Minha gente,
a pista está tão quente
e o clima
tão dantesco e sinistro
que nem a ministro e artista
estão dando refresco,
e, por cima,
já li até
que ladrão roubou ladrão
e não roubou
pelos cem anos de perdão,
do jeito que está,
meu bem,
supeito
que não dá mais pé,
não dá mais
pra ficar por aqui,
estou à beira
de tomar providência,
qualquer diligência,
de preferência,
a primeira que vier,
mas,
não vou dizer
que não gostaria
de ir de avião,
gostaria sim,
não vou
por uma razão,
não quero mais saber
de apertar o cinto;
sinto muito,
muito mesmo,
mas,
estou de partida;
Severina,
não chore por mim,
senão,
de arrependimento morro,
todavia,
vou mesmo assim,
mas volto já,
volto no dia
que o sargento Garcia
botar as mãos no Zorro;
Severina querida,
até por lá!
terça-feira, janeiro 29, 2008
Não sei dizer
O bicho
segue pegando
que não sossega
nem se entrega
e ninguém consegue
pegar o bicho.
O bicho vai pegar
até quando?!
E bicho
há aos molhos,
e não alivia,
pega de dia,
pega de noite,
e salta aos olhos
que não falta
quem acoite o bicho,
parece moda
e moda
que anda em alta!
Por quê?
Não sei dizer.
Sei só
que o bicho
a indefesa prefere
quando da presa
vai à cata,
e não tem dó,
morde, fere, mata!
Sei que o bicho
agora é nobre,
não é mais pobre
como o bicho de outrora,
virou barão
e mora como um lorde!
Acorde,
meu povão,
telefone,
bote a boca no trombone,
faça alarde,
e faça
antes que seja tarde,
antes que seja muito tarde!
segue pegando
que não sossega
nem se entrega
e ninguém consegue
pegar o bicho.
O bicho vai pegar
até quando?!
E bicho
há aos molhos,
e não alivia,
pega de dia,
pega de noite,
e salta aos olhos
que não falta
quem acoite o bicho,
parece moda
e moda
que anda em alta!
Por quê?
Não sei dizer.
Sei só
que o bicho
a indefesa prefere
quando da presa
vai à cata,
e não tem dó,
morde, fere, mata!
Sei que o bicho
agora é nobre,
não é mais pobre
como o bicho de outrora,
virou barão
e mora como um lorde!
Acorde,
meu povão,
telefone,
bote a boca no trombone,
faça alarde,
e faça
antes que seja tarde,
antes que seja muito tarde!
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Você conhece alguém assim?!
Não se deixe enganar
por esse boa-pinta
com jeito
de pessoa legal e distinta,
vai por mim,
se se deixar,
depois não se queixe,
não foi à toa
que esse sujeito
com a fama ruim
se deitou na cama,
ele é o tal
que segue à risca
o manual da boa bisca,
se há chance de ganho,
parte e faz o lance,
e dá um banho
na arte de ser safado,
e dá
até que do pobre
não sobre mais nada,
coitado de quem cai
em sua armadilha
que ele é capaz
de qualquer empreitada,
e, por cima,
não estima ninguém
e com o bem
não tem compromisso,
vai por mim,
pra obter o que quer,
esse filho-da-mãe
é capaz de leiloar pai e filho,
de rifar mãe, filha e mulher!,
por falar nisso,
você conhece alguém assim?!
por esse boa-pinta
com jeito
de pessoa legal e distinta,
vai por mim,
se se deixar,
depois não se queixe,
não foi à toa
que esse sujeito
com a fama ruim
se deitou na cama,
ele é o tal
que segue à risca
o manual da boa bisca,
se há chance de ganho,
parte e faz o lance,
e dá um banho
na arte de ser safado,
e dá
até que do pobre
não sobre mais nada,
coitado de quem cai
em sua armadilha
que ele é capaz
de qualquer empreitada,
e, por cima,
não estima ninguém
e com o bem
não tem compromisso,
vai por mim,
pra obter o que quer,
esse filho-da-mãe
é capaz de leiloar pai e filho,
de rifar mãe, filha e mulher!,
por falar nisso,
você conhece alguém assim?!
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Indo e vindo (Grão de feijão preto retinto no breu e caído em chão escuro)
Grão de feijão no breu,
e grão de feijão preto,
e de feijão preto retinto,
e caído em chão escuro,
eu não minto
quando juro que não vejo
nem com vela ou lampejo,
e duvido que alguém veja,
mas,
apesar do negrume,
o queichume que ouço
me enseja
afirmar que a vaca
está indo pro brejo,
e não é privilégio dela
porque,
salvo erro
de um sujeito
calvo como eu,
já foi boi,
já foi novilho paca,
bezerro inda bem moço,
que não tem futuro
filho subnutrido
e sem colégio
e o jeito
é ir atrás do boi
que já foi atrás da vaca,
que maravilha!,
a família reunida
e a vida
curtindo no brejo,
indo e vindo
que esse direito
está garantido!,
mas,
o vai-e-vem é a pé
que o tutu da condução
com esse grão feito também é!
e grão de feijão preto,
e de feijão preto retinto,
e caído em chão escuro,
eu não minto
quando juro que não vejo
nem com vela ou lampejo,
e duvido que alguém veja,
mas,
apesar do negrume,
o queichume que ouço
me enseja
afirmar que a vaca
está indo pro brejo,
e não é privilégio dela
porque,
salvo erro
de um sujeito
calvo como eu,
já foi boi,
já foi novilho paca,
bezerro inda bem moço,
que não tem futuro
filho subnutrido
e sem colégio
e o jeito
é ir atrás do boi
que já foi atrás da vaca,
que maravilha!,
a família reunida
e a vida
curtindo no brejo,
indo e vindo
que esse direito
está garantido!,
mas,
o vai-e-vem é a pé
que o tutu da condução
com esse grão feito também é!
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Bicho, você pirou!
Bicho,
que tal
pegar meu Fusca,
dar um rolé por aí
e deixar as minas
na maior fissura?!,
vai ser legal!,
como é?!,
bicho,
acho que não ouvi...
isso é loucura?!,
é isso?!,
não vi a mudança
e a mudança
nem foi lá tão brusca?!,
deram sumiço nas minas?!,
não se dá mais rolé?!,
não dá pra zerar
o hodômetro do meu Fusca?!,
passou a vida?!,
é isso?!,
bicho,
você ficou louco?!,
quero um termômetro
pra medir tua temperatura...
faz pouco
comprei o Fusca
e comprei zero-quilômetro!,
zerinho!,
bicho,
você pirou!,
vou dar um rolé por aí
com meu Fusca
e vou deixar as minas
na maior fissura,
e vou sozinho
se você não quiser ir!,
vai ser o fino!
e vou ver até
corrida de submarino!
que tal
pegar meu Fusca,
dar um rolé por aí
e deixar as minas
na maior fissura?!,
vai ser legal!,
como é?!,
bicho,
acho que não ouvi...
isso é loucura?!,
é isso?!,
não vi a mudança
e a mudança
nem foi lá tão brusca?!,
deram sumiço nas minas?!,
não se dá mais rolé?!,
não dá pra zerar
o hodômetro do meu Fusca?!,
passou a vida?!,
é isso?!,
bicho,
você ficou louco?!,
quero um termômetro
pra medir tua temperatura...
faz pouco
comprei o Fusca
e comprei zero-quilômetro!,
zerinho!,
bicho,
você pirou!,
vou dar um rolé por aí
com meu Fusca
e vou deixar as minas
na maior fissura,
e vou sozinho
se você não quiser ir!,
vai ser o fino!
e vou ver até
corrida de submarino!
sexta-feira, janeiro 11, 2008
"Jogo feito!"
“Façam jogo!”,
“façam jogo!”,
é o forte refrão
que o crupiê repete
e repete até dizer:
“jogo feito!”,
e rola a roleta
e a bola solta,
então,
o jeito é torcer,
eta! sorte!,
eta! confusão
de preto e vermelho!,
mas,
volta a volta,
a confusão se desfaz,
uma cor vai vencer,
e grita o crupiê:
“deu vermelho!”,
“deu preto!”,
e o ganhador
se agita e festeja,
e o perdedor
sua sorte deplora,
faz jura e pragueja,
mas não se cura,
perder é do jogo!,
mas,
ganhar é também
e o jogador acredita,
tem fé,
mais hora, menos hora,
a dita vem
e vai bafejar sua jogada,
o jogador é o jogo
e do jogo só sai fora
quando pra jogar
não tem mais nada!
“façam jogo!”,
é o forte refrão
que o crupiê repete
e repete até dizer:
“jogo feito!”,
e rola a roleta
e a bola solta,
então,
o jeito é torcer,
eta! sorte!,
eta! confusão
de preto e vermelho!,
mas,
volta a volta,
a confusão se desfaz,
uma cor vai vencer,
e grita o crupiê:
“deu vermelho!”,
“deu preto!”,
e o ganhador
se agita e festeja,
e o perdedor
sua sorte deplora,
faz jura e pragueja,
mas não se cura,
perder é do jogo!,
mas,
ganhar é também
e o jogador acredita,
tem fé,
mais hora, menos hora,
a dita vem
e vai bafejar sua jogada,
o jogador é o jogo
e do jogo só sai fora
quando pra jogar
não tem mais nada!
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Coragem de não ter receio da saudade!
Um dia,
o impasse,
fiquei cara a cara
com a outra face,
foto 3x4
em preto e branco
que a três por dois
pegava, mostrava,
olhava e não via,
depois,
veio o terromoto,
e levei o tranco,
e tremeu o meu coreto,
e fiz aquele teatro,
e cheguei a pedir
um patético bis
e repeti a cena
cheio de pena de mim,
mas,
quando o final
em definitivo
decúbito dorsal
parecia a saída,
um motivo
súbito e hermético
foi iodo pra ferida!,
ardeu,
mas,
à canseira deu um fim!,
aí,
entre
realidade e identidade,
me decidi
pela foto da carteira
e consegui o passe!,
e a pose e a classe
de todo não perdi!,
agora,
a toda hora
na foto dou um close,
a três por dois
curto em 3x4 a mocidade,
e não creio mais nessa bobagem
de que é mais um surto de doideira,
é coragem!,
coragem de verdade!,
coragem de não ter receio da saudade!
o impasse,
fiquei cara a cara
com a outra face,
foto 3x4
em preto e branco
que a três por dois
pegava, mostrava,
olhava e não via,
depois,
veio o terromoto,
e levei o tranco,
e tremeu o meu coreto,
e fiz aquele teatro,
e cheguei a pedir
um patético bis
e repeti a cena
cheio de pena de mim,
mas,
quando o final
em definitivo
decúbito dorsal
parecia a saída,
um motivo
súbito e hermético
foi iodo pra ferida!,
ardeu,
mas,
à canseira deu um fim!,
aí,
entre
realidade e identidade,
me decidi
pela foto da carteira
e consegui o passe!,
e a pose e a classe
de todo não perdi!,
agora,
a toda hora
na foto dou um close,
a três por dois
curto em 3x4 a mocidade,
e não creio mais nessa bobagem
de que é mais um surto de doideira,
é coragem!,
coragem de verdade!,
coragem de não ter receio da saudade!
sexta-feira, janeiro 04, 2008
O amor veio numa taça!
Não há nada que me faça
desmanchar a mancha
da camisa de linho,
mancha do vinho
que caiu da sua taça,
não há nada!,
querida,
é lembrança
do dia mais feliz
da minha vida,
lembrança do dia
em que te conheci
e me senti um principiante
sem cancha nem currículo
diante de você,
um ridículo aprendiz
perdido no caminho da paixão
que bancava o romeu
e tentava chamar sua atenção,
mas,
o vinho caiu na camisa,
eu vi e você me viu,
consegui seu olhar e seu sorriso,
e senti sua mão me tocar
à guisa de pedido de perdão,
e nem era preciso,
o devaneio começou ali,
portanto,
querida,
nada faça,
deixe guardada
lá naquele canto
a camisa manchada,
ela vai testemunhar
a meu favor
quando eu falar:
o amor veio numa taça!
desmanchar a mancha
da camisa de linho,
mancha do vinho
que caiu da sua taça,
não há nada!,
querida,
é lembrança
do dia mais feliz
da minha vida,
lembrança do dia
em que te conheci
e me senti um principiante
sem cancha nem currículo
diante de você,
um ridículo aprendiz
perdido no caminho da paixão
que bancava o romeu
e tentava chamar sua atenção,
mas,
o vinho caiu na camisa,
eu vi e você me viu,
consegui seu olhar e seu sorriso,
e senti sua mão me tocar
à guisa de pedido de perdão,
e nem era preciso,
o devaneio começou ali,
portanto,
querida,
nada faça,
deixe guardada
lá naquele canto
a camisa manchada,
ela vai testemunhar
a meu favor
quando eu falar:
o amor veio numa taça!
quinta-feira, janeiro 03, 2008
O maior otário da praça (Qualquer semelhança é mera coincidência)
Você é convencido
e metido a malandro,
mas,
que malandro é esse,
meu irmão,
que já dançou
na mão de inocente
e de cliente de berçário
tomou volta?!,
vê-se
que você é otário
e me dá
uma revolta danada
ver um otário como você
sair por aí sem escolta,
um otário
que recebe barbada
e recebe várias,
e barbadas diárias,
mesmo
quando não há corrida,
e todas
do mesmo cara,
e pro mesmo páreo,
e joga em todas
feliz da vida,
e pede bis,
e se ferra,
e por aí não pára,
vai em frente,
xinga e berra
pra toda a gente
tomar ciência da mancada,
e, sem pausa,
se afoga na pinga malvada,
aí,
por causa
da ardência e do soluço,
ginga
tal qual o pinguço da piada,
pensa,
meu camarada,
ignorar é besteira,
qualquer otário menor te logra,
te passa pra trás,
você
é o maior otário da praça,
aliás,
otário
diplomado pela cunhada,
carteira assinada pela sogra
e atestado
passado pela mulher
com a bença dos teus pais!,
o que é que você quer mais?!
e metido a malandro,
mas,
que malandro é esse,
meu irmão,
que já dançou
na mão de inocente
e de cliente de berçário
tomou volta?!,
vê-se
que você é otário
e me dá
uma revolta danada
ver um otário como você
sair por aí sem escolta,
um otário
que recebe barbada
e recebe várias,
e barbadas diárias,
mesmo
quando não há corrida,
e todas
do mesmo cara,
e pro mesmo páreo,
e joga em todas
feliz da vida,
e pede bis,
e se ferra,
e por aí não pára,
vai em frente,
xinga e berra
pra toda a gente
tomar ciência da mancada,
e, sem pausa,
se afoga na pinga malvada,
aí,
por causa
da ardência e do soluço,
ginga
tal qual o pinguço da piada,
pensa,
meu camarada,
ignorar é besteira,
qualquer otário menor te logra,
te passa pra trás,
você
é o maior otário da praça,
aliás,
otário
diplomado pela cunhada,
carteira assinada pela sogra
e atestado
passado pela mulher
com a bença dos teus pais!,
o que é que você quer mais?!
quarta-feira, janeiro 02, 2008
Menina, eu juro!
Menina,
você nem imagina
o que sou capaz
de fazer por você,
danço qualquer dança,
danço a dança
que você quiser
e não me canso de dançar,
por você,
menina,
sou capaz
de perder o apego
por esquina e boemia,
de largar a folia
e de botar aliança no dedo,
sou capaz
de acordar cedo
pra dar nó na gravata,
me enfiar no paletó
e sair por aí
à cata de emprego,
por você,
menina,
lavo, passo, cozinho,
corto, alinhavo e costuro,
e suporto o programa
que você quiser ver na tevê,
e quietinho,
caladinho,
sem drama nem confusão,
enfim,
menina,
eu juro
me tornar seu escravo
e a mão
pode botar
no fogo por mim,
sendo assim,
pra que fazer jogo duro?!
você nem imagina
o que sou capaz
de fazer por você,
danço qualquer dança,
danço a dança
que você quiser
e não me canso de dançar,
por você,
menina,
sou capaz
de perder o apego
por esquina e boemia,
de largar a folia
e de botar aliança no dedo,
sou capaz
de acordar cedo
pra dar nó na gravata,
me enfiar no paletó
e sair por aí
à cata de emprego,
por você,
menina,
lavo, passo, cozinho,
corto, alinhavo e costuro,
e suporto o programa
que você quiser ver na tevê,
e quietinho,
caladinho,
sem drama nem confusão,
enfim,
menina,
eu juro
me tornar seu escravo
e a mão
pode botar
no fogo por mim,
sendo assim,
pra que fazer jogo duro?!
E de boa intenção o inferno está cheio!
Vamos lá,
vamos jogar
com nosso jogo de cintura
e tacar fogo nesse dia morno,
vamos botar o passo
no compasso da folia,
passar o cordão
em torno da cidade
e dar um laço
com a cor dessa raça
que sensualidade
e sabor tem de sobra
por obra e graça da mistura,
vamos lá,
vamos mostrar a quem
da missa não sabe a metade
a flor bela e mestiça
que brotou
na lapela do nosso tropical,
e brotou
de maneira bem natural,
e prescindiu de outras leis,
pra quem não sabe,
eis a explicação:
amor, gravidez e parto,
o mais é besteira ou coisa à-toa,
e, por favor,
de besteira e coisa à-toa
o Brasil já está farto!
vamos lá,
vamos acabar com a precisão,
mas,
meu amigo,
e lhe digo
com o mais fraterno respeito,
suspeito
que você não saiba
ou, caso saiba,
receio
que você não saiba bem:
a necessidade é incolor!
e a maldade é incolor também!,
e de boa intenção o inferno está cheio!
vamos jogar
com nosso jogo de cintura
e tacar fogo nesse dia morno,
vamos botar o passo
no compasso da folia,
passar o cordão
em torno da cidade
e dar um laço
com a cor dessa raça
que sensualidade
e sabor tem de sobra
por obra e graça da mistura,
vamos lá,
vamos mostrar a quem
da missa não sabe a metade
a flor bela e mestiça
que brotou
na lapela do nosso tropical,
e brotou
de maneira bem natural,
e prescindiu de outras leis,
pra quem não sabe,
eis a explicação:
amor, gravidez e parto,
o mais é besteira ou coisa à-toa,
e, por favor,
de besteira e coisa à-toa
o Brasil já está farto!
vamos lá,
vamos acabar com a precisão,
mas,
meu amigo,
e lhe digo
com o mais fraterno respeito,
suspeito
que você não saiba
ou, caso saiba,
receio
que você não saiba bem:
a necessidade é incolor!
e a maldade é incolor também!,
e de boa intenção o inferno está cheio!
terça-feira, dezembro 18, 2007
A força do sonho
Não há força
que se oponha
à força do sonho
de quem tem fé
no sonho que sonha
e não desiste do sonho
e no sonho insiste sem trégua,
e traça o sonho
sem régua e compasso,
e do tempo se deslaça
e do chão tira o pé
e pelo espaço flutua
quando sonha,
mas,
transpira
em tempo integral
pra botar o sonho na rua,
e mais ainda sonha
quando cai na real
e sonha desperto
pra não deixar
de sonhar o sonho
sequer um instante
e, esteja onde estiver,
o sonho sonha,
esteja já perto
de realizar o sonho
ou ainda bem distante,
não há força que se oponha
à força de quem sonha
certo que o importante
é continuar sonhando o sonho!,
“quem não sabe sonhar
sonha, acorda contrariado
e se amua
porque acordou do sonho,
quem sabe sonhar
sonha, acorda,
ao sonho dá corda
e vai sonhando acordado,
e transpirando
pra botar o sonho na rua!”
que se oponha
à força do sonho
de quem tem fé
no sonho que sonha
e não desiste do sonho
e no sonho insiste sem trégua,
e traça o sonho
sem régua e compasso,
e do tempo se deslaça
e do chão tira o pé
e pelo espaço flutua
quando sonha,
mas,
transpira
em tempo integral
pra botar o sonho na rua,
e mais ainda sonha
quando cai na real
e sonha desperto
pra não deixar
de sonhar o sonho
sequer um instante
e, esteja onde estiver,
o sonho sonha,
esteja já perto
de realizar o sonho
ou ainda bem distante,
não há força que se oponha
à força de quem sonha
certo que o importante
é continuar sonhando o sonho!,
“quem não sabe sonhar
sonha, acorda contrariado
e se amua
porque acordou do sonho,
quem sabe sonhar
sonha, acorda,
ao sonho dá corda
e vai sonhando acordado,
e transpirando
pra botar o sonho na rua!”
quinta-feira, dezembro 13, 2007
Não dá não!
Sem festa
não presta a vida,
não dá pra viver
só batalhando,
disputando bola dividida
pra marcar mais um tento
e ganhar mais um vintém,
e o adversário violento
entrando de sola,
não dá pra viver
de olho no horário,
traçando pê-efe de corrida
e brigando com o molho
ao fazer a digestão,
e a ferrugem aumentando,
e, de lambujem,
na sua cola andando alguém:
chefe, patrão, patroa;
numa boa,
não dá não,
não dá pra viver desse jeito,
imerso na pressa,
nessa lufa-lufa
que da poesia é o inverso,
e só dando nó em pingo d’água
e lamentando:
carestia, corrupção, efeito estufa;
de quando em quando,
é necessário
deixar de ser otário,
esquecer choramingo e mágoa
e tomar um porre de folia e parati
porque,
mais dia, menos dia,
toda gente morre
e tudo fica ou não fica por aí?!,
mas,
que se exploda essa questão
que essa questão é pra quem fica!
não presta a vida,
não dá pra viver
só batalhando,
disputando bola dividida
pra marcar mais um tento
e ganhar mais um vintém,
e o adversário violento
entrando de sola,
não dá pra viver
de olho no horário,
traçando pê-efe de corrida
e brigando com o molho
ao fazer a digestão,
e a ferrugem aumentando,
e, de lambujem,
na sua cola andando alguém:
chefe, patrão, patroa;
numa boa,
não dá não,
não dá pra viver desse jeito,
imerso na pressa,
nessa lufa-lufa
que da poesia é o inverso,
e só dando nó em pingo d’água
e lamentando:
carestia, corrupção, efeito estufa;
de quando em quando,
é necessário
deixar de ser otário,
esquecer choramingo e mágoa
e tomar um porre de folia e parati
porque,
mais dia, menos dia,
toda gente morre
e tudo fica ou não fica por aí?!,
mas,
que se exploda essa questão
que essa questão é pra quem fica!
