O carioca da gema
nem por decreto tomba
e ao Rio é fiel
até debaixo d’água,
e não medra
com água de tromba
que chega ao teto
e arranha-céu afoga,
aquela tromba
que acompanha trovão
que provoca arrepio
até em coração de pedra,
agora,
carioca da gema
não rema contra vento e maré,
nessa situação,
desprega a vela ou pega jacaré,
e no momento do assalto
o carioca é ágil,
dialoga, conversa,
engambela o gajo
pra baixar o ágio,
e argumento tem paca,
mas,
não fala alto
nem adversa o ladrão,
e se cala quando é hora
que não é babaca
e com bala
não quer confusão,
o lema do carioca
é manter o timão na mão,
quer dizer, o Mengão,
e a barca em curso bom,
por isso,
não embarca
em ouriço e canoa furada,
nem se contamina
com discurso à-toa
de arauto do naufrágio
que se vacina
com piada e pilhéria,
carioca é assim,
brincalhão e risonho,
mas,
vá por mim,
frágil e pamonha
o carioca não é não,
se toca
com miséria e desdita
e levanta a grimpa,
se irrita
com lomba de vagabundo
que zomba do trabalho
e abarranca as águas do Rio,
o carioca é demais
e nas águas do Rio
vai fundo e garimpa,
esmiuça e fuça o cascalho
atrás do sonho que mais sonha,
a pepita branca
que de pomba tem feitio!
sexta-feira, junho 27, 2008
sexta-feira, junho 13, 2008
Flor da vida
Flor de ignorada semente
que na beira da calçada
de repente brota,
sua quota de sacrfício,
flor despetalada amiúde
de maneira estúpida
por algum passante,
flor cúpida e fragrante
por força do ofício,
ofício
por força da circunstância,
e fragrância forte e rude,
e diferente
pra cada sorte
de vício, de ânsia ou de prosa,
uma pra cada instante,
uma pra cada inquietude,
flor que se esgota
pétala a pétala,
nem margarida nem rosa,
flor da vida!
que na beira da calçada
de repente brota,
sua quota de sacrfício,
flor despetalada amiúde
de maneira estúpida
por algum passante,
flor cúpida e fragrante
por força do ofício,
ofício
por força da circunstância,
e fragrância forte e rude,
e diferente
pra cada sorte
de vício, de ânsia ou de prosa,
uma pra cada instante,
uma pra cada inquietude,
flor que se esgota
pétala a pétala,
nem margarida nem rosa,
flor da vida!
quinta-feira, junho 12, 2008
Saiba ventar
Vento apressado
do pomar
não leva bom fruto
e o lento leva o passado,
se quiser ser vento,
seja astuto
e saiba ventar,
não se descabele
nem se revele ventania
fora de hora e lugar,
e só cause avaria
em última instância,
e se não der pra evitar,
e cause
a menor que puder,
saiba ser vento,
pause e saiba calar
se de paz e calmaria
precisa o momento,
em janeiro,
saiba ser
aquela brisa
que venta
com constância
e o calor ameniza,
e saiba ser
o vento que avisa
e que venta
a toda brida
e com destemor
a vela engravida
e leva ao cais o veleiro
quando a tormenta está pra chegar!
do pomar
não leva bom fruto
e o lento leva o passado,
se quiser ser vento,
seja astuto
e saiba ventar,
não se descabele
nem se revele ventania
fora de hora e lugar,
e só cause avaria
em última instância,
e se não der pra evitar,
e cause
a menor que puder,
saiba ser vento,
pause e saiba calar
se de paz e calmaria
precisa o momento,
em janeiro,
saiba ser
aquela brisa
que venta
com constância
e o calor ameniza,
e saiba ser
o vento que avisa
e que venta
a toda brida
e com destemor
a vela engravida
e leva ao cais o veleiro
quando a tormenta está pra chegar!
É paixão?!
Que fogo na pele é esse
que não tem
reza que debele,
grito que amenize
nem reprise que apague?!,
que é capaz
de se valer de qualquer brecha
e de derreter qualquer marco?!,
que rogo da pele é esse
que não há zorrague
que faça calar?!,
que retesa mais que arco
pronto pra remessar flecha
e acertar ponto no infinito?!,
que faz barco largar o cais
e mergulhar em ressaca
sem vela nem remo?!,
que rogo?!,
que fogo é esse
que revela um ser
capaz de chegar ao extremo
de atacar com faca entre os dentes?!,
que em discrentes
é capaz de fazer nascer fé?!,
que desavergonha os mais inibidos
e os mais destemidos
faz tremer e pedir arrego?!,
que faz ficar risonha a criatura mais séria
e a mais acanhada abandonar a clausura?!,
que tira calma e sossego
e pelo avesso vira alma e coração?!,
e o preço
é não achar graça em mais nada
a não ser naquela figura
e até em pilhéria ruim contada por ela,
que queimação é essa
que teima em queimar
e que não passa
com ebó, oração e promessa?!,
que queimação é essa
que queima assim
e que só ela debela?!,
diga pra mim,
é paixão?!
que não tem
reza que debele,
grito que amenize
nem reprise que apague?!,
que é capaz
de se valer de qualquer brecha
e de derreter qualquer marco?!,
que rogo da pele é esse
que não há zorrague
que faça calar?!,
que retesa mais que arco
pronto pra remessar flecha
e acertar ponto no infinito?!,
que faz barco largar o cais
e mergulhar em ressaca
sem vela nem remo?!,
que rogo?!,
que fogo é esse
que revela um ser
capaz de chegar ao extremo
de atacar com faca entre os dentes?!,
que em discrentes
é capaz de fazer nascer fé?!,
que desavergonha os mais inibidos
e os mais destemidos
faz tremer e pedir arrego?!,
que faz ficar risonha a criatura mais séria
e a mais acanhada abandonar a clausura?!,
que tira calma e sossego
e pelo avesso vira alma e coração?!,
e o preço
é não achar graça em mais nada
a não ser naquela figura
e até em pilhéria ruim contada por ela,
que queimação é essa
que teima em queimar
e que não passa
com ebó, oração e promessa?!,
que queimação é essa
que queima assim
e que só ela debela?!,
diga pra mim,
é paixão?!
terça-feira, junho 10, 2008
Festa assim não presta
Pode falar de mim,
pode falar
que está escrito
na minha testa
que sou drástico,
eu acato
que está escrito sim
que eu sou
quando trato deste assunto,
não topo festa
lotada de pivete,
seja novo e miúdo,
seja taludo e com topete,
aquele que se mete em tudo,
festa com cerveja morna
em copo de plástico,
e escoltada
por presunto deprimido
e ovo de codorna
abatido qual defunto,
e espetado num gambá
fantasiado de repolho,
e acompanhado
de molho cabeludo,
festa com croquete
carrancudo e rijo,
e o de queijo é chiclete,
festa em que não dá
pra achar conteúdo
em empada e pastel,
e o coquetel
pode ser xixi-de-anjo
ou mijo-de-querubim,
manjo de sobejo
esse tipo de festa,
pra mim,
não presta,
sendo assim,
evite me mandar convite,
agora,
se me convidar,
não tem problema,
no meu lugar,
vou mandar uma perua,
dona Moema,
a mãezinha da minha senhora,
ela adora conversar com a sua!
pode falar
que está escrito
na minha testa
que sou drástico,
eu acato
que está escrito sim
que eu sou
quando trato deste assunto,
não topo festa
lotada de pivete,
seja novo e miúdo,
seja taludo e com topete,
aquele que se mete em tudo,
festa com cerveja morna
em copo de plástico,
e escoltada
por presunto deprimido
e ovo de codorna
abatido qual defunto,
e espetado num gambá
fantasiado de repolho,
e acompanhado
de molho cabeludo,
festa com croquete
carrancudo e rijo,
e o de queijo é chiclete,
festa em que não dá
pra achar conteúdo
em empada e pastel,
e o coquetel
pode ser xixi-de-anjo
ou mijo-de-querubim,
manjo de sobejo
esse tipo de festa,
pra mim,
não presta,
sendo assim,
evite me mandar convite,
agora,
se me convidar,
não tem problema,
no meu lugar,
vou mandar uma perua,
dona Moema,
a mãezinha da minha senhora,
ela adora conversar com a sua!
quarta-feira, junho 04, 2008
Estou feliz
Ninguém tem idéia
de como estou feliz,
estou tão feliz da vida!
que não rogo mais nada,
estou feliz
à maneira de guri
recém-saído da primeira
e já com a vista deitada no bis,
mais que artista
logo na estréia
pela platéia aplaudido
e aplaudido de pé,
mais feliz até
que torcida campeã
após a conquista do bi, do tri,
e no Maracanã, e no Morumbi,
estou feliz
como nunca estive,
estou feliz por todos nós,
mais feliz
que aquele cara
que vive de frozô
e não pára de rir
na capa da revista,
mais feliz
que vovô safadinho
que se esbalda
trocando fralda de netinho
entre as mãezinhas gostosinhas do Leblon,
tá muito bom,
tá bom demais,
estou mais feliz
que camelô
que dá um pique
e escapa do rapa
no meio da multidão,
mais feliz que bruega
de plantão em alambique,
mais feliz que ganhador
da Mega-Sena acumulada,
mais feliz que espanador
em mão de pequena fogosa,
estou mais feliz
que o sujeito feio e brega
que arranjou um jeito
de ganhar a Glória,
a morena
mais gostosa da parada,
mais feliz que sambista
após vitória na Sapucaí,
mais que o Lingote,
o sem pedigree que virou
mascote de açougueiro,
estou mais feliz
que turista estrangeiro
indo, vindo
e curtindo Copacabana
a preço de banana,
estou feliz sim,
feliz por mim,
por você, meu irmão,
por você, minha irmã,
feliz por toda a gente,
e mais feliz ainda
porque sei
que não mereço,
mas,
mesmo assim,
ganhei de presente
mais uma linda manhã!
de como estou feliz,
estou tão feliz da vida!
que não rogo mais nada,
estou feliz
à maneira de guri
recém-saído da primeira
e já com a vista deitada no bis,
mais que artista
logo na estréia
pela platéia aplaudido
e aplaudido de pé,
mais feliz até
que torcida campeã
após a conquista do bi, do tri,
e no Maracanã, e no Morumbi,
estou feliz
como nunca estive,
estou feliz por todos nós,
mais feliz
que aquele cara
que vive de frozô
e não pára de rir
na capa da revista,
mais feliz
que vovô safadinho
que se esbalda
trocando fralda de netinho
entre as mãezinhas gostosinhas do Leblon,
tá muito bom,
tá bom demais,
estou mais feliz
que camelô
que dá um pique
e escapa do rapa
no meio da multidão,
mais feliz que bruega
de plantão em alambique,
mais feliz que ganhador
da Mega-Sena acumulada,
mais feliz que espanador
em mão de pequena fogosa,
estou mais feliz
que o sujeito feio e brega
que arranjou um jeito
de ganhar a Glória,
a morena
mais gostosa da parada,
mais feliz que sambista
após vitória na Sapucaí,
mais que o Lingote,
o sem pedigree que virou
mascote de açougueiro,
estou mais feliz
que turista estrangeiro
indo, vindo
e curtindo Copacabana
a preço de banana,
estou feliz sim,
feliz por mim,
por você, meu irmão,
por você, minha irmã,
feliz por toda a gente,
e mais feliz ainda
porque sei
que não mereço,
mas,
mesmo assim,
ganhei de presente
mais uma linda manhã!
segunda-feira, abril 28, 2008
Ela dá mole
Vêm o bole-bole,
a esmola e o gole de pinga,
e ela dá mole,
dança e entra pelo cano
e a lambança não breca
nem tira o seu da seringa,
de tão meiga,
de tão leiga e singela,
digere o que lhe dão,
minguado e graúdo,
caipira e urbano,
aguçado e rombudo,
cabeludo e careca,
e se fere e esfola
posto que tudo
engole sem manteiga
que o pão vem puro,
e vem duro e sem gosto,
e ao lado de média rala,
quando há!,
e olhe lá!,
sob o peso do arreio
e com o vezo da rédea,
se encolhe e se cala,
não reclama da desídia
daquela fada madrinha
que dela se esqueceu
e batizá-la não veio,
que perfídia com a coitada!,
e sozinha,
sem norte, sorte e memória,
sem um só sonho seu pra sonhar,
um só pra contar história,
ela só não desiste
porque assiste
a esporte e novela,
e na tela da tevê ela se vê,
e sonha o sonho
que a faz sonhar a mídia,
mas,
diante de assunto tão importante,
a mim
a todo instante pergunto:
vamos ser sempre assim?!
a esmola e o gole de pinga,
e ela dá mole,
dança e entra pelo cano
e a lambança não breca
nem tira o seu da seringa,
de tão meiga,
de tão leiga e singela,
digere o que lhe dão,
minguado e graúdo,
caipira e urbano,
aguçado e rombudo,
cabeludo e careca,
e se fere e esfola
posto que tudo
engole sem manteiga
que o pão vem puro,
e vem duro e sem gosto,
e ao lado de média rala,
quando há!,
e olhe lá!,
sob o peso do arreio
e com o vezo da rédea,
se encolhe e se cala,
não reclama da desídia
daquela fada madrinha
que dela se esqueceu
e batizá-la não veio,
que perfídia com a coitada!,
e sozinha,
sem norte, sorte e memória,
sem um só sonho seu pra sonhar,
um só pra contar história,
ela só não desiste
porque assiste
a esporte e novela,
e na tela da tevê ela se vê,
e sonha o sonho
que a faz sonhar a mídia,
mas,
diante de assunto tão importante,
a mim
a todo instante pergunto:
vamos ser sempre assim?!
terça-feira, abril 22, 2008
Carteira assinada e alvará
Quando posso,
almoço rango de pensão
e à prestação é o pagamento
que não dá pra pagar à vista,
aí,
sai da lista o jantar
porque o cobertor é curto,
mas,
me sustento
com uma só refeição,
pra não ter surto
de dó de mim,
espanto
humor ruim e depressão
com canto e assobio
e sorrio quando me zango,
e não é receita
de nenhum doutor
que sou cabeça-feita,
a mesma cabeça
que minha senhora
põe a prêmio
quando me solto
pra pintar o sete
e caio na gandaia,
e me farto de cana
e saio atrás de rabo-de-saia
e acabo ficando fora
do grêmio conjugal
mais de uma semana,
e minha patroa
me mete o pau quando volto,
e não dá pra fazer nada
que a culpada
é a Dida Parteira
que esse nó me deu
ao gritar na hora do parto:
“será boa-vida
de carteira assinada
e boêmio com alvará
pra funcionar de madrugada,
e de madrugada só!”
almoço rango de pensão
e à prestação é o pagamento
que não dá pra pagar à vista,
aí,
sai da lista o jantar
porque o cobertor é curto,
mas,
me sustento
com uma só refeição,
pra não ter surto
de dó de mim,
espanto
humor ruim e depressão
com canto e assobio
e sorrio quando me zango,
e não é receita
de nenhum doutor
que sou cabeça-feita,
a mesma cabeça
que minha senhora
põe a prêmio
quando me solto
pra pintar o sete
e caio na gandaia,
e me farto de cana
e saio atrás de rabo-de-saia
e acabo ficando fora
do grêmio conjugal
mais de uma semana,
e minha patroa
me mete o pau quando volto,
e não dá pra fazer nada
que a culpada
é a Dida Parteira
que esse nó me deu
ao gritar na hora do parto:
“será boa-vida
de carteira assinada
e boêmio com alvará
pra funcionar de madrugada,
e de madrugada só!”
segunda-feira, abril 14, 2008
Irmãs siamesas
Em distinta mesa,
a dama feérica,
a América notável,
saudável e de barriga cheia,
em mesa distinta,
sua irmã siamesa,
e ninguém me diga
que é impossível!,
e América
também se chama,
mas é ama
faminta, malsã e feia,
América que pranteia
a miséria e o desgosto
que em suas veias abriga,
é bem possível
que creia alguém
em pilhéria de mau gosto
de algum paralelo insano
ou de meridiano insensível,
ou em elo vital da corrente
inexplicavelmente
partido e perdido,
mas eu duvido,
creio que o mal
é essa gente
que tem o feio vezo
de se manter indiferente
que só desprezo alberga
e só enxerga seu umbigo,
ou de amigo, ou de parente!
a dama feérica,
a América notável,
saudável e de barriga cheia,
em mesa distinta,
sua irmã siamesa,
e ninguém me diga
que é impossível!,
e América
também se chama,
mas é ama
faminta, malsã e feia,
América que pranteia
a miséria e o desgosto
que em suas veias abriga,
é bem possível
que creia alguém
em pilhéria de mau gosto
de algum paralelo insano
ou de meridiano insensível,
ou em elo vital da corrente
inexplicavelmente
partido e perdido,
mas eu duvido,
creio que o mal
é essa gente
que tem o feio vezo
de se manter indiferente
que só desprezo alberga
e só enxerga seu umbigo,
ou de amigo, ou de parente!
quinta-feira, abril 10, 2008
Fogo de palha
Não há quem
na dela não entre,
também
não dá pra não entrar
que a menina é de amargar,
geme e arde,
treme que nem dançarina
na dança do ventre,
e de baixo pra cima
e de cima pra baixo,
avança e espreme o barbado,
e é bem mais espremeção
do qu’em vagão superlotado
de trem que sai às seis da tarde,
mas,
quando parece
que dessa vez vai,
que são favas contadas
brasa e fogo espalhado,
a danada
faz que se encabula,
a gula do coitado trava
com um berro,
e o cio dela
se esfria por completo
como se tivesse tomado
aquela ducha de água fria,
e o marmanjo se faz de anjo,
implora,
roga que ela relaxe,
e faz as juras de praxe,
aquelas juras...
você sabe...
só aqui... só ali...
é o que cabe nessa hora...
mas,
é malhar em ferro frio
que Amália mantém o veto
e pra casa a mula pica,
e o rapaz se arrasa
e ardendo em sua chama fica,
estou lhe dizendo,
a droga de jogo
que a Amália joga
se chama fogo de palha!
na dela não entre,
também
não dá pra não entrar
que a menina é de amargar,
geme e arde,
treme que nem dançarina
na dança do ventre,
e de baixo pra cima
e de cima pra baixo,
avança e espreme o barbado,
e é bem mais espremeção
do qu’em vagão superlotado
de trem que sai às seis da tarde,
mas,
quando parece
que dessa vez vai,
que são favas contadas
brasa e fogo espalhado,
a danada
faz que se encabula,
a gula do coitado trava
com um berro,
e o cio dela
se esfria por completo
como se tivesse tomado
aquela ducha de água fria,
e o marmanjo se faz de anjo,
implora,
roga que ela relaxe,
e faz as juras de praxe,
aquelas juras...
você sabe...
só aqui... só ali...
é o que cabe nessa hora...
mas,
é malhar em ferro frio
que Amália mantém o veto
e pra casa a mula pica,
e o rapaz se arrasa
e ardendo em sua chama fica,
estou lhe dizendo,
a droga de jogo
que a Amália joga
se chama fogo de palha!
segunda-feira, abril 07, 2008
O que é que você quer mais?!
Por favor,
não se zangue,
sorria
pra tirar sarro
com a cara do cara
porque praga
não sarapanta
quando é rogada
por praguejador chinfrim,
é carro com bateria arriada
e carro assim se nega a pegar,
e empurrar não adianta nada,
ou, então,
é praga-bumerangue
que o praguejador solta,
vai e volta,
e pega no pai da praga;
por conseguinte,
meu ouvinte,
seja vivo
e não seja
motivo de pilhéria,
praga é matéria séria,
garanta já sua vaga
na Academia da Praga Moderna
e com o Mestre Lanterna se adestre,
mais dia, menos dia,
você dará à luz
seu dom de praguejar
e fará jus à fama
de praguejador-mor,
que sua praga
não vai ser trama à-toa,
vai ser boa
e vai dar bom nó
em seus pobres rivais,
e nó cego
pro seu ego massagear,
e o melhor,
você não vai gastar
lá tantos cobres
que a paga é uma balela,
por parcela,
cento e vinte reais
e cento e vinte parcelas só,
o que é que você quer mais?!
não se zangue,
sorria
pra tirar sarro
com a cara do cara
porque praga
não sarapanta
quando é rogada
por praguejador chinfrim,
é carro com bateria arriada
e carro assim se nega a pegar,
e empurrar não adianta nada,
ou, então,
é praga-bumerangue
que o praguejador solta,
vai e volta,
e pega no pai da praga;
por conseguinte,
meu ouvinte,
seja vivo
e não seja
motivo de pilhéria,
praga é matéria séria,
garanta já sua vaga
na Academia da Praga Moderna
e com o Mestre Lanterna se adestre,
mais dia, menos dia,
você dará à luz
seu dom de praguejar
e fará jus à fama
de praguejador-mor,
que sua praga
não vai ser trama à-toa,
vai ser boa
e vai dar bom nó
em seus pobres rivais,
e nó cego
pro seu ego massagear,
e o melhor,
você não vai gastar
lá tantos cobres
que a paga é uma balela,
por parcela,
cento e vinte reais
e cento e vinte parcelas só,
o que é que você quer mais?!
terça-feira, abril 01, 2008
Bloco do Sonho
Vai acabar a melancolia
que chegou o dia
do bloco que é porto
pra quem vem e quer ficar,
o bloco de todos vocês,
o bloco de todos nós,
o bloco
que não refuga componente
nem aluga voz,
passista ou batuqueiro
pois é de toda a gente,
não de dois ou três,
chegou o bloco
que não precisa
de mestre de bateria
que se agite, grite e apite
a torto e a direito
pra que ela se orquestre
com o molejo do traseiro
e o sacolejo do peito
da sambista popular
que a pista
é da mulher brasileira
que quer sambar,
e não precisa ser bela,
sambeira nem calipígia,
sequer precisa
ter aquela peitaria,
mas,
se tiver,
não precisa ser rija,
chegou o bloco
que não batiza ala
com nome metido
que tem feição de mote
que embala festinha de cafona
e cheiro de apelido de mascote
de dona cheia do dinheiro
que ao caviar tem aversão,
mas come pra se mostrar,
chegou o bloco
que não chateia
o pessoal da geral
com um samba feito
com o fito de ser confundido
com manual de produto
escrito de jeito
a não ser entendido
nem pelo bamba mais astuto,
chegou o bloco
que não veicula seu enredo
em sinopse patética
tal qual bula de remédio,
e, por cima,
antipoética
qual monopse e ludopédio
que acabei de descobrir
e usei aqui
pensando só na rima,
chegou o bloco
que, se preciso,
vai em frente
totalmente liso,
completamente teso,
mas,
preso a subvenção
a gente não sai não!,
chegou o bloco
que não se esconde,
que no bonde do samba
leva o folguedo Rio adentro
que não tem medo de nada,
e leva de cabo a rabo,
e sem perda,
sem perder o fio da meada,
que não descamba
pra direita, pra esquerda
e com o centro não se ajeita,
e, de onde em onde,
o bloco dá uma parada
pra moçada
regar a melodia
sem perder o pé
e tirar água do joelho
em latrina de espelunca,
nunca na calçada!
que a gente não é
de fazer feio,
de verter essa água
na frente de menina,
moça ou senhora,
nem de deixar
poça fedida no meio da avenida!,
chegou o bloco
que não tem conselho,
dono, patrono, presidente honorário,
que não precisa
de assistente, horário e lugar
que qualquer hora
é hora pra desfilar
e fazer do asfalto passarela
e nela pisar sem salto alto
e sem destaque com tapa-sexo
que não tapa tão bem assim
e, por fim, o sexo escapa,
chegou o bloco
com senso crítico
e infenso a complexo
e discriminação de cor e origem,
mas,
seara que não dá valor
a cara que se vangloria
de ser capa de revista,
craque, artista ou político,
que só o folião é necessário,
o operário do samba
que ama a folia
e não faz drama
nem tem vertigem
ao tocar o dia-a-dia desse barco,
chegou o bloco
que vai ser um marco
no fim da saudade
daqueles Carnavais
que não estão mais
no mapa da cidade,
chegou o bloco
que no coração
vai se concentrar
e aproveitar as brechas
pra atirar um enxame
de flechas musicais
com os Arcos da Lapa!,
e Bloco do Sonho
proponho que se chame!
que chegou o dia
do bloco que é porto
pra quem vem e quer ficar,
o bloco de todos vocês,
o bloco de todos nós,
o bloco
que não refuga componente
nem aluga voz,
passista ou batuqueiro
pois é de toda a gente,
não de dois ou três,
chegou o bloco
que não precisa
de mestre de bateria
que se agite, grite e apite
a torto e a direito
pra que ela se orquestre
com o molejo do traseiro
e o sacolejo do peito
da sambista popular
que a pista
é da mulher brasileira
que quer sambar,
e não precisa ser bela,
sambeira nem calipígia,
sequer precisa
ter aquela peitaria,
mas,
se tiver,
não precisa ser rija,
chegou o bloco
que não batiza ala
com nome metido
que tem feição de mote
que embala festinha de cafona
e cheiro de apelido de mascote
de dona cheia do dinheiro
que ao caviar tem aversão,
mas come pra se mostrar,
chegou o bloco
que não chateia
o pessoal da geral
com um samba feito
com o fito de ser confundido
com manual de produto
escrito de jeito
a não ser entendido
nem pelo bamba mais astuto,
chegou o bloco
que não veicula seu enredo
em sinopse patética
tal qual bula de remédio,
e, por cima,
antipoética
qual monopse e ludopédio
que acabei de descobrir
e usei aqui
pensando só na rima,
chegou o bloco
que, se preciso,
vai em frente
totalmente liso,
completamente teso,
mas,
preso a subvenção
a gente não sai não!,
chegou o bloco
que não se esconde,
que no bonde do samba
leva o folguedo Rio adentro
que não tem medo de nada,
e leva de cabo a rabo,
e sem perda,
sem perder o fio da meada,
que não descamba
pra direita, pra esquerda
e com o centro não se ajeita,
e, de onde em onde,
o bloco dá uma parada
pra moçada
regar a melodia
sem perder o pé
e tirar água do joelho
em latrina de espelunca,
nunca na calçada!
que a gente não é
de fazer feio,
de verter essa água
na frente de menina,
moça ou senhora,
nem de deixar
poça fedida no meio da avenida!,
chegou o bloco
que não tem conselho,
dono, patrono, presidente honorário,
que não precisa
de assistente, horário e lugar
que qualquer hora
é hora pra desfilar
e fazer do asfalto passarela
e nela pisar sem salto alto
e sem destaque com tapa-sexo
que não tapa tão bem assim
e, por fim, o sexo escapa,
chegou o bloco
com senso crítico
e infenso a complexo
e discriminação de cor e origem,
mas,
seara que não dá valor
a cara que se vangloria
de ser capa de revista,
craque, artista ou político,
que só o folião é necessário,
o operário do samba
que ama a folia
e não faz drama
nem tem vertigem
ao tocar o dia-a-dia desse barco,
chegou o bloco
que vai ser um marco
no fim da saudade
daqueles Carnavais
que não estão mais
no mapa da cidade,
chegou o bloco
que no coração
vai se concentrar
e aproveitar as brechas
pra atirar um enxame
de flechas musicais
com os Arcos da Lapa!,
e Bloco do Sonho
proponho que se chame!
quinta-feira, março 27, 2008
Casaca e colarinho branco
Ponha a casaca
que você virou
ao sabor do vento
primeiro que soprou,
e nem foi banzeiro,
a peste é opaca
que a cor é o destaque,
o pesado cinzento
de cerimônia, banquete
e bilhete premiado
em sorteio de araque
que nesse meio
niguém tem receio
de rabo-de-foguete,
e cubra seu rabo preso
com o da veste
rubra de vergonha,
esparrame essa colônia
de gabo e menosprezo
que você diz
que nem em camelô
quem é teso vê
porque veio de Paris,
e veio só pra você,
e derrame
o que mandar a madame,
o cheiro
não vai abafar
o fedor infame,
nem o seu nem o dela,
nem o odor
de trem e metrô lotado
ao cabo de um dia de calor,
e só o lembrar me arrepia,
mais uma vez,
esqueça cravado na lapela
o escudo cravejado de brilhantes
da Confraria “Só Pra Inglês Ver”
com uma divisa
que é um esculacho:
“Abaixo a patifaria
e o vale-tudo financeiro”;
antes,
porém,
é preciso
passar no banheiro
e escovar bem escovados
o penteado de vender
imagem na tevê
e o sorriso de fazer
escambos e malandragem,
fabricados ambos
com uns elegantes apliques
e alguns chiques implantes,
e ponto,
você está prontinho
pra mais estanco e sacanagem!,
pra ser franco,
não sei se pareço
ou se sou manco e tonto,
mas,
caladinho
vou tomando na cabeça,
ah...
quase esqueço,
não esqueça o colarinho branco!
que você virou
ao sabor do vento
primeiro que soprou,
e nem foi banzeiro,
a peste é opaca
que a cor é o destaque,
o pesado cinzento
de cerimônia, banquete
e bilhete premiado
em sorteio de araque
que nesse meio
niguém tem receio
de rabo-de-foguete,
e cubra seu rabo preso
com o da veste
rubra de vergonha,
esparrame essa colônia
de gabo e menosprezo
que você diz
que nem em camelô
quem é teso vê
porque veio de Paris,
e veio só pra você,
e derrame
o que mandar a madame,
o cheiro
não vai abafar
o fedor infame,
nem o seu nem o dela,
nem o odor
de trem e metrô lotado
ao cabo de um dia de calor,
e só o lembrar me arrepia,
mais uma vez,
esqueça cravado na lapela
o escudo cravejado de brilhantes
da Confraria “Só Pra Inglês Ver”
com uma divisa
que é um esculacho:
“Abaixo a patifaria
e o vale-tudo financeiro”;
antes,
porém,
é preciso
passar no banheiro
e escovar bem escovados
o penteado de vender
imagem na tevê
e o sorriso de fazer
escambos e malandragem,
fabricados ambos
com uns elegantes apliques
e alguns chiques implantes,
e ponto,
você está prontinho
pra mais estanco e sacanagem!,
pra ser franco,
não sei se pareço
ou se sou manco e tonto,
mas,
caladinho
vou tomando na cabeça,
ah...
quase esqueço,
não esqueça o colarinho branco!
quarta-feira, março 26, 2008
Pudim de pinga
Após o retrós,
é o andar que revela
perna desobediente
em percurso
de viradela e corcovo
a dar com o pau
que a calçada está viva,
é o ovo cozido e quente
metido na boca
que inferna voz e discurso,
o bafo do pinguço
é de marafo
e alvoroto estomacal,
de quando em quando,
soluço e arroto,
e não é pouca a saliva,
dá pra domar
incêndio em favela
sem pensar no dispêndio
que do rescaldo
o saldo dá conta,
e há sujeito
que sem alça
ninguém carrega,
há o durão
que não se rende,
nega o porre
e morre negando,
mas,
quando mija,
mija na calça ou no pé,
há até quem exija
respeito e consideração,
é claro que é dedução,
meu caro,
que não se entende
o que ele fala,
há o que vira garanhão
e o que desvira,
há o machão aspa-torta,
o que diz palavrão
de dedo em riste,
o sem medo de ser feliz,
o que entorna
e maldiz sua caspa
e se torna triste,
míngua e se cala
e necessita de porta-voz,
há o que vomita
e dormita caído no chão,
há o submisso
e o inconformado,
o endinheirado e o teso,
o graúdo e pesado
e o sem peso e miúdo,
há o ético contumaz
e o que se compraz
de não ter prurido,
e de todos o mais patético
que é um pouco disso tudo
e faz um pouco de tudo isso,
por fim,
o apelido
na ponta da língua
de todos nós:
pudim de pinga;
e o mais curioso,
quando um bebum
fica furioso
com outro bebum,
aponta pro outro
e se vinga
chamando o outro de pudim!,
enfim,
já vi de tudo,
mas,
agora fico por aqui
que tá na hora de molhar o bico!
é o andar que revela
perna desobediente
em percurso
de viradela e corcovo
a dar com o pau
que a calçada está viva,
é o ovo cozido e quente
metido na boca
que inferna voz e discurso,
o bafo do pinguço
é de marafo
e alvoroto estomacal,
de quando em quando,
soluço e arroto,
e não é pouca a saliva,
dá pra domar
incêndio em favela
sem pensar no dispêndio
que do rescaldo
o saldo dá conta,
e há sujeito
que sem alça
ninguém carrega,
há o durão
que não se rende,
nega o porre
e morre negando,
mas,
quando mija,
mija na calça ou no pé,
há até quem exija
respeito e consideração,
é claro que é dedução,
meu caro,
que não se entende
o que ele fala,
há o que vira garanhão
e o que desvira,
há o machão aspa-torta,
o que diz palavrão
de dedo em riste,
o sem medo de ser feliz,
o que entorna
e maldiz sua caspa
e se torna triste,
míngua e se cala
e necessita de porta-voz,
há o que vomita
e dormita caído no chão,
há o submisso
e o inconformado,
o endinheirado e o teso,
o graúdo e pesado
e o sem peso e miúdo,
há o ético contumaz
e o que se compraz
de não ter prurido,
e de todos o mais patético
que é um pouco disso tudo
e faz um pouco de tudo isso,
por fim,
o apelido
na ponta da língua
de todos nós:
pudim de pinga;
e o mais curioso,
quando um bebum
fica furioso
com outro bebum,
aponta pro outro
e se vinga
chamando o outro de pudim!,
enfim,
já vi de tudo,
mas,
agora fico por aqui
que tá na hora de molhar o bico!
terça-feira, março 25, 2008
Pior que sarna, ziquizira e micuim
Por que você
não desencarna de mim?,
por que você não dá o pira?,
não agüento mais
me coçar tanto assim!,
e a rapeira é diária,
asseguro que você
dá mais cafubira
que ziquizira, sarna e micuim,
o que você dardeja
dá coceira maior
que de frieira
urticária e brotoeja,
juro que você
é um problema pior
que oxiúro, eczema e pereba,
tenha dó,
loureba,
você não pára,
se assanha na caradura
e me dá mais chanha
que secreção de potó
e mordedura de caruara,
é já-começa à beça
e me importuna mais
que todas que já senti,
mais que a de contato
com formigueiro, pixica,
pó-de-mico, mucuna e cabixi,
é tão braba a safreira
que arde
e fico em carne viva
como se num braseiro
me tivesse metido,
e o prurido desse encarne
não acaba
nem quando me unto
com medicamento, ungüento
e me trato
com simpatia anticoceira,
nem quando junto os três
e faço tudo de uma vez,
e fico sem alternativa
e a me coçar
de manhã, de tarde e de noite
que o açoite dessa quipã
me dá até insônia,
e me coço em cafua,
no aconchego do lar,
mas,
também
não faço cerimônia,
posso me coçar
na rua e no emprego,
na cara de cliente e patrão,
pra dar vazão à maldita,
e me coço na frente de visita,
seja homem, mulher,
criança, mocinha ou ancião,
e me consomem
irritação e nervosia,
e me roço
onde der pra roçar
se der pra coçar
aonde não alcança minha mão,
credo!,
jereré,
vê se dá no pé e me alivia,
leve esse uredo
pra outra freguesia!
não desencarna de mim?,
por que você não dá o pira?,
não agüento mais
me coçar tanto assim!,
e a rapeira é diária,
asseguro que você
dá mais cafubira
que ziquizira, sarna e micuim,
o que você dardeja
dá coceira maior
que de frieira
urticária e brotoeja,
juro que você
é um problema pior
que oxiúro, eczema e pereba,
tenha dó,
loureba,
você não pára,
se assanha na caradura
e me dá mais chanha
que secreção de potó
e mordedura de caruara,
é já-começa à beça
e me importuna mais
que todas que já senti,
mais que a de contato
com formigueiro, pixica,
pó-de-mico, mucuna e cabixi,
é tão braba a safreira
que arde
e fico em carne viva
como se num braseiro
me tivesse metido,
e o prurido desse encarne
não acaba
nem quando me unto
com medicamento, ungüento
e me trato
com simpatia anticoceira,
nem quando junto os três
e faço tudo de uma vez,
e fico sem alternativa
e a me coçar
de manhã, de tarde e de noite
que o açoite dessa quipã
me dá até insônia,
e me coço em cafua,
no aconchego do lar,
mas,
também
não faço cerimônia,
posso me coçar
na rua e no emprego,
na cara de cliente e patrão,
pra dar vazão à maldita,
e me coço na frente de visita,
seja homem, mulher,
criança, mocinha ou ancião,
e me consomem
irritação e nervosia,
e me roço
onde der pra roçar
se der pra coçar
aonde não alcança minha mão,
credo!,
jereré,
vê se dá no pé e me alivia,
leve esse uredo
pra outra freguesia!
quarta-feira, março 19, 2008
Não desperdice
Não desperdice
o que não se disse,
quando alguém se cala
pode muito bem
estar falando bem mais,
aliás,
quem não fala
não faz firula
e com a palavra
não dissimula
o que lavra
em seu pensamento,
por conseguinte,
seja ouvinte atento,
saiba escutar o silêncio
de olhos bem abertos,
quando
o silêncio fala,
fala bem mais
que milhões
de falares vulgares
cobertos dos óleos
de escorregar e confundir
que o falar
cede a vetos e pressões,
cede a peçonhas,
vergonhas e medos,
mas,
nada impede
o silêncio de contar
os mais secretos segredos,
saiba ouvir,
nunca desperdice
o que não se disse!
o que não se disse,
quando alguém se cala
pode muito bem
estar falando bem mais,
aliás,
quem não fala
não faz firula
e com a palavra
não dissimula
o que lavra
em seu pensamento,
por conseguinte,
seja ouvinte atento,
saiba escutar o silêncio
de olhos bem abertos,
quando
o silêncio fala,
fala bem mais
que milhões
de falares vulgares
cobertos dos óleos
de escorregar e confundir
que o falar
cede a vetos e pressões,
cede a peçonhas,
vergonhas e medos,
mas,
nada impede
o silêncio de contar
os mais secretos segredos,
saiba ouvir,
nunca desperdice
o que não se disse!
terça-feira, março 18, 2008
Deu bode
Bola Seis era esperto,
useiro e vezeiro
em falar abracadabra
e ia dando certo,
e vivia cantarolando:
“só deita e rola quem pode!,
só quem pode deita e rola!”,
mas,
desta vez,
nem chegou perto
que deu bode no jogo
e pegou fogo o circo,
e deixou o hirco
pê da vida o cabra,
Bola Seis
ficou em pé de guerra
e esqueceu até
que bom cabrito não berra
e quis ganhar no grito,
deu um berro aqui,
outro berro ali,
mas,
como não é de ferro,
após um pito sob medida,
e pra não virar bola da vez,
a figura adotou
postura malandra,
baixou a voz
e culpou uma tal de cassandra
que ninguém sabe quem é,
se é mulher ou amiga,
nem se é
com minúscula ou maiúscula,
por fim,
rematou assim:
“em boca fechada,
meu camarada,
não entra mosca!”,
e alguém perguntou:
“mosca ou formiga?”;
por garantia,
Bola Seis fez figa
e gritou com fé:
“Aleluia! Aleluia!”,
e de mala e cuia
na estrada pôs o pé
pra escapar da ingresia
e foi tramar trapalhada
em outra freguesia,
e foi sem escala,
e foi como uma bala!
useiro e vezeiro
em falar abracadabra
e ia dando certo,
e vivia cantarolando:
“só deita e rola quem pode!,
só quem pode deita e rola!”,
mas,
desta vez,
nem chegou perto
que deu bode no jogo
e pegou fogo o circo,
e deixou o hirco
pê da vida o cabra,
Bola Seis
ficou em pé de guerra
e esqueceu até
que bom cabrito não berra
e quis ganhar no grito,
deu um berro aqui,
outro berro ali,
mas,
como não é de ferro,
após um pito sob medida,
e pra não virar bola da vez,
a figura adotou
postura malandra,
baixou a voz
e culpou uma tal de cassandra
que ninguém sabe quem é,
se é mulher ou amiga,
nem se é
com minúscula ou maiúscula,
por fim,
rematou assim:
“em boca fechada,
meu camarada,
não entra mosca!”,
e alguém perguntou:
“mosca ou formiga?”;
por garantia,
Bola Seis fez figa
e gritou com fé:
“Aleluia! Aleluia!”,
e de mala e cuia
na estrada pôs o pé
pra escapar da ingresia
e foi tramar trapalhada
em outra freguesia,
e foi sem escala,
e foi como uma bala!
quinta-feira, março 13, 2008
Coisas do vernáculo
Foi decidido agora
pela tropa da seção
que vai haver serão
e quem não topa
não é bem visto,
isto posto,
querida,
embora a contragosto,
acabei dizendo sim
que aqui defendo nosso pão
e vou ter de ir à luta,
assim sendo,
meu bem,
se achar necessário
ficar puta da vida
e culpar alguém,
não ponha a culpa em mim,
culpe o dicionário,
se inflame e o chame
de receptáculo sem-vergonha
por ter sentido tão indecoroso,
mas,
está decidido,
hoje tem serão
e não tem hora pra acabar,
agora,
quando
a terna avó materna
da nossa filha
tiver aquele acesso de fúria
que a deixa babando
e der espetáculo
na frente da família,
e me chamar
de mentiroso indecente,
vou ser vigoroso,
vou responder à injúria
com queixa e processo
e a vovó
vou botar no xilindró,
coisas do vernáculo!,
meu bem!
pela tropa da seção
que vai haver serão
e quem não topa
não é bem visto,
isto posto,
querida,
embora a contragosto,
acabei dizendo sim
que aqui defendo nosso pão
e vou ter de ir à luta,
assim sendo,
meu bem,
se achar necessário
ficar puta da vida
e culpar alguém,
não ponha a culpa em mim,
culpe o dicionário,
se inflame e o chame
de receptáculo sem-vergonha
por ter sentido tão indecoroso,
mas,
está decidido,
hoje tem serão
e não tem hora pra acabar,
agora,
quando
a terna avó materna
da nossa filha
tiver aquele acesso de fúria
que a deixa babando
e der espetáculo
na frente da família,
e me chamar
de mentiroso indecente,
vou ser vigoroso,
vou responder à injúria
com queixa e processo
e a vovó
vou botar no xilindró,
coisas do vernáculo!,
meu bem!
sexta-feira, março 07, 2008
A mão que a gente não vê
Levante,
mulher,
que o dia
já vai indo adiante
e não posso ir
sem pão nem café,
espante preguiça e queixa
que noviça
você não é mais,
mulher,
você já devia saber
que a mão
que a gente não vê
não deixa o carrilhão
sossegar nem dormir,
aliás,
já devia saber
que uma fração do dia
é pista importante demais
pra quem sabe
que não pode perder
a vida de vista
sequer por um instante,
pra quem sabe
que viver é não perder
um instante de vida sequer,
levante e diga presente,
mas,
diga da boca pra dentro
e que a convicção
não seja pouca,
mulher,
e siga em frente,
rumo ao centro,
ao sumo da questão,
que o mais relevante
não está na superfície
e a velhice
pode não ser o melhor,
mas,
a opção pode ser bem pior!
mulher,
que o dia
já vai indo adiante
e não posso ir
sem pão nem café,
espante preguiça e queixa
que noviça
você não é mais,
mulher,
você já devia saber
que a mão
que a gente não vê
não deixa o carrilhão
sossegar nem dormir,
aliás,
já devia saber
que uma fração do dia
é pista importante demais
pra quem sabe
que não pode perder
a vida de vista
sequer por um instante,
pra quem sabe
que viver é não perder
um instante de vida sequer,
levante e diga presente,
mas,
diga da boca pra dentro
e que a convicção
não seja pouca,
mulher,
e siga em frente,
rumo ao centro,
ao sumo da questão,
que o mais relevante
não está na superfície
e a velhice
pode não ser o melhor,
mas,
a opção pode ser bem pior!
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Nem em bruxa dá certo
Nunca vi feiticeira
dar bobeira
tão mole assim
e tão feliz com um nasal
que mais parece chafariz,
no botequim,
pra espanto geral,
deu o gole do santo
e com gosto pagou o trago
do pinguço pedinchão,
e lhe curou o soluço,
fez questão de derramar
pó errado no caldeirão
e, em vez
de poção indigesta,
fez pudim caramelado,
fez festa, afago
e amparou ancião
cansado da lavoura
que achou largado
em posto de saúde,
e, veja você,
perdeu brevê e vassoura
de uma vez só
que teve dó da velhinha
e tomou atitude,
parou em lugar proibido
e a cruzar a rua
ajudou a vovozinha,
pra completar,
bate de frente
com mago envolvido
em estrago e falcatrua,
ajuda com desvelo
gente miúda de orfanato,
não divulga fofoca
nem provoca boato,
não julga sem prova,
nem é de botar
a tesoura em ninguém,
e inova no ofício
que tem o vício
de fazer magia boa
e, em vez de uivo
e gargalhada sombria,
paz e amor apregoa animada,
puxa!,
já li folheto de bruxa
e não vi
desmazelo tamanho
nem no mais progessista,
mas,
pra ser franco,
também
nunca tinha posto a vista
em feiticeira
com cabeleira dessa cor!,
e o cabelo não é preto
nem branco nem ruivo nem castanho!
dar bobeira
tão mole assim
e tão feliz com um nasal
que mais parece chafariz,
no botequim,
pra espanto geral,
deu o gole do santo
e com gosto pagou o trago
do pinguço pedinchão,
e lhe curou o soluço,
fez questão de derramar
pó errado no caldeirão
e, em vez
de poção indigesta,
fez pudim caramelado,
fez festa, afago
e amparou ancião
cansado da lavoura
que achou largado
em posto de saúde,
e, veja você,
perdeu brevê e vassoura
de uma vez só
que teve dó da velhinha
e tomou atitude,
parou em lugar proibido
e a cruzar a rua
ajudou a vovozinha,
pra completar,
bate de frente
com mago envolvido
em estrago e falcatrua,
ajuda com desvelo
gente miúda de orfanato,
não divulga fofoca
nem provoca boato,
não julga sem prova,
nem é de botar
a tesoura em ninguém,
e inova no ofício
que tem o vício
de fazer magia boa
e, em vez de uivo
e gargalhada sombria,
paz e amor apregoa animada,
puxa!,
já li folheto de bruxa
e não vi
desmazelo tamanho
nem no mais progessista,
mas,
pra ser franco,
também
nunca tinha posto a vista
em feiticeira
com cabeleira dessa cor!,
e o cabelo não é preto
nem branco nem ruivo nem castanho!
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Bloco Mete com Vontade
Num passe de magia,
você se planta
na minha frente
com classe de cabrocha
sobranceira e tranchã,
debocha sem medo
do amanhã de manhã,
patrão, refeição, moradia,
e a bandeira
do Mete com Vontade
levanta na marra,
saca dos quadris
farra e folia,
e me ataca e reboca,
e da maloca o bloco zarpa
levando
enredo e comunidade,
e cantando canção que diz
de cortar dobrado
e suado dia-a-dia
que a gente teima em teimar,
de impulsão em impulsão,
o bloco
arpa novo folião
e o povo cresce
e vai adiante,
e com fé
no chão escaldante
a gente queima o pé,
e o bloco sobe na raça
ladeira escarpada
e quem vem atrás
açula quem vai na frente,
e desce escarpa sem arruaça
que desce
em fileira organizada
e quem vai na frente
estimula quem vem atrás,
e dobra a esquina,
que segredo ela guarda?,
nos aguarda que destino?,
mas,
o bloco
não amarela nem desatina,
se recobra da guinada
na balada do hino
e faz o que lhe compete,
Mete com Vontade
o dedo na cara
de placa d’inauguração de hospital
que não tem nem estaca
e de colégio tombado por temporal
e desatenção de autoridade,
Mete com Vontade
o dedo na cara
de privilégio, vantagem e regalia,
e de propina e comissão
que vem de patifaria e ladroagem,
que o Mete com Vontade
encara caminho
de farpa, espinho, dificuldade,
mas,
não aceita treita,
esculacho
nem cambalacho,
e que se frise bem
pra que ninguém esqueça,
o Mete com Vontade
com baixa
se choca e deplora,
mas não se amedronta,
chora, afronta o luto
e toca a vida
de fronte erguida
que o Mete com Vontade
não abaixa a cabeça
nem debaixo
de marquise, ponte e viaduto.
você se planta
na minha frente
com classe de cabrocha
sobranceira e tranchã,
debocha sem medo
do amanhã de manhã,
patrão, refeição, moradia,
e a bandeira
do Mete com Vontade
levanta na marra,
saca dos quadris
farra e folia,
e me ataca e reboca,
e da maloca o bloco zarpa
levando
enredo e comunidade,
e cantando canção que diz
de cortar dobrado
e suado dia-a-dia
que a gente teima em teimar,
de impulsão em impulsão,
o bloco
arpa novo folião
e o povo cresce
e vai adiante,
e com fé
no chão escaldante
a gente queima o pé,
e o bloco sobe na raça
ladeira escarpada
e quem vem atrás
açula quem vai na frente,
e desce escarpa sem arruaça
que desce
em fileira organizada
e quem vai na frente
estimula quem vem atrás,
e dobra a esquina,
que segredo ela guarda?,
nos aguarda que destino?,
mas,
o bloco
não amarela nem desatina,
se recobra da guinada
na balada do hino
e faz o que lhe compete,
Mete com Vontade
o dedo na cara
de placa d’inauguração de hospital
que não tem nem estaca
e de colégio tombado por temporal
e desatenção de autoridade,
Mete com Vontade
o dedo na cara
de privilégio, vantagem e regalia,
e de propina e comissão
que vem de patifaria e ladroagem,
que o Mete com Vontade
encara caminho
de farpa, espinho, dificuldade,
mas,
não aceita treita,
esculacho
nem cambalacho,
e que se frise bem
pra que ninguém esqueça,
o Mete com Vontade
com baixa
se choca e deplora,
mas não se amedronta,
chora, afronta o luto
e toca a vida
de fronte erguida
que o Mete com Vontade
não abaixa a cabeça
nem debaixo
de marquise, ponte e viaduto.
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Panamá tem serventia
Acho
que me achei
um bravo macho,
aí,
fiquei todo prosa
e resolvi bancar o vivo,
então,
driblei o cravo
e decidi passar
pelo crivo da rosa
debaixo de uma sacada,
mas,
minha atuação
não foi aprovada
que a chave não achei
nem bati na trave;
noutra ocasião,
em vez de palma
e favo de mel,
recebi uma glosa
da canção e do verso
e a alma ficou louca
com o travo perverso
que restou na boca,
incontroverso gosto de fel;
isto posto,
cabe falar
que o chapéu de palha
calha bem em mim,
inda bem!,
assim,
posso tirar o panamá
e homenagear
com o chapéu na mão
quem passou altivo
pelo crivo da rosa
e não ganhou glosa
do verso e da canção!
que me achei
um bravo macho,
aí,
fiquei todo prosa
e resolvi bancar o vivo,
então,
driblei o cravo
e decidi passar
pelo crivo da rosa
debaixo de uma sacada,
mas,
minha atuação
não foi aprovada
que a chave não achei
nem bati na trave;
noutra ocasião,
em vez de palma
e favo de mel,
recebi uma glosa
da canção e do verso
e a alma ficou louca
com o travo perverso
que restou na boca,
incontroverso gosto de fel;
isto posto,
cabe falar
que o chapéu de palha
calha bem em mim,
inda bem!,
assim,
posso tirar o panamá
e homenagear
com o chapéu na mão
quem passou altivo
pelo crivo da rosa
e não ganhou glosa
do verso e da canção!
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
A folha e o carbono
Sob a folha
o carbono fiel:
estação vem e vai,
vai e vem estação,
vai o verão
e o outono vem e raia,
mas,
folha é vento,
sem sustento,
a folha cai,
e não há sob o céu
estação que vá
e não volte,
nem folha
que não se solte e caia,
e não adianta
poção já descoberta
nem alguém garantir
que há de surgir
santa poção
que há de adiantar,
quando acabar o verão
e o outono chegar,
na certa,
a folha há de cair!
que o carbono
é leal ao escrito
e o escrito
em cada folha é igual!
o carbono fiel:
estação vem e vai,
vai e vem estação,
vai o verão
e o outono vem e raia,
mas,
folha é vento,
sem sustento,
a folha cai,
e não há sob o céu
estação que vá
e não volte,
nem folha
que não se solte e caia,
e não adianta
poção já descoberta
nem alguém garantir
que há de surgir
santa poção
que há de adiantar,
quando acabar o verão
e o outono chegar,
na certa,
a folha há de cair!
que o carbono
é leal ao escrito
e o escrito
em cada folha é igual!
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Não manga do que devia
Não é legal mangar assim
qual você manga,
tal mangação é de amargar,
você manga na minha lata
do comprimento da manga
do meu paletó monocórdio,
do nó górdio
da minha gravata
que nem com cartilha
minha família desata,
manga de mim
em razão
do meu bobó de camarão
só porque não tem
camarão nem aipim,
manga
porque, na subseção
em que me asso pelo pão,
não passo de um mequetrefe,
o sub do sub do subchefe,
manga do meu clube
porque ele é o lanterninha,
manga sem dó do pobre chinó
que me emprestou a vizinha
e que me cobre o deserto capilar,
manga
da monofagia no meu lar
monossilábico de fato,
um aposento só
e só à farinha
o prato não tem alergia,
manga
porque sou de atamento
e vou embora
em latim ou arábico,
manga de mim
em dia que tem feira
e em dia que feira não tem,
e de janeiro a janeiro,
agora,
não manga do que devia,
do que dá pano pra mangas,
minha mangueira
que o ano inteiro
dá aquela fruta
que sua mullher deixa louca,
tão louca
que, a toda hora,
a fruta quer botar na boca!
qual você manga,
tal mangação é de amargar,
você manga na minha lata
do comprimento da manga
do meu paletó monocórdio,
do nó górdio
da minha gravata
que nem com cartilha
minha família desata,
manga de mim
em razão
do meu bobó de camarão
só porque não tem
camarão nem aipim,
manga
porque, na subseção
em que me asso pelo pão,
não passo de um mequetrefe,
o sub do sub do subchefe,
manga do meu clube
porque ele é o lanterninha,
manga sem dó do pobre chinó
que me emprestou a vizinha
e que me cobre o deserto capilar,
manga
da monofagia no meu lar
monossilábico de fato,
um aposento só
e só à farinha
o prato não tem alergia,
manga
porque sou de atamento
e vou embora
em latim ou arábico,
manga de mim
em dia que tem feira
e em dia que feira não tem,
e de janeiro a janeiro,
agora,
não manga do que devia,
do que dá pano pra mangas,
minha mangueira
que o ano inteiro
dá aquela fruta
que sua mullher deixa louca,
tão louca
que, a toda hora,
a fruta quer botar na boca!
Verbo solto
Se pensa que não é sério,
está enganado,
rapaz,
por conseguinte,
seja bom ouvinte
e me acate a sugestão,
trate de guardar
bem guardado,
e não abuse ao usar,
use com critério
e somente
na devida ocasião,
não o solte jamais,
tenha cuidado
com bebida,
euforia imensa,
emoção em demasia,
discussão,
mesmo que não seja tensa,
e o escolte sempre
cem por cento atento,
não deixe
o verbo correr solto,
verbo solto é mar
e o mar pode ser violento,
e mar violento não respeita
medida nem contenção,
mar revolto pode afogar
ou deixar miséria
ou uma séria ferida,
ferida que supura,
não aceita sutura
e cicatrização rejeita,
e pode doer a dor
por toda uma vida
se for um amigo,
um irmão,
um amor arrasado,
ou se o ganho
for alguém estranho
que virou um inimigo danado,
tenha tento
pra não deixar
o verbo correr solto,
verbo solto é mar
e o mar pode ser violento!
está enganado,
rapaz,
por conseguinte,
seja bom ouvinte
e me acate a sugestão,
trate de guardar
bem guardado,
e não abuse ao usar,
use com critério
e somente
na devida ocasião,
não o solte jamais,
tenha cuidado
com bebida,
euforia imensa,
emoção em demasia,
discussão,
mesmo que não seja tensa,
e o escolte sempre
cem por cento atento,
não deixe
o verbo correr solto,
verbo solto é mar
e o mar pode ser violento,
e mar violento não respeita
medida nem contenção,
mar revolto pode afogar
ou deixar miséria
ou uma séria ferida,
ferida que supura,
não aceita sutura
e cicatrização rejeita,
e pode doer a dor
por toda uma vida
se for um amigo,
um irmão,
um amor arrasado,
ou se o ganho
for alguém estranho
que virou um inimigo danado,
tenha tento
pra não deixar
o verbo correr solto,
verbo solto é mar
e o mar pode ser violento!
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Não era seu dia de sorte
Era dia de boemia
e mais um dia
de vai-da-valsa,
aliás,
todo dia era dia
que o rapaz
não fazia distinção,
botou camisa de fazer vista
sem espalhafato
e calça de feito e conquista,
calçou sapato
de quem sabe onde pisa
e desliza bem,
independente de dama e salão,
depois,
pôs o panamá
de fama e respeito,
por fim,
caprichou no extrato
que fazia brotinho
brotar em seus braços,
e fez os passos
de pegar bonde andando
e foi pegar,
que sujeito assim
não é tonto de ficar
no ponto esperando,
e pousou no estribo
tal qual passarinho,
e não deu estribo
ao seu condutor
que nem insistiu,
e seguiu seu caminho
ao léu do vento
de abrandar calor
sem revoltar cabeleira
que seu chapéu
não era de brincadeira,
na Galeria Cruzeiro,
não queria,
mas,
não era seu dia de sorte
e ficou diante
do desespero do Bento
de quem Iara roubara,
companheira e amante,
e a capoeira
não venceu a garrucha,
o estrebucho se deu
e na bucha veio a morte
com feio ferimento no bucho!
e mais um dia
de vai-da-valsa,
aliás,
todo dia era dia
que o rapaz
não fazia distinção,
botou camisa de fazer vista
sem espalhafato
e calça de feito e conquista,
calçou sapato
de quem sabe onde pisa
e desliza bem,
independente de dama e salão,
depois,
pôs o panamá
de fama e respeito,
por fim,
caprichou no extrato
que fazia brotinho
brotar em seus braços,
e fez os passos
de pegar bonde andando
e foi pegar,
que sujeito assim
não é tonto de ficar
no ponto esperando,
e pousou no estribo
tal qual passarinho,
e não deu estribo
ao seu condutor
que nem insistiu,
e seguiu seu caminho
ao léu do vento
de abrandar calor
sem revoltar cabeleira
que seu chapéu
não era de brincadeira,
na Galeria Cruzeiro,
não queria,
mas,
não era seu dia de sorte
e ficou diante
do desespero do Bento
de quem Iara roubara,
companheira e amante,
e a capoeira
não venceu a garrucha,
o estrebucho se deu
e na bucha veio a morte
com feio ferimento no bucho!
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Uma tal de dama da van
Você apronta sem acanho
e bem além da conta,
depois,
quando estamos sós,
só nós dois,
chora de soluço e solavanco,
de ranho encharcar o buço
e pingar no chão,
perdão implora rasgando blusa
que você não usa sutiã,
e faz jura beijando a cruz,
fura-bolo com fura-bolo,
jurando
que a jura não é vã,
e eu me comovo
com tanta emoção
e de novo banco avestruz,
e te perdôo mais uma vez,
mas,
assim que anoitece,
você esquece que fez
mais uma jura pra mim,
se solta e levanta vôo,
sai à procura de festa,
e da refrega só volta
quando amanhece,
e o pessoal esfrega
a mão na testa
quando me vê,
e comenta
de uma reputação
que na lama chafurda,
e me atormenta
falando de uma fã
d’A Dama do Lotação,
uma tal
de dama da van,
mas,
você que verseja
e apregoa
que paixão é assim,
surda e cega,
me diga:
por que
você graceja
e até me fustiga,
pega no meu pé
e caçoa de mim,
por quê?!
e bem além da conta,
depois,
quando estamos sós,
só nós dois,
chora de soluço e solavanco,
de ranho encharcar o buço
e pingar no chão,
perdão implora rasgando blusa
que você não usa sutiã,
e faz jura beijando a cruz,
fura-bolo com fura-bolo,
jurando
que a jura não é vã,
e eu me comovo
com tanta emoção
e de novo banco avestruz,
e te perdôo mais uma vez,
mas,
assim que anoitece,
você esquece que fez
mais uma jura pra mim,
se solta e levanta vôo,
sai à procura de festa,
e da refrega só volta
quando amanhece,
e o pessoal esfrega
a mão na testa
quando me vê,
e comenta
de uma reputação
que na lama chafurda,
e me atormenta
falando de uma fã
d’A Dama do Lotação,
uma tal
de dama da van,
mas,
você que verseja
e apregoa
que paixão é assim,
surda e cega,
me diga:
por que
você graceja
e até me fustiga,
pega no meu pé
e caçoa de mim,
por quê?!
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Água!
Água de fonte boa,
fonte boa de água
que pela serra
não escorre à toa,
escorre
pra saciar tua sede,
escorre
pra regar o cio da natureza,
o da terra,
o do rio,
o do mar,
corre pra te dar certeza
de que tua luta
não vai ser vã,
que amanhã
a fruta tua mão vai colher,
e vai nascer o peixe,
peixe
que em tua rede
vai se aninhar,
água que corre
pra refrescar
teu corpo suado,
cansado de trabalhar,
água boa da fonte
que surge
na cima do monte
se anima
e escorre transparente,
e corre pra toda a gente,
urge vigiar,
não fique à aguarda
de alguém
que guarda monte,
monte você,
e monte já,
não deixe a água acabar!
fonte boa de água
que pela serra
não escorre à toa,
escorre
pra saciar tua sede,
escorre
pra regar o cio da natureza,
o da terra,
o do rio,
o do mar,
corre pra te dar certeza
de que tua luta
não vai ser vã,
que amanhã
a fruta tua mão vai colher,
e vai nascer o peixe,
peixe
que em tua rede
vai se aninhar,
água que corre
pra refrescar
teu corpo suado,
cansado de trabalhar,
água boa da fonte
que surge
na cima do monte
se anima
e escorre transparente,
e corre pra toda a gente,
urge vigiar,
não fique à aguarda
de alguém
que guarda monte,
monte você,
e monte já,
não deixe a água acabar!
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Oração pelo Rio
Cidade linda,
mas,
tem capitanias
e a crueldade
dos piores capitães-mores
e seus melhores cães de guarda,
e maiores, e menores,
tem águas turvas e avanias
nas curvas das suas águas,
meu Rio,
o que mais te aguarda ainda?,
mas,
apesar do risco,
do meu Rio não desisto,
luto e não reluto em rezar muitíssimo,
meu Cristo Redentor,
Santíssimo, Santo Cristo, Santa Cruz,
por favor,
ouvi-me a prece,
Piedade! Piedade! Piedade!
que por todos os cantos
a cidade carece tanto de luz,
Todos os Santos,
Santa Tereza, São Conrado,
São Cristóvão, São Francisco Xavier,
tenho certeza
que estarão ao lado de São Sebastião,
que ajudarão o padroeiro
a ter Paciência pra cuidar de seu mister,
resgatar São Sebastião do Rio de Janeiro,
Padre Miguel,
com sua suprema devoção,
ao Céu implore
clemência e Água Santa,
e tanta
que dê pra benzer o Rio
de janeiro a janeiro,
e que a bença não demore,
senão,
em vez de bença,
há de ser extrema-unção!
posto
que o Rio
anda tenso e violento
e a qualquer momento
de mala e cuia
pra Cacuia o Rio vai,
e vai de bala
ou vai de desgosto imenso!
mas,
tem capitanias
e a crueldade
dos piores capitães-mores
e seus melhores cães de guarda,
e maiores, e menores,
tem águas turvas e avanias
nas curvas das suas águas,
meu Rio,
o que mais te aguarda ainda?,
mas,
apesar do risco,
do meu Rio não desisto,
luto e não reluto em rezar muitíssimo,
meu Cristo Redentor,
Santíssimo, Santo Cristo, Santa Cruz,
por favor,
ouvi-me a prece,
Piedade! Piedade! Piedade!
que por todos os cantos
a cidade carece tanto de luz,
Todos os Santos,
Santa Tereza, São Conrado,
São Cristóvão, São Francisco Xavier,
tenho certeza
que estarão ao lado de São Sebastião,
que ajudarão o padroeiro
a ter Paciência pra cuidar de seu mister,
resgatar São Sebastião do Rio de Janeiro,
Padre Miguel,
com sua suprema devoção,
ao Céu implore
clemência e Água Santa,
e tanta
que dê pra benzer o Rio
de janeiro a janeiro,
e que a bença não demore,
senão,
em vez de bença,
há de ser extrema-unção!
posto
que o Rio
anda tenso e violento
e a qualquer momento
de mala e cuia
pra Cacuia o Rio vai,
e vai de bala
ou vai de desgosto imenso!
terça-feira, janeiro 29, 2008
Severina, não chore por mim!
Minha gente,
a pista está tão quente
e o clima
tão dantesco e sinistro
que nem a ministro e artista
estão dando refresco,
e, por cima,
já li até
que ladrão roubou ladrão
e não roubou
pelos cem anos de perdão,
do jeito que está,
meu bem,
supeito
que não dá mais pé,
não dá mais
pra ficar por aqui,
estou à beira
de tomar providência,
qualquer diligência,
de preferência,
a primeira que vier,
mas,
não vou dizer
que não gostaria
de ir de avião,
gostaria sim,
não vou
por uma razão,
não quero mais saber
de apertar o cinto;
sinto muito,
muito mesmo,
mas,
estou de partida;
Severina,
não chore por mim,
senão,
de arrependimento morro,
todavia,
vou mesmo assim,
mas volto já,
volto no dia
que o sargento Garcia
botar as mãos no Zorro;
Severina querida,
até por lá!
a pista está tão quente
e o clima
tão dantesco e sinistro
que nem a ministro e artista
estão dando refresco,
e, por cima,
já li até
que ladrão roubou ladrão
e não roubou
pelos cem anos de perdão,
do jeito que está,
meu bem,
supeito
que não dá mais pé,
não dá mais
pra ficar por aqui,
estou à beira
de tomar providência,
qualquer diligência,
de preferência,
a primeira que vier,
mas,
não vou dizer
que não gostaria
de ir de avião,
gostaria sim,
não vou
por uma razão,
não quero mais saber
de apertar o cinto;
sinto muito,
muito mesmo,
mas,
estou de partida;
Severina,
não chore por mim,
senão,
de arrependimento morro,
todavia,
vou mesmo assim,
mas volto já,
volto no dia
que o sargento Garcia
botar as mãos no Zorro;
Severina querida,
até por lá!
Não sei dizer
O bicho
segue pegando
que não sossega
nem se entrega
e ninguém consegue
pegar o bicho.
O bicho vai pegar
até quando?!
E bicho
há aos molhos,
e não alivia,
pega de dia,
pega de noite,
e salta aos olhos
que não falta
quem acoite o bicho,
parece moda
e moda
que anda em alta!
Por quê?
Não sei dizer.
Sei só
que o bicho
a indefesa prefere
quando da presa
vai à cata,
e não tem dó,
morde, fere, mata!
Sei que o bicho
agora é nobre,
não é mais pobre
como o bicho de outrora,
virou barão
e mora como um lorde!
Acorde,
meu povão,
telefone,
bote a boca no trombone,
faça alarde,
e faça
antes que seja tarde,
antes que seja muito tarde!
segue pegando
que não sossega
nem se entrega
e ninguém consegue
pegar o bicho.
O bicho vai pegar
até quando?!
E bicho
há aos molhos,
e não alivia,
pega de dia,
pega de noite,
e salta aos olhos
que não falta
quem acoite o bicho,
parece moda
e moda
que anda em alta!
Por quê?
Não sei dizer.
Sei só
que o bicho
a indefesa prefere
quando da presa
vai à cata,
e não tem dó,
morde, fere, mata!
Sei que o bicho
agora é nobre,
não é mais pobre
como o bicho de outrora,
virou barão
e mora como um lorde!
Acorde,
meu povão,
telefone,
bote a boca no trombone,
faça alarde,
e faça
antes que seja tarde,
antes que seja muito tarde!
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Você conhece alguém assim?!
Não se deixe enganar
por esse boa-pinta
com jeito
de pessoa legal e distinta,
vai por mim,
se se deixar,
depois não se queixe,
não foi à toa
que esse sujeito
com a fama ruim
se deitou na cama,
ele é o tal
que segue à risca
o manual da boa bisca,
se há chance de ganho,
parte e faz o lance,
e dá um banho
na arte de ser safado,
e dá
até que do pobre
não sobre mais nada,
coitado de quem cai
em sua armadilha
que ele é capaz
de qualquer empreitada,
e, por cima,
não estima ninguém
e com o bem
não tem compromisso,
vai por mim,
pra obter o que quer,
esse filho-da-mãe
é capaz de leiloar pai e filho,
de rifar mãe, filha e mulher!,
por falar nisso,
você conhece alguém assim?!
por esse boa-pinta
com jeito
de pessoa legal e distinta,
vai por mim,
se se deixar,
depois não se queixe,
não foi à toa
que esse sujeito
com a fama ruim
se deitou na cama,
ele é o tal
que segue à risca
o manual da boa bisca,
se há chance de ganho,
parte e faz o lance,
e dá um banho
na arte de ser safado,
e dá
até que do pobre
não sobre mais nada,
coitado de quem cai
em sua armadilha
que ele é capaz
de qualquer empreitada,
e, por cima,
não estima ninguém
e com o bem
não tem compromisso,
vai por mim,
pra obter o que quer,
esse filho-da-mãe
é capaz de leiloar pai e filho,
de rifar mãe, filha e mulher!,
por falar nisso,
você conhece alguém assim?!
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Indo e vindo (Grão de feijão preto retinto no breu e caído em chão escuro)
Grão de feijão no breu,
e grão de feijão preto,
e de feijão preto retinto,
e caído em chão escuro,
eu não minto
quando juro que não vejo
nem com vela ou lampejo,
e duvido que alguém veja,
mas,
apesar do negrume,
o queichume que ouço
me enseja
afirmar que a vaca
está indo pro brejo,
e não é privilégio dela
porque,
salvo erro
de um sujeito
calvo como eu,
já foi boi,
já foi novilho paca,
bezerro inda bem moço,
que não tem futuro
filho subnutrido
e sem colégio
e o jeito
é ir atrás do boi
que já foi atrás da vaca,
que maravilha!,
a família reunida
e a vida
curtindo no brejo,
indo e vindo
que esse direito
está garantido!,
mas,
o vai-e-vem é a pé
que o tutu da condução
com esse grão feito também é!
e grão de feijão preto,
e de feijão preto retinto,
e caído em chão escuro,
eu não minto
quando juro que não vejo
nem com vela ou lampejo,
e duvido que alguém veja,
mas,
apesar do negrume,
o queichume que ouço
me enseja
afirmar que a vaca
está indo pro brejo,
e não é privilégio dela
porque,
salvo erro
de um sujeito
calvo como eu,
já foi boi,
já foi novilho paca,
bezerro inda bem moço,
que não tem futuro
filho subnutrido
e sem colégio
e o jeito
é ir atrás do boi
que já foi atrás da vaca,
que maravilha!,
a família reunida
e a vida
curtindo no brejo,
indo e vindo
que esse direito
está garantido!,
mas,
o vai-e-vem é a pé
que o tutu da condução
com esse grão feito também é!
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Bicho, você pirou!
Bicho,
que tal
pegar meu Fusca,
dar um rolé por aí
e deixar as minas
na maior fissura?!,
vai ser legal!,
como é?!,
bicho,
acho que não ouvi...
isso é loucura?!,
é isso?!,
não vi a mudança
e a mudança
nem foi lá tão brusca?!,
deram sumiço nas minas?!,
não se dá mais rolé?!,
não dá pra zerar
o hodômetro do meu Fusca?!,
passou a vida?!,
é isso?!,
bicho,
você ficou louco?!,
quero um termômetro
pra medir tua temperatura...
faz pouco
comprei o Fusca
e comprei zero-quilômetro!,
zerinho!,
bicho,
você pirou!,
vou dar um rolé por aí
com meu Fusca
e vou deixar as minas
na maior fissura,
e vou sozinho
se você não quiser ir!,
vai ser o fino!
e vou ver até
corrida de submarino!
que tal
pegar meu Fusca,
dar um rolé por aí
e deixar as minas
na maior fissura?!,
vai ser legal!,
como é?!,
bicho,
acho que não ouvi...
isso é loucura?!,
é isso?!,
não vi a mudança
e a mudança
nem foi lá tão brusca?!,
deram sumiço nas minas?!,
não se dá mais rolé?!,
não dá pra zerar
o hodômetro do meu Fusca?!,
passou a vida?!,
é isso?!,
bicho,
você ficou louco?!,
quero um termômetro
pra medir tua temperatura...
faz pouco
comprei o Fusca
e comprei zero-quilômetro!,
zerinho!,
bicho,
você pirou!,
vou dar um rolé por aí
com meu Fusca
e vou deixar as minas
na maior fissura,
e vou sozinho
se você não quiser ir!,
vai ser o fino!
e vou ver até
corrida de submarino!
sexta-feira, janeiro 11, 2008
"Jogo feito!"
“Façam jogo!”,
“façam jogo!”,
é o forte refrão
que o crupiê repete
e repete até dizer:
“jogo feito!”,
e rola a roleta
e a bola solta,
então,
o jeito é torcer,
eta! sorte!,
eta! confusão
de preto e vermelho!,
mas,
volta a volta,
a confusão se desfaz,
uma cor vai vencer,
e grita o crupiê:
“deu vermelho!”,
“deu preto!”,
e o ganhador
se agita e festeja,
e o perdedor
sua sorte deplora,
faz jura e pragueja,
mas não se cura,
perder é do jogo!,
mas,
ganhar é também
e o jogador acredita,
tem fé,
mais hora, menos hora,
a dita vem
e vai bafejar sua jogada,
o jogador é o jogo
e do jogo só sai fora
quando pra jogar
não tem mais nada!
“façam jogo!”,
é o forte refrão
que o crupiê repete
e repete até dizer:
“jogo feito!”,
e rola a roleta
e a bola solta,
então,
o jeito é torcer,
eta! sorte!,
eta! confusão
de preto e vermelho!,
mas,
volta a volta,
a confusão se desfaz,
uma cor vai vencer,
e grita o crupiê:
“deu vermelho!”,
“deu preto!”,
e o ganhador
se agita e festeja,
e o perdedor
sua sorte deplora,
faz jura e pragueja,
mas não se cura,
perder é do jogo!,
mas,
ganhar é também
e o jogador acredita,
tem fé,
mais hora, menos hora,
a dita vem
e vai bafejar sua jogada,
o jogador é o jogo
e do jogo só sai fora
quando pra jogar
não tem mais nada!
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Coragem de não ter receio da saudade!
Um dia,
o impasse,
fiquei cara a cara
com a outra face,
foto 3x4
em preto e branco
que a três por dois
pegava, mostrava,
olhava e não via,
depois,
veio o terromoto,
e levei o tranco,
e tremeu o meu coreto,
e fiz aquele teatro,
e cheguei a pedir
um patético bis
e repeti a cena
cheio de pena de mim,
mas,
quando o final
em definitivo
decúbito dorsal
parecia a saída,
um motivo
súbito e hermético
foi iodo pra ferida!,
ardeu,
mas,
à canseira deu um fim!,
aí,
entre
realidade e identidade,
me decidi
pela foto da carteira
e consegui o passe!,
e a pose e a classe
de todo não perdi!,
agora,
a toda hora
na foto dou um close,
a três por dois
curto em 3x4 a mocidade,
e não creio mais nessa bobagem
de que é mais um surto de doideira,
é coragem!,
coragem de verdade!,
coragem de não ter receio da saudade!
o impasse,
fiquei cara a cara
com a outra face,
foto 3x4
em preto e branco
que a três por dois
pegava, mostrava,
olhava e não via,
depois,
veio o terromoto,
e levei o tranco,
e tremeu o meu coreto,
e fiz aquele teatro,
e cheguei a pedir
um patético bis
e repeti a cena
cheio de pena de mim,
mas,
quando o final
em definitivo
decúbito dorsal
parecia a saída,
um motivo
súbito e hermético
foi iodo pra ferida!,
ardeu,
mas,
à canseira deu um fim!,
aí,
entre
realidade e identidade,
me decidi
pela foto da carteira
e consegui o passe!,
e a pose e a classe
de todo não perdi!,
agora,
a toda hora
na foto dou um close,
a três por dois
curto em 3x4 a mocidade,
e não creio mais nessa bobagem
de que é mais um surto de doideira,
é coragem!,
coragem de verdade!,
coragem de não ter receio da saudade!
sexta-feira, janeiro 04, 2008
O amor veio numa taça!
Não há nada que me faça
desmanchar a mancha
da camisa de linho,
mancha do vinho
que caiu da sua taça,
não há nada!,
querida,
é lembrança
do dia mais feliz
da minha vida,
lembrança do dia
em que te conheci
e me senti um principiante
sem cancha nem currículo
diante de você,
um ridículo aprendiz
perdido no caminho da paixão
que bancava o romeu
e tentava chamar sua atenção,
mas,
o vinho caiu na camisa,
eu vi e você me viu,
consegui seu olhar e seu sorriso,
e senti sua mão me tocar
à guisa de pedido de perdão,
e nem era preciso,
o devaneio começou ali,
portanto,
querida,
nada faça,
deixe guardada
lá naquele canto
a camisa manchada,
ela vai testemunhar
a meu favor
quando eu falar:
o amor veio numa taça!
desmanchar a mancha
da camisa de linho,
mancha do vinho
que caiu da sua taça,
não há nada!,
querida,
é lembrança
do dia mais feliz
da minha vida,
lembrança do dia
em que te conheci
e me senti um principiante
sem cancha nem currículo
diante de você,
um ridículo aprendiz
perdido no caminho da paixão
que bancava o romeu
e tentava chamar sua atenção,
mas,
o vinho caiu na camisa,
eu vi e você me viu,
consegui seu olhar e seu sorriso,
e senti sua mão me tocar
à guisa de pedido de perdão,
e nem era preciso,
o devaneio começou ali,
portanto,
querida,
nada faça,
deixe guardada
lá naquele canto
a camisa manchada,
ela vai testemunhar
a meu favor
quando eu falar:
o amor veio numa taça!
quinta-feira, janeiro 03, 2008
O maior otário da praça (Qualquer semelhança é mera coincidência)
Você é convencido
e metido a malandro,
mas,
que malandro é esse,
meu irmão,
que já dançou
na mão de inocente
e de cliente de berçário
tomou volta?!,
vê-se
que você é otário
e me dá
uma revolta danada
ver um otário como você
sair por aí sem escolta,
um otário
que recebe barbada
e recebe várias,
e barbadas diárias,
mesmo
quando não há corrida,
e todas
do mesmo cara,
e pro mesmo páreo,
e joga em todas
feliz da vida,
e pede bis,
e se ferra,
e por aí não pára,
vai em frente,
xinga e berra
pra toda a gente
tomar ciência da mancada,
e, sem pausa,
se afoga na pinga malvada,
aí,
por causa
da ardência e do soluço,
ginga
tal qual o pinguço da piada,
pensa,
meu camarada,
ignorar é besteira,
qualquer otário menor te logra,
te passa pra trás,
você
é o maior otário da praça,
aliás,
otário
diplomado pela cunhada,
carteira assinada pela sogra
e atestado
passado pela mulher
com a bença dos teus pais!,
o que é que você quer mais?!
e metido a malandro,
mas,
que malandro é esse,
meu irmão,
que já dançou
na mão de inocente
e de cliente de berçário
tomou volta?!,
vê-se
que você é otário
e me dá
uma revolta danada
ver um otário como você
sair por aí sem escolta,
um otário
que recebe barbada
e recebe várias,
e barbadas diárias,
mesmo
quando não há corrida,
e todas
do mesmo cara,
e pro mesmo páreo,
e joga em todas
feliz da vida,
e pede bis,
e se ferra,
e por aí não pára,
vai em frente,
xinga e berra
pra toda a gente
tomar ciência da mancada,
e, sem pausa,
se afoga na pinga malvada,
aí,
por causa
da ardência e do soluço,
ginga
tal qual o pinguço da piada,
pensa,
meu camarada,
ignorar é besteira,
qualquer otário menor te logra,
te passa pra trás,
você
é o maior otário da praça,
aliás,
otário
diplomado pela cunhada,
carteira assinada pela sogra
e atestado
passado pela mulher
com a bença dos teus pais!,
o que é que você quer mais?!
quarta-feira, janeiro 02, 2008
Menina, eu juro!
Menina,
você nem imagina
o que sou capaz
de fazer por você,
danço qualquer dança,
danço a dança
que você quiser
e não me canso de dançar,
por você,
menina,
sou capaz
de perder o apego
por esquina e boemia,
de largar a folia
e de botar aliança no dedo,
sou capaz
de acordar cedo
pra dar nó na gravata,
me enfiar no paletó
e sair por aí
à cata de emprego,
por você,
menina,
lavo, passo, cozinho,
corto, alinhavo e costuro,
e suporto o programa
que você quiser ver na tevê,
e quietinho,
caladinho,
sem drama nem confusão,
enfim,
menina,
eu juro
me tornar seu escravo
e a mão
pode botar
no fogo por mim,
sendo assim,
pra que fazer jogo duro?!
você nem imagina
o que sou capaz
de fazer por você,
danço qualquer dança,
danço a dança
que você quiser
e não me canso de dançar,
por você,
menina,
sou capaz
de perder o apego
por esquina e boemia,
de largar a folia
e de botar aliança no dedo,
sou capaz
de acordar cedo
pra dar nó na gravata,
me enfiar no paletó
e sair por aí
à cata de emprego,
por você,
menina,
lavo, passo, cozinho,
corto, alinhavo e costuro,
e suporto o programa
que você quiser ver na tevê,
e quietinho,
caladinho,
sem drama nem confusão,
enfim,
menina,
eu juro
me tornar seu escravo
e a mão
pode botar
no fogo por mim,
sendo assim,
pra que fazer jogo duro?!
E de boa intenção o inferno está cheio!
Vamos lá,
vamos jogar
com nosso jogo de cintura
e tacar fogo nesse dia morno,
vamos botar o passo
no compasso da folia,
passar o cordão
em torno da cidade
e dar um laço
com a cor dessa raça
que sensualidade
e sabor tem de sobra
por obra e graça da mistura,
vamos lá,
vamos mostrar a quem
da missa não sabe a metade
a flor bela e mestiça
que brotou
na lapela do nosso tropical,
e brotou
de maneira bem natural,
e prescindiu de outras leis,
pra quem não sabe,
eis a explicação:
amor, gravidez e parto,
o mais é besteira ou coisa à-toa,
e, por favor,
de besteira e coisa à-toa
o Brasil já está farto!
vamos lá,
vamos acabar com a precisão,
mas,
meu amigo,
e lhe digo
com o mais fraterno respeito,
suspeito
que você não saiba
ou, caso saiba,
receio
que você não saiba bem:
a necessidade é incolor!
e a maldade é incolor também!,
e de boa intenção o inferno está cheio!
vamos jogar
com nosso jogo de cintura
e tacar fogo nesse dia morno,
vamos botar o passo
no compasso da folia,
passar o cordão
em torno da cidade
e dar um laço
com a cor dessa raça
que sensualidade
e sabor tem de sobra
por obra e graça da mistura,
vamos lá,
vamos mostrar a quem
da missa não sabe a metade
a flor bela e mestiça
que brotou
na lapela do nosso tropical,
e brotou
de maneira bem natural,
e prescindiu de outras leis,
pra quem não sabe,
eis a explicação:
amor, gravidez e parto,
o mais é besteira ou coisa à-toa,
e, por favor,
de besteira e coisa à-toa
o Brasil já está farto!
vamos lá,
vamos acabar com a precisão,
mas,
meu amigo,
e lhe digo
com o mais fraterno respeito,
suspeito
que você não saiba
ou, caso saiba,
receio
que você não saiba bem:
a necessidade é incolor!
e a maldade é incolor também!,
e de boa intenção o inferno está cheio!
terça-feira, dezembro 18, 2007
A força do sonho
Não há força
que se oponha
à força do sonho
de quem tem fé
no sonho que sonha
e não desiste do sonho
e no sonho insiste sem trégua,
e traça o sonho
sem régua e compasso,
e do tempo se deslaça
e do chão tira o pé
e pelo espaço flutua
quando sonha,
mas,
transpira
em tempo integral
pra botar o sonho na rua,
e mais ainda sonha
quando cai na real
e sonha desperto
pra não deixar
de sonhar o sonho
sequer um instante
e, esteja onde estiver,
o sonho sonha,
esteja já perto
de realizar o sonho
ou ainda bem distante,
não há força que se oponha
à força de quem sonha
certo que o importante
é continuar sonhando o sonho!,
“quem não sabe sonhar
sonha, acorda contrariado
e se amua
porque acordou do sonho,
quem sabe sonhar
sonha, acorda,
ao sonho dá corda
e vai sonhando acordado,
e transpirando
pra botar o sonho na rua!”
que se oponha
à força do sonho
de quem tem fé
no sonho que sonha
e não desiste do sonho
e no sonho insiste sem trégua,
e traça o sonho
sem régua e compasso,
e do tempo se deslaça
e do chão tira o pé
e pelo espaço flutua
quando sonha,
mas,
transpira
em tempo integral
pra botar o sonho na rua,
e mais ainda sonha
quando cai na real
e sonha desperto
pra não deixar
de sonhar o sonho
sequer um instante
e, esteja onde estiver,
o sonho sonha,
esteja já perto
de realizar o sonho
ou ainda bem distante,
não há força que se oponha
à força de quem sonha
certo que o importante
é continuar sonhando o sonho!,
“quem não sabe sonhar
sonha, acorda contrariado
e se amua
porque acordou do sonho,
quem sabe sonhar
sonha, acorda,
ao sonho dá corda
e vai sonhando acordado,
e transpirando
pra botar o sonho na rua!”
quinta-feira, dezembro 13, 2007
Não dá não!
Sem festa
não presta a vida,
não dá pra viver
só batalhando,
disputando bola dividida
pra marcar mais um tento
e ganhar mais um vintém,
e o adversário violento
entrando de sola,
não dá pra viver
de olho no horário,
traçando pê-efe de corrida
e brigando com o molho
ao fazer a digestão,
e a ferrugem aumentando,
e, de lambujem,
na sua cola andando alguém:
chefe, patrão, patroa;
numa boa,
não dá não,
não dá pra viver desse jeito,
imerso na pressa,
nessa lufa-lufa
que da poesia é o inverso,
e só dando nó em pingo d’água
e lamentando:
carestia, corrupção, efeito estufa;
de quando em quando,
é necessário
deixar de ser otário,
esquecer choramingo e mágoa
e tomar um porre de folia e parati
porque,
mais dia, menos dia,
toda gente morre
e tudo fica ou não fica por aí?!,
mas,
que se exploda essa questão
que essa questão é pra quem fica!
não presta a vida,
não dá pra viver
só batalhando,
disputando bola dividida
pra marcar mais um tento
e ganhar mais um vintém,
e o adversário violento
entrando de sola,
não dá pra viver
de olho no horário,
traçando pê-efe de corrida
e brigando com o molho
ao fazer a digestão,
e a ferrugem aumentando,
e, de lambujem,
na sua cola andando alguém:
chefe, patrão, patroa;
numa boa,
não dá não,
não dá pra viver desse jeito,
imerso na pressa,
nessa lufa-lufa
que da poesia é o inverso,
e só dando nó em pingo d’água
e lamentando:
carestia, corrupção, efeito estufa;
de quando em quando,
é necessário
deixar de ser otário,
esquecer choramingo e mágoa
e tomar um porre de folia e parati
porque,
mais dia, menos dia,
toda gente morre
e tudo fica ou não fica por aí?!,
mas,
que se exploda essa questão
que essa questão é pra quem fica!
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Galho de arruda
Não caia na esparrela
de pelo ouvido pegar barriga
dando trela a intriga e ruído,
se deixando levar
por atoarda e balela,
o mundo não vai acabar
em razão de um zunzunzum,
também,
de imediato,
não se descontraia
nem se distraia da guarda,
acredite
no fundo de verdade
que todo boato tem,
mudando o enfoque,
se, por um lado,
a criatividade do povão
não tem limite
e sua língua
é do tamanho de um bonde,
e de um bonde com reboque,
por outro lado,
a vontade da malta
de explorar o rebanho
não míngua,
está sempre em alta,
e a malta
pode espalhar falaço e fazer fuxico,
por conseguinte,
não se louve em rumorejo,
mexerico ou boquejo
pra não acreditar em mentira,
mas,
seja bom ouvinte
e confira tudo que ouve
se um calço não quiser levar,
se quiser evitar embaraço e percalço,
agora,
se ficar divido,
sem saber o que fazer
e precisar muito de ajuda,
faça o que eu faço,
na hora faço um trabalho
e passo a usar patuás
e, atrás do ouvido,
galho de arruda!
de pelo ouvido pegar barriga
dando trela a intriga e ruído,
se deixando levar
por atoarda e balela,
o mundo não vai acabar
em razão de um zunzunzum,
também,
de imediato,
não se descontraia
nem se distraia da guarda,
acredite
no fundo de verdade
que todo boato tem,
mudando o enfoque,
se, por um lado,
a criatividade do povão
não tem limite
e sua língua
é do tamanho de um bonde,
e de um bonde com reboque,
por outro lado,
a vontade da malta
de explorar o rebanho
não míngua,
está sempre em alta,
e a malta
pode espalhar falaço e fazer fuxico,
por conseguinte,
não se louve em rumorejo,
mexerico ou boquejo
pra não acreditar em mentira,
mas,
seja bom ouvinte
e confira tudo que ouve
se um calço não quiser levar,
se quiser evitar embaraço e percalço,
agora,
se ficar divido,
sem saber o que fazer
e precisar muito de ajuda,
faça o que eu faço,
na hora faço um trabalho
e passo a usar patuás
e, atrás do ouvido,
galho de arruda!
sexta-feira, novembro 30, 2007
Ditado infeliz
Você cai no meu caminho,
me diz esse ditado infeliz
- “filho de peixe é peixinho”-,
e não quer
que eu fique zangado
nem quer que eu me queixe?!,
ora!,
deixe de moda conosco,
e deixe agora!,
senão
vai ter noção
da minha mágoa
e do poder da minha mão,
é imensa a diferença
entre mim e meu pai,
é da água pro vinho!,
sou fosco e chinfrim
e meu pai
tinha arte, tinha viço, tinha brilho,
fazia parte da nata,
se vestia como um lorde
e era cobra no cavaquinho,
cada acorde
era obra de um virtuose
e o rastilho
que fazia a mulata explodir,
por isso,
era o bamba do morro
e o rei da roda de samba,
e você há de convir
que só tenho pose,
que de fome não morro
porque do meu pai
herdei o nome,
por conseguinte,
acate o que lhe digo,
rapaz:
pinte e borde comigo,
eu não ligo,
mas,
trate de respeitar meu pai,
trate de deixar meu pai em paz,
se não deixar,
eu brigo!
me diz esse ditado infeliz
- “filho de peixe é peixinho”-,
e não quer
que eu fique zangado
nem quer que eu me queixe?!,
ora!,
deixe de moda conosco,
e deixe agora!,
senão
vai ter noção
da minha mágoa
e do poder da minha mão,
é imensa a diferença
entre mim e meu pai,
é da água pro vinho!,
sou fosco e chinfrim
e meu pai
tinha arte, tinha viço, tinha brilho,
fazia parte da nata,
se vestia como um lorde
e era cobra no cavaquinho,
cada acorde
era obra de um virtuose
e o rastilho
que fazia a mulata explodir,
por isso,
era o bamba do morro
e o rei da roda de samba,
e você há de convir
que só tenho pose,
que de fome não morro
porque do meu pai
herdei o nome,
por conseguinte,
acate o que lhe digo,
rapaz:
pinte e borde comigo,
eu não ligo,
mas,
trate de respeitar meu pai,
trate de deixar meu pai em paz,
se não deixar,
eu brigo!
segunda-feira, novembro 26, 2007
Poema natural
Sou carioca da gema
e fã desse Rio,
pelo visto,
um poema do Cristo Redentor,
sou fã desse Rio
que brinda a gente
com o calor da rima
que toma a nossa rua,
que prima
por ser um misto
de manhã sorridente
e luar de Lua linda,
e de Norte a Sul,
sou fã desse Rio
com aroma
de mar e montanha,
desse Rio que apanha
e não se queixa,
que enfeixa sua energia
pra encarar ventania e naufrágio,
e, ágil como só ele sabe ser,
logo, logo desdá o nó,
e nunca deixa de dizer
que está tudo azul,
e cruza os dedos pra dar sorte,
sou fã desse Rio
que não se desespera,
que supera seus medos
com brio e fé variada
e se recusa a ter paúra
até mergulhado
na madrugada mais escura,
sou fã desse Rio
que está sempre disposto
a dar guarida ao forasteiro,
desse Rio
que festeja a vida
com tira-gosto e cerveja
do Anil à Ipanema,
do Leblon a Bento Ribeiro,
me ufano mil por cento
de ser carioca da gema
e fã desse poema natural
chamado Rio de Janeiro
que o ano inteiro
inspira bom astral
e vira carnaval em fevereiro!
e fã desse Rio,
pelo visto,
um poema do Cristo Redentor,
sou fã desse Rio
que brinda a gente
com o calor da rima
que toma a nossa rua,
que prima
por ser um misto
de manhã sorridente
e luar de Lua linda,
e de Norte a Sul,
sou fã desse Rio
com aroma
de mar e montanha,
desse Rio que apanha
e não se queixa,
que enfeixa sua energia
pra encarar ventania e naufrágio,
e, ágil como só ele sabe ser,
logo, logo desdá o nó,
e nunca deixa de dizer
que está tudo azul,
e cruza os dedos pra dar sorte,
sou fã desse Rio
que não se desespera,
que supera seus medos
com brio e fé variada
e se recusa a ter paúra
até mergulhado
na madrugada mais escura,
sou fã desse Rio
que está sempre disposto
a dar guarida ao forasteiro,
desse Rio
que festeja a vida
com tira-gosto e cerveja
do Anil à Ipanema,
do Leblon a Bento Ribeiro,
me ufano mil por cento
de ser carioca da gema
e fã desse poema natural
chamado Rio de Janeiro
que o ano inteiro
inspira bom astral
e vira carnaval em fevereiro!
quarta-feira, novembro 21, 2007
Vamos lá, aposentado
Não se queixe
nem fique amuado,
vamos lá,
aposentado,
finte o cuco,
não deixe que pinte e borde
como se fosse o dono da manhã,
só acorde quando o sono acabar!,
aí,
capriche no sanduíche
com um bom suco
temperado com hortelã,
se gostar de café,
tome um golinho,
a seguir,
vista calça de linho,
camisa de malha
e sandália de couro,
e não esqueça
o panamá de boa palha
pra formosear a cabeça,
e saia por aí a pé e à toa,
sem escolher logradouro,
aliás,
sua senhora vai adorar
ficar livre de você,
e vá apreciar a natureza,
a ginga e a beleza da mulher
se ainda tiver
prazer de apreciar,
o que mais você quer?!,
quando cansar,
tome uma pinga,
quando tiver fome,
é hora de voltar ao lar!
nem fique amuado,
vamos lá,
aposentado,
finte o cuco,
não deixe que pinte e borde
como se fosse o dono da manhã,
só acorde quando o sono acabar!,
aí,
capriche no sanduíche
com um bom suco
temperado com hortelã,
se gostar de café,
tome um golinho,
a seguir,
vista calça de linho,
camisa de malha
e sandália de couro,
e não esqueça
o panamá de boa palha
pra formosear a cabeça,
e saia por aí a pé e à toa,
sem escolher logradouro,
aliás,
sua senhora vai adorar
ficar livre de você,
e vá apreciar a natureza,
a ginga e a beleza da mulher
se ainda tiver
prazer de apreciar,
o que mais você quer?!,
quando cansar,
tome uma pinga,
quando tiver fome,
é hora de voltar ao lar!
quinta-feira, novembro 08, 2007
Que meu filho não saia aos seus
Morro de medo
desse arremedo de homem,
um desses
que comem por capricho,
por comer,
esse bicho-homem me cutuca
e me obriga a querer
quando quer ter prazer,
e de dia,
e de madrugada,
e nem sequer me caricia,
e me fere e machuca,
e se satisfaz assim,
e me pretere,
não liga mais pra mim
assim que se satisfaz,
morro de pavor
desse macho de nada
que me faz de capacho
e não me poupa,
me faz levantar mais cedo
pra preparar seu café,
me faz lavar
e passar sua roupa,
me faz cuidar do almoço
e quer seu jantar pronto
e posto na mesa
quando da rua vem tonto
e com cheiro e gosto de mulher,
morro de horror
desse homem micho,
useiro e vezeiro em magoar,
desse bicho-homem
que me acua e faz ser
esse poço de tristeza,
e choro sem dizer um ai,
mas,
com os olhos vermelhos
e de joelhos,
eu imploro:
“miserere,
que meu filho degenere
e não saia aos seus,
não saia a mim
nem ao seu pai,
miserere,
que meu filho degenere
e não saia aos seus,
não saia a mim
nem ao seu pai.”
desse arremedo de homem,
um desses
que comem por capricho,
por comer,
esse bicho-homem me cutuca
e me obriga a querer
quando quer ter prazer,
e de dia,
e de madrugada,
e nem sequer me caricia,
e me fere e machuca,
e se satisfaz assim,
e me pretere,
não liga mais pra mim
assim que se satisfaz,
morro de pavor
desse macho de nada
que me faz de capacho
e não me poupa,
me faz levantar mais cedo
pra preparar seu café,
me faz lavar
e passar sua roupa,
me faz cuidar do almoço
e quer seu jantar pronto
e posto na mesa
quando da rua vem tonto
e com cheiro e gosto de mulher,
morro de horror
desse homem micho,
useiro e vezeiro em magoar,
desse bicho-homem
que me acua e faz ser
esse poço de tristeza,
e choro sem dizer um ai,
mas,
com os olhos vermelhos
e de joelhos,
eu imploro:
“miserere,
que meu filho degenere
e não saia aos seus,
não saia a mim
nem ao seu pai,
miserere,
que meu filho degenere
e não saia aos seus,
não saia a mim
nem ao seu pai.”
quinta-feira, novembro 01, 2007
Ela tem um quê
Ela mexe,
remexe
e sabe dizer no pé,
enfim,
ela samba como quê,
bem,
até aí,
não tem nada demais,
que, por aqui,
muita mulher samba assim,
mas,
ela tem um quê que ninguém,
ninguém sabe dizer o que é,
sabe-se só
que esse quê faz o samba
ficar em ponto de bala,
embala, empolga
e faz ficar tonto do aprendiz
ao bamba mais graduado,
sabe-se só
que não há sambista
que fique parado
e calado no canto,
que não fique rouco
de tanto pedir bis,
e que o mestre-sala
dá de se exibir na pista
como um louco
e sem pausa nem folga,
e não há um,
um só
que a porta-bandeira
quase morta
não defenestre
por causa do frenesi,
sabe-se só
que dá o tantã
de mandar no batuqueiro
e que seu Cavaquinho,
sempre tão sobranceiro,
dá de gritar:
“faze de mim teu bandolim,
faze de mim teu bandolim!”,
e o samba vai assim
até que ela pressente
que vai raiar a manhã
e sai fora de mansinho,
aí,
a gente chora,
e chora em coro,
e chora um choro
que não tem mais fim!
remexe
e sabe dizer no pé,
enfim,
ela samba como quê,
bem,
até aí,
não tem nada demais,
que, por aqui,
muita mulher samba assim,
mas,
ela tem um quê que ninguém,
ninguém sabe dizer o que é,
sabe-se só
que esse quê faz o samba
ficar em ponto de bala,
embala, empolga
e faz ficar tonto do aprendiz
ao bamba mais graduado,
sabe-se só
que não há sambista
que fique parado
e calado no canto,
que não fique rouco
de tanto pedir bis,
e que o mestre-sala
dá de se exibir na pista
como um louco
e sem pausa nem folga,
e não há um,
um só
que a porta-bandeira
quase morta
não defenestre
por causa do frenesi,
sabe-se só
que dá o tantã
de mandar no batuqueiro
e que seu Cavaquinho,
sempre tão sobranceiro,
dá de gritar:
“faze de mim teu bandolim,
faze de mim teu bandolim!”,
e o samba vai assim
até que ela pressente
que vai raiar a manhã
e sai fora de mansinho,
aí,
a gente chora,
e chora em coro,
e chora um choro
que não tem mais fim!
quarta-feira, outubro 31, 2007
Não perde a pose
É o fim,
mas,
não perde a pose
quando a Dora,
assim que o fita,
se irrita e lhe dá um fora
nem quando Anita
dá com a porta
bem na sua cara,
não perde a pose
quando é apanhado
passando a mão na Sara
e um dobrado corta
pra sair da confusão,
não perde a pose
quando é flagrado
com a boca na botija
e fica sem ir e vir,
e vem sua foto
em todos os jornais,
não perde a pose
quando mija pra trás
ao quebrar um voto
ou mija fora do penico
e todo mijado
na mesma hora paga mico,
não perde a pose
quando abusa da calibrina,
se embriaga e dá vexame
nem quando dopado
joga a partida
e acusa o exame de urina
a droga proíbida,
não perde a pose
quando faz murmúrio,
em perjúrio é pego
ou vem à tona
romance espúrio
com alguma dona,
nem quando,
no mesmo lance,
aliança
e esperança da Rose
põe no prego!
mas,
não perde a pose
quando a Dora,
assim que o fita,
se irrita e lhe dá um fora
nem quando Anita
dá com a porta
bem na sua cara,
não perde a pose
quando é apanhado
passando a mão na Sara
e um dobrado corta
pra sair da confusão,
não perde a pose
quando é flagrado
com a boca na botija
e fica sem ir e vir,
e vem sua foto
em todos os jornais,
não perde a pose
quando mija pra trás
ao quebrar um voto
ou mija fora do penico
e todo mijado
na mesma hora paga mico,
não perde a pose
quando abusa da calibrina,
se embriaga e dá vexame
nem quando dopado
joga a partida
e acusa o exame de urina
a droga proíbida,
não perde a pose
quando faz murmúrio,
em perjúrio é pego
ou vem à tona
romance espúrio
com alguma dona,
nem quando,
no mesmo lance,
aliança
e esperança da Rose
põe no prego!
segunda-feira, outubro 01, 2007
É... Perna
Num ai,
mais um vintém se vai
e vintém meu,
e eu
nem sei quem o subtrai,
apesar de ficar fulo,
engulo mais sapo,
papo furado,
babado chinfrim,
lengalengas, debates, embates,
pendengas longas demais,
mas,
no fim,
xongas,
e os songamongas
vão se dando bem,
é... Perna,
é uma terna lembrança
quando lembro teu bordão
ecoando em dezembro
pela Visconde de Abaeté
onde se fazia ceia de Natal
e com comida
a dar com um pau:
“quem tem põe,
quem não tem tira”,
e deitava e rolava o zé!,
e não havia nem avança!,
mas,
você se foi,
a vida
foi ficando mais feia
e cada malandrim que surge
vai aumentando a baderna
e abalando o refrão
que já está assim:
“quem tem não põe,
tira de quem não tem”,
portanto,
urge pedir ajuda aí no paraíso,
é preciso,
Perna,
peça que nos acuda
algum santo ou querubim!
mais um vintém se vai
e vintém meu,
e eu
nem sei quem o subtrai,
apesar de ficar fulo,
engulo mais sapo,
papo furado,
babado chinfrim,
lengalengas, debates, embates,
pendengas longas demais,
mas,
no fim,
xongas,
e os songamongas
vão se dando bem,
é... Perna,
é uma terna lembrança
quando lembro teu bordão
ecoando em dezembro
pela Visconde de Abaeté
onde se fazia ceia de Natal
e com comida
a dar com um pau:
“quem tem põe,
quem não tem tira”,
e deitava e rolava o zé!,
e não havia nem avança!,
mas,
você se foi,
a vida
foi ficando mais feia
e cada malandrim que surge
vai aumentando a baderna
e abalando o refrão
que já está assim:
“quem tem não põe,
tira de quem não tem”,
portanto,
urge pedir ajuda aí no paraíso,
é preciso,
Perna,
peça que nos acuda
algum santo ou querubim!
segunda-feira, setembro 24, 2007
"Miserere"
Pra miséria tão séria,
tão miserável miserê,
só se vê uma saída,
pilhéria
e mais pilhéria,
pilhéria até fazer
o miserável explodir
e morrer de rir,
miseriae finis in morte,
morte salvatéria,
enfim,
com o fim da vida,
motivo
vai ter o presunto
pra sorrir em definitivo,
apesar de não ser
politicamente correto
falar em presunto
quando o assunto
é gente e miséria,
entretanto,
como ninguém
tem poder de veto,
vou falando
e imprecando também,
miserere mei,
miserere nobis,
os pobres,
miserere,
Agnus Dei,
e mais,
vou protestando,
em matéria de léria
e de gente que se faz
com a miséria da gente,
a gente também
não fica atrás de ninguém,
aliás,
a gente fica bem na frente!
tão miserável miserê,
só se vê uma saída,
pilhéria
e mais pilhéria,
pilhéria até fazer
o miserável explodir
e morrer de rir,
miseriae finis in morte,
morte salvatéria,
enfim,
com o fim da vida,
motivo
vai ter o presunto
pra sorrir em definitivo,
apesar de não ser
politicamente correto
falar em presunto
quando o assunto
é gente e miséria,
entretanto,
como ninguém
tem poder de veto,
vou falando
e imprecando também,
miserere mei,
miserere nobis,
os pobres,
miserere,
Agnus Dei,
e mais,
vou protestando,
em matéria de léria
e de gente que se faz
com a miséria da gente,
a gente também
não fica atrás de ninguém,
aliás,
a gente fica bem na frente!
quinta-feira, setembro 20, 2007
A janela
Nada sei dessa janela,
absolutamente nada,
nem sei se é real ou não,
nunca sei extamente
se está aberta ou fechada,
e se bem ou se mal,
nem se tudo ou nada revela,
não sei nem
se, como toda janela,
tem vidro,
aduela, adufa, tramela,
armela, batente,
nem sei se tem
cremona ou ferrolho,
na verdade,
nem sei se é tela ou foto,
contudo,
boto o olho nela
que a curiosidade
sempre disperta em mim,
é assim,
não sei nada dessa janela,
absolutamente nada,
não sei nem se é real ou não,
nunca sei extamente
se está aberta ou fechada,
e se bem ou se mal,
se tudo ou nada revela,
não sei nem
se, como toda janela,
tem vidro,
aduela, adufa, tramela,
armela, batente,
nem sei se tem
cremona ou ferrolho,
não sei nem se tem cor,
e se tem,
não sei se é branca, amarela
ou se tem
outra cor qualquer,
francamente,
não sei quando é franca,
quando banca a sincera,
mas mente e faz trapaça,
nem quando não é mais
do que mera devassa,
aliás,
não sei nada dessa janela,
não sei nem
se é uma vera janela
ou se de uma quimera não passa!
absolutamente nada,
nem sei se é real ou não,
nunca sei extamente
se está aberta ou fechada,
e se bem ou se mal,
nem se tudo ou nada revela,
não sei nem
se, como toda janela,
tem vidro,
aduela, adufa, tramela,
armela, batente,
nem sei se tem
cremona ou ferrolho,
na verdade,
nem sei se é tela ou foto,
contudo,
boto o olho nela
que a curiosidade
sempre disperta em mim,
é assim,
não sei nada dessa janela,
absolutamente nada,
não sei nem se é real ou não,
nunca sei extamente
se está aberta ou fechada,
e se bem ou se mal,
se tudo ou nada revela,
não sei nem
se, como toda janela,
tem vidro,
aduela, adufa, tramela,
armela, batente,
nem sei se tem
cremona ou ferrolho,
não sei nem se tem cor,
e se tem,
não sei se é branca, amarela
ou se tem
outra cor qualquer,
francamente,
não sei quando é franca,
quando banca a sincera,
mas mente e faz trapaça,
nem quando não é mais
do que mera devassa,
aliás,
não sei nada dessa janela,
não sei nem
se é uma vera janela
ou se de uma quimera não passa!
quinta-feira, setembro 13, 2007
Vamos lá, porra!
Vamos lá, porra!,
vamos deixar de ser otários
e marginalizar de vez
esses vagabundos
que mundos e fundos
surrupiam dos erários!,
vamos lá, porra!,
vamos deixar de ser trouxas
e cobrar explicações
de administrações frouxas
que não evitam a ladroagem
e incitam com a frouxura
a caradura da cachorrada,
vamos lá, porra!,
vamos deixar de ser
manada de cordeiros,
ordeiros carneirinhos
que percorrem os caminhos
que quer a bandidagem
que percorra a carneirada,
vamos lá, porra!,
vamos ter gana,
astúcia, coragem,
vamos marginalizar de vez
essa súcia
que faz uma zorra danada
com nosso dinheiro!,
vamos lá, porra!,
a hora é agora,
chega de bater na trave,
vamos dar o nosso jeitinho,
o jeitinho brasileiro,
e vamos de vez
botar em cana essa cambada,
e jogar fora a chave do xadrez!
vamos deixar de ser otários
e marginalizar de vez
esses vagabundos
que mundos e fundos
surrupiam dos erários!,
vamos lá, porra!,
vamos deixar de ser trouxas
e cobrar explicações
de administrações frouxas
que não evitam a ladroagem
e incitam com a frouxura
a caradura da cachorrada,
vamos lá, porra!,
vamos deixar de ser
manada de cordeiros,
ordeiros carneirinhos
que percorrem os caminhos
que quer a bandidagem
que percorra a carneirada,
vamos lá, porra!,
vamos ter gana,
astúcia, coragem,
vamos marginalizar de vez
essa súcia
que faz uma zorra danada
com nosso dinheiro!,
vamos lá, porra!,
a hora é agora,
chega de bater na trave,
vamos dar o nosso jeitinho,
o jeitinho brasileiro,
e vamos de vez
botar em cana essa cambada,
e jogar fora a chave do xadrez!
quarta-feira, setembro 12, 2007
Liberdade
Não é mote ou refrão
pra ser cantado
ao pé do ouvido,
tem que ser grito
gritado com fé,
gritado sem temor
em louvor à liberdade,
e um grito bem louco
pra ser ouvido
até por ouvido mouco:
“não ao chicote e ao grilhão!,
que a liberdade vença,
e vença aqui e agora,
e que a liberdade
a toda a gente
pertença por igual!”,
liberdade
quer chova, quer faça sol,
seja qual for a crença,
seja qual for a opinião,
liberdade
pra que libertamente
toda a gente
se mova e comova,
e de cor, raça e pendor
se promova independentemente,
“que a liberdade vença
o chicote e o grilhão,
vença aqui e agora,
e que liberdade
a toda a gente
pertença por igual!”
pra ser cantado
ao pé do ouvido,
tem que ser grito
gritado com fé,
gritado sem temor
em louvor à liberdade,
e um grito bem louco
pra ser ouvido
até por ouvido mouco:
“não ao chicote e ao grilhão!,
que a liberdade vença,
e vença aqui e agora,
e que a liberdade
a toda a gente
pertença por igual!”,
liberdade
quer chova, quer faça sol,
seja qual for a crença,
seja qual for a opinião,
liberdade
pra que libertamente
toda a gente
se mova e comova,
e de cor, raça e pendor
se promova independentemente,
“que a liberdade vença
o chicote e o grilhão,
vença aqui e agora,
e que liberdade
a toda a gente
pertença por igual!”
sábado, setembro 08, 2007
Vou pra esbórnia!
Faça drama,
mulher,
faça sim,
faça o que quiser,
entretanto,
se houver pranto,
vá chorar na cama
que a cama é lugar quente,
e lhe adianto
que não vai adiantar,
pra mim,
vai ser indiferente,
vou botar loção e panamá
e vou pra esbórnia!,
pra esbórnia!,
mulher!,
e vou esborniar
até mais não poder!,
vou beber e vou comer
sem querer saber da digestão,
assim que a canção pintar,
vou pegar uma sirigaita
e nós dois
vamos tomar conta do salão,
quando a sirigaita
estiver tonta e quase louca,
com a boca em seu ouvido,
vou fazer a sugestão,
e duvido que a pequena
se atreva a dizer não,
depois,
aquele touro
repleto de libido
vai entrar na arena
e o couro vai comer!
e a pequena
vai tremer na base
e me aplaudir de pé,
e nem vai precisar
pedir bis
que vou bisar direto,
e vou acordar
feliz com meu sonho,
e vou comer no café
aquele sonho
que pra você eu fiz!
mulher,
faça sim,
faça o que quiser,
entretanto,
se houver pranto,
vá chorar na cama
que a cama é lugar quente,
e lhe adianto
que não vai adiantar,
pra mim,
vai ser indiferente,
vou botar loção e panamá
e vou pra esbórnia!,
pra esbórnia!,
mulher!,
e vou esborniar
até mais não poder!,
vou beber e vou comer
sem querer saber da digestão,
assim que a canção pintar,
vou pegar uma sirigaita
e nós dois
vamos tomar conta do salão,
quando a sirigaita
estiver tonta e quase louca,
com a boca em seu ouvido,
vou fazer a sugestão,
e duvido que a pequena
se atreva a dizer não,
depois,
aquele touro
repleto de libido
vai entrar na arena
e o couro vai comer!
e a pequena
vai tremer na base
e me aplaudir de pé,
e nem vai precisar
pedir bis
que vou bisar direto,
e vou acordar
feliz com meu sonho,
e vou comer no café
aquele sonho
que pra você eu fiz!
terça-feira, setembro 04, 2007
Berra, cabrito, berra!
Berra,
cabrito,
berra a rodo
teu bendito berro,
berra um berro bom
e bem berrado
que é engodo
pra te enganar
o dito popular,
cabrito que não berra
é burro
e burro é bom
só pra quem
dele não tem dó
e nele está montado,
vamos lá,
cabrito,
guerra é guerra,
dá teu berro na marra,
tu não és de ferro
e não tens que suportar
tanta farra com teu couro,
vamos lá,
cabrito,
amarra o bode e berra,
teu tesouro é teu berro
e pode ser de ouro,
berra,
cabrito,
berra!,
e berra agora,
senão,
tua hora vai embora
e teu berro vai ser vão!
cabrito,
berra a rodo
teu bendito berro,
berra um berro bom
e bem berrado
que é engodo
pra te enganar
o dito popular,
cabrito que não berra
é burro
e burro é bom
só pra quem
dele não tem dó
e nele está montado,
vamos lá,
cabrito,
guerra é guerra,
dá teu berro na marra,
tu não és de ferro
e não tens que suportar
tanta farra com teu couro,
vamos lá,
cabrito,
amarra o bode e berra,
teu tesouro é teu berro
e pode ser de ouro,
berra,
cabrito,
berra!,
e berra agora,
senão,
tua hora vai embora
e teu berro vai ser vão!
segunda-feira, agosto 20, 2007
Por falar em puxar a brasa para a minha sardinha
Se há ensejo,
para a minha sardinha
puxo a brasa
de quando em quando,
quem não puxa?!,
e não vejo nada demais
nessa puxadinha!,
mas,
puxo sem esquecer
que não é só minha a brasa,
sem esquecer
que minha sardinha
não está sozinha nesse mar,
e nem fale pra mim
que dá no mesmo
que no mesmo não dá não,
quando se puxa assim,
o puxar é diferente
e a puxada
é muito bem cuidada,
que a gente
não puxa a esmo,
que agente
puxa sem exagerar,
e até a puxadinha pára
quando a gente sente
que tem
uma sardinha de nada
quando comparada
com a sardinha de outro cara.
para a minha sardinha
puxo a brasa
de quando em quando,
quem não puxa?!,
e não vejo nada demais
nessa puxadinha!,
mas,
puxo sem esquecer
que não é só minha a brasa,
sem esquecer
que minha sardinha
não está sozinha nesse mar,
e nem fale pra mim
que dá no mesmo
que no mesmo não dá não,
quando se puxa assim,
o puxar é diferente
e a puxada
é muito bem cuidada,
que a gente
não puxa a esmo,
que agente
puxa sem exagerar,
e até a puxadinha pára
quando a gente sente
que tem
uma sardinha de nada
quando comparada
com a sardinha de outro cara.
terça-feira, agosto 14, 2007
Ela é aquela
Quando
se vê atraída por alguém,
ela pira e vai à vida
sem cautela nem medo,
e nem tira
a aliança do dedo,
e não se cansa
nem se aquieta
enquanto
sua meta não alcança,
ela é aquela
que não respeita limite
e que convite não enfeita,
é direta,
e não aceita um não,
depois que laça,
abraça, beija,
deseja e se entrega,
e bisa a peleja,
pois,
pra ela,
não tem baliza a refrega,
e ela não nega
que não se tolhe,
que não escolhe
hora e lugar
pra ter e dar prazer,
sei bem como ela é
e até brigo comigo,
juro
e rejuro pra mim
a todo instante
que vou embora
assim que puder,
assim
que puder viver
distante dessa mulher!
se vê atraída por alguém,
ela pira e vai à vida
sem cautela nem medo,
e nem tira
a aliança do dedo,
e não se cansa
nem se aquieta
enquanto
sua meta não alcança,
ela é aquela
que não respeita limite
e que convite não enfeita,
é direta,
e não aceita um não,
depois que laça,
abraça, beija,
deseja e se entrega,
e bisa a peleja,
pois,
pra ela,
não tem baliza a refrega,
e ela não nega
que não se tolhe,
que não escolhe
hora e lugar
pra ter e dar prazer,
sei bem como ela é
e até brigo comigo,
juro
e rejuro pra mim
a todo instante
que vou embora
assim que puder,
assim
que puder viver
distante dessa mulher!
segunda-feira, julho 23, 2007
A loucura dessa louca pega
Um parafuso a menos,
pelo menos um,
tem essa louca,
quando a gente
vem de samba,
ela descamba
e abusa do bolero,
mantém
lero-lero confuso
frente ao espelho,
sai sem pintura
e lambuza a boca
com batom vermelho
quando vai dormir,
se há razão pra rir,
ela chora,
e vice-versa,
se é hora de prosa,
ela versa
sem métrica nem rima,
e, ainda por cima,
sua falação é tétrica,
um nó só!,
por fim,
vê a coisa cor-de-rosa
quando a coisa tá preta
e a louca fica elétrica,
vá por mim,
não se meta
com essa criatura
que a loucura dela pega,
e como pega!
pelo menos um,
tem essa louca,
quando a gente
vem de samba,
ela descamba
e abusa do bolero,
mantém
lero-lero confuso
frente ao espelho,
sai sem pintura
e lambuza a boca
com batom vermelho
quando vai dormir,
se há razão pra rir,
ela chora,
e vice-versa,
se é hora de prosa,
ela versa
sem métrica nem rima,
e, ainda por cima,
sua falação é tétrica,
um nó só!,
por fim,
vê a coisa cor-de-rosa
quando a coisa tá preta
e a louca fica elétrica,
vá por mim,
não se meta
com essa criatura
que a loucura dela pega,
e como pega!
quinta-feira, julho 05, 2007
Amor é mentira
Por favor,
amor,
minta,
minta descaradamente,
represente sem pudor,
amor é mentira,
mas,
a gente jura que não mente
e não é mentira essa jura,
por favor,
amor,
minta de manhã,
minta de tarde
e, de noite,
no afã de amar,
mais se afoite a mentir,
minta que arde,
que fica louca
de tanto sentir prazer,
e minta com o olhar,
com a boca,
com todo o seu ser,
e minta o riso,
e minta o pranto,
minta o quanto for preciso,
por favor,
não fira o amor,
amor é mentira!
amor,
minta,
minta descaradamente,
represente sem pudor,
amor é mentira,
mas,
a gente jura que não mente
e não é mentira essa jura,
por favor,
amor,
minta de manhã,
minta de tarde
e, de noite,
no afã de amar,
mais se afoite a mentir,
minta que arde,
que fica louca
de tanto sentir prazer,
e minta com o olhar,
com a boca,
com todo o seu ser,
e minta o riso,
e minta o pranto,
minta o quanto for preciso,
por favor,
não fira o amor,
amor é mentira!
segunda-feira, