,

e pelo caminho
peita a comunidade
e a paz rejeita no aço
da “Cidade Nova” ao “Vidigal”,

e a população
vai perdendo o pé
e ficando histérica
da “Vila da Penha” à “Vila Militar”
e da “Penha Circular” ao “Jardim América”
já há curumim
tendo transtorno mental
e praticando até o haraquiri,

e o bloco teima
da “Penha” ao “Jacarezinho”
em deitar lenha na fogueira
que o que corta
não se importa de queimar
e queima “Pintagueiras”, “Laranjeiras” e “Grumari”,
e mais,
no forno mete vítima
que nem legítima tem pra deixar
e mete de “Roquete Pinto” a “Brás de Pina”,

de fio a pavio
o “Carioca da Gema Espúria”
nos algema
e o vermelho sufoca o Rio,
e esse vermelho
não é vinho tinto, confete nem serpentina,

e vou lhe dar um conselho,
meu irmão,
se conseguir
driblar a despedida
e sair andando do desfile,
inda que saia na penúria
e levando vaia,
se rejubile
que a vida é um prêmio
e não é prêmio de “Consolação”!,

definitivamente,
da cuca e do pé
é doente essa gente
que atua à “Bangu”
pra botar esse bloco na rua
e ficar com o tutu
que o bloco
todo dia surrupia no “Grajaú”,
e a “Tijuca” já não assobia!,

e de “Olaria” a “Tomaz Coelho”,
instrumento a instrumento,
o samba do bloco
pro tormento descamba,

a cuíca
não aproveita a “Maré”
pra sair de “Coelho Neto”
e ir direto
pegar “Jacaré” no “Leblon”,
só se deleita
e fica feliz
quando aborda
um bom cidadão
de canivete na mão
e com pivete ao seu lado,
e aborda
lá no “Moneró”
e cá no “Itanhangá”,
e o que se diz
é que o primeiro
a ser abordado
foi “Bento Ribeiro”
que estava desatento
e lhe deu “Catete”
em vez do capim exigido,
e a ronca malsã ficou na bronca
e mandou o coitado
comer capim pela raiz,

o tantã,
louco varrido
pra debaixo do tapete,
faz pouco saiu de lá,
e já saiu sem “Leme”
e vomitando doideira
e dando esculacho
em quem geme
e por clemência clama,
e “Paciência”
nem com dama tem,
seja de “Madureira”, seja do “Cocotá”,
e dou um exemplo,
a “Glória” destruiu
na entrada de um templo
e na frente de um reverendo!,
e saiu ileso
e dizendo pra toda a gente
que pra ele estava tudo “Anil”,
mas,
quando foi preso,
ficou mudo e sem memória,

o tarol,
de sol a sol
e de “Ramos” ao “Méier”
e do “Méier” a “Água Santa”,
reduz milhões à escravidão
e reduz
sem açamos e sem grilhões
que a covardia é tanta
e tão daninha
que sozinha estraga tudo,
e os bravos
amiúdo o tarol silencia,
os transfixa com cravos
e os afixa
com seus reclamos
na “Santa Cruz” da “Abolição”,

o tamborim é safado,
em “Anchieta”
aponta a baqueta
e a enterra num passante
pra lhe roubar o “Camorim”,
outra baixa diante de “Deodoro”!,
“Baixa do Sapateiro”,
e o desencanto
desponta no “Encantado”
e mais eu choro,
e mais o pranto toma conta de mim,

a reboque do tamborim,
assoma o pandeiro
com a borda da soalha
afiada a toque de caixa,
e retalha “Engenheiro Leal”
e encerra sua estada na terra,
e se apraz com a dor alheia,
e ferida mais feia,
mais amada medalha
que repercute mais na horda
e ao pessoal mais temor incute,

bandolim e cavaquinho
gostam mais de corda
e de perguntar
a quem vem de “Campinho”:
“que time é teu?”,
aí,
apostam
que o incauto
vai falar bem alto:
““Andaraí” no teu gramado!”
mas,
vá por mim,
não se anime
que essa resposta
desgosta muito o par
e já vi
um espertinho
ser estrangulado pelo cavaco
e atirado no buraco pelo bandolim,

é um absurdo,
mas é assim!,

e a torpeza é tanta
e tão frequente,
“Santa Teresa”,
que o surdo
não ouve a petição
de “Vicente de Carvalho”
e um pirralho
envenena e destrói
que o enviúva
da “Vista Alegre” do seu herói
e seu coração menino esbodega,
mas,
o cretino ouve
a sirena da viúva-alegre
e pega um atalho e faz a pista,

assaltar
é o trabalho do chocalho
e o “Alto da Boa Vista”
é um prato feito
pro xique-xique
que sempre dá um jeito
de praticar um assalto por lá,
e o rato manda à toa
chuva de chumbo
e por vintém
de bala e cuia,
quer dizer,
de mala e cuia
pra “Cacuia” manda alguém,

e mais alguém “Irajá”!,

ao passo
que o bumbo
bate como um raio
e de pique
incendeia “Sampaio Correia”
e um braseiro
escaldante e escarlate
por inteiro anuvia o espaço,

o repique
cheio de alegria
repica na “Praia
da Bandeira” a meio pau
bem diante de um pé-sujo,
mas,
não é luto oficial
que o dito-cujo frito
é da arraia e na carteira
nunca teve um puto,
aliás,
carteira nunca teve,

na “Praia de Ramos”
o agogô
tira onda de gigolô
e ronda e mira a massa
que, digamos,
é a prostituta que luta
pra ganhar um dinheirinho
e que dele apanha,
e não apanha pouco,
e a ele passa
o pouco dinheirinho que ganha,

já o reco-reco
fica irritadíssimo
com a esfregação
e se enfuria
com choradeira
de quem está no sufoco
poque está na sua mão
e seu desporto
é atirar em quem se lamuria
e enterrar o morto na “Ribeira”,

e o indigníssimo bamba
puxador do samba
emposta a voz
pra falar que é o terror
de “Jacarepaguá”, “Del Castilho”
“Costa Barros” e “Barros Filho”
porque por lá puxa uns carros
após puxar o gatilho da garrucha
e mandar mais alguns pro beleléu,

o Rio é o estande desse bloco,
meu “Santíssimo”,
e esse bloco é o fardo que o Rio leva
e que o entreva
de “Vargem Grande” a “Vargem Pequena”,
por conseguinte,
ouvinte
de “Ricardo de Albuquerque”,
se cerque
de razão e cuidado
e mande cercar seu lar
de grade e arame farpado,
senão,
sem “Piedade” nem pena,
o invade
esse bloco brega e infame,

e, por favor,
exija já
respeito desse sujeito
que alega necessidade
e mija a torto e a direito
do “Aeroporto” a “Senador Camará”,

enfim,
esse bloco é assim,
e é por esse Rio
que tanto prezo
que chio
e reclamo tanto
por todos os cantos,

é por esse Rio
que amo tanto
e que de meu Rio chamo
que mais e mais eu rezo
e a “Todos os Santos”
suplico paz pra gente
de todas as praças e raças
que a argila não é diferente!,

é por esse meu Rio,
meu irmão,
que paz tanto suplico
a todos os santos
desse Céu de “Vila Isabel”
que tem FEITIO DE ORAÇÃO
graças ao Vadico e ao Noel!