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Galho de arruda
Não caia na esparrela
de pelo ouvido pegar barriga
dando trela a intriga e ruído,
se deixando levar
por atoarda e balela,
o mundo não vai acabar
em razão de um zunzunzum,
também,
de imediato,
não se descontraia
nem se distraia da guarda,
acredite
no fundo de verdade
que todo boato tem,
mudando o enfoque,
se, por um lado,
a criatividade do povão
não tem limite
e sua língua
é do tamanho de um bonde,
e de um bonde com reboque,
por outro lado,
a vontade da malta
de explorar o rebanho
não míngua,
está sempre em alta,
e a malta
pode espalhar falaço e fazer fuxico,
por conseguinte,
não se louve em rumorejo,
mexerico ou boquejo
pra não acreditar em mentira,
mas,
seja bom ouvinte
e confira tudo que ouve
se um calço não quiser levar,
se quiser evitar embaraço e percalço,
agora,
se ficar divido,
sem saber o que fazer
e precisar muito de ajuda,
faça o que eu faço,
na hora faço um trabalho
e passo a usar patuás
e, atrás do ouvido,
galho de arruda!
de pelo ouvido pegar barriga
dando trela a intriga e ruído,
se deixando levar
por atoarda e balela,
o mundo não vai acabar
em razão de um zunzunzum,
também,
de imediato,
não se descontraia
nem se distraia da guarda,
acredite
no fundo de verdade
que todo boato tem,
mudando o enfoque,
se, por um lado,
a criatividade do povão
não tem limite
e sua língua
é do tamanho de um bonde,
e de um bonde com reboque,
por outro lado,
a vontade da malta
de explorar o rebanho
não míngua,
está sempre em alta,
e a malta
pode espalhar falaço e fazer fuxico,
por conseguinte,
não se louve em rumorejo,
mexerico ou boquejo
pra não acreditar em mentira,
mas,
seja bom ouvinte
e confira tudo que ouve
se um calço não quiser levar,
se quiser evitar embaraço e percalço,
agora,
se ficar divido,
sem saber o que fazer
e precisar muito de ajuda,
faça o que eu faço,
na hora faço um trabalho
e passo a usar patuás
e, atrás do ouvido,
galho de arruda!
sexta-feira, novembro 30, 2007
Ditado infeliz
Você cai no meu caminho,
me diz esse ditado infeliz
- “filho de peixe é peixinho”-,
e não quer
que eu fique zangado
nem quer que eu me queixe?!,
ora!,
deixe de moda conosco,
e deixe agora!,
senão
vai ter noção
da minha mágoa
e do poder da minha mão,
é imensa a diferença
entre mim e meu pai,
é da água pro vinho!,
sou fosco e chinfrim
e meu pai
tinha arte, tinha viço, tinha brilho,
fazia parte da nata,
se vestia como um lorde
e era cobra no cavaquinho,
cada acorde
era obra de um virtuose
e o rastilho
que fazia a mulata explodir,
por isso,
era o bamba do morro
e o rei da roda de samba,
e você há de convir
que só tenho pose,
que de fome não morro
porque do meu pai
herdei o nome,
por conseguinte,
acate o que lhe digo,
rapaz:
pinte e borde comigo,
eu não ligo,
mas,
trate de respeitar meu pai,
trate de deixar meu pai em paz,
se não deixar,
eu brigo!
me diz esse ditado infeliz
- “filho de peixe é peixinho”-,
e não quer
que eu fique zangado
nem quer que eu me queixe?!,
ora!,
deixe de moda conosco,
e deixe agora!,
senão
vai ter noção
da minha mágoa
e do poder da minha mão,
é imensa a diferença
entre mim e meu pai,
é da água pro vinho!,
sou fosco e chinfrim
e meu pai
tinha arte, tinha viço, tinha brilho,
fazia parte da nata,
se vestia como um lorde
e era cobra no cavaquinho,
cada acorde
era obra de um virtuose
e o rastilho
que fazia a mulata explodir,
por isso,
era o bamba do morro
e o rei da roda de samba,
e você há de convir
que só tenho pose,
que de fome não morro
porque do meu pai
herdei o nome,
por conseguinte,
acate o que lhe digo,
rapaz:
pinte e borde comigo,
eu não ligo,
mas,
trate de respeitar meu pai,
trate de deixar meu pai em paz,
se não deixar,
eu brigo!
segunda-feira, novembro 26, 2007
Poema natural
Sou carioca da gema
e fã desse Rio,
pelo visto,
um poema do Cristo Redentor,
sou fã desse Rio
que brinda a gente
com o calor da rima
que toma a nossa rua,
que prima
por ser um misto
de manhã sorridente
e luar de Lua linda,
e de Norte a Sul,
sou fã desse Rio
com aroma
de mar e montanha,
desse Rio que apanha
e não se queixa,
que enfeixa sua energia
pra encarar ventania e naufrágio,
e, ágil como só ele sabe ser,
logo, logo desdá o nó,
e nunca deixa de dizer
que está tudo azul,
e cruza os dedos pra dar sorte,
sou fã desse Rio
que não se desespera,
que supera seus medos
com brio e fé variada
e se recusa a ter paúra
até mergulhado
na madrugada mais escura,
sou fã desse Rio
que está sempre disposto
a dar guarida ao forasteiro,
desse Rio
que festeja a vida
com tira-gosto e cerveja
do Anil à Ipanema,
do Leblon a Bento Ribeiro,
me ufano mil por cento
de ser carioca da gema
e fã desse poema natural
chamado Rio de Janeiro
que o ano inteiro
inspira bom astral
e vira carnaval em fevereiro!
e fã desse Rio,
pelo visto,
um poema do Cristo Redentor,
sou fã desse Rio
que brinda a gente
com o calor da rima
que toma a nossa rua,
que prima
por ser um misto
de manhã sorridente
e luar de Lua linda,
e de Norte a Sul,
sou fã desse Rio
com aroma
de mar e montanha,
desse Rio que apanha
e não se queixa,
que enfeixa sua energia
pra encarar ventania e naufrágio,
e, ágil como só ele sabe ser,
logo, logo desdá o nó,
e nunca deixa de dizer
que está tudo azul,
e cruza os dedos pra dar sorte,
sou fã desse Rio
que não se desespera,
que supera seus medos
com brio e fé variada
e se recusa a ter paúra
até mergulhado
na madrugada mais escura,
sou fã desse Rio
que está sempre disposto
a dar guarida ao forasteiro,
desse Rio
que festeja a vida
com tira-gosto e cerveja
do Anil à Ipanema,
do Leblon a Bento Ribeiro,
me ufano mil por cento
de ser carioca da gema
e fã desse poema natural
chamado Rio de Janeiro
que o ano inteiro
inspira bom astral
e vira carnaval em fevereiro!
quarta-feira, novembro 21, 2007
Vamos lá, aposentado
Não se queixe
nem fique amuado,
vamos lá,
aposentado,
finte o cuco,
não deixe que pinte e borde
como se fosse o dono da manhã,
só acorde quando o sono acabar!,
aí,
capriche no sanduíche
com um bom suco
temperado com hortelã,
se gostar de café,
tome um golinho,
a seguir,
vista calça de linho,
camisa de malha
e sandália de couro,
e não esqueça
o panamá de boa palha
pra formosear a cabeça,
e saia por aí a pé e à toa,
sem escolher logradouro,
aliás,
sua senhora vai adorar
ficar livre de você,
e vá apreciar a natureza,
a ginga e a beleza da mulher
se ainda tiver
prazer de apreciar,
o que mais você quer?!,
quando cansar,
tome uma pinga,
quando tiver fome,
é hora de voltar ao lar!
nem fique amuado,
vamos lá,
aposentado,
finte o cuco,
não deixe que pinte e borde
como se fosse o dono da manhã,
só acorde quando o sono acabar!,
aí,
capriche no sanduíche
com um bom suco
temperado com hortelã,
se gostar de café,
tome um golinho,
a seguir,
vista calça de linho,
camisa de malha
e sandália de couro,
e não esqueça
o panamá de boa palha
pra formosear a cabeça,
e saia por aí a pé e à toa,
sem escolher logradouro,
aliás,
sua senhora vai adorar
ficar livre de você,
e vá apreciar a natureza,
a ginga e a beleza da mulher
se ainda tiver
prazer de apreciar,
o que mais você quer?!,
quando cansar,
tome uma pinga,
quando tiver fome,
é hora de voltar ao lar!
quinta-feira, novembro 08, 2007
Que meu filho não saia aos seus
Morro de medo
desse arremedo de homem,
um desses
que comem por capricho,
por comer,
esse bicho-homem me cutuca
e me obriga a querer
quando quer ter prazer,
e de dia,
e de madrugada,
e nem sequer me caricia,
e me fere e machuca,
e se satisfaz assim,
e me pretere,
não liga mais pra mim
assim que se satisfaz,
morro de pavor
desse macho de nada
que me faz de capacho
e não me poupa,
me faz levantar mais cedo
pra preparar seu café,
me faz lavar
e passar sua roupa,
me faz cuidar do almoço
e quer seu jantar pronto
e posto na mesa
quando da rua vem tonto
e com cheiro e gosto de mulher,
morro de horror
desse homem micho,
useiro e vezeiro em magoar,
desse bicho-homem
que me acua e faz ser
esse poço de tristeza,
e choro sem dizer um ai,
mas,
com os olhos vermelhos
e de joelhos,
eu imploro:
“miserere,
que meu filho degenere
e não saia aos seus,
não saia a mim
nem ao seu pai,
miserere,
que meu filho degenere
e não saia aos seus,
não saia a mim
nem ao seu pai.”
desse arremedo de homem,
um desses
que comem por capricho,
por comer,
esse bicho-homem me cutuca
e me obriga a querer
quando quer ter prazer,
e de dia,
e de madrugada,
e nem sequer me caricia,
e me fere e machuca,
e se satisfaz assim,
e me pretere,
não liga mais pra mim
assim que se satisfaz,
morro de pavor
desse macho de nada
que me faz de capacho
e não me poupa,
me faz levantar mais cedo
pra preparar seu café,
me faz lavar
e passar sua roupa,
me faz cuidar do almoço
e quer seu jantar pronto
e posto na mesa
quando da rua vem tonto
e com cheiro e gosto de mulher,
morro de horror
desse homem micho,
useiro e vezeiro em magoar,
desse bicho-homem
que me acua e faz ser
esse poço de tristeza,
e choro sem dizer um ai,
mas,
com os olhos vermelhos
e de joelhos,
eu imploro:
“miserere,
que meu filho degenere
e não saia aos seus,
não saia a mim
nem ao seu pai,
miserere,
que meu filho degenere
e não saia aos seus,
não saia a mim
nem ao seu pai.”
quinta-feira, novembro 01, 2007
Ela tem um quê
Ela mexe,
remexe
e sabe dizer no pé,
enfim,
ela samba como quê,
bem,
até aí,
não tem nada demais,
que, por aqui,
muita mulher samba assim,
mas,
ela tem um quê que ninguém,
ninguém sabe dizer o que é,
sabe-se só
que esse quê faz o samba
ficar em ponto de bala,
embala, empolga
e faz ficar tonto do aprendiz
ao bamba mais graduado,
sabe-se só
que não há sambista
que fique parado
e calado no canto,
que não fique rouco
de tanto pedir bis,
e que o mestre-sala
dá de se exibir na pista
como um louco
e sem pausa nem folga,
e não há um,
um só
que a porta-bandeira
quase morta
não defenestre
por causa do frenesi,
sabe-se só
que dá o tantã
de mandar no batuqueiro
e que seu Cavaquinho,
sempre tão sobranceiro,
dá de gritar:
“faze de mim teu bandolim,
faze de mim teu bandolim!”,
e o samba vai assim
até que ela pressente
que vai raiar a manhã
e sai fora de mansinho,
aí,
a gente chora,
e chora em coro,
e chora um choro
que não tem mais fim!
remexe
e sabe dizer no pé,
enfim,
ela samba como quê,
bem,
até aí,
não tem nada demais,
que, por aqui,
muita mulher samba assim,
mas,
ela tem um quê que ninguém,
ninguém sabe dizer o que é,
sabe-se só
que esse quê faz o samba
ficar em ponto de bala,
embala, empolga
e faz ficar tonto do aprendiz
ao bamba mais graduado,
sabe-se só
que não há sambista
que fique parado
e calado no canto,
que não fique rouco
de tanto pedir bis,
e que o mestre-sala
dá de se exibir na pista
como um louco
e sem pausa nem folga,
e não há um,
um só
que a porta-bandeira
quase morta
não defenestre
por causa do frenesi,
sabe-se só
que dá o tantã
de mandar no batuqueiro
e que seu Cavaquinho,
sempre tão sobranceiro,
dá de gritar:
“faze de mim teu bandolim,
faze de mim teu bandolim!”,
e o samba vai assim
até que ela pressente
que vai raiar a manhã
e sai fora de mansinho,
aí,
a gente chora,
e chora em coro,
e chora um choro
que não tem mais fim!
quarta-feira, outubro 31, 2007
Não perde a pose
É o fim,
mas,
não perde a pose
quando a Dora,
assim que o fita,
se irrita e lhe dá um fora
nem quando Anita
dá com a porta
bem na sua cara,
não perde a pose
quando é apanhado
passando a mão na Sara
e um dobrado corta
pra sair da confusão,
não perde a pose
quando é flagrado
com a boca na botija
e fica sem ir e vir,
e vem sua foto
em todos os jornais,
não perde a pose
quando mija pra trás
ao quebrar um voto
ou mija fora do penico
e todo mijado
na mesma hora paga mico,
não perde a pose
quando abusa da calibrina,
se embriaga e dá vexame
nem quando dopado
joga a partida
e acusa o exame de urina
a droga proíbida,
não perde a pose
quando faz murmúrio,
em perjúrio é pego
ou vem à tona
romance espúrio
com alguma dona,
nem quando,
no mesmo lance,
aliança
e esperança da Rose
põe no prego!
mas,
não perde a pose
quando a Dora,
assim que o fita,
se irrita e lhe dá um fora
nem quando Anita
dá com a porta
bem na sua cara,
não perde a pose
quando é apanhado
passando a mão na Sara
e um dobrado corta
pra sair da confusão,
não perde a pose
quando é flagrado
com a boca na botija
e fica sem ir e vir,
e vem sua foto
em todos os jornais,
não perde a pose
quando mija pra trás
ao quebrar um voto
ou mija fora do penico
e todo mijado
na mesma hora paga mico,
não perde a pose
quando abusa da calibrina,
se embriaga e dá vexame
nem quando dopado
joga a partida
e acusa o exame de urina
a droga proíbida,
não perde a pose
quando faz murmúrio,
em perjúrio é pego
ou vem à tona
romance espúrio
com alguma dona,
nem quando,
no mesmo lance,
aliança
e esperança da Rose
põe no prego!
segunda-feira, outubro 01, 2007
É... Perna
Num ai,
mais um vintém se vai
e vintém meu,
e eu
nem sei quem o subtrai,
apesar de ficar fulo,
engulo mais sapo,
papo furado,
babado chinfrim,
lengalengas, debates, embates,
pendengas longas demais,
mas,
no fim,
xongas,
e os songamongas
vão se dando bem,
é... Perna,
é uma terna lembrança
quando lembro teu bordão
ecoando em dezembro
pela Visconde de Abaeté
onde se fazia ceia de Natal
e com comida
a dar com um pau:
“quem tem põe,
quem não tem tira”,
e deitava e rolava o zé!,
e não havia nem avança!,
mas,
você se foi,
a vida
foi ficando mais feia
e cada malandrim que surge
vai aumentando a baderna
e abalando o refrão
que já está assim:
“quem tem não põe,
tira de quem não tem”,
portanto,
urge pedir ajuda aí no paraíso,
é preciso,
Perna,
peça que nos acuda
algum santo ou querubim!
mais um vintém se vai
e vintém meu,
e eu
nem sei quem o subtrai,
apesar de ficar fulo,
engulo mais sapo,
papo furado,
babado chinfrim,
lengalengas, debates, embates,
pendengas longas demais,
mas,
no fim,
xongas,
e os songamongas
vão se dando bem,
é... Perna,
é uma terna lembrança
quando lembro teu bordão
ecoando em dezembro
pela Visconde de Abaeté
onde se fazia ceia de Natal
e com comida
a dar com um pau:
“quem tem põe,
quem não tem tira”,
e deitava e rolava o zé!,
e não havia nem avança!,
mas,
você se foi,
a vida
foi ficando mais feia
e cada malandrim que surge
vai aumentando a baderna
e abalando o refrão
que já está assim:
“quem tem não põe,
tira de quem não tem”,
portanto,
urge pedir ajuda aí no paraíso,
é preciso,
Perna,
peça que nos acuda
algum santo ou querubim!
segunda-feira, setembro 24, 2007
"Miserere"
Pra miséria tão séria,
tão miserável miserê,
só se vê uma saída,
pilhéria
e mais pilhéria,
pilhéria até fazer
o miserável explodir
e morrer de rir,
miseriae finis in morte,
morte salvatéria,
enfim,
com o fim da vida,
motivo
vai ter o presunto
pra sorrir em definitivo,
apesar de não ser
politicamente correto
falar em presunto
quando o assunto
é gente e miséria,
entretanto,
como ninguém
tem poder de veto,
vou falando
e imprecando também,
miserere mei,
miserere nobis,
os pobres,
miserere,
Agnus Dei,
e mais,
vou protestando,
em matéria de léria
e de gente que se faz
com a miséria da gente,
a gente também
não fica atrás de ninguém,
aliás,
a gente fica bem na frente!
tão miserável miserê,
só se vê uma saída,
pilhéria
e mais pilhéria,
pilhéria até fazer
o miserável explodir
e morrer de rir,
miseriae finis in morte,
morte salvatéria,
enfim,
com o fim da vida,
motivo
vai ter o presunto
pra sorrir em definitivo,
apesar de não ser
politicamente correto
falar em presunto
quando o assunto
é gente e miséria,
entretanto,
como ninguém
tem poder de veto,
vou falando
e imprecando também,
miserere mei,
miserere nobis,
os pobres,
miserere,
Agnus Dei,
e mais,
vou protestando,
em matéria de léria
e de gente que se faz
com a miséria da gente,
a gente também
não fica atrás de ninguém,
aliás,
a gente fica bem na frente!
quinta-feira, setembro 20, 2007
A janela
Nada sei dessa janela,
absolutamente nada,
nem sei se é real ou não,
nunca sei extamente
se está aberta ou fechada,
e se bem ou se mal,
nem se tudo ou nada revela,
não sei nem
se, como toda janela,
tem vidro,
aduela, adufa, tramela,
armela, batente,
nem sei se tem
cremona ou ferrolho,
na verdade,
nem sei se é tela ou foto,
contudo,
boto o olho nela
que a curiosidade
sempre disperta em mim,
é assim,
não sei nada dessa janela,
absolutamente nada,
não sei nem se é real ou não,
nunca sei extamente
se está aberta ou fechada,
e se bem ou se mal,
se tudo ou nada revela,
não sei nem
se, como toda janela,
tem vidro,
aduela, adufa, tramela,
armela, batente,
nem sei se tem
cremona ou ferrolho,
não sei nem se tem cor,
e se tem,
não sei se é branca, amarela
ou se tem
outra cor qualquer,
francamente,
não sei quando é franca,
quando banca a sincera,
mas mente e faz trapaça,
nem quando não é mais
do que mera devassa,
aliás,
não sei nada dessa janela,
não sei nem
se é uma vera janela
ou se de uma quimera não passa!
absolutamente nada,
nem sei se é real ou não,
nunca sei extamente
se está aberta ou fechada,
e se bem ou se mal,
nem se tudo ou nada revela,
não sei nem
se, como toda janela,
tem vidro,
aduela, adufa, tramela,
armela, batente,
nem sei se tem
cremona ou ferrolho,
na verdade,
nem sei se é tela ou foto,
contudo,
boto o olho nela
que a curiosidade
sempre disperta em mim,
é assim,
não sei nada dessa janela,
absolutamente nada,
não sei nem se é real ou não,
nunca sei extamente
se está aberta ou fechada,
e se bem ou se mal,
se tudo ou nada revela,
não sei nem
se, como toda janela,
tem vidro,
aduela, adufa, tramela,
armela, batente,
nem sei se tem
cremona ou ferrolho,
não sei nem se tem cor,
e se tem,
não sei se é branca, amarela
ou se tem
outra cor qualquer,
francamente,
não sei quando é franca,
quando banca a sincera,
mas mente e faz trapaça,
nem quando não é mais
do que mera devassa,
aliás,
não sei nada dessa janela,
não sei nem
se é uma vera janela
ou se de uma quimera não passa!
quinta-feira, setembro 13, 2007
Vamos lá, porra!
Vamos lá, porra!,
vamos deixar de ser otários
e marginalizar de vez
esses vagabundos
que mundos e fundos
surrupiam dos erários!,
vamos lá, porra!,
vamos deixar de ser trouxas
e cobrar explicações
de administrações frouxas
que não evitam a ladroagem
e incitam com a frouxura
a caradura da cachorrada,
vamos lá, porra!,
vamos deixar de ser
manada de cordeiros,
ordeiros carneirinhos
que percorrem os caminhos
que quer a bandidagem
que percorra a carneirada,
vamos lá, porra!,
vamos ter gana,
astúcia, coragem,
vamos marginalizar de vez
essa súcia
que faz uma zorra danada
com nosso dinheiro!,
vamos lá, porra!,
a hora é agora,
chega de bater na trave,
vamos dar o nosso jeitinho,
o jeitinho brasileiro,
e vamos de vez
botar em cana essa cambada,
e jogar fora a chave do xadrez!
vamos deixar de ser otários
e marginalizar de vez
esses vagabundos
que mundos e fundos
surrupiam dos erários!,
vamos lá, porra!,
vamos deixar de ser trouxas
e cobrar explicações
de administrações frouxas
que não evitam a ladroagem
e incitam com a frouxura
a caradura da cachorrada,
vamos lá, porra!,
vamos deixar de ser
manada de cordeiros,
ordeiros carneirinhos
que percorrem os caminhos
que quer a bandidagem
que percorra a carneirada,
vamos lá, porra!,
vamos ter gana,
astúcia, coragem,
vamos marginalizar de vez
essa súcia
que faz uma zorra danada
com nosso dinheiro!,
vamos lá, porra!,
a hora é agora,
chega de bater na trave,
vamos dar o nosso jeitinho,
o jeitinho brasileiro,
e vamos de vez
botar em cana essa cambada,
e jogar fora a chave do xadrez!
quarta-feira, setembro 12, 2007
Liberdade
Não é mote ou refrão
pra ser cantado
ao pé do ouvido,
tem que ser grito
gritado com fé,
gritado sem temor
em louvor à liberdade,
e um grito bem louco
pra ser ouvido
até por ouvido mouco:
“não ao chicote e ao grilhão!,
que a liberdade vença,
e vença aqui e agora,
e que a liberdade
a toda a gente
pertença por igual!”,
liberdade
quer chova, quer faça sol,
seja qual for a crença,
seja qual for a opinião,
liberdade
pra que libertamente
toda a gente
se mova e comova,
e de cor, raça e pendor
se promova independentemente,
“que a liberdade vença
o chicote e o grilhão,
vença aqui e agora,
e que liberdade
a toda a gente
pertença por igual!”
pra ser cantado
ao pé do ouvido,
tem que ser grito
gritado com fé,
gritado sem temor
em louvor à liberdade,
e um grito bem louco
pra ser ouvido
até por ouvido mouco:
“não ao chicote e ao grilhão!,
que a liberdade vença,
e vença aqui e agora,
e que a liberdade
a toda a gente
pertença por igual!”,
liberdade
quer chova, quer faça sol,
seja qual for a crença,
seja qual for a opinião,
liberdade
pra que libertamente
toda a gente
se mova e comova,
e de cor, raça e pendor
se promova independentemente,
“que a liberdade vença
o chicote e o grilhão,
vença aqui e agora,
e que liberdade
a toda a gente
pertença por igual!”
sábado, setembro 08, 2007
Vou pra esbórnia!
Faça drama,
mulher,
faça sim,
faça o que quiser,
entretanto,
se houver pranto,
vá chorar na cama
que a cama é lugar quente,
e lhe adianto
que não vai adiantar,
pra mim,
vai ser indiferente,
vou botar loção e panamá
e vou pra esbórnia!,
pra esbórnia!,
mulher!,
e vou esborniar
até mais não poder!,
vou beber e vou comer
sem querer saber da digestão,
assim que a canção pintar,
vou pegar uma sirigaita
e nós dois
vamos tomar conta do salão,
quando a sirigaita
estiver tonta e quase louca,
com a boca em seu ouvido,
vou fazer a sugestão,
e duvido que a pequena
se atreva a dizer não,
depois,
aquele touro
repleto de libido
vai entrar na arena
e o couro vai comer!
e a pequena
vai tremer na base
e me aplaudir de pé,
e nem vai precisar
pedir bis
que vou bisar direto,
e vou acordar
feliz com meu sonho,
e vou comer no café
aquele sonho
que pra você eu fiz!
mulher,
faça sim,
faça o que quiser,
entretanto,
se houver pranto,
vá chorar na cama
que a cama é lugar quente,
e lhe adianto
que não vai adiantar,
pra mim,
vai ser indiferente,
vou botar loção e panamá
e vou pra esbórnia!,
pra esbórnia!,
mulher!,
e vou esborniar
até mais não poder!,
vou beber e vou comer
sem querer saber da digestão,
assim que a canção pintar,
vou pegar uma sirigaita
e nós dois
vamos tomar conta do salão,
quando a sirigaita
estiver tonta e quase louca,
com a boca em seu ouvido,
vou fazer a sugestão,
e duvido que a pequena
se atreva a dizer não,
depois,
aquele touro
repleto de libido
vai entrar na arena
e o couro vai comer!
e a pequena
vai tremer na base
e me aplaudir de pé,
e nem vai precisar
pedir bis
que vou bisar direto,
e vou acordar
feliz com meu sonho,
e vou comer no café
aquele sonho
que pra você eu fiz!
terça-feira, setembro 04, 2007
Berra, cabrito, berra!
Berra,
cabrito,
berra a rodo
teu bendito berro,
berra um berro bom
e bem berrado
que é engodo
pra te enganar
o dito popular,
cabrito que não berra
é burro
e burro é bom
só pra quem
dele não tem dó
e nele está montado,
vamos lá,
cabrito,
guerra é guerra,
dá teu berro na marra,
tu não és de ferro
e não tens que suportar
tanta farra com teu couro,
vamos lá,
cabrito,
amarra o bode e berra,
teu tesouro é teu berro
e pode ser de ouro,
berra,
cabrito,
berra!,
e berra agora,
senão,
tua hora vai embora
e teu berro vai ser vão!
cabrito,
berra a rodo
teu bendito berro,
berra um berro bom
e bem berrado
que é engodo
pra te enganar
o dito popular,
cabrito que não berra
é burro
e burro é bom
só pra quem
dele não tem dó
e nele está montado,
vamos lá,
cabrito,
guerra é guerra,
dá teu berro na marra,
tu não és de ferro
e não tens que suportar
tanta farra com teu couro,
vamos lá,
cabrito,
amarra o bode e berra,
teu tesouro é teu berro
e pode ser de ouro,
berra,
cabrito,
berra!,
e berra agora,
senão,
tua hora vai embora
e teu berro vai ser vão!
segunda-feira, agosto 20, 2007
Por falar em puxar a brasa para a minha sardinha
Se há ensejo,
para a minha sardinha
puxo a brasa
de quando em quando,
quem não puxa?!,
e não vejo nada demais
nessa puxadinha!,
mas,
puxo sem esquecer
que não é só minha a brasa,
sem esquecer
que minha sardinha
não está sozinha nesse mar,
e nem fale pra mim
que dá no mesmo
que no mesmo não dá não,
quando se puxa assim,
o puxar é diferente
e a puxada
é muito bem cuidada,
que a gente
não puxa a esmo,
que agente
puxa sem exagerar,
e até a puxadinha pára
quando a gente sente
que tem
uma sardinha de nada
quando comparada
com a sardinha de outro cara.
para a minha sardinha
puxo a brasa
de quando em quando,
quem não puxa?!,
e não vejo nada demais
nessa puxadinha!,
mas,
puxo sem esquecer
que não é só minha a brasa,
sem esquecer
que minha sardinha
não está sozinha nesse mar,
e nem fale pra mim
que dá no mesmo
que no mesmo não dá não,
quando se puxa assim,
o puxar é diferente
e a puxada
é muito bem cuidada,
que a gente
não puxa a esmo,
que agente
puxa sem exagerar,
e até a puxadinha pára
quando a gente sente
que tem
uma sardinha de nada
quando comparada
com a sardinha de outro cara.
terça-feira, agosto 14, 2007
Ela é aquela
Quando
se vê atraída por alguém,
ela pira e vai à vida
sem cautela nem medo,
e nem tira
a aliança do dedo,
e não se cansa
nem se aquieta
enquanto
sua meta não alcança,
ela é aquela
que não respeita limite
e que convite não enfeita,
é direta,
e não aceita um não,
depois que laça,
abraça, beija,
deseja e se entrega,
e bisa a peleja,
pois,
pra ela,
não tem baliza a refrega,
e ela não nega
que não se tolhe,
que não escolhe
hora e lugar
pra ter e dar prazer,
sei bem como ela é
e até brigo comigo,
juro
e rejuro pra mim
a todo instante
que vou embora
assim que puder,
assim
que puder viver
distante dessa mulher!
se vê atraída por alguém,
ela pira e vai à vida
sem cautela nem medo,
e nem tira
a aliança do dedo,
e não se cansa
nem se aquieta
enquanto
sua meta não alcança,
ela é aquela
que não respeita limite
e que convite não enfeita,
é direta,
e não aceita um não,
depois que laça,
abraça, beija,
deseja e se entrega,
e bisa a peleja,
pois,
pra ela,
não tem baliza a refrega,
e ela não nega
que não se tolhe,
que não escolhe
hora e lugar
pra ter e dar prazer,
sei bem como ela é
e até brigo comigo,
juro
e rejuro pra mim
a todo instante
que vou embora
assim que puder,
assim
que puder viver
distante dessa mulher!
segunda-feira, julho 23, 2007
A loucura dessa louca pega
Um parafuso a menos,
pelo menos um,
tem essa louca,
quando a gente
vem de samba,
ela descamba
e abusa do bolero,
mantém
lero-lero confuso
frente ao espelho,
sai sem pintura
e lambuza a boca
com batom vermelho
quando vai dormir,
se há razão pra rir,
ela chora,
e vice-versa,
se é hora de prosa,
ela versa
sem métrica nem rima,
e, ainda por cima,
sua falação é tétrica,
um nó só!,
por fim,
vê a coisa cor-de-rosa
quando a coisa tá preta
e a louca fica elétrica,
vá por mim,
não se meta
com essa criatura
que a loucura dela pega,
e como pega!
pelo menos um,
tem essa louca,
quando a gente
vem de samba,
ela descamba
e abusa do bolero,
mantém
lero-lero confuso
frente ao espelho,
sai sem pintura
e lambuza a boca
com batom vermelho
quando vai dormir,
se há razão pra rir,
ela chora,
e vice-versa,
se é hora de prosa,
ela versa
sem métrica nem rima,
e, ainda por cima,
sua falação é tétrica,
um nó só!,
por fim,
vê a coisa cor-de-rosa
quando a coisa tá preta
e a louca fica elétrica,
vá por mim,
não se meta
com essa criatura
que a loucura dela pega,
e como pega!
quinta-feira, julho 05, 2007
Amor é mentira
Por favor,
amor,
minta,
minta descaradamente,
represente sem pudor,
amor é mentira,
mas,
a gente jura que não mente
e não é mentira essa jura,
por favor,
amor,
minta de manhã,
minta de tarde
e, de noite,
no afã de amar,
mais se afoite a mentir,
minta que arde,
que fica louca
de tanto sentir prazer,
e minta com o olhar,
com a boca,
com todo o seu ser,
e minta o riso,
e minta o pranto,
minta o quanto for preciso,
por favor,
não fira o amor,
amor é mentira!
amor,
minta,
minta descaradamente,
represente sem pudor,
amor é mentira,
mas,
a gente jura que não mente
e não é mentira essa jura,
por favor,
amor,
minta de manhã,
minta de tarde
e, de noite,
no afã de amar,
mais se afoite a mentir,
minta que arde,
que fica louca
de tanto sentir prazer,
e minta com o olhar,
com a boca,
com todo o seu ser,
e minta o riso,
e minta o pranto,
minta o quanto for preciso,
por favor,
não fira o amor,
amor é mentira!
segunda-feira, julho 02, 2007
Por aqui
Não é segredo pra ninguém
que enredo,
que segredo o que não sei
se sei bem
e até o que nem sei
se algum vintém
puder render pra mim!,
e daí
se por aqui
tanta gente faz assim
e ninguém tem medo
de ir em cana?!,
sei que por aqui
muita gente engana,
mente e ludibria,
muita gente angaria a muque
a simpatia do banana
e a do crente
com truque e alquimia!,
sei que por aqui
muita gente desafia
lei, costume, credo e moral!,
quem a honestidade
comemora por aqui
quando dá a virada,
chega ao cume da escalada
e passa a ser o tal?,
quem por aqui chora
de saudade da retidão
quando chega sua hora
de meter a mão na nossa grana?,
quem?!
que enredo,
que segredo o que não sei
se sei bem
e até o que nem sei
se algum vintém
puder render pra mim!,
e daí
se por aqui
tanta gente faz assim
e ninguém tem medo
de ir em cana?!,
sei que por aqui
muita gente engana,
mente e ludibria,
muita gente angaria a muque
a simpatia do banana
e a do crente
com truque e alquimia!,
sei que por aqui
muita gente desafia
lei, costume, credo e moral!,
quem a honestidade
comemora por aqui
quando dá a virada,
chega ao cume da escalada
e passa a ser o tal?,
quem por aqui chora
de saudade da retidão
quando chega sua hora
de meter a mão na nossa grana?,
quem?!
sábado, junho 02, 2007
Que samba é esse?!
Que samba é esse
que barbariza
a “última flor do Lácio”,
tem pavor do Estácio
e verdadeira ojeriza
a Madureira?!,
não se zangue
com meu reclamo,
mas,
vê-se
que você não é do ramo,
que você
não tem samba no sangue,
você precisa saber
que não é o sujeito
que faz opção pelo samba,
é o inverso,
é o samba
que faz opção pelo sujeito,
e faz de um jeito especial,
via cordão umbilical,
e por toda a vida
lhe cadencia a batida do peito,
por essa razão,
samba é mais que canção,
samba é coração
em verso e melodia!
que barbariza
a “última flor do Lácio”,
tem pavor do Estácio
e verdadeira ojeriza
a Madureira?!,
não se zangue
com meu reclamo,
mas,
vê-se
que você não é do ramo,
que você
não tem samba no sangue,
você precisa saber
que não é o sujeito
que faz opção pelo samba,
é o inverso,
é o samba
que faz opção pelo sujeito,
e faz de um jeito especial,
via cordão umbilical,
e por toda a vida
lhe cadencia a batida do peito,
por essa razão,
samba é mais que canção,
samba é coração
em verso e melodia!
quinta-feira, maio 17, 2007
Pinga!, pinguço, pinga!
Pinga!, pinguço, pinga!,
siga o impulso...
embora você diga
que tá tudo bem,
que tem tudo na mão,
a pinga se vinga
e não demora não,
aí,
você ginga
e vai indo pra frente
à base de soluço
e faz o percurso
seguindo a serpente,
aqui e ali,
ensaia um discurso,
mas,
à míngua do que falar,
respinga,
arrota uma quase-frase
e a quase-frase repete
e quase
desconjunta o maxilar,
e toma vaia,
e um beiço
o outro beiço besunta,
e se intromete
a língua graúda
e ajuda a besuntar,
e você xinga e pragueja,
e a nega fica louca
quando você chega
cheirando
a rama e cerveja,
e choraminga
promessa oca,
e soluça,
e praticamente
a fuça ingressa
no prato de sopa,
e desmaia na cama
sem tirar
sapato nem roupa
e dá de roncar
e de babar na fronha,
no dia seguinte,
dá uma de pedinte
e pede perdão,
mas,
não toma vergonha,
pega e toma um quente
e alega
que a mão é muito exigente!
siga o impulso...
embora você diga
que tá tudo bem,
que tem tudo na mão,
a pinga se vinga
e não demora não,
aí,
você ginga
e vai indo pra frente
à base de soluço
e faz o percurso
seguindo a serpente,
aqui e ali,
ensaia um discurso,
mas,
à míngua do que falar,
respinga,
arrota uma quase-frase
e a quase-frase repete
e quase
desconjunta o maxilar,
e toma vaia,
e um beiço
o outro beiço besunta,
e se intromete
a língua graúda
e ajuda a besuntar,
e você xinga e pragueja,
e a nega fica louca
quando você chega
cheirando
a rama e cerveja,
e choraminga
promessa oca,
e soluça,
e praticamente
a fuça ingressa
no prato de sopa,
e desmaia na cama
sem tirar
sapato nem roupa
e dá de roncar
e de babar na fronha,
no dia seguinte,
dá uma de pedinte
e pede perdão,
mas,
não toma vergonha,
pega e toma um quente
e alega
que a mão é muito exigente!
terça-feira, maio 08, 2007
Matemática...
Quando alguém
fala bem da matemática,
por razão prática,
fico na minha,
aliás,
fico com o pé atrás,
e me explico
com a fração um quarto,
um quarto de palácio
é somente um quarto,
um quarto de barracão
é muito mais
pois quarto, sala, banheiro, cozinha,
solário e despensa
que dispensa comentário,
em um quarto de palácio,
ou dorme o casal
ou o solteiro
ou a solteira sozinha,
em um quarto de barraco,
há escala pra dormir
até em beira de esteira
que é normal
sair gente pelo ladrão,
gente que vai parar
no barraco da vizinha,
não cabe fogão
a um quarto de palácio,
mas cabe
a um de barracão,
apesar
de ter pouco bico
frente ao montão de bocas
loucas pra fazer
um tico de refeição,
e cabe o botijão de gás
que de tão vazio
enche o saco
e dá frio no estômago,
e esse é o âmago da questão,
mas,
na prática,
a conclusão é canja:
saco vazio não fica em pé
e quem não manja
não tem fé
na aplicação da matemática!
fala bem da matemática,
por razão prática,
fico na minha,
aliás,
fico com o pé atrás,
e me explico
com a fração um quarto,
um quarto de palácio
é somente um quarto,
um quarto de barracão
é muito mais
pois quarto, sala, banheiro, cozinha,
solário e despensa
que dispensa comentário,
em um quarto de palácio,
ou dorme o casal
ou o solteiro
ou a solteira sozinha,
em um quarto de barraco,
há escala pra dormir
até em beira de esteira
que é normal
sair gente pelo ladrão,
gente que vai parar
no barraco da vizinha,
não cabe fogão
a um quarto de palácio,
mas cabe
a um de barracão,
apesar
de ter pouco bico
frente ao montão de bocas
loucas pra fazer
um tico de refeição,
e cabe o botijão de gás
que de tão vazio
enche o saco
e dá frio no estômago,
e esse é o âmago da questão,
mas,
na prática,
a conclusão é canja:
saco vazio não fica em pé
e quem não manja
não tem fé
na aplicação da matemática!
sexta-feira, abril 27, 2007
Sem tir-te nem guar-te
Ela veio
sem tir-te nem guar-te
e não sei nem de que parte,
se daqui,
Apuí, Rodeio, Ubatã,
ou de lá,
Amã ou Calcutá,
não sei
se foi serva de rei
ou Minerva de xamã,
sei que vi sua arte
e me apaixonei
assim que seus olhos
olharam pra mim,
assim que meus olhos
olharam nos dela,
e a cortejei,
e me exibi no samba,
e mostrei que n’angola
da favela era o bamba,
e lhe ofereci o que tinha,
a vida e o coração,
e pedi sua mão,
e com a dela na minha
na frente da nossa escola
bem no meio da Avenida,
a gente embala a multidão
com exibição de primeira,
eu, mestre-sala,
ela, porta-bandeira!
sem tir-te nem guar-te
e não sei nem de que parte,
se daqui,
Apuí, Rodeio, Ubatã,
ou de lá,
Amã ou Calcutá,
não sei
se foi serva de rei
ou Minerva de xamã,
sei que vi sua arte
e me apaixonei
assim que seus olhos
olharam pra mim,
assim que meus olhos
olharam nos dela,
e a cortejei,
e me exibi no samba,
e mostrei que n’angola
da favela era o bamba,
e lhe ofereci o que tinha,
a vida e o coração,
e pedi sua mão,
e com a dela na minha
na frente da nossa escola
bem no meio da Avenida,
a gente embala a multidão
com exibição de primeira,
eu, mestre-sala,
ela, porta-bandeira!
segunda-feira, abril 23, 2007
O forte cheiro da merda
Sei que já não sou moço,
meu amigo,
pra ser mais exato,
perdi o embalo
e me tornei antigo,
é isso aí...
o tato foi me ralando
e ficando ralo,
e já estava grosso
quando dei por mim,
a visão
de abalo em abalo
foi ficando chinfrim
e me deixando na mão,
agora,
pra não ficar de fora,
chego tão perto
que quase beijo o fato,
mas,
não vejo certo nem assim,
como já não ouço bem
nem quando berro,
me calo
e da audição já nem falo,
na hora da refeição,
arfo e como
via mastigação postiça
e tomo ferro
que até iguaria
tem gosto de carniça,
e fui bom garfo um dia,
quem diria!...
a cuca está cheia de hiato
e também meia lerda,
de sorte que o intelecto
virou arapuca,
isto posto,
encerro com o olfato
e a custo um cheiro detecto,
e justo
o forte cheiro da merda!
meu amigo,
pra ser mais exato,
perdi o embalo
e me tornei antigo,
é isso aí...
o tato foi me ralando
e ficando ralo,
e já estava grosso
quando dei por mim,
a visão
de abalo em abalo
foi ficando chinfrim
e me deixando na mão,
agora,
pra não ficar de fora,
chego tão perto
que quase beijo o fato,
mas,
não vejo certo nem assim,
como já não ouço bem
nem quando berro,
me calo
e da audição já nem falo,
na hora da refeição,
arfo e como
via mastigação postiça
e tomo ferro
que até iguaria
tem gosto de carniça,
e fui bom garfo um dia,
quem diria!...
a cuca está cheia de hiato
e também meia lerda,
de sorte que o intelecto
virou arapuca,
isto posto,
encerro com o olfato
e a custo um cheiro detecto,
e justo
o forte cheiro da merda!
segunda-feira, abril 16, 2007
De barriga cheia
Quem nasce
em berço de ouro,
quando se queixa,
se queixa de barriga cheia
que não tem
que pedir arrego
e estender a mão
pra se vestir, comer
e conseguir emprego,
nem tem
que fazer crediário
pra existir à prestação,
mas,
quem nasce
em berço comunitário,
meu irmão,
com um montão
de outros pequenos,
se fadiga feito mouro
já no berçário
e está sujeito
a deixar o couro por lá
que é muito feia
a briga pelo peito,
depois,
sem numerário
pra dar lance
e arrematar algum bem
que o dia-a-dia
é um leilão,
tem bem menos
de um terço da chance
que o outro tem
e, via de regra,
não se integra ao páreo
e acaba fazendo feio,
pois,
sem esteio e alavanca,
não arranca,
se arranca,
manca pouco adiante
e estanca e finda
do meio inda distante,
se arranca e não manca
e não estanca
e não se manca
e banca o louco
e arranca o alheio,
quando não cai,
vai pra tranca
ao fim do flagrante,
contudo,
quando não dá tudo
tão errado assim,
em geral,
se arrebenta no trabalho
até se aposentar
e se aposenta no final,
e cheio de avaria,
e com aposentadoria chinfrim,
e nem estrila o coitado,
e vai quebrando um galho
até se quebrar
numa fila de hospital
de mal não diagnosticado!,
mas,
por fim,
tem casa
e casa nova,
a cova rasa!
em berço de ouro,
quando se queixa,
se queixa de barriga cheia
que não tem
que pedir arrego
e estender a mão
pra se vestir, comer
e conseguir emprego,
nem tem
que fazer crediário
pra existir à prestação,
mas,
quem nasce
em berço comunitário,
meu irmão,
com um montão
de outros pequenos,
se fadiga feito mouro
já no berçário
e está sujeito
a deixar o couro por lá
que é muito feia
a briga pelo peito,
depois,
sem numerário
pra dar lance
e arrematar algum bem
que o dia-a-dia
é um leilão,
tem bem menos
de um terço da chance
que o outro tem
e, via de regra,
não se integra ao páreo
e acaba fazendo feio,
pois,
sem esteio e alavanca,
não arranca,
se arranca,
manca pouco adiante
e estanca e finda
do meio inda distante,
se arranca e não manca
e não estanca
e não se manca
e banca o louco
e arranca o alheio,
quando não cai,
vai pra tranca
ao fim do flagrante,
contudo,
quando não dá tudo
tão errado assim,
em geral,
se arrebenta no trabalho
até se aposentar
e se aposenta no final,
e cheio de avaria,
e com aposentadoria chinfrim,
e nem estrila o coitado,
e vai quebrando um galho
até se quebrar
numa fila de hospital
de mal não diagnosticado!,
mas,
por fim,
tem casa
e casa nova,
a cova rasa!
terça-feira, abril 10, 2007
Domingo de sol
Alguém vaiava, alguém aplaudia,
e o da gandaia fez o mesmo,
aplaudiu a esmo e vaiou à toa,
e foi à praia como faz todo dia,
e, aos domingos,
ainda faz galhofa
com a gente da farofa,
o da miopia crente que via
não viu
que carecia de lente boa
e misturou alhos com bugalhos
ao botar nos is os pingos,
e aplaudiu e vaiou
quem vaiava e quem aplaudia,
o da utopia se julga o tal
e já não é tão novo,
tão moço assim
pra acreditar em ilusão,
o que me faz ficar
com a pulga atrás da orelha,
e ele não vaiou nem aplaudiu,
deu em sua telha fazer passeata
pra mostrar ao pessoal
a visão mais sensata
do xis da questão,
e o grosso do povo,
que navega
nos escombros e assombros
de um dia-a-dia chinfrim
e nos ombros tudo carrega,
engoliu sapo de montão
e pediu bis,
mas,
lá na cobertura de luxo,
brindou o bruxo
com seu sócio esperto
a ventura da negociata,
já está no papo
o negócio pra dar caminho
a garoto da periferia
via promoção de regata
de barquinho de papel
em esgoto a céu aberto,
ô!... garção,
por favor,
outra cana
que não tenho grana
pra tratar a depressão
com nenhuma outra terapia!
e o da gandaia fez o mesmo,
aplaudiu a esmo e vaiou à toa,
e foi à praia como faz todo dia,
e, aos domingos,
ainda faz galhofa
com a gente da farofa,
o da miopia crente que via
não viu
que carecia de lente boa
e misturou alhos com bugalhos
ao botar nos is os pingos,
e aplaudiu e vaiou
quem vaiava e quem aplaudia,
o da utopia se julga o tal
e já não é tão novo,
tão moço assim
pra acreditar em ilusão,
o que me faz ficar
com a pulga atrás da orelha,
e ele não vaiou nem aplaudiu,
deu em sua telha fazer passeata
pra mostrar ao pessoal
a visão mais sensata
do xis da questão,
e o grosso do povo,
que navega
nos escombros e assombros
de um dia-a-dia chinfrim
e nos ombros tudo carrega,
engoliu sapo de montão
e pediu bis,
mas,
lá na cobertura de luxo,
brindou o bruxo
com seu sócio esperto
a ventura da negociata,
já está no papo
o negócio pra dar caminho
a garoto da periferia
via promoção de regata
de barquinho de papel
em esgoto a céu aberto,
ô!... garção,
por favor,
outra cana
que não tenho grana
pra tratar a depressão
com nenhuma outra terapia!
quinta-feira, abril 05, 2007
Choveu chuva
Choveu chuva
de molhar pra valer,
chuva de pingo grosso
qual caroço de abacate,
pingo que bate, arde
e faz ferida,
foi chuva
de fazer transbordar
poço seco e fundo,
um colosso de chuva
de deixar o mundo
num beco sem saída,
chuva
que fez ficar a quinta
com toda a pinta de domingo
e bem depois da seis da tarde,
chuva que fez entrar
pela clarabóia escuridão,
e foi cheia
de fazer baleia
sentir falta de bóia,
de levar à paranóia tubarão,
e foi trovão
que fez o chão balançar,
e teve gente tendo treco,
gente no boteco
se afogando em pinga
pra ficar alta
e na enchente
não se afogar,
teve gente à beça
que fez promessa,
mandinga e oração,
e a chuva
não parava não,
parecia que nunca mais
ia amanhecer outra manhã,
mas,
pedi à minha mãe Iansã
e a chuva
virou chuvinha,
uma chuvinha de verão!
de molhar pra valer,
chuva de pingo grosso
qual caroço de abacate,
pingo que bate, arde
e faz ferida,
foi chuva
de fazer transbordar
poço seco e fundo,
um colosso de chuva
de deixar o mundo
num beco sem saída,
chuva
que fez ficar a quinta
com toda a pinta de domingo
e bem depois da seis da tarde,
chuva que fez entrar
pela clarabóia escuridão,
e foi cheia
de fazer baleia
sentir falta de bóia,
de levar à paranóia tubarão,
e foi trovão
que fez o chão balançar,
e teve gente tendo treco,
gente no boteco
se afogando em pinga
pra ficar alta
e na enchente
não se afogar,
teve gente à beça
que fez promessa,
mandinga e oração,
e a chuva
não parava não,
parecia que nunca mais
ia amanhecer outra manhã,
mas,
pedi à minha mãe Iansã
e a chuva
virou chuvinha,
uma chuvinha de verão!
sexta-feira, março 30, 2007
O que foi que eu fiz?!
O que foi que eu fiz?!,
quando mandaram,
assisti calado
ou entusiasmado pedi bis;
como prometi,
garanti que era feliz
quando me perguntaram,
e sorri,
e saiu a foto,
e quem assim me viu
sorriu de mim;
também cumpri
outro voto que fiz,
nunca torci
nem meti o nariz
no que não devia,
e, credo-em-cruz!,
tudo escurecia
e me enchia de dó,
mas,
fingi que só havia sol
porque sol é luz,
e repeti
pra quem quis ouvir;
fui resignado aprendiz,
não me ensinaram nada
e nada aprendi
que não chegou
a minha vez,
e não reclamei
nem fiz alarde;
acordei cedo,
dormi tarde,
trabalhei
como um louco
e ganhei pouco,
e ainda fiz afago
em que me fez
de gato e sapato;
pedi perdão
sem ser culpado
e resignado ouvi o não,
e sempre disse sim;
mesmo assim,
pra mim
o dedo aponta
e a conta
sou eu que pago,
e com juro e correção,
e juro que não sei
o que fiz de errado,
não sei e ninguém me diz!
quando mandaram,
assisti calado
ou entusiasmado pedi bis;
como prometi,
garanti que era feliz
quando me perguntaram,
e sorri,
e saiu a foto,
e quem assim me viu
sorriu de mim;
também cumpri
outro voto que fiz,
nunca torci
nem meti o nariz
no que não devia,
e, credo-em-cruz!,
tudo escurecia
e me enchia de dó,
mas,
fingi que só havia sol
porque sol é luz,
e repeti
pra quem quis ouvir;
fui resignado aprendiz,
não me ensinaram nada
e nada aprendi
que não chegou
a minha vez,
e não reclamei
nem fiz alarde;
acordei cedo,
dormi tarde,
trabalhei
como um louco
e ganhei pouco,
e ainda fiz afago
em que me fez
de gato e sapato;
pedi perdão
sem ser culpado
e resignado ouvi o não,
e sempre disse sim;
mesmo assim,
pra mim
o dedo aponta
e a conta
sou eu que pago,
e com juro e correção,
e juro que não sei
o que fiz de errado,
não sei e ninguém me diz!
A hora é agora
Sugiro que vá e já,
a hora é agora,
trate de largar a albarda,
meta no vento a espora,
arranje e esbanje talento
na caça da caça
que força não abate
nem tiro de espingarda,
sugiro que vá!,
tá na hora,
deixe que a reta
se torça e empene,
deixe que a seta
na direção dê um giro,
deixe
que a paixão engrene,
sinta sua febre
e minta que é perene,
vamos lá, rapaz,
não espere mais
que não vai
haver mais aviso,
quebre o que for preciso,
o que for preciso quebrar,
mas,
celebre a vida como der,
como puder celebrar!,
tá esperando o quê?,
será
que você prefere esperar
que a vida
se desespere com você?
a hora é agora,
trate de largar a albarda,
meta no vento a espora,
arranje e esbanje talento
na caça da caça
que força não abate
nem tiro de espingarda,
sugiro que vá!,
tá na hora,
deixe que a reta
se torça e empene,
deixe que a seta
na direção dê um giro,
deixe
que a paixão engrene,
sinta sua febre
e minta que é perene,
vamos lá, rapaz,
não espere mais
que não vai
haver mais aviso,
quebre o que for preciso,
o que for preciso quebrar,
mas,
celebre a vida como der,
como puder celebrar!,
tá esperando o quê?,
será
que você prefere esperar
que a vida
se desespere com você?
quarta-feira, março 28, 2007
Sou melhor do que você
Você me chama
de pinguço e bebum,
acha graça do meu soluço,
diz que não como,
que faço jejum
pra ter mais espaço
pra encher de cachaça
e que se vai
mais um neurônio
de um irrisório
patrimônio mental
a cada trago que tomo,
e ainda me chama
de bolha honorário,
otário, simplório,
tudo bem,
siga assim,
“falando mal,
mas falando de mim”,
não devo nada a ninguém,
pago o que devo
com meu salário burlesco
que finda
ainda bem fresco,
e pode fazer devassa
na minha vida,
puxar folha corrida,
pedi certidão em cartório,
e abro mão do sigilo
fiscal, postal, bancário,
abro até do sigilio conjugal,
pois,
se tiver queixa a mulher,
é queixa normal de casório
depois de muitas bodas
e de muito amor e suor,
e posso dizer
de cabeça erguida
que sou melhor,
bem melhor do que você,
porque tomo todas,
mas,
não tomo do pobre
cobre e comida!
de pinguço e bebum,
acha graça do meu soluço,
diz que não como,
que faço jejum
pra ter mais espaço
pra encher de cachaça
e que se vai
mais um neurônio
de um irrisório
patrimônio mental
a cada trago que tomo,
e ainda me chama
de bolha honorário,
otário, simplório,
tudo bem,
siga assim,
“falando mal,
mas falando de mim”,
não devo nada a ninguém,
pago o que devo
com meu salário burlesco
que finda
ainda bem fresco,
e pode fazer devassa
na minha vida,
puxar folha corrida,
pedi certidão em cartório,
e abro mão do sigilo
fiscal, postal, bancário,
abro até do sigilio conjugal,
pois,
se tiver queixa a mulher,
é queixa normal de casório
depois de muitas bodas
e de muito amor e suor,
e posso dizer
de cabeça erguida
que sou melhor,
bem melhor do que você,
porque tomo todas,
mas,
não tomo do pobre
cobre e comida!
segunda-feira, março 26, 2007
Se já vale sair de lona e pedir tudo na porrinha
Não me iludo,
minha gente,
se já vale sair de lona
e pedir tudo na porrinha,
virou zona,
aí,
vale mijar na esquina
a qualquer hora,
até na do rush,
e na frente
de moça ou menina,
e que caia na poça
debaixo de vaia
quem não sair fora,
vale dançar no pagode
blush a blush,
bigode a bigode,
vale ficar nua
em qualquer lugar
fazendo pose pro close,
vale usar e abusar
do pó e do fumo,
e o consumo
não tem mais nicho,
é na praia, é na rua,
e o cara usa e abusa
só pra ficar de bode
ou pra virar bicho,
perder o rumo
e dar um giro
afanando e dando tiro,
e vale até
capar meu salário
alegando que é
em meu benefício,
e alegando mais,
que só um otário
não é capaz de ver
que é grande paca
o sacríficio do Erário
no exercício desse ofício,
que só um otário
não é capaz de ver
como é difícil
ter faca e queijo na mão,
ora,
meu irmão,
eu vejo!,
agora,
se você não vê,
acaba de saber a razão!
minha gente,
se já vale sair de lona
e pedir tudo na porrinha,
virou zona,
aí,
vale mijar na esquina
a qualquer hora,
até na do rush,
e na frente
de moça ou menina,
e que caia na poça
debaixo de vaia
quem não sair fora,
vale dançar no pagode
blush a blush,
bigode a bigode,
vale ficar nua
em qualquer lugar
fazendo pose pro close,
vale usar e abusar
do pó e do fumo,
e o consumo
não tem mais nicho,
é na praia, é na rua,
e o cara usa e abusa
só pra ficar de bode
ou pra virar bicho,
perder o rumo
e dar um giro
afanando e dando tiro,
e vale até
capar meu salário
alegando que é
em meu benefício,
e alegando mais,
que só um otário
não é capaz de ver
que é grande paca
o sacríficio do Erário
no exercício desse ofício,
que só um otário
não é capaz de ver
como é difícil
ter faca e queijo na mão,
ora,
meu irmão,
eu vejo!,
agora,
se você não vê,
acaba de saber a razão!
quarta-feira, março 21, 2007
É uma joça cabeça fraca
A quem possa interessar,
é uma joça cabeça fraca,
o infeliz
dá murro em ponta de faca
e ainda dá urro pra espalhar,
o cara
é cornudo de carteirinha,
contudo,
o sabido não repara
e diz
que a vizinha
é quem apronta,
ela é que corneia o marido,
e ainda sacaneia o cara,
seu miúdo,
além de cabeçudo
de marca maior,
é um orelhudo de dar dó,
está com mais de doze
e não sabe fazer conta,
mas,
ele não vê
e ainda faz pose
pra tachar de burro
algum coleguinha do guri,
a filha é mocinha
e já vai por aí
na trilha da patroa
e com fama
de ser boa de cama,
entretanto,
como um bom pai,
sobe o tom
e vai ao pranto
quando fala da santinha,
por mais que o chefe
atarefe o babaca,
ele não saca,
e, todo dia,
tiram o cara do páreo
antes da largada
e ele não pia,
dão-lhe esporro
no lugar do socorro
que deviam lhe prestar
e ele se cala,
leva bala e porrada
e nem se assoma,
e o diploma de otário
emoldura e pendura
bem na sala de jantar!
é uma joça cabeça fraca,
o infeliz
dá murro em ponta de faca
e ainda dá urro pra espalhar,
o cara
é cornudo de carteirinha,
contudo,
o sabido não repara
e diz
que a vizinha
é quem apronta,
ela é que corneia o marido,
e ainda sacaneia o cara,
seu miúdo,
além de cabeçudo
de marca maior,
é um orelhudo de dar dó,
está com mais de doze
e não sabe fazer conta,
mas,
ele não vê
e ainda faz pose
pra tachar de burro
algum coleguinha do guri,
a filha é mocinha
e já vai por aí
na trilha da patroa
e com fama
de ser boa de cama,
entretanto,
como um bom pai,
sobe o tom
e vai ao pranto
quando fala da santinha,
por mais que o chefe
atarefe o babaca,
ele não saca,
e, todo dia,
tiram o cara do páreo
antes da largada
e ele não pia,
dão-lhe esporro
no lugar do socorro
que deviam lhe prestar
e ele se cala,
leva bala e porrada
e nem se assoma,
e o diploma de otário
emoldura e pendura
bem na sala de jantar!
sábado, março 17, 2007
Não discuto futebol
Não dá pra ter otimismo
quando até o futebol
virou roda de fogo,
ficou rota a paixão
e levou a emoção
gota após gota,
e o fanatismo
embotou a razão
e tomou conta do jogo,
virou moda palavrão
dito por senhora,
garota e rapaz
em conflito e quebra-pau,
e, de quebra,
virou moda muito mais,
é crime agora
levar o pendão do time
e pode ser morto o sujeito,
e nego é morto
a torto e a direito,
e não adianta
pedir arrego nem perdão;
no correr da partida,
tem pai
que fica pê da vida
porque o tento não sai
e no rebento planta a mão,
e planta na mulher
se não estiver de plantão
com a cerveja bem gelada;
a situação é tal
que há religioso,
não sei de que fé
nem de que igreja,
famoso pelo hábito
de sair na porrada
com a torcida do rival,
e sai com hábito e tudo,
por isso,
pessoal,
ao estádio já não vou,
escuto pelo rádio,
e com o rádio baixinho
pro vizinho não ficar puto,
no gol,
fico mudo,
e não discuto futebol!
quando até o futebol
virou roda de fogo,
ficou rota a paixão
e levou a emoção
gota após gota,
e o fanatismo
embotou a razão
e tomou conta do jogo,
virou moda palavrão
dito por senhora,
garota e rapaz
em conflito e quebra-pau,
e, de quebra,
virou moda muito mais,
é crime agora
levar o pendão do time
e pode ser morto o sujeito,
e nego é morto
a torto e a direito,
e não adianta
pedir arrego nem perdão;
no correr da partida,
tem pai
que fica pê da vida
porque o tento não sai
e no rebento planta a mão,
e planta na mulher
se não estiver de plantão
com a cerveja bem gelada;
a situação é tal
que há religioso,
não sei de que fé
nem de que igreja,
famoso pelo hábito
de sair na porrada
com a torcida do rival,
e sai com hábito e tudo,
por isso,
pessoal,
ao estádio já não vou,
escuto pelo rádio,
e com o rádio baixinho
pro vizinho não ficar puto,
no gol,
fico mudo,
e não discuto futebol!
sexta-feira, março 16, 2007
Boto a mão no fogo
Pode dizer,
meu amigo,
que sou demagogo,
bronco e cabeçudo,
pode dizer
que eu não ligo,
e ainda digo pra você
e pra quem mais
quiser me ouvir,
por essa mulher,
boto a mão no fogo,
aliás,
cabeça, tronco, membro,
e boto tudo
sem ela pedir,
eu a conheço bem,
me lembro dela
inda no começo
e já linda e travessa,
e daí?!,
se travesso sou também!,
por ela,
boto tudo em jogo,
vou de mão,
cabeça, tronco e membro,
e preste atenção,
companheiro,
nada de Bombeiro
que quero arder a rodo,
quero arder todo nesse fogo!
meu amigo,
que sou demagogo,
bronco e cabeçudo,
pode dizer
que eu não ligo,
e ainda digo pra você
e pra quem mais
quiser me ouvir,
por essa mulher,
boto a mão no fogo,
aliás,
cabeça, tronco, membro,
e boto tudo
sem ela pedir,
eu a conheço bem,
me lembro dela
inda no começo
e já linda e travessa,
e daí?!,
se travesso sou também!,
por ela,
boto tudo em jogo,
vou de mão,
cabeça, tronco e membro,
e preste atenção,
companheiro,
nada de Bombeiro
que quero arder a rodo,
quero arder todo nesse fogo!
Briga, arenga e pendenga dão prejuízo
Pra que tanto choque,
tanta contenda,
pra que tanta injúria,
tanta bala no estoque?,
hein?, pra quê?
Vá por mim,
não se enfureça assim,
não se renda
a essa fúria feroz
que não soma,
que de nós
toma a cabeça
e nos faz perder a paz,
não esqueça
que é mais sensato
medir bem a fala,
fazer da fala uma arte,
e ouvir
é ainda bem mais barato,
pra ser mais preciso,
minha amiga,
meu amigo,
briga, arenga e pendenga
dão prejuízo
até pra quem ganha
que ganha um inimigo!
tanta contenda,
pra que tanta injúria,
tanta bala no estoque?,
hein?, pra quê?
Vá por mim,
não se enfureça assim,
não se renda
a essa fúria feroz
que não soma,
que de nós
toma a cabeça
e nos faz perder a paz,
não esqueça
que é mais sensato
medir bem a fala,
fazer da fala uma arte,
e ouvir
é ainda bem mais barato,
pra ser mais preciso,
minha amiga,
meu amigo,
briga, arenga e pendenga
dão prejuízo
até pra quem ganha
que ganha um inimigo!
sábado, março 10, 2007
Que casal curioso!
Que casal curioso!,
ela é a tal,
ágil e fogosa,
e ele é dengoso,
ela tem jeito de espinho
e ele é frágil feito rosa,
ela toma pinga e cerveja
até ficar em coma
e ele saboreia
um bom vinho,
e de uma taça não passa,
ela é decidida,
esbraveja, sacaneia, xinga,
e ele
é da prosa comedida
e só fala baixinho,
ela faz ginástica,
é fanática por futebol
e joga pelada debaixo do sol,
e ele
tem a cútis bem tratada,
e já fez até uma plástica,
ela usa blusão, butes, tênis,
e ele usa sandália
e sobre a malha um camisão,
ela se espalha e faz zorra,
bota até o pé na mesa,
e ainda por cima arrota
e tem o cacoete
de coçar a genitália,
e ele prima
pela discrição e pela fineza,
ela só tem o primário,
mas é pícara pra chuchu,
ele tem mais estudo,
contudo,
o coitadinho é bem tontinho,
ela diz porra, cacete,
e ele,
pênis e meleca
e pênis apenas
quando é necessário,
ela bebe café
em caneca de metal,
e ele,
em xícara chinesa,
e é ela que paga a despesa,
e, veja você,
é dela a cueca
e dele, a calcinha,
ela é Dorival
e ele,
Dorinha,
é forçoso dizer
que é um curioso casal!
ela é a tal,
ágil e fogosa,
e ele é dengoso,
ela tem jeito de espinho
e ele é frágil feito rosa,
ela toma pinga e cerveja
até ficar em coma
e ele saboreia
um bom vinho,
e de uma taça não passa,
ela é decidida,
esbraveja, sacaneia, xinga,
e ele
é da prosa comedida
e só fala baixinho,
ela faz ginástica,
é fanática por futebol
e joga pelada debaixo do sol,
e ele
tem a cútis bem tratada,
e já fez até uma plástica,
ela usa blusão, butes, tênis,
e ele usa sandália
e sobre a malha um camisão,
ela se espalha e faz zorra,
bota até o pé na mesa,
e ainda por cima arrota
e tem o cacoete
de coçar a genitália,
e ele prima
pela discrição e pela fineza,
ela só tem o primário,
mas é pícara pra chuchu,
ele tem mais estudo,
contudo,
o coitadinho é bem tontinho,
ela diz porra, cacete,
e ele,
pênis e meleca
e pênis apenas
quando é necessário,
ela bebe café
em caneca de metal,
e ele,
em xícara chinesa,
e é ela que paga a despesa,
e, veja você,
é dela a cueca
e dele, a calcinha,
ela é Dorival
e ele,
Dorinha,
é forçoso dizer
que é um curioso casal!
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Esse papo é sério, garoto!
O que é que há?,
você ficou
com a cabeça oca
ou perdeu a medida
e passou a dar bandeira
que seu intento
é ser porra-louca,
cabeça-de-vento
e seguir na zorra
a vida inteira?,
ou será
que essa gorra
tá fazendo você
dormir de touca?,
nessa cabeça
não há massa cinzenta
ou a massa é muito pouca?,
o que é que há
nessa cabeça?,
traça traçando a razão?,
por isso,
quando você fala
exala a boca
essa fala fedorenta?,
o que é que há?,
fala pra mim!,
ou você
não sabe dizer
nem sim nem não?,
tudo bem...
curta o momento
que a juventude é curta,
mas,
não esqueça de crescer
cultivando o pensamento,
senão,
depois,
você vai bater cabeça
e arranjar galo,
vai encher a mão de calo
e não vai ganhar
nem pro arroz nem pro feijão!
você ficou
com a cabeça oca
ou perdeu a medida
e passou a dar bandeira
que seu intento
é ser porra-louca,
cabeça-de-vento
e seguir na zorra
a vida inteira?,
ou será
que essa gorra
tá fazendo você
dormir de touca?,
nessa cabeça
não há massa cinzenta
ou a massa é muito pouca?,
o que é que há
nessa cabeça?,
traça traçando a razão?,
por isso,
quando você fala
exala a boca
essa fala fedorenta?,
o que é que há?,
fala pra mim!,
ou você
não sabe dizer
nem sim nem não?,
tudo bem...
curta o momento
que a juventude é curta,
mas,
não esqueça de crescer
cultivando o pensamento,
senão,
depois,
você vai bater cabeça
e arranjar galo,
vai encher a mão de calo
e não vai ganhar
nem pro arroz nem pro feijão!
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Apesar
Apesar de ser
a tônica da família
a dureza crônica,
apesar
do branco
que dá no cardápio
bem na hora
que vem pra mesa,
apesar
da mobilidade da mobília
que do lar vai ao prego,
do prego volta ao lar
e no lar não se demora,
apesar
da maldade do larápio
que nem assim me alivia
e até tamanco
já tomou de mim,
apesar
de não ter seguro-saúde,
poupança
nem lembrança
de ter tido tutu no banco,
apesar
de não usar sapato amiúde
pra não gastar o furo,
apesar de ter miado
e virado bode
o gato que pus na luz,
apesar do botijão
que não pode
nem ouvir falar em gás
porque tem alergia,
apesar
dessa pobreza tenaz,
apesar
de ser um plebeu
que tem
um dia-a-dia medonho
e não tem
nem onde cair morto,
meu irmão,
da baronesa
eu não abro mão,
entorno até ficar torto,
aí,
parati saindo pelo ladrão,
eu encorno
e sonho que sou barão!
a tônica da família
a dureza crônica,
apesar
do branco
que dá no cardápio
bem na hora
que vem pra mesa,
apesar
da mobilidade da mobília
que do lar vai ao prego,
do prego volta ao lar
e no lar não se demora,
apesar
da maldade do larápio
que nem assim me alivia
e até tamanco
já tomou de mim,
apesar
de não ter seguro-saúde,
poupança
nem lembrança
de ter tido tutu no banco,
apesar
de não usar sapato amiúde
pra não gastar o furo,
apesar de ter miado
e virado bode
o gato que pus na luz,
apesar do botijão
que não pode
nem ouvir falar em gás
porque tem alergia,
apesar
dessa pobreza tenaz,
apesar
de ser um plebeu
que tem
um dia-a-dia medonho
e não tem
nem onde cair morto,
meu irmão,
da baronesa
eu não abro mão,
entorno até ficar torto,
aí,
parati saindo pelo ladrão,
eu encorno
e sonho que sou barão!
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Por força da circunstância (O inferno é aqui)
Primeiro,
a circunstância
me fez fintar a escola,
questão de dinheiro,
de feijão e de arroz,
depois,
foi a vez da infância
que precisei driblar
no meio de tiroteio
que fez furo na bola
e pôs um fim no racha,
aí,
quando dei por mim,
já pulava muro
e corria de faixa
com um curumim
que já era andarilho
conhecido na comarca,
pois vivia na cidade
à custa de pistola
e de trouxinha e sacolé,
e não dava no pé
quando vinha a justa,
ele usava tênis,
e tênis de marca,
tinha celular moderno
e fazia filho
em menina da nossa idade
mal o fim da menarca
fazia dela mocinha,
e ria
de se mijar de tanto rir
quando falavam em inferno,
e dizia:
o inferno é aqui!
a circunstância
me fez fintar a escola,
questão de dinheiro,
de feijão e de arroz,
depois,
foi a vez da infância
que precisei driblar
no meio de tiroteio
que fez furo na bola
e pôs um fim no racha,
aí,
quando dei por mim,
já pulava muro
e corria de faixa
com um curumim
que já era andarilho
conhecido na comarca,
pois vivia na cidade
à custa de pistola
e de trouxinha e sacolé,
e não dava no pé
quando vinha a justa,
ele usava tênis,
e tênis de marca,
tinha celular moderno
e fazia filho
em menina da nossa idade
mal o fim da menarca
fazia dela mocinha,
e ria
de se mijar de tanto rir
quando falavam em inferno,
e dizia:
o inferno é aqui!
terça-feira, dezembro 05, 2006
Auto-retrato
Sou essa figura,
mistura
de rábula e poeta menor
e meu dia-a-dia
é uma parábola chinfrim
escrita em gíria castiça,
mas,
é melhor assim
que com valquíria noviça
tocando sineta
atrás de mim
pra mostrar serviço,
é isso mesmo...
além disso,
sou essa loucura concreta
que me repleta
de mania e veneta
que nenhum dicionário cita,
sou sócio honorário do ócio
e da conversa fiada,
e partidário da dieta
da moela, do chouriço
da lingüiça e do torresmo
regada com muita cachaça,
aí,
cheio dela,
dou de achar graça à toa
e cismo de repetir
o que leio em banheiro de bar,
mas,
um aforismo sanitário
me fez descobrir
que o dinheiro
não é a saída de nada,
pelo contrário,
é a entrada pra vida boa,
bem,
além de prosaico,
sou feio, arcaico,
meio alheio
e não sou nada altivo,
vivo de camiseta,
calça de brim
e mocassim cambeta,
durmo e acordo tarde,
quando pinto e bordo
e o coração
fica tinto e encarde,
me ponho de molho na canção
e sonho de olho aberto,
se tudo anda certo demais
ou alguém me faz mercê
sem razão aparente,
fico cismado,
por fim,
meu camarada,
digo que tanto faz,
que não ligo pra nada,
mas,
tudo me afeta,
e assim
vou indo em frente,
quer dizer,
vou indo de lado
que atrás
vem vindo gente paca
e não sou babaca
de deixar o meu na reta!
mistura
de rábula e poeta menor
e meu dia-a-dia
é uma parábola chinfrim
escrita em gíria castiça,
mas,
é melhor assim
que com valquíria noviça
tocando sineta
atrás de mim
pra mostrar serviço,
é isso mesmo...
além disso,
sou essa loucura concreta
que me repleta
de mania e veneta
que nenhum dicionário cita,
sou sócio honorário do ócio
e da conversa fiada,
e partidário da dieta
da moela, do chouriço
da lingüiça e do torresmo
regada com muita cachaça,
aí,
cheio dela,
dou de achar graça à toa
e cismo de repetir
o que leio em banheiro de bar,
mas,
um aforismo sanitário
me fez descobrir
que o dinheiro
não é a saída de nada,
pelo contrário,
é a entrada pra vida boa,
bem,
além de prosaico,
sou feio, arcaico,
meio alheio
e não sou nada altivo,
vivo de camiseta,
calça de brim
e mocassim cambeta,
durmo e acordo tarde,
quando pinto e bordo
e o coração
fica tinto e encarde,
me ponho de molho na canção
e sonho de olho aberto,
se tudo anda certo demais
ou alguém me faz mercê
sem razão aparente,
fico cismado,
por fim,
meu camarada,
digo que tanto faz,
que não ligo pra nada,
mas,
tudo me afeta,
e assim
vou indo em frente,
quer dizer,
vou indo de lado
que atrás
vem vindo gente paca
e não sou babaca
de deixar o meu na reta!
Duelo de ditados
Quem ama o feio,
bonito lhe parece,
o ditado diz,
mas,
será que merece
a fama que tem?!,
bem,
sempre achei esse dito
meio infeliz,
não sei
o que me dava na telha
quando o ouvia,
mas,
olhava de esguelha
quem o ditado dizia,
aí,
outro dia,
numa entrevista,
um oculista afamado
esclareceu a questão:
“esse ditado
não condiz com a realidade,
na verdade,
quem ama vê com o coração
e o coração
não tem orelha nem nariz,
portanto,
não pode usar óculos
e, sem óculos,
o coitado não tem visão”,
e concluiu o doutor:
“pego meus pergaminhos
e rasgo em pedacinhos
se ficar provado
que não é cego o amor!”
bonito lhe parece,
o ditado diz,
mas,
será que merece
a fama que tem?!,
bem,
sempre achei esse dito
meio infeliz,
não sei
o que me dava na telha
quando o ouvia,
mas,
olhava de esguelha
quem o ditado dizia,
aí,
outro dia,
numa entrevista,
um oculista afamado
esclareceu a questão:
“esse ditado
não condiz com a realidade,
na verdade,
quem ama vê com o coração
e o coração
não tem orelha nem nariz,
portanto,
não pode usar óculos
e, sem óculos,
o coitado não tem visão”,
e concluiu o doutor:
“pego meus pergaminhos
e rasgo em pedacinhos
se ficar provado
que não é cego o amor!”
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Espécie em extinção
Sou otário,
otário de todo,
tão otário
que preciso cochilar
com um olho aberto,
se fechar o outro olho,
é prejuízo certo,
mas,
não me dá estresse,
e tem mais,
sou o único otário que conheço,
por essa razão,
mereço o apodo:
“espécie em extinção”;
mas não tenho culpa não,
a culpa
é da atual malandragem,
malandragem predatória
e nossa história
não cita outra igual,
a culpa
é desse malandro parasita
que não orgulha
a malandragem original,
a culpa
é desse deplorável malandro
com vocação suicida
por falta de visão,
pois esbulha e arrasa o otário
sem contemplação
e vai esgotar o manancial,
apesar
de o otário ser renovável,
e pra esgotar
não mede esforço não,
é teco, xaveco, armação
e muita falta
que falta casa, comida,
escola, condução,
até bola falta...
e é tão sério o problema
que já afetou ecossistema
estrutura e conjuntura,
e já nem encontra eco
no nosso povo
a criação do novo Ministério,
o MECO,
Ministério da Educação
e da Cultura do Otário,
tão necessário
à salvação nacional!,
afinal,
quem é que solanca
e banca a banca?!,
de quem a banca
arranca o vil metal,
e o metal arranca aos mil?!,
e a banca nem se manca!
otário de todo,
tão otário
que preciso cochilar
com um olho aberto,
se fechar o outro olho,
é prejuízo certo,
mas,
não me dá estresse,
e tem mais,
sou o único otário que conheço,
por essa razão,
mereço o apodo:
“espécie em extinção”;
mas não tenho culpa não,
a culpa
é da atual malandragem,
malandragem predatória
e nossa história
não cita outra igual,
a culpa
é desse malandro parasita
que não orgulha
a malandragem original,
a culpa
é desse deplorável malandro
com vocação suicida
por falta de visão,
pois esbulha e arrasa o otário
sem contemplação
e vai esgotar o manancial,
apesar
de o otário ser renovável,
e pra esgotar
não mede esforço não,
é teco, xaveco, armação
e muita falta
que falta casa, comida,
escola, condução,
até bola falta...
e é tão sério o problema
que já afetou ecossistema
estrutura e conjuntura,
e já nem encontra eco
no nosso povo
a criação do novo Ministério,
o MECO,
Ministério da Educação
e da Cultura do Otário,
tão necessário
à salvação nacional!,
afinal,
quem é que solanca
e banca a banca?!,
de quem a banca
arranca o vil metal,
e o metal arranca aos mil?!,
e a banca nem se manca!
quarta-feira, novembro 29, 2006
Quero asas
Quero-quero,
tero-tero,
tem-tem,
quero ser sabiá,
sim-senhor!,
ser pixarro, joão-de-barro,
quero imitar minha voz
como tão bem faz o mainá
e parar no ar
em meio a um voejo
pra dar beijo em beija-flor,
quero ser
pombo mensageiro,
pombo-correio,
ser sobranceiro albatroz
sobre a imensidão do mar,
ser bem-te-vi,
tico-tico,
periquito-verdadeiro,
santo, rico,
qualquer periquito!,
quero tanto ser rolinha,
uiriri, coleiro, andorinha
mesmo que sozinha
não faça verão,
quero mesmo assim,
quero ter asas de xexéu,
asas de chapim,
quero voar sem susto
sobre espantalhos
e pousar justo no chapéu
que não há melhor lugar,
quero fazer ninho
nos galhos mais altos
e ser vizinho do Céu,
quero dar os saltos
que o pinéu dá
quando canta
e ninguém sabe explicar,
mas,
quero cantar
como o irapuru
que tanto nos encanta,
quero ser quenquém,
alegrinho, jaburu,
capitão-da-porcaria e jururu,
não sei não...
quero ser forte,
ter o porte dos açores,
mas,
sem pendores de falcão
que rapinar
não quero não,
quero ser jandaia, arataia,
voar é magia
e quero voar,
quero-quero,
tero-tero,
tem-tem,
canarinho,
e tanto quero
que um dia
hei de ser passarinho!
tero-tero,
tem-tem,
quero ser sabiá,
sim-senhor!,
ser pixarro, joão-de-barro,
quero imitar minha voz
como tão bem faz o mainá
e parar no ar
em meio a um voejo
pra dar beijo em beija-flor,
quero ser
pombo mensageiro,
pombo-correio,
ser sobranceiro albatroz
sobre a imensidão do mar,
ser bem-te-vi,
tico-tico,
periquito-verdadeiro,
santo, rico,
qualquer periquito!,
quero tanto ser rolinha,
uiriri, coleiro, andorinha
mesmo que sozinha
não faça verão,
quero mesmo assim,
quero ter asas de xexéu,
asas de chapim,
quero voar sem susto
sobre espantalhos
e pousar justo no chapéu
que não há melhor lugar,
quero fazer ninho
nos galhos mais altos
e ser vizinho do Céu,
quero dar os saltos
que o pinéu dá
quando canta
e ninguém sabe explicar,
mas,
quero cantar
como o irapuru
que tanto nos encanta,
quero ser quenquém,
alegrinho, jaburu,
capitão-da-porcaria e jururu,
não sei não...
quero ser forte,
ter o porte dos açores,
mas,
sem pendores de falcão
que rapinar
não quero não,
quero ser jandaia, arataia,
voar é magia
e quero voar,
quero-quero,
tero-tero,
tem-tem,
canarinho,
e tanto quero
que um dia
hei de ser passarinho!
sábado, novembro 25, 2006
Salve-se!, salve-se!
Salve!, salve!,
ou melhor,
quer dizer,
ou pior,
salve-se!, salve-se!
quem puder,
homem e mulher,
que os caras têm taras
e comem o que você tiver,
e não tem mais hora nem lugar,
pode ser aqui e agora,
na calada da noite
ou na barulhada do dia,
e não se moite,
não use nem estilingue
nem contrate um King Kong
pra lhe dar garantia
ou pra agarrar o meliante em falgrante,
que alguma ONG
vai te processar
por violação de direitos humanos,
direitos humanos do ladrão!,
afinal,
de suas perdas e danos
vive a economia marginal,
e quem que não colabora
inibe a expansão do PIB
e a distribuição de riqueza,
sem a qual
nunca reduziremos a pó
a divisão de classes,
nunca reduziremos as classes
a uma só classe social,
nunca teremos
nossa pobreza universal:
“olá,
muito prazer,
eu sou o seu ladrão
e vim roubar você,
passe o dinheiro pra cá
e passe todo o dinheiro,
e não seja ridículo,
não se coce
nem esboce reação,
vivo da minha reputação
e não quero motivo
pra lhe dar um tiro,
prefiro dar
sem nenhuma razão,
dá mais emoção
e pro meu currículo,
currículo de ladrão,
esse tiro é muito bom!”
ou melhor,
quer dizer,
ou pior,
salve-se!, salve-se!
quem puder,
homem e mulher,
que os caras têm taras
e comem o que você tiver,
e não tem mais hora nem lugar,
pode ser aqui e agora,
na calada da noite
ou na barulhada do dia,
e não se moite,
não use nem estilingue
nem contrate um King Kong
pra lhe dar garantia
ou pra agarrar o meliante em falgrante,
que alguma ONG
vai te processar
por violação de direitos humanos,
direitos humanos do ladrão!,
afinal,
de suas perdas e danos
vive a economia marginal,
e quem que não colabora
inibe a expansão do PIB
e a distribuição de riqueza,
sem a qual
nunca reduziremos a pó
a divisão de classes,
nunca reduziremos as classes
a uma só classe social,
nunca teremos
nossa pobreza universal:
“olá,
muito prazer,
eu sou o seu ladrão
e vim roubar você,
passe o dinheiro pra cá
e passe todo o dinheiro,
e não seja ridículo,
não se coce
nem esboce reação,
vivo da minha reputação
e não quero motivo
pra lhe dar um tiro,
prefiro dar
sem nenhuma razão,
dá mais emoção
e pro meu currículo,
currículo de ladrão,
esse tiro é muito bom!”
quinta-feira, novembro 23, 2006
Bati de frente com a batida de limão
A sexta-feira tinha tudo
pra ser bacana
e eu ia abafar,
contudo,
comecei a me fiar
no caldinho de feijão
que vinha quente,
e a quituteira era baiana,
e cantei, batuquei, dancei,
e nem sei
em que trecho do caminho
meu queixo caiu,
e caiu literalmente,
bati de frente
com a batida de limão
que a cana era de primeira,
e a batida
não vinha na contramão,
vinha na mão,
na minha,
foi de amargar!,
de repente,
baranga cascuda virou franga
e só na segunda voltei ao lar,
e de bermuda,
e de paletó fui trabalhar,
conclusão:
Raimunda,
minha senhora,
quase me matou,
só não matou
porque dei o fora
e só voltei agora,
dois anos depois,
mas,
no fato
ela ainda fala
por entre os dentes,
panos quentes?!,
nem pensar!,
me trata no berro
e os deveres cotidianos
vão do fogão ao tanque
e do tanque ao fogão,
com escala
no ferro de passar,
e sem rama
sem cerveja
e com dieta completa,
ou seja,
durmo na sala
e não posso nem sonhar
em dar uma chegadinha
naquela cama quentinha
lá do nosso quarto,
e nem digo
que estou farto
porque é o que ela quer,
sou vivo,
meu amigo,
por mais que tente,
ela não me logra,
não vou dar motivo
pra sogra
vir morar com a gente!
pra ser bacana
e eu ia abafar,
contudo,
comecei a me fiar
no caldinho de feijão
que vinha quente,
e a quituteira era baiana,
e cantei, batuquei, dancei,
e nem sei
em que trecho do caminho
meu queixo caiu,
e caiu literalmente,
bati de frente
com a batida de limão
que a cana era de primeira,
e a batida
não vinha na contramão,
vinha na mão,
na minha,
foi de amargar!,
de repente,
baranga cascuda virou franga
e só na segunda voltei ao lar,
e de bermuda,
e de paletó fui trabalhar,
conclusão:
Raimunda,
minha senhora,
quase me matou,
só não matou
porque dei o fora
e só voltei agora,
dois anos depois,
mas,
no fato
ela ainda fala
por entre os dentes,
panos quentes?!,
nem pensar!,
me trata no berro
e os deveres cotidianos
vão do fogão ao tanque
e do tanque ao fogão,
com escala
no ferro de passar,
e sem rama
sem cerveja
e com dieta completa,
ou seja,
durmo na sala
e não posso nem sonhar
em dar uma chegadinha
naquela cama quentinha
lá do nosso quarto,
e nem digo
que estou farto
porque é o que ela quer,
sou vivo,
meu amigo,
por mais que tente,
ela não me logra,
não vou dar motivo
pra sogra
vir morar com a gente!
terça-feira, novembro 21, 2006
Definitivamente magra
Tenho que ser franco,
não são poucas
nessa enorme fila
e nem têm a mesma idade,
e fazem coisas loucas
que vaidade não tem limite,
é muita tinta pra tintura
que não se admite
cabelo branco!,
e o pêlo,
conforme o lugar,
ela depila,
se for dura,
a fartura de cintura
trata com cinta,
e justa, e inelástica,
é... inelástica,
como custa
embrulhar a gordura!,
e trata o apetite com dieta
e dieta repleta de nada,
nada de batata,
nada de canelone,
fritura?!,
nem morta!,
torta?!,
nem pensar!,
que pensar engorda,
se é abastada,
vai de plástica e silicone,
madruga,
pinta e borda na ginástica,
e malha sem parar,
como não malha
nem atleta recordista,
e tem um esteticista
pra cada ruga,
um massagista
pra cada celulite,
um especialista
pra cada tipo de ‘lipo’,
e um pra ‘lipo’ da ‘lipo’
quando a ‘lipo’ básica
não surte efeito
e a paciente
não fica sem a fase
da corrente monofásica,
pois,
quando fica,
não há base que dê jeito
e fica magra,
definitivamente magra!
não são poucas
nessa enorme fila
e nem têm a mesma idade,
e fazem coisas loucas
que vaidade não tem limite,
é muita tinta pra tintura
que não se admite
cabelo branco!,
e o pêlo,
conforme o lugar,
ela depila,
se for dura,
a fartura de cintura
trata com cinta,
e justa, e inelástica,
é... inelástica,
como custa
embrulhar a gordura!,
e trata o apetite com dieta
e dieta repleta de nada,
nada de batata,
nada de canelone,
fritura?!,
nem morta!,
torta?!,
nem pensar!,
que pensar engorda,
se é abastada,
vai de plástica e silicone,
madruga,
pinta e borda na ginástica,
e malha sem parar,
como não malha
nem atleta recordista,
e tem um esteticista
pra cada ruga,
um massagista
pra cada celulite,
um especialista
pra cada tipo de ‘lipo’,
e um pra ‘lipo’ da ‘lipo’
quando a ‘lipo’ básica
não surte efeito
e a paciente
não fica sem a fase
da corrente monofásica,
pois,
quando fica,
não há base que dê jeito
e fica magra,
definitivamente magra!
sábado, novembro 18, 2006
Vou tomar uma Atitude!
Vou tomar uma Atitude
como aquele prefeito
tomava Providência,
mas,
é preciso ter
jeito e ciência,
é preciso saber
tomar Atitude
pra não tomar
tão amiúde
a ponto de ser
amiúde demais
e ficar tonto,
afinal,
saber tomar Atitude
é uma virtude
que não faz mal
a quem sabe bem
quando uma Atitude cabe,
e mais,
jamais esqueça de tomar
uma Providência importante,
mande comprar mais
e com bastante antecedência,
bem antes que a Atitude acabe!
como aquele prefeito
tomava Providência,
mas,
é preciso ter
jeito e ciência,
é preciso saber
tomar Atitude
pra não tomar
tão amiúde
a ponto de ser
amiúde demais
e ficar tonto,
afinal,
saber tomar Atitude
é uma virtude
que não faz mal
a quem sabe bem
quando uma Atitude cabe,
e mais,
jamais esqueça de tomar
uma Providência importante,
mande comprar mais
e com bastante antecedência,
bem antes que a Atitude acabe!
Sou de Deodoro
Sou povo
e sou de Deodoro,
e desde novo moro lá,
na marmita vai a refeição
e vou aflito trabalhar,
e de condução,
e passando por assalto,
e ando um estirão
depois que salto,
e quando vou,
e quando volto,
e não tenho saída
pois o salário dita
esse padrão de vida,
e o bendito não dá
nem pro necessário,
mês sim, mês não,
pago aluguel,
mês não, mês sim,
é a vez da prestação,
mas,
não ando
de chapéu na mão,
sou de vaquinha
pra churrasco na calçada,
sou de pelada, batucada,
adoro branquinha
e cerveja bem gelada,
e, por incrível que pareça,
a cabeça fica inchada
com fiasco do Mengão,
mas,
não faço fita
nem imploro
atenção a ninguém,
se alguém me ignora,
eu ignoro esse alguém,
e nem quero saber
onde mora,
mas,
veja você,
em compensação,
se esse alguém chora,
na hora,
também choro,
e nem sei a razão?!,
pois é...
se você não sabia,
moço,
chegou o dia de saber,
quem é de Deodoro
também é
de carne e osso,
também tem coração!
e sou de Deodoro,
e desde novo moro lá,
na marmita vai a refeição
e vou aflito trabalhar,
e de condução,
e passando por assalto,
e ando um estirão
depois que salto,
e quando vou,
e quando volto,
e não tenho saída
pois o salário dita
esse padrão de vida,
e o bendito não dá
nem pro necessário,
mês sim, mês não,
pago aluguel,
mês não, mês sim,
é a vez da prestação,
mas,
não ando
de chapéu na mão,
sou de vaquinha
pra churrasco na calçada,
sou de pelada, batucada,
adoro branquinha
e cerveja bem gelada,
e, por incrível que pareça,
a cabeça fica inchada
com fiasco do Mengão,
mas,
não faço fita
nem imploro
atenção a ninguém,
se alguém me ignora,
eu ignoro esse alguém,
e nem quero saber
onde mora,
mas,
veja você,
em compensação,
se esse alguém chora,
na hora,
também choro,
e nem sei a razão?!,
pois é...
se você não sabia,
moço,
chegou o dia de saber,
quem é de Deodoro
também é
de carne e osso,
também tem coração!
sexta-feira, novembro 17, 2006
Amar é teu vício!
Amar é teu vício,
teu vício é amar
e adoras ter amantes,
ter diversos amores,
senhores e senhoras,
e amas esses amores
nos mesmos instantes,
nas mesmas camas e horas,
adoras
esse cio que não estanca
e espanca as almas
que caem em teu vazio,
adoras prazeres casuais
e seus reles quereres
que correm pelas peles
como gosma,
gosma que faz chagas,
mágoas e traumas
que externas
e esmagas entre as pernas
quando gozas,
é a paga que pagas
porque não sabes dizer não
e não dosas o despudor,
é a paga que pagas
porque não cabes
só num amor!
teu vício é amar
e adoras ter amantes,
ter diversos amores,
senhores e senhoras,
e amas esses amores
nos mesmos instantes,
nas mesmas camas e horas,
adoras
esse cio que não estanca
e espanca as almas
que caem em teu vazio,
adoras prazeres casuais
e seus reles quereres
que correm pelas peles
como gosma,
gosma que faz chagas,
mágoas e traumas
que externas
e esmagas entre as pernas
quando gozas,
é a paga que pagas
porque não sabes dizer não
e não dosas o despudor,
é a paga que pagas
porque não cabes
só num amor!
Deixe em paz a Juliana!
De que adianta
essa vida
em esquina e botequim
com esse ar borocoxô
de pierrô-vovô
sem colombina?!,
de que adianta
essa inana insana
desse coração
com batida vulgar
e refrão chinfrim?!:
‘quem me dera...
quem me dera
fosse eu
meio Chico,
meio Caetano,
pra Juliana Paes
olhar pra mim’,
não adianta pagar mico,
mano,
você é roscofe demais,
não tem
um tico de inspiração,
ainda por cima,
se embanana
pra fazer uma estrofe
e a rima é um horror,
é ruim demais,
por favor,
rapaz,
deixe em paz a Juliana!
essa vida
em esquina e botequim
com esse ar borocoxô
de pierrô-vovô
sem colombina?!,
de que adianta
essa inana insana
desse coração
com batida vulgar
e refrão chinfrim?!:
‘quem me dera...
quem me dera
fosse eu
meio Chico,
meio Caetano,
pra Juliana Paes
olhar pra mim’,
não adianta pagar mico,
mano,
você é roscofe demais,
não tem
um tico de inspiração,
ainda por cima,
se embanana
pra fazer uma estrofe
e a rima é um horror,
é ruim demais,
por favor,
rapaz,
deixe em paz a Juliana!
quinta-feira, novembro 16, 2006
Comecei bem moço
Comecei bem moço,
esperdicei esbarrão
antes da estréia
que não foi épica,
mas réplica
de estréia típica,
típica no alvoroço,
na correria,
na reação da platéia
que não aplaudiu
nem pediu bis,
preferiu a gritaria:
“pega!, pega!, pega!”,
aí,
carteira na mão,
o aprendiz
de mancebo e ladrão
pôs sebo nas canelas
e se safou
dando uma carreira
pelas vias da cidade,
por fim,
parou e olhou o butim:
duas fotografias
meias amarelas
e feias de dar dó,
assim como ele,
identidade pela metade,
um sobrenome só,
assim como ele,
e prata pra mata-fome
que a fome não ia matar,
e olhe lá!
esperdicei esbarrão
antes da estréia
que não foi épica,
mas réplica
de estréia típica,
típica no alvoroço,
na correria,
na reação da platéia
que não aplaudiu
nem pediu bis,
preferiu a gritaria:
“pega!, pega!, pega!”,
aí,
carteira na mão,
o aprendiz
de mancebo e ladrão
pôs sebo nas canelas
e se safou
dando uma carreira
pelas vias da cidade,
por fim,
parou e olhou o butim:
duas fotografias
meias amarelas
e feias de dar dó,
assim como ele,
identidade pela metade,
um sobrenome só,
assim como ele,
e prata pra mata-fome
que a fome não ia matar,
e olhe lá!
segunda-feira, novembro 13, 2006
Só não me peça pra deixar a boemia!
Já lhe disse,
Neidirene,
tenho coração
pra entrega imediata
e vou botá-lo
em liquidação
em tudo que é vitrine,
de butique chique
a magazine brega,
contudo,
só pra você,
minha perene
Miss Alparcata,
se você quiser,
mulher,
por mais
que vente e neve,
escalo o Himalaia
no dente e na unha,
e só com traje leve,
calção de tricoline
e blusa de cambraia,
e sem mumunha,
se você mandar,
Neidirene,
mando tatuar na testa
“made in USA”
e vou fazer seresta
pra lá de Bagdá,
faço o que for preciso
pra te conquistar,
mulher,
realizo a fantasia
que você quiser!,
só não me peça
pra deixar a boemia!,
que só essa
não dá pra realizar!
Neidirene,
tenho coração
pra entrega imediata
e vou botá-lo
em liquidação
em tudo que é vitrine,
de butique chique
a magazine brega,
contudo,
só pra você,
minha perene
Miss Alparcata,
se você quiser,
mulher,
por mais
que vente e neve,
escalo o Himalaia
no dente e na unha,
e só com traje leve,
calção de tricoline
e blusa de cambraia,
e sem mumunha,
se você mandar,
Neidirene,
mando tatuar na testa
“made in USA”
e vou fazer seresta
pra lá de Bagdá,
faço o que for preciso
pra te conquistar,
mulher,
realizo a fantasia
que você quiser!,
só não me peça
pra deixar a boemia!,
que só essa
não dá pra realizar!
quarta-feira, novembro 08, 2006
Amanhã tem mais!
É o barulho da marmita
e é o grito
na voz mole de um de nós,
é o eco de um Zé ao cabo da faina,
um treco
que tafulha o rabo de pinga
gole após gole
e amaina o pandulho,
e pita um pito barato
e matuta,
e do mata-rato
não sai tanta fagulha,
e destrata e xinga o trem,
mas,
não adianta,
o trem não escuta e não vem
e o Zé se vinga indo a pé,
e vai indo
birosca a birosca,
bordel a bordel,
sem nenhum vintém,
não se enrosca
com ninguém
e sonha com a bronha
que se foi Severina
na nona barrigada
sem sequer se despedir
e a cunhada,
irmã da mulher,
que quebrava um galho
virou fanchona e cafetina
e galho com macho não quer,
só quer cacho com menina,
vai dormir,
Zé,
amanhã tem mais!,
vai dormir,
Zé,
amanhã tem mais!
e é o grito
na voz mole de um de nós,
é o eco de um Zé ao cabo da faina,
um treco
que tafulha o rabo de pinga
gole após gole
e amaina o pandulho,
e pita um pito barato
e matuta,
e do mata-rato
não sai tanta fagulha,
e destrata e xinga o trem,
mas,
não adianta,
o trem não escuta e não vem
e o Zé se vinga indo a pé,
e vai indo
birosca a birosca,
bordel a bordel,
sem nenhum vintém,
não se enrosca
com ninguém
e sonha com a bronha
que se foi Severina
na nona barrigada
sem sequer se despedir
e a cunhada,
irmã da mulher,
que quebrava um galho
virou fanchona e cafetina
e galho com macho não quer,
só quer cacho com menina,
vai dormir,
Zé,
amanhã tem mais!,
vai dormir,
Zé,
amanhã tem mais!
terça-feira, novembro 07, 2006
Não dá pra fazer samba assim
Como é
que você quer
fazer samba de verdade
sem saudade e lamento?!,
como é
que você quer
fazer samba que ri
do começo ao fim?!,
talvez o argumento
que lhe ofereço
faça você desistir,
não dá pra fazer
samba assim,
vai por mim,
se der,
esse samba
vai se dar mal,
não vai dar seu recado
nem vai fazer cantar o peito,
vai deixar
o cavaquinho sem jeito
e chateado o tamborim,
sem falar no pandeiro
que vai ser o primeiro
a ficar pelo caminho,
é temperamental demais,
se der pra fazer,
o que não acredito,
será um samba autista
capaz de confundir
a nata do terreiro,
de deixar aflito o sambista
e a mulata fora de si,
agora,
se você quer fazer
samba de verdade,
ponha a contento
lamento e saudade!
que você quer
fazer samba de verdade
sem saudade e lamento?!,
como é
que você quer
fazer samba que ri
do começo ao fim?!,
talvez o argumento
que lhe ofereço
faça você desistir,
não dá pra fazer
samba assim,
vai por mim,
se der,
esse samba
vai se dar mal,
não vai dar seu recado
nem vai fazer cantar o peito,
vai deixar
o cavaquinho sem jeito
e chateado o tamborim,
sem falar no pandeiro
que vai ser o primeiro
a ficar pelo caminho,
é temperamental demais,
se der pra fazer,
o que não acredito,
será um samba autista
capaz de confundir
a nata do terreiro,
de deixar aflito o sambista
e a mulata fora de si,
agora,
se você quer fazer
samba de verdade,
ponha a contento
lamento e saudade!
Não me torture assim!
Por que você é assim?!,
mulher,
qualquer erro meu
é erro à-toa pra você
e você me perdoa
sem eu sequer
pedir perdão,
e você esquece,
e ainda faz por mim
prece e oração,
você me dá a mão
e me guinda quando caio,
e me enaltece
pra quem quiser ouvir,
e eu minto, engano,
saio da linha,
até me ufano de te trair
com uma zinha qualquer,
mas,
você não reclama,
fica feliz quando chego,
de meu nego me chama,
me acarinha
e diz que me ama,
que me adora,
e sinto que não é
da boca pra fora,
quando quero você,
você
é louca amante
e amante completa,
se entrega sem resistir
e não me nega
nenhum prazer,
e se aquieta na cama
quando quero dormir!,
por favor,
mulher,
não seja tão cruel comigo,
dê fim a todo esse mel
e atire sua ira sobre mim,
me fira mais
do que eu já te feri,
e nunca mais me dê abrigo,
faça o que quiser,
mulher,
mas,
por favor,
não me torture mais,
não me torture assim!
mulher,
qualquer erro meu
é erro à-toa pra você
e você me perdoa
sem eu sequer
pedir perdão,
e você esquece,
e ainda faz por mim
prece e oração,
você me dá a mão
e me guinda quando caio,
e me enaltece
pra quem quiser ouvir,
e eu minto, engano,
saio da linha,
até me ufano de te trair
com uma zinha qualquer,
mas,
você não reclama,
fica feliz quando chego,
de meu nego me chama,
me acarinha
e diz que me ama,
que me adora,
e sinto que não é
da boca pra fora,
quando quero você,
você
é louca amante
e amante completa,
se entrega sem resistir
e não me nega
nenhum prazer,
e se aquieta na cama
quando quero dormir!,
por favor,
mulher,
não seja tão cruel comigo,
dê fim a todo esse mel
e atire sua ira sobre mim,
me fira mais
do que eu já te feri,
e nunca mais me dê abrigo,
faça o que quiser,
mulher,
mas,
por favor,
não me torture mais,
não me torture assim!
segunda-feira, novembro 06, 2006
Falsa como ela só
Falsa como ela só,
na verdade,
a falsidade
com jeito de mulher,
e ela só manobra à falsa fé,
se meneia e roça feito cobra,
e acossa
qualquer peito vago,
acena doce aceno
como se fosse um afago,
faz cena
que só faz quem ama,
quem traz a chama acesa,
mas,
é areia no olhar
enquanto destila
seu canto de sereia
que destila até enfeitiçar,
depois
que se apossa da presa,
instila seu veneno
sem nenhum dó,
sem o menor pudor,
instila seu veneno
até que a presa
morra de tanto amar,
de tanto se humilhar
pra ter o seu amor!
na verdade,
a falsidade
com jeito de mulher,
e ela só manobra à falsa fé,
se meneia e roça feito cobra,
e acossa
qualquer peito vago,
acena doce aceno
como se fosse um afago,
faz cena
que só faz quem ama,
quem traz a chama acesa,
mas,
é areia no olhar
enquanto destila
seu canto de sereia
que destila até enfeitiçar,
depois
que se apossa da presa,
instila seu veneno
sem nenhum dó,
sem o menor pudor,
instila seu veneno
até que a presa
morra de tanto amar,
de tanto se humilhar
pra ter o seu amor!
quarta-feira, novembro 01, 2006
É a hora da mulher!
São flores
ganhando cores de amor,
sabor de primavera
chegando ao peito,
o bom jardineiro,
com jeito e carinho,
o caminho desvenda
pétala a pétala,
cheiro a cheiro,
pêlo a pêlo,
e desvenda sem pressa,
que não se interessa
só pelo colher,
espera madurecer a flor
e não se desespera de esperar,
fica atento,
sempre por perto,
sabe aguardar
o momento certo,
sabe bem da magia,
sabe que um dia
a força do amor na flor,
na moça aflora,
é a hora da mulher!
ganhando cores de amor,
sabor de primavera
chegando ao peito,
o bom jardineiro,
com jeito e carinho,
o caminho desvenda
pétala a pétala,
cheiro a cheiro,
pêlo a pêlo,
e desvenda sem pressa,
que não se interessa
só pelo colher,
espera madurecer a flor
e não se desespera de esperar,
fica atento,
sempre por perto,
sabe aguardar
o momento certo,
sabe bem da magia,
sabe que um dia
a força do amor na flor,
na moça aflora,
é a hora da mulher!
Cobras e lagartos do Oram (Novela das sete)
A gente vê,
você está a pique
de soltar a franga,
falta muito pouco,
tem gente despeitada
que manga um pouquinho,
gente
que não sabe ser fraterna
e essa gente
não significa nada,
pode crer,
a gente vê,
você adora
bater perna em magazine
e fica louco
com a vitrine de calcinha da butique,
fica perdidinho
quando vê
o terninho chique da vizinha,
embora ela tenha apenas
um terço da sua classe,
que a sua é de berço,
lembro do feitio
de suas belas chupetas
pretas, brancas e morenas,
que você
chupava de fio a pavio
e assustava até
aquelas ninfetas mais francas,
a gente vê,
você tem paixão por ruge,
e não é à toa
que ruge qual leoa louca
quando luta com o leão,
daqui a gente escuta
e sente que você
tá barbarizando
com o batom da sua boca,
a gente vê,
você namora
com o biquini da Dora,
aquele de crochê,
e com aquela
canga amarela da Aline
que tem strass, miçanga e paetê,
é bom você saber
que já anda piscando
como se usasse
cílio postiço,
já está andando
como se calçasse
salto bem alto
de bico bem fino,
olhando tudo isso,
fico pensando
e não atino com o porquê
de todo esse esforço
pra manter no exílio seu idílio,
ser menina-moça,
pra que fazer tanta força
se ser moço
não combina com você?!
você está a pique
de soltar a franga,
falta muito pouco,
tem gente despeitada
que manga um pouquinho,
gente
que não sabe ser fraterna
e essa gente
não significa nada,
pode crer,
a gente vê,
você adora
bater perna em magazine
e fica louco
com a vitrine de calcinha da butique,
fica perdidinho
quando vê
o terninho chique da vizinha,
embora ela tenha apenas
um terço da sua classe,
que a sua é de berço,
lembro do feitio
de suas belas chupetas
pretas, brancas e morenas,
que você
chupava de fio a pavio
e assustava até
aquelas ninfetas mais francas,
a gente vê,
você tem paixão por ruge,
e não é à toa
que ruge qual leoa louca
quando luta com o leão,
daqui a gente escuta
e sente que você
tá barbarizando
com o batom da sua boca,
a gente vê,
você namora
com o biquini da Dora,
aquele de crochê,
e com aquela
canga amarela da Aline
que tem strass, miçanga e paetê,
é bom você saber
que já anda piscando
como se usasse
cílio postiço,
já está andando
como se calçasse
salto bem alto
de bico bem fino,
olhando tudo isso,
fico pensando
e não atino com o porquê
de todo esse esforço
pra manter no exílio seu idílio,
ser menina-moça,
pra que fazer tanta força
se ser moço
não combina com você?!
terça-feira, outubro 31, 2006
Não se faz pagode em qualquer lugar
Se não é
nova campanha
pra esculachar o pagode,
querem me levar à loucura
ou pôr à prova minha fé!,
como é que pode?!...
pagode
em cobertura do Leblon
ao som
de bandoneon, baixo e oboé?!,
qual é?!,
pagode
com gringa balançando
ao sabor de champanha?!,
pra completar,
bandeja de prata,
acho que pro caviar,
e bacana
contando bravata
e a grana que tem no cofre?!,
isso me irrita!,
pagode é uma ova!,
pagode sofre de acrofobia
e tem alegria popular,
tem ginga mestiça de mulata,
pra acompanhar
pinga e cerveja,
batata frita e lingüiça,
e tem pagodeiro
fazendo carinho
em cavaquinho e pandeiro,
pagode tem liturgia e altar,
não se faz pagode
em qualquer lugar!
nova campanha
pra esculachar o pagode,
querem me levar à loucura
ou pôr à prova minha fé!,
como é que pode?!...
pagode
em cobertura do Leblon
ao som
de bandoneon, baixo e oboé?!,
qual é?!,
pagode
com gringa balançando
ao sabor de champanha?!,
pra completar,
bandeja de prata,
acho que pro caviar,
e bacana
contando bravata
e a grana que tem no cofre?!,
isso me irrita!,
pagode é uma ova!,
pagode sofre de acrofobia
e tem alegria popular,
tem ginga mestiça de mulata,
pra acompanhar
pinga e cerveja,
batata frita e lingüiça,
e tem pagodeiro
fazendo carinho
em cavaquinho e pandeiro,
pagode tem liturgia e altar,
não se faz pagode
em qualquer lugar!
segunda-feira, outubro 30, 2006
Orgasmo
Acreditem
porque é verdade,
ontem,
tive um choque
e fiquei pasmo
quando vi,
só com dois toques,
o inútil e a inutilidade
tendo orgasmo!
porque é verdade,
ontem,
tive um choque
e fiquei pasmo
quando vi,
só com dois toques,
o inútil e a inutilidade
tendo orgasmo!
sábado, outubro 28, 2006
Idéia fixa
A idéia fixa da Alda
é de se tirar o chapéu,
a nega é prolixa
e chega a ter apnéia
quando embala e fala
em aliança, véu e grinalda,
em pança
e umbigo estufado,
seu entusiasmo me deixa pasmo,
ou melhor,
com a devida tremedeira
e encharcado de suor,
e digo cá comigo:
“que fria!,
madrugada
com fralda e mamadeira
em lugar de batucada e boemia”,
e me pergunto:
“será um beco sem saída?!”,
mas pergunto baixo
pra Alda nem desconfiar,
e engulo em seco,
fico atento ao assunto,
simulo alegria e não argumento,
se argumentar,
acho que a nega me mata!,
é...
meu camarada,
dei trela à namorada
e deu no que deu,
já se fez o chá-de-panela
e o casamento já tem data!
é de se tirar o chapéu,
a nega é prolixa
e chega a ter apnéia
quando embala e fala
em aliança, véu e grinalda,
em pança
e umbigo estufado,
seu entusiasmo me deixa pasmo,
ou melhor,
com a devida tremedeira
e encharcado de suor,
e digo cá comigo:
“que fria!,
madrugada
com fralda e mamadeira
em lugar de batucada e boemia”,
e me pergunto:
“será um beco sem saída?!”,
mas pergunto baixo
pra Alda nem desconfiar,
e engulo em seco,
fico atento ao assunto,
simulo alegria e não argumento,
se argumentar,
acho que a nega me mata!,
é...
meu camarada,
dei trela à namorada
e deu no que deu,
já se fez o chá-de-panela
e o casamento já tem data!
terça-feira, outubro 10, 2006
Se só tem tu, vai tu mesmo!
Se só tem tu, vai tu mesmo!,
vai tu mesmo se só tem tu!,
que não surto
ou caio em depressão
nem quando o tutu fica curto,
sem jóia pra empenhar,
vou de peru e papagaio,
depois,
se não der certo
na banca nem no banco,
não me aperto,
também não boto banca
nem banco avestruz,
pois ao rombo,
ao tombo fiz jus,
então,
em vez de três,
faço uma refeição,
se nem pra uma der,
vou de pão
com paio ou chouriço,
se não tiver nem pra isso,
a opção é jejuar,
em compensação,
sem bóia pra esquentar,
economizo gás,
sem jornais pra ler,
não preciso
botar fogo no leocádio
quando cortam minha luz,
e não sou de confusão,
não brigo
nem com o vizinho idiota
que a tela da tevê
bloqueia com a janela
e no meu jogo bota areia,
me ligo no rádio
do surdinho aqui do andar
e consigo vibrar com o Mengão,
posso afirmar
que nem em matéria de sexo
fico perplexo,
caso a Neusa fique tristonha
e perca o pique,
caso a Valéria se esconda
pra não me atender,
caso a Creusa tire onda
e não me dê
nem uma mãozinha,
eu me viro,
me inspiro
com minha vizinha gostosa
e vou de bronha,
e vou todo prosa,
agora,
há uma hora tão séria
que não há lugar pra isso,
é a do samba,
e nessa hora eu me ouriço,
mas,
quando não dá pra sambar,
fico sem viço,
dou féria ao bamba,
saio fora
e vou pra cama descansar
que só o samba me inflama!
vai tu mesmo se só tem tu!,
que não surto
ou caio em depressão
nem quando o tutu fica curto,
sem jóia pra empenhar,
vou de peru e papagaio,
depois,
se não der certo
na banca nem no banco,
não me aperto,
também não boto banca
nem banco avestruz,
pois ao rombo,
ao tombo fiz jus,
então,
em vez de três,
faço uma refeição,
se nem pra uma der,
vou de pão
com paio ou chouriço,
se não tiver nem pra isso,
a opção é jejuar,
em compensação,
sem bóia pra esquentar,
economizo gás,
sem jornais pra ler,
não preciso
botar fogo no leocádio
quando cortam minha luz,
e não sou de confusão,
não brigo
nem com o vizinho idiota
que a tela da tevê
bloqueia com a janela
e no meu jogo bota areia,
me ligo no rádio
do surdinho aqui do andar
e consigo vibrar com o Mengão,
posso afirmar
que nem em matéria de sexo
fico perplexo,
caso a Neusa fique tristonha
e perca o pique,
caso a Valéria se esconda
pra não me atender,
caso a Creusa tire onda
e não me dê
nem uma mãozinha,
eu me viro,
me inspiro
com minha vizinha gostosa
e vou de bronha,
e vou todo prosa,
agora,
há uma hora tão séria
que não há lugar pra isso,
é a do samba,
e nessa hora eu me ouriço,
mas,
quando não dá pra sambar,
fico sem viço,
dou féria ao bamba,
saio fora
e vou pra cama descansar
que só o samba me inflama!
quinta-feira, setembro 28, 2006
Trilogia marginal
“Com o ferro na mão,
Duda Cobra-Mal-Criada
não dava chance ao povo
e ganhava no berro”,
obra inicial publicada,
mas já saiu do prelo
o novo romance:
“Quando chegar a sua vez,
dance conforme a canção
no xadrez da Distrital
e de chinelo e bermuda”,
mas,
para que se forme
a trilogia marginal
que o dia a dia do autor
anunciava a todo o vapor,
vem aí a obra final,
“Depois de batido o martelo,
de macacão listado,
aqui da prisão
contemplo a vida
que lá fora é vivida",
a ser editado
após transitar em julgado
o que já foi decidido,
a condenação,
e o estrondoso sucesso literário
só vai perder pro ar explosivo
que o escritor cativo
respira e transpira
pra tirar o seu da reta,
sua meta principal
no recesso carcerário,
que é preciso ser jeitoso
num cubículo ridículo
e com senões à beça:
é quente pra cachorro,
têm surra e curra,
e não peça socorro
que não se ouve quem urra
pois tem gente suficiente
pra abafar qualquer esporro,
Ali Babá
e bem mais de 40 ladrões,
e só há um boi,
quem foi, foi,
e pra visão ser completa,
disenteria, seborréia,
pé-de-atleta,
piorréia, urticária,
infecção urinária,
só mazela abunda na cela,
pra se ter
uma idéia profunda,
uma lista só não chega,
e tudo sem o calor da nega!,
agora,
passada a hora
e passando a vida em revista,
o autor se diz malsucedido,
mas,
o exemplo será seguido
por aquele malandro
que não percebe
que o mundo
o faz de otário
e seguirá sendo perquirido
pelo analista social
que no meandro do assunto
mergulha de cabeça
com seu cabedal
panfletário e mixe,
e só faz borbulha,
e o especialista
acha que vai fundo,
por incrível que pareça,
não atravessaria
nem a fina fatia de presunto
daquele sanduíche
do proprietário sovina
daquela padaria lá da esquina.
Duda Cobra-Mal-Criada
não dava chance ao povo
e ganhava no berro”,
obra inicial publicada,
mas já saiu do prelo
o novo romance:
“Quando chegar a sua vez,
dance conforme a canção
no xadrez da Distrital
e de chinelo e bermuda”,
mas,
para que se forme
a trilogia marginal
que o dia a dia do autor
anunciava a todo o vapor,
vem aí a obra final,
“Depois de batido o martelo,
de macacão listado,
aqui da prisão
contemplo a vida
que lá fora é vivida",
a ser editado
após transitar em julgado
o que já foi decidido,
a condenação,
e o estrondoso sucesso literário
só vai perder pro ar explosivo
que o escritor cativo
respira e transpira
pra tirar o seu da reta,
sua meta principal
no recesso carcerário,
que é preciso ser jeitoso
num cubículo ridículo
e com senões à beça:
é quente pra cachorro,
têm surra e curra,
e não peça socorro
que não se ouve quem urra
pois tem gente suficiente
pra abafar qualquer esporro,
Ali Babá
e bem mais de 40 ladrões,
e só há um boi,
quem foi, foi,
e pra visão ser completa,
disenteria, seborréia,
pé-de-atleta,
piorréia, urticária,
infecção urinária,
só mazela abunda na cela,
pra se ter
uma idéia profunda,
uma lista só não chega,
e tudo sem o calor da nega!,
agora,
passada a hora
e passando a vida em revista,
o autor se diz malsucedido,
mas,
o exemplo será seguido
por aquele malandro
que não percebe
que o mundo
o faz de otário
e seguirá sendo perquirido
pelo analista social
que no meandro do assunto
mergulha de cabeça
com seu cabedal
panfletário e mixe,
e só faz borbulha,
e o especialista
acha que vai fundo,
por incrível que pareça,
não atravessaria
nem a fina fatia de presunto
daquele sanduíche
do proprietário sovina
daquela padaria lá da esquina.
sábado, setembro 23, 2006
Sou amor pleno
Sou amor pleno,
pleno amor
do começo ao fim,
e só sei ser assim,
e é tanto amar
que esqueço de mim
e de todo me entrego,
de todo me apego,
e é tanto apego
que chego a renegar
outro aconchego qualquer,
me nego a aceitar
outro abraço,
sequer consigo pensar
em um outro beijo,
vivo um desejo exclusivo
e tão incessante
que não passo
nem um instante
sem querer o meu amor,
é um feitiço
que não arrefece,
apesar disso,
parece pra mim
que não amo o bastante,
sou amor pleno,
pleno amor
do começo ao fim,
e nem sei dizer
se mereço amar assim!
pleno amor
do começo ao fim,
e só sei ser assim,
e é tanto amar
que esqueço de mim
e de todo me entrego,
de todo me apego,
e é tanto apego
que chego a renegar
outro aconchego qualquer,
me nego a aceitar
outro abraço,
sequer consigo pensar
em um outro beijo,
vivo um desejo exclusivo
e tão incessante
que não passo
nem um instante
sem querer o meu amor,
é um feitiço
que não arrefece,
apesar disso,
parece pra mim
que não amo o bastante,
sou amor pleno,
pleno amor
do começo ao fim,
e nem sei dizer
se mereço amar assim!
Em vez de uma fada
Alda se esbalda na safadeza,
e a safadeza é tanta
que não fica surpresa
nem se acabrunha
quando dou flagrante,
e flagrante com testemunha,
quem diria
que a menina pudica
ia virar uma baita messalina,
quem supunha
que o jeitinho de santa
era cunha pr’abrir caminho
no coração de algum panaca
e botar a mão na sua gaita,
e botou direitinho,
e eu fui o babaca,
entrei de gaiato
e ainda paguei
vestido, véu e grinalda,
e estou pagando o pato
dia após dia,
e era tido como malandro,
e era tão malandro
que levei rasteira
já na lua-de-mel,
um domingo de Carnaval,
me falou
que ia ao bingo com a titia
e se mandou pra rua,
e a safada
voltou na quarta-feira,
e farta de farra
e no maior fogo,
e o fogo era de pinga,
e veio
só com uma sobra de fio-dental
no meio da popa
e com ginga de cobra criada,
e o pior,
me fez crer na marra
que no jogo
tinha perdido a roupa,
agora,
enquanto
levanto de madrugada,
e de hora em hora,
pra dar de mamar
e trocar fralda do Juquinha
que é muito parecido
com o marido da vizinha,
Alda roda de mão em mão,
é...
em vez de uma fada,
levei uma foda!
e a safadeza é tanta
que não fica surpresa
nem se acabrunha
quando dou flagrante,
e flagrante com testemunha,
quem diria
que a menina pudica
ia virar uma baita messalina,
quem supunha
que o jeitinho de santa
era cunha pr’abrir caminho
no coração de algum panaca
e botar a mão na sua gaita,
e botou direitinho,
e eu fui o babaca,
entrei de gaiato
e ainda paguei
vestido, véu e grinalda,
e estou pagando o pato
dia após dia,
e era tido como malandro,
e era tão malandro
que levei rasteira
já na lua-de-mel,
um domingo de Carnaval,
me falou
que ia ao bingo com a titia
e se mandou pra rua,
e a safada
voltou na quarta-feira,
e farta de farra
e no maior fogo,
e o fogo era de pinga,
e veio
só com uma sobra de fio-dental
no meio da popa
e com ginga de cobra criada,
e o pior,
me fez crer na marra
que no jogo
tinha perdido a roupa,
agora,
enquanto
levanto de madrugada,
e de hora em hora,
pra dar de mamar
e trocar fralda do Juquinha
que é muito parecido
com o marido da vizinha,
Alda roda de mão em mão,
é...
em vez de uma fada,
levei uma foda!
quinta-feira, setembro 21, 2006
Não a cutuque
Não se machuque,
cara,
não a cutuque
com vara curta,
nem com longa,
você nem imagina
a sanha que derrama
quando surta,
vai a dama e vem a fera,
seja menina,
seja mulher,
e não é uma fera qualquer,
fera é à beça,
e dessa a gente não ganha
que ela é astuta,
tem araponga
em tudo que é canto
e manha e truque
pra qualquer disputa,
e luta com qualquer arma,
até com o pranto,
e não se alarma
com muque e força bruta,
torça
pra não arranjar rolo
com essa fera ávida
que fica linda
quando enfrenta a gravidez
e a barriga ainda ostenta,
se não está grávida,
todo mês sangra
e em nenhum sangra de vez!,
essa fera
é fera para o que der e vier,
não seja tolo
de com ela querer briga,
seja ela
amiga, parenta ou mulher!
cara,
não a cutuque
com vara curta,
nem com longa,
você nem imagina
a sanha que derrama
quando surta,
vai a dama e vem a fera,
seja menina,
seja mulher,
e não é uma fera qualquer,
fera é à beça,
e dessa a gente não ganha
que ela é astuta,
tem araponga
em tudo que é canto
e manha e truque
pra qualquer disputa,
e luta com qualquer arma,
até com o pranto,
e não se alarma
com muque e força bruta,
torça
pra não arranjar rolo
com essa fera ávida
que fica linda
quando enfrenta a gravidez
e a barriga ainda ostenta,
se não está grávida,
todo mês sangra
e em nenhum sangra de vez!,
essa fera
é fera para o que der e vier,
não seja tolo
de com ela querer briga,
seja ela
amiga, parenta ou mulher!
Olhe pra onde olhar
Não é mole
tocar o bonde,
olhe pra onde olhar,
é só lambança,
olhar sem sentido
de criança triste,
bandido de tocaia
e dedo em riste,
e tome medo, e tome bala,
a fome esfomeada
da arraia-miúda
que rala, e rala,
e nada,
e nada e morre na praia,
e ninguém ajuda,
ninguém socorre,
e o professor tarda,
e retarda o guarda,
e o doutor, e a justiça,
e os três são
de encher lingüiça,
Fulano, Beltrano e Sicrano,
e o pão é pra inglês ver,
“caiu!,
primeiro de maio!”,
aliás,
“primeiro de abril!”,
e sempre caio!,
e da missa
não sei nem a metade,
e nem sei
se tenho vontade de saber!
tocar o bonde,
olhe pra onde olhar,
é só lambança,
olhar sem sentido
de criança triste,
bandido de tocaia
e dedo em riste,
e tome medo, e tome bala,
a fome esfomeada
da arraia-miúda
que rala, e rala,
e nada,
e nada e morre na praia,
e ninguém ajuda,
ninguém socorre,
e o professor tarda,
e retarda o guarda,
e o doutor, e a justiça,
e os três são
de encher lingüiça,
Fulano, Beltrano e Sicrano,
e o pão é pra inglês ver,
“caiu!,
primeiro de maio!”,
aliás,
“primeiro de abril!”,
e sempre caio!,
e da missa
não sei nem a metade,
e nem sei
se tenho vontade de saber!
Por favor, moça
Por favor,
moça,
não brinque de me encantar,
de me enfeitiçar
com o seu moço encanto,
não brinque assim
pra não soltar
as amarras do amor
que amarrei em algum canto,
moça,
não finque
suas garras em mim
pra satisfazer um capricho,
um querer avulso,
impulso banal,
me ouça,
moça,
enquanto ainda é cedo,
não me trate feito bicho,
e se não for por respeito,
que seja por medo,
que pode acabar mal
se fazer amar
pra brincar de amor,
pode provocar
um dissabor atroz,
capaz de fazer do melhor ser
o pior animal,
o animal mais feroz!,
moça,
me deixe em paz
aqui no meu canto
que já vi pranto demais!
moça,
não brinque de me encantar,
de me enfeitiçar
com o seu moço encanto,
não brinque assim
pra não soltar
as amarras do amor
que amarrei em algum canto,
moça,
não finque
suas garras em mim
pra satisfazer um capricho,
um querer avulso,
impulso banal,
me ouça,
moça,
enquanto ainda é cedo,
não me trate feito bicho,
e se não for por respeito,
que seja por medo,
que pode acabar mal
se fazer amar
pra brincar de amor,
pode provocar
um dissabor atroz,
capaz de fazer do melhor ser
o pior animal,
o animal mais feroz!,
moça,
me deixe em paz
aqui no meu canto
que já vi pranto demais!
terça-feira, setembro 19, 2006
Vá se preparando pra dar o pira
Todo santo dia,
pro santo do dia
você apela,
alicia o meu bom senso
de tudo que é forma,
revela supresa e espanto
com a fisionomia tesa
e faz que não se conforma,
e não pára por aí,
quase vai ao pranto
tentando mudar de assunto
quando pergunto
quem escreveu “te amo”
no seu lenço com batom,
e, pra concluir,
com uma cara-de-pau
que igual nunca vi,
amplia o tom do reclamo
e diz que está disposto a tudo
pra descobrir
quem foi o infeliz
que fez essa piada de mau gosto,
contudo,
já estamos nessa inana
há bem mais de uma semana,
e nada,
nenhuma pista,
ninguém da lista
assumiu a autoria,
portanto,
ou analisamos a caligrafia
de toda e qualquer
pessoa suspeita,
ou, então,
pra não fazer
desfeita a tanta gente amiga,
pra evitar briga
com quem nos quer tão bem,
analisamos somente
a da Letícia,
a boa e bela secretária
que se encaixa
naquela faixa etária
que você tanto admira,
mas,
enquanto não vem
o laudo da perícia,
pra que eu
não entorne o caldo,
te escorne
e te faça ser notícia,
vá se preparando
pra dar o pira,
vá arrumando a mala,
cochilando na sala,
tomando refeição em pensão
e depositando a pensão alimentícia!
pro santo do dia
você apela,
alicia o meu bom senso
de tudo que é forma,
revela supresa e espanto
com a fisionomia tesa
e faz que não se conforma,
e não pára por aí,
quase vai ao pranto
tentando mudar de assunto
quando pergunto
quem escreveu “te amo”
no seu lenço com batom,
e, pra concluir,
com uma cara-de-pau
que igual nunca vi,
amplia o tom do reclamo
e diz que está disposto a tudo
pra descobrir
quem foi o infeliz
que fez essa piada de mau gosto,
contudo,
já estamos nessa inana
há bem mais de uma semana,
e nada,
nenhuma pista,
ninguém da lista
assumiu a autoria,
portanto,
ou analisamos a caligrafia
de toda e qualquer
pessoa suspeita,
ou, então,
pra não fazer
desfeita a tanta gente amiga,
pra evitar briga
com quem nos quer tão bem,
analisamos somente
a da Letícia,
a boa e bela secretária
que se encaixa
naquela faixa etária
que você tanto admira,
mas,
enquanto não vem
o laudo da perícia,
pra que eu
não entorne o caldo,
te escorne
e te faça ser notícia,
vá se preparando
pra dar o pira,
vá arrumando a mala,
cochilando na sala,
tomando refeição em pensão
e depositando a pensão alimentícia!
segunda-feira, setembro 18, 2006
Tá bom ou quer mais?!
Fui indo, fui indo, fui indo,
e por pouco,
por muito pouco
não acabei fondo,
que fiquei cantando Il Mondo
à beira da sarjeta
e só fui ouvido
por um ouvido mouco
que nem me deu gorjeta,
inda bem
que Julieta é maneira
e um ás quando faz
o que faz todo mundo,
entretanto,
enquanto todo mundo
se acanha de dizer,
Julieta reclama
quando não difundo
o que ela inventa,
como se assanha
e vai fundo na cama,
e quanto mais faz,
mais Julieta quer fazer,
aí,
se vestiu de ninfeta,
e não esqueceu nem a soquete,
e se meteu na pista,
fez psiu
pra um turista provecto
que pelo aspecto
já deixara os setenta e sete
bem lá pra trás
e,
além de descolar
algum de pronto,
deixou tão tonto o ancião
que logo após
nos fez proposta de casamento
que no mesmo momento
foi aceita por nós dois,
agora,
Julieta virou gringa
e gosta que a chame
de Madame Julliette
e adora falar que sou eu
seu valet du chambre,
e degustamos
fiambre, caviar e champanha
que nos cansamos
de pinga, torresmo, feijão e arroz,
e nos acompanha o ancião,
em resumo,
somos um trio
que faz muito sucesso,
o ancião tem muita grana
e muita grana a gente gasta,
por mais que tente,
é evidente
que o ancião já não basta,
então,
eu assumo a função
porque é preciso,
não fosse
o excesso de frio
de janeiro a janeiro,
seria o paraíso!,
mas,
quando fica frio demais,
a gente se manda da Europa
e vem pro Rio,
e a gente só fica no Copa!,
tá bom ou quer mais?!
e por pouco,
por muito pouco
não acabei fondo,
que fiquei cantando Il Mondo
à beira da sarjeta
e só fui ouvido
por um ouvido mouco
que nem me deu gorjeta,
inda bem
que Julieta é maneira
e um ás quando faz
o que faz todo mundo,
entretanto,
enquanto todo mundo
se acanha de dizer,
Julieta reclama
quando não difundo
o que ela inventa,
como se assanha
e vai fundo na cama,
e quanto mais faz,
mais Julieta quer fazer,
aí,
se vestiu de ninfeta,
e não esqueceu nem a soquete,
e se meteu na pista,
fez psiu
pra um turista provecto
que pelo aspecto
já deixara os setenta e sete
bem lá pra trás
e,
além de descolar
algum de pronto,
deixou tão tonto o ancião
que logo após
nos fez proposta de casamento
que no mesmo momento
foi aceita por nós dois,
agora,
Julieta virou gringa
e gosta que a chame
de Madame Julliette
e adora falar que sou eu
seu valet du chambre,
e degustamos
fiambre, caviar e champanha
que nos cansamos
de pinga, torresmo, feijão e arroz,
e nos acompanha o ancião,
em resumo,
somos um trio
que faz muito sucesso,
o ancião tem muita grana
e muita grana a gente gasta,
por mais que tente,
é evidente
que o ancião já não basta,
então,
eu assumo a função
porque é preciso,
não fosse
o excesso de frio
de janeiro a janeiro,
seria o paraíso!,
mas,
quando fica frio demais,
a gente se manda da Europa
e vem pro Rio,
e a gente só fica no Copa!,
tá bom ou quer mais?!
quinta-feira, setembro 14, 2006
Olha a Central do Brasil aí, minha gente!
Que lindo!,
que se louve a moçada,
vem apertada no trem
e ainda canta e faz batucada,
e o patrão tá dormindo
que ainda é madrugada,
e o canto do galo
só ouve o operário
que só tem dinheiro
um dia por mês
e só na hora do salário,
e já na estação
se afigura o embalo,
enquanto desbota
a tez da Bianca
que lava e passa pra fora,
pilota o fogão e atura a prole
o dia, o mês, o ano inteiro,
seu companheiro,
Juca da Farmácia,
refresca a cuca,
bole e batuca nas ancas
da Anastácia do Aviário,
patroa do Mário Tintureiro,
não é à toa que o Juca
tanto vai às rinhas
e carrega tantas camisinhas,
e ainda esnoba:
trata-se do quantum satis;
e tudo é amostra grátis,
não é à toa
que tanto voa a Anastácia
quando sai do galinheiro,
mas Bianca e Tintureiro,
como sói acontecer,
não serão os primeiros a saber
dessa roupa suja,
cuja sujeira
o trem inteiro todo dia vê,
isso dói,
magoa,
mas sara,
coisas da vida,
e a vida não pára
e vai adiante,
e vem a partida,
e não há zona,
ninguém sai da linha,
nem desafina,
Dona Ondina,
da copa e da cozinha,
da lingüiça e do torresmo,
o desafio topa,
atiça a chama e doura o samba
do Lisboa da Tesoura,
que a voz da dama
é mesmo muito boa,
e o autor,
qual o mestre Alfaiate,
é um bamba inconteste,
Adelina do Tomate,
e na feira não há igual,
capricha no assobio,
no remate do estribilho,
que mete ficha
desde menina
pelas ruas do Rio,
Zito Pedreira não recua,
deita e rola no apito,
estica e acende o rastilho,
e faz explodir o pessoal,
e Cacau da Meia-Sola,
que de couro manja,
dá uma canja com a cuíca
e põe mais lenha na fogueira,
Maria da Penha,
caixeira do Ceasa
repica a marmita,
que, por pura ironia,
saindo vazia de casa,
parece feita sob medida,
e Dida,
que vive da dita
e a turma respeita,
que só vende bilhete
quem aprende o macete,
em falsete, solta o grito:
"Tá na hora, meu trem,
vem que vem bonito!";
e Doras, Délias, Célias
se enchem de arrepios
e de emoção,
nem as mais velhas
contêm a euforia,
e se contagia outro vagão,
e vai assim,
e mais um acorda
com os acordes do bandolim,
que nem de farda
o guarda dele se desgruda,
e Duda, ás do volante
na Barão de Drummond-Leblon,
engrena uns passos,
Lena Ambulante chega junto,
que é craque nesse assunto,
e mestre-sala e porta-bandeira
não precisam de espaço,
o tabaque do Didi do Boteco
instiga o Neco da Pipoca,
que, após a troca,
é Mimi da Mem de Sá,
e sempre dá o que falar,
mas,
merece ser destaque,
que sabe dizer no pé,
e há até quem diga
que cresce a sua claque,
Dedé Doceira mexe e remexe,
e assanha as cadeiras,
cutuca, futuca,
e encurrala o Miro do Talho,
sujeito afeito
a rabada, alcatra e maminha,
mas o Miro sai pela culatra,
e Dorinha,
rainha do chocalho e da cocada preta,
se embala e ganha a parada,
que a outra desce na outra estação,
Tião das Camisetas costura a evolução,
que não lhe falta talento
pra essa empreitada,
Bento Desenhista,
artista cem por cento,
com inspiração e magia
configura a harmonia,
e, na comissão de frente,
Ismail Maquinista,
que na folga é garçom,
manda, comanda e empolga:
"olha a Central do Brasil aí,
minha gente!"
que se louve a moçada,
vem apertada no trem
e ainda canta e faz batucada,
e o patrão tá dormindo
que ainda é madrugada,
e o canto do galo
só ouve o operário
que só tem dinheiro
um dia por mês
e só na hora do salário,
e já na estação
se afigura o embalo,
enquanto desbota
a tez da Bianca
que lava e passa pra fora,
pilota o fogão e atura a prole
o dia, o mês, o ano inteiro,
seu companheiro,
Juca da Farmácia,
refresca a cuca,
bole e batuca nas ancas
da Anastácia do Aviário,
patroa do Mário Tintureiro,
não é à toa que o Juca
tanto vai às rinhas
e carrega tantas camisinhas,
e ainda esnoba:
trata-se do quantum satis;
e tudo é amostra grátis,
não é à toa
que tanto voa a Anastácia
quando sai do galinheiro,
mas Bianca e Tintureiro,
como sói acontecer,
não serão os primeiros a saber
dessa roupa suja,
cuja sujeira
o trem inteiro todo dia vê,
isso dói,
magoa,
mas sara,
coisas da vida,
e a vida não pára
e vai adiante,
e vem a partida,
e não há zona,
ninguém sai da linha,
nem desafina,
Dona Ondina,
da copa e da cozinha,
da lingüiça e do torresmo,
o desafio topa,
atiça a chama e doura o samba
do Lisboa da Tesoura,
que a voz da dama
é mesmo muito boa,
e o autor,
qual o mestre Alfaiate,
é um bamba inconteste,
Adelina do Tomate,
e na feira não há igual,
capricha no assobio,
no remate do estribilho,
que mete ficha
desde menina
pelas ruas do Rio,
Zito Pedreira não recua,
deita e rola no apito,
estica e acende o rastilho,
e faz explodir o pessoal,
e Cacau da Meia-Sola,
que de couro manja,
dá uma canja com a cuíca
e põe mais lenha na fogueira,
Maria da Penha,
caixeira do Ceasa
repica a marmita,
que, por pura ironia,
saindo vazia de casa,
parece feita sob medida,
e Dida,
que vive da dita
e a turma respeita,
que só vende bilhete
quem aprende o macete,
em falsete, solta o grito:
"Tá na hora, meu trem,
vem que vem bonito!";
e Doras, Délias, Célias
se enchem de arrepios
e de emoção,
nem as mais velhas
contêm a euforia,
e se contagia outro vagão,
e vai assim,
e mais um acorda
com os acordes do bandolim,
que nem de farda
o guarda dele se desgruda,
e Duda, ás do volante
na Barão de Drummond-Leblon,
engrena uns passos,
Lena Ambulante chega junto,
que é craque nesse assunto,
e mestre-sala e porta-bandeira
não precisam de espaço,
o tabaque do Didi do Boteco
instiga o Neco da Pipoca,
que, após a troca,
é Mimi da Mem de Sá,
e sempre dá o que falar,
mas,
merece ser destaque,
que sabe dizer no pé,
e há até quem diga
que cresce a sua claque,
Dedé Doceira mexe e remexe,
e assanha as cadeiras,
cutuca, futuca,
e encurrala o Miro do Talho,
sujeito afeito
a rabada, alcatra e maminha,
mas o Miro sai pela culatra,
e Dorinha,
rainha do chocalho e da cocada preta,
se embala e ganha a parada,
que a outra desce na outra estação,
Tião das Camisetas costura a evolução,
que não lhe falta talento
pra essa empreitada,
Bento Desenhista,
artista cem por cento,
com inspiração e magia
configura a harmonia,
e, na comissão de frente,
Ismail Maquinista,
que na folga é garçom,
manda, comanda e empolga:
"olha a Central do Brasil aí,
minha gente!"
Só por isso?!
Mulher,
você diz
pra quem quiser ouvir
que eu te faço infeliz,
que não vai desistir
enquanto não me fizer
virar um frangalho
e segue me dando esbregue,
descendo o malho em mim,
e se vale até de ato falho
pra dizer aos quatro ventos
que não tenho talento,
que tenho defeito e falha,
você espalha
que não tenho jeito
nem pra fazer amor
e que quando faço
é um amor chinfrim
que não chega nem ao fim,
por que você age assim,
mulher?!,
o que é que você quer?!,
até diante dos rebentos
você me esculacha,
me tacha
de zero à esquerda,
de perda ambulante
e de canalha,
e garante que sou fruto
de um bruto fracasso genético,
por isso não passo
de um mero tratante
e de um patético salafrário,
por que você reage assim,
mulher?!,
eu não trabalho,
mas seu salário eu recebo
e jogo
porque é necessário
tentar a sorte!,
eu bebo
mas mantenho o porte
e você sabe
que eu não me drogo!,
por que você reage assim,
mulher?!
eu me espalho na boemia
e não passo um só dia
sem ter amante,
mas não te xingo
e, quando posso,
no domingo almoço em casa!,
e só por isso
você me arrasa?!,
só por isso?!
você diz
pra quem quiser ouvir
que eu te faço infeliz,
que não vai desistir
enquanto não me fizer
virar um frangalho
e segue me dando esbregue,
descendo o malho em mim,
e se vale até de ato falho
pra dizer aos quatro ventos
que não tenho talento,
que tenho defeito e falha,
você espalha
que não tenho jeito
nem pra fazer amor
e que quando faço
é um amor chinfrim
que não chega nem ao fim,
por que você age assim,
mulher?!,
o que é que você quer?!,
até diante dos rebentos
você me esculacha,
me tacha
de zero à esquerda,
de perda ambulante
e de canalha,
e garante que sou fruto
de um bruto fracasso genético,
por isso não passo
de um mero tratante
e de um patético salafrário,
por que você reage assim,
mulher?!,
eu não trabalho,
mas seu salário eu recebo
e jogo
porque é necessário
tentar a sorte!,
eu bebo
mas mantenho o porte
e você sabe
que eu não me drogo!,
por que você reage assim,
mulher?!
eu me espalho na boemia
e não passo um só dia
sem ter amante,
mas não te xingo
e, quando posso,
no domingo almoço em casa!,
e só por isso
você me arrasa?!,
só por isso?!
quarta-feira, setembro 13, 2006
Onde há fumaça, há fogo
Onde há fumaça,
há fogo,
e há no jogo
da fêmea e do macho,
e quanto mais
a fêmea é moça,
e quanto mais
o macho é moço,
mais o fogo é intenso
e menos propenso
a trégua e pausa,
e causa mais fumaça,
e a gente vê e sente
a bem mais de légua,
e não há nada que impeça
a propagação desse fogo
nem régua que esse fogo meça,
aí,
por mais
que se faça de louça a fêmea
e fique até sem graça,
por mais
que ainda seja o moço
um esboço de macho,
eles teimam, reteimam
e se queimam nesse fogo,
e não há queimação igual,
afinal,
é a raça que está em jogo!
há fogo,
e há no jogo
da fêmea e do macho,
e quanto mais
a fêmea é moça,
e quanto mais
o macho é moço,
mais o fogo é intenso
e menos propenso
a trégua e pausa,
e causa mais fumaça,
e a gente vê e sente
a bem mais de légua,
e não há nada que impeça
a propagação desse fogo
nem régua que esse fogo meça,
aí,
por mais
que se faça de louça a fêmea
e fique até sem graça,
por mais
que ainda seja o moço
um esboço de macho,
eles teimam, reteimam
e se queimam nesse fogo,
e não há queimação igual,
afinal,
é a raça que está em jogo!
Empurro com a barriga
Não me iludo,
posso ser tudo,
mas,
burro não sou não,
por isso,
me toco com cobranças,
especialmente de cobrador,
esse ser
que no coração
tem cifrão em vez de amor,
aí,
invoco ditame moral,
falo em quebrar lanças
pra livrar do vexame
a reputação ilibada,
convoco a Osória,
que a patroa é danada
e prega peça
com a maior cara-de-pau,
quer dizer,
faço o que posso
e o que sei fazer,
e ainda faço figa e promessa
pra dar tudo certo,
em geral,
saio do aperto numa boa
e empurro com a barriga
compromisso e promissória,
mas,
quando o bicho pega
e não há conserto,
primeiramente
a gente entrega
o que não é nosso
e vê se dar
pra escapar do bochicho;
no boteco,
capricho no repeteco,
juro que estou duro
e faço tanto apelo
que dá pêlo o português
e mais uma vez
penduro a despesa,
no fim do mês,
com muita esperteza,
adio sine die o pagamento
sem perder o crédito,
mas,
é bom que se diga,
meu argumento
é inédito toda vez;
quando é necessário,
faço uma cena
e passo por otário
se assim desperto pena
e evito pra mim
rolo, bolo, e confusão,
e tem tolo à beça
que ainda entra nessa,
entranto,
quando sinto que o tiro
pode sair pela culatra,
eu me viro
e dou a volta por cima,
com a vista encharcada,
deploro, imploro,
conto história tão triste
com voz tão ambargada
que comovo até psiquiatra,
todavia,
se alguém se arrelia,
põe entrave
e o clima fica ruim,
com o cenho fechado
e grave expressão,
ameaço adotar
a medida extrema,
dar cabo da vida,
só não digo da vida de quem,
até pareço
artista de cinema,
e me gabo do desempenho
que não tem
quem não acredite!,
seja do povo, seja da elite,
enfim,
empurro com a barriga
essa vida inglória
e, nessa lufa-lufa,
de quando em quando,
estufa a barriga da Osória!
posso ser tudo,
mas,
burro não sou não,
por isso,
me toco com cobranças,
especialmente de cobrador,
esse ser
que no coração
tem cifrão em vez de amor,
aí,
invoco ditame moral,
falo em quebrar lanças
pra livrar do vexame
a reputação ilibada,
convoco a Osória,
que a patroa é danada
e prega peça
com a maior cara-de-pau,
quer dizer,
faço o que posso
e o que sei fazer,
e ainda faço figa e promessa
pra dar tudo certo,
em geral,
saio do aperto numa boa
e empurro com a barriga
compromisso e promissória,
mas,
quando o bicho pega
e não há conserto,
primeiramente
a gente entrega
o que não é nosso
e vê se dar
pra escapar do bochicho;
no boteco,
capricho no repeteco,
juro que estou duro
e faço tanto apelo
que dá pêlo o português
e mais uma vez
penduro a despesa,
no fim do mês,
com muita esperteza,
adio sine die o pagamento
sem perder o crédito,
mas,
é bom que se diga,
meu argumento
é inédito toda vez;
quando é necessário,
faço uma cena
e passo por otário
se assim desperto pena
e evito pra mim
rolo, bolo, e confusão,
e tem tolo à beça
que ainda entra nessa,
entranto,
quando sinto que o tiro
pode sair pela culatra,
eu me viro
e dou a volta por cima,
com a vista encharcada,
deploro, imploro,
conto história tão triste
com voz tão ambargada
que comovo até psiquiatra,
todavia,
se alguém se arrelia,
põe entrave
e o clima fica ruim,
com o cenho fechado
e grave expressão,
ameaço adotar
a medida extrema,
dar cabo da vida,
só não digo da vida de quem,
até pareço
artista de cinema,
e me gabo do desempenho
que não tem
quem não acredite!,
seja do povo, seja da elite,
enfim,
empurro com a barriga
essa vida inglória
e, nessa lufa-lufa,
de quando em quando,
estufa a barriga da Osória!
terça-feira, setembro 12, 2006
Devagar, moça
Devagar com o andor,
moça,
que é de louça o santo,
devagar com o amor,
moça,
pra não se acabar
numa poça de pranto,
que o amor encanta
em qualquer idade
e é normal o encanto,
quando se encantar,
moça,
com o amor
se aqueça e inflame,
ame à saciedade,
e ame mais e mais,
ame o quanto puder,
enquanto tiver vontade
e de amar você for capaz,
afinal,
o amor é o mais importante,
mas,
não se esqueça
nem por um instante
de sentir por você amor igual!,
se esquecer,
vai sofrer e ficar só,
e vai descobrir o pior,
que não foi
amor de verdade,
devagar com o andor,
moça,
que é de louça o santo,
devagar com o amor,
moça,
pra não se acabar
numa poça de pranto!
moça,
que é de louça o santo,
devagar com o amor,
moça,
pra não se acabar
numa poça de pranto,
que o amor encanta
em qualquer idade
e é normal o encanto,
quando se encantar,
moça,
com o amor
se aqueça e inflame,
ame à saciedade,
e ame mais e mais,
ame o quanto puder,
enquanto tiver vontade
e de amar você for capaz,
afinal,
o amor é o mais importante,
mas,
não se esqueça
nem por um instante
de sentir por você amor igual!,
se esquecer,
vai sofrer e ficar só,
e vai descobrir o pior,
que não foi
amor de verdade,
devagar com o andor,
moça,
que é de louça o santo,
devagar com o amor,
moça,
pra não se acabar
numa poça de pranto!
segunda-feira, setembro 11, 2006
Viver!
O que posso fazer
se não sou capaz
de viver a vida
sem amor e liberdade
e se da felicidade
o amor me faz cativo?!,
o que posso fazer
se não consigo deixar
de amar a liberdade?!,
se não consigo
do amor me libertar?!,
o que posso fazer
se sem liberdade e amor
minha vida não tem valor?!,
o que posso fazer
se vivo pela metade
pois vivo uma utopia:
não sei viver sem amor
e não vivo sem alforria,
o que posso fazer?!,
viver!
se não sou capaz
de viver a vida
sem amor e liberdade
e se da felicidade
o amor me faz cativo?!,
o que posso fazer
se não consigo deixar
de amar a liberdade?!,
se não consigo
do amor me libertar?!,
o que posso fazer
se sem liberdade e amor
minha vida não tem valor?!,
o que posso fazer
se vivo pela metade
pois vivo uma utopia:
não sei viver sem amor
e não vivo sem alforria,
o que posso fazer?!,
viver!
sábado, setembro 09, 2006
Acordei de madrugada
Acordei de madrugada
morto de fome
e ainda torto
que meu porre não some,
não tem solução de continuidade,
e não tem
porque aprendi bem a lição
que me foi vindo com a idade:
“é melhor o opróbrio
do que agüentar sóbrio
tanto tranco, cacete e corre-corre”,
e fiz até questão
de atualizar meu dicionário
deixando em branco o lugar
do indigitado verbete,
bem,
acordei de madrugada
e não havia tocado o despertador
nem o telefone felizmente,
e comecei a lembrar de um cenário,
crente que era
um incômodo interior
de um cômodo de hotel
numa película do Antonioni,
talvez do Felini,
quiçá do Godard, do Glauber ou do Buñuel,
película que eu acho que vi
com a Celine ou com a Moema
que havia brigado com o namorado
que era o Joel, ou o Tuca ou o Valber,
e que vi num cine
em Ipanema ou na Tijuca,
cinema que creio que virou igreja,
edifício ou supermercado,
e lembrar o nome foi tão difícil
que acabei me esquecendo de lembrar,
mas,
como estava gelada a cerveja
e o uísque me abordou,
e por nada recuso seu convite,
tirei com o dente,
apesar da dificuldade,
um tasco de cutícula
e acabei perdendo o apetite,
aí,
cantarolei “Risque”
e veio à minha mente
um verso truncado
numa voz impotente,
quase muda,
e não sei dizer se o verso
era do Camões, ou do Lorca,
ou do Bandeira, ou do Neruda,
e, após imprecações, asneiras
e palavrões de praxe
que até algum relaxe me dão,
pensei cá com meus botões:
“quando a gente esquece até
que já está ficando esquecido,
aí é que a porca torce o rabo”,
e nem havia
levado a cabo esse pensamento
e noutro já estava metido,
já pensava no fiasco
que fez o Mengão
ao não conseguir fazer
nem um só tento no Vasco,
e, não sei se em razão
da insônia ou da birita,
pulei de repente pro churrasco
do aniversário de casamento
do Osmário e da Estelita,
e, sem cerimônia,
saltei pra Atenas
que sempre quis visitar,
quis apenas
que nada fiz pra ir até lá,
aliás,
e não vou esconder não,
desde bem cedo
tenho medo de avião
e navio não me apraz
que guardei a marca
de quando mareei
navegando do Rio a Niterói
numa barca da Cantareira
que partiu de um cais
que já não era chamado
de Caes Pharoux,
e, como sói acontecer,
botei pra fora tutu, torresmo
e couve à mineira,
e houve mesmo o maior rebu,
bem,
já vou indo,
vou tentar dormir agora
que estou me sentindo
como se tivesse levado uma sova,
mas,
só vou dormir
se minha senhora permitir
e se aquele conhecido pernilongo
não decidir
zumbir no meu ouvido
somente pra me sacanear,
e vou dormir
meu sono leve e breve,
que sono longo e profundo
é coisa pra gente nova
qu’inda sente vontade de sonhar,
ainda bem
que já estou aposentado
porque o mundo
já deve estar acordado
cá por essas bandas
e lá pelas dos pandas
já deve ser hora do jantar!
morto de fome
e ainda torto
que meu porre não some,
não tem solução de continuidade,
e não tem
porque aprendi bem a lição
que me foi vindo com a idade:
“é melhor o opróbrio
do que agüentar sóbrio
tanto tranco, cacete e corre-corre”,
e fiz até questão
de atualizar meu dicionário
deixando em branco o lugar
do indigitado verbete,
bem,
acordei de madrugada
e não havia tocado o despertador
nem o telefone felizmente,
e comecei a lembrar de um cenário,
crente que era
um incômodo interior
de um cômodo de hotel
numa película do Antonioni,
talvez do Felini,
quiçá do Godard, do Glauber ou do Buñuel,
película que eu acho que vi
com a Celine ou com a Moema
que havia brigado com o namorado
que era o Joel, ou o Tuca ou o Valber,
e que vi num cine
em Ipanema ou na Tijuca,
cinema que creio que virou igreja,
edifício ou supermercado,
e lembrar o nome foi tão difícil
que acabei me esquecendo de lembrar,
mas,
como estava gelada a cerveja
e o uísque me abordou,
e por nada recuso seu convite,
tirei com o dente,
apesar da dificuldade,
um tasco de cutícula
e acabei perdendo o apetite,
aí,
cantarolei “Risque”
e veio à minha mente
um verso truncado
numa voz impotente,
quase muda,
e não sei dizer se o verso
era do Camões, ou do Lorca,
ou do Bandeira, ou do Neruda,
e, após imprecações, asneiras
e palavrões de praxe
que até algum relaxe me dão,
pensei cá com meus botões:
“quando a gente esquece até
que já está ficando esquecido,
aí é que a porca torce o rabo”,
e nem havia
levado a cabo esse pensamento
e noutro já estava metido,
já pensava no fiasco
que fez o Mengão
ao não conseguir fazer
nem um só tento no Vasco,
e, não sei se em razão
da insônia ou da birita,
pulei de repente pro churrasco
do aniversário de casamento
do Osmário e da Estelita,
e, sem cerimônia,
saltei pra Atenas
que sempre quis visitar,
quis apenas
que nada fiz pra ir até lá,
aliás,
e não vou esconder não,
desde bem cedo
tenho medo de avião
e navio não me apraz
que guardei a marca
de quando mareei
navegando do Rio a Niterói
numa barca da Cantareira
que partiu de um cais
que já não era chamado
de Caes Pharoux,
e, como sói acontecer,
botei pra fora tutu, torresmo
e couve à mineira,
e houve mesmo o maior rebu,
bem,
já vou indo,
vou tentar dormir agora
que estou me sentindo
como se tivesse levado uma sova,
mas,
só vou dormir
se minha senhora permitir
e se aquele conhecido pernilongo
não decidir
zumbir no meu ouvido
somente pra me sacanear,
e vou dormir
meu sono leve e breve,
que sono longo e profundo
é coisa pra gente nova
qu’inda sente vontade de sonhar,
ainda bem
que já estou aposentado
porque o mundo
já deve estar acordado
cá por essas bandas
e lá pelas dos pandas
já deve ser hora do jantar!
quinta-feira, setembro 07, 2006
Meu amigo
Apesar da canseira,
meu amigo,
vamos lá,
aproveite,
se deite e enrosque comigo
que está vago o lugar,
e você
não tem mais ninguém,
e não há ninguém mais
que queira
em mim se enroscar,
quem sabe,
assim,
com nossos pecados
lado a lado,
um dos seus
me faça um afago,
em um dos meus
você se esfregue
e ainda consiga pecar?!,
vamos lá,
meu amigo,
não negue a mão amiga
a quem contigo quer se amigar,
se for preciso,
ficaremos calados
pra não dizermos dos defeitos,
dos amores desfeitos,
dos sabores
que já não sabemos saborear,
e não vamos tentar
amar de improviso
pra não provarmos
que já não somos capazes,
nem vamos dar ensejo
a briga e protesto
porque fazer as pazes
já não nos daria
tesão nem prazer,
talvez,
por ironia,
troquemos um beijo
quando estivermos sós
e falemos
dos desejos suspeitos
que ainda pudermos lembrar,
vamos lá,
meu amigo,
vamos correr
esse resto de perigo,
festejar o resto de festa
com o que ainda presta em nós,
o calor que ainda nos resta
e que talvez já não dê sequer
pra fazer um gesto de amor,
amor de homem e mulher!
meu amigo,
vamos lá,
aproveite,
se deite e enrosque comigo
que está vago o lugar,
e você
não tem mais ninguém,
e não há ninguém mais
que queira
em mim se enroscar,
quem sabe,
assim,
com nossos pecados
lado a lado,
um dos seus
me faça um afago,
em um dos meus
você se esfregue
e ainda consiga pecar?!,
vamos lá,
meu amigo,
não negue a mão amiga
a quem contigo quer se amigar,
se for preciso,
ficaremos calados
pra não dizermos dos defeitos,
dos amores desfeitos,
dos sabores
que já não sabemos saborear,
e não vamos tentar
amar de improviso
pra não provarmos
que já não somos capazes,
nem vamos dar ensejo
a briga e protesto
porque fazer as pazes
já não nos daria
tesão nem prazer,
talvez,
por ironia,
troquemos um beijo
quando estivermos sós
e falemos
dos desejos suspeitos
que ainda pudermos lembrar,
vamos lá,
meu amigo,
vamos correr
esse resto de perigo,
festejar o resto de festa
com o que ainda presta em nós,
o calor que ainda nos resta
e que talvez já não dê sequer
pra fazer um gesto de amor,
amor de homem e mulher!
segunda-feira, setembro 04, 2006
Venda seu peixe
Faça o que quiser,
mas,
não se desaponte,
não se queixe
nem se deixe
levar pelo cinismo,
sequer
se entupa de mágoa
por causa da água
que passa sob a ponte
e de roldão
nos leva na garupa,
é assim
dês que a Eva
deu a maçã ao Adão,
(será que maçã é eufemismo?!)
e vai ser assim até o fim,
e de nada adianta
tanta cara feia
que a água
não pára não,
e quem se aperreia,
quando não apeia
inda moço,
finda mais adiante
como todo mundo,
mas,
com uma agravante,
finda no fundo do poço,
e note,
seja ou não você chique,
esteja ou não no bem-bom,
não deixe de lado
a linha e o bom-tom,
e se dedique ao nado,
nada de esperar o bote
que o que dão por aqui
faz você ir a pique!,
portanto,
vê se nada,
e mais nada,
que esse nadinha de nada
é tudo que dá pra fazer,
vamos lá,
não se apoquente...
e um outro alô,
tente vender seu peixe,
seja baleia, cação ou sardinha,
mesmo sendo chucro
e não sendo
camelô de mão-cheia,
é a renda
da venda desse peixe
que pode dar algum lucro!
mas,
não se desaponte,
não se queixe
nem se deixe
levar pelo cinismo,
sequer
se entupa de mágoa
por causa da água
que passa sob a ponte
e de roldão
nos leva na garupa,
é assim
dês que a Eva
deu a maçã ao Adão,
(será que maçã é eufemismo?!)
e vai ser assim até o fim,
e de nada adianta
tanta cara feia
que a água
não pára não,
e quem se aperreia,
quando não apeia
inda moço,
finda mais adiante
como todo mundo,
mas,
com uma agravante,
finda no fundo do poço,
e note,
seja ou não você chique,
esteja ou não no bem-bom,
não deixe de lado
a linha e o bom-tom,
e se dedique ao nado,
nada de esperar o bote
que o que dão por aqui
faz você ir a pique!,
portanto,
vê se nada,
e mais nada,
que esse nadinha de nada
é tudo que dá pra fazer,
vamos lá,
não se apoquente...
e um outro alô,
tente vender seu peixe,
seja baleia, cação ou sardinha,
mesmo sendo chucro
e não sendo
camelô de mão-cheia,
é a renda
da venda desse peixe
que pode dar algum lucro!
sábado, setembro 02, 2006
No saculejo da boléia
No saculejo da boléia,
cada lombada,
cada curva da estrada
abastece a magia
e a analogia
com o molejo da Marinéia acelera,
aí,
dispara a minha idéia,
e a perna treme,
o peito geme
e a vista se turva,
na casa da patroa bacana,
é plebéia de avental,
no fim de semana,
é a tal,
rainha do Piscinão de Ramos
fazendo jus à coroa,
e todos vamos
só pra ver como ela é boa,
e ela arrasa num minibiquini
que parece foto 3x4
em porta-retratos
tamanho família,
e brilha de sol a sol,
e não há pausa nem pra meditação,
é batata,
cada aceno de um pêlo dourado
na pele mulata
causa o maior atropelo,
cotovelo pra lá e pra cá,
empurra-empurra,
surra, discussão e até divórcio,
fora a fila pra entrar na fila
de quem quer entrar no rateio
da sardinha e da cerveja
que ela consome,
e tome adesão ao consórcio
pra ter uma chance mensal
de tirar a rainha no sorteio,
e ainda não dei sorte,
mas não faz mal,
qualquer dia
vai surgir
um aporte de capital,
aí,
vou dar uma lance
que nenhum rival vai cobrir
e Marinéia
vai ser rainha da minha boléia!
cada lombada,
cada curva da estrada
abastece a magia
e a analogia
com o molejo da Marinéia acelera,
aí,
dispara a minha idéia,
e a perna treme,
o peito geme
e a vista se turva,
na casa da patroa bacana,
é plebéia de avental,
no fim de semana,
é a tal,
rainha do Piscinão de Ramos
fazendo jus à coroa,
e todos vamos
só pra ver como ela é boa,
e ela arrasa num minibiquini
que parece foto 3x4
em porta-retratos
tamanho família,
e brilha de sol a sol,
e não há pausa nem pra meditação,
é batata,
cada aceno de um pêlo dourado
na pele mulata
causa o maior atropelo,
cotovelo pra lá e pra cá,
empurra-empurra,
surra, discussão e até divórcio,
fora a fila pra entrar na fila
de quem quer entrar no rateio
da sardinha e da cerveja
que ela consome,
e tome adesão ao consórcio
pra ter uma chance mensal
de tirar a rainha no sorteio,
e ainda não dei sorte,
mas não faz mal,
qualquer dia
vai surgir
um aporte de capital,
aí,
vou dar uma lance
que nenhum rival vai cobrir
e Marinéia
vai ser rainha da minha boléia!
O pau comeu no Pagode do Manobra
Folia de Inhaúma
tomou uma bebedeira
e bateu a carteira
de clientes e fãs
da Ternura da Intendente Magalhães
oferecendo três pelo preço de uma,
e o pau comeu,
o endereço do pau
foi o Pagode do Manobra,
que também explora esse serviço,
mas cobra por fora,
e sempre que há bode por lá,
é ouriço pra niguém botar defeito,
quando não morre alguém,
no barato,
ocorre fratura exposta
ou hemorragia interna,
pra quem gosta,
é um prato feito,
têm até gente que aposta
e sujeito com cadeira cativa
no Lanterna Expansiva
pra acompanhar a confusão,
que o bar fica bem ao lado,
e o apelido do pé-sujo
foi dado
devido a mania
que tem o dono,
o dito-cujo leva sempre uma
no bolso frontal do avental
bem abaixo da cintura,
e de seis pilhas grossas,
o que leva sua consorte,
Emília Fossas Fortes,
apesar do nome e do porte,
a ficar no maior alvoroço,
a ponto de perder o sono
o norte e o rebolado,
e a andar meio de lado
com o semblante iluminado,
mas,
voltando à vaca-fria,
do dia do confronto
da Folia com a Ternura
em diante,
em razão de chutes e dentadas,
rolaram pelo chão os apendículos,
o que ensejou um novo quitute,
obra da inspiração do Manobra,
“testículos de cabidela”,
que tem tido muita procura;
e eles viraram elas
da noite pro dia
e sem precisar de cirurgia,
pois bastou simples sutura,
e com o sucesso delas,
esse tipo de bode
tem crescido mais que a economia
e o Pagode passou a cobrar o ingresso!
tomou uma bebedeira
e bateu a carteira
de clientes e fãs
da Ternura da Intendente Magalhães
oferecendo três pelo preço de uma,
e o pau comeu,
o endereço do pau
foi o Pagode do Manobra,
que também explora esse serviço,
mas cobra por fora,
e sempre que há bode por lá,
é ouriço pra niguém botar defeito,
quando não morre alguém,
no barato,
ocorre fratura exposta
ou hemorragia interna,
pra quem gosta,
é um prato feito,
têm até gente que aposta
e sujeito com cadeira cativa
no Lanterna Expansiva
pra acompanhar a confusão,
que o bar fica bem ao lado,
e o apelido do pé-sujo
foi dado
devido a mania
que tem o dono,
o dito-cujo leva sempre uma
no bolso frontal do avental
bem abaixo da cintura,
e de seis pilhas grossas,
o que leva sua consorte,
Emília Fossas Fortes,
apesar do nome e do porte,
a ficar no maior alvoroço,
a ponto de perder o sono
o norte e o rebolado,
e a andar meio de lado
com o semblante iluminado,
mas,
voltando à vaca-fria,
do dia do confronto
da Folia com a Ternura
em diante,
em razão de chutes e dentadas,
rolaram pelo chão os apendículos,
o que ensejou um novo quitute,
obra da inspiração do Manobra,
“testículos de cabidela”,
que tem tido muita procura;
e eles viraram elas
da noite pro dia
e sem precisar de cirurgia,
pois bastou simples sutura,
e com o sucesso delas,
esse tipo de bode
tem crescido mais que a economia
e o Pagode passou a cobrar o ingresso!
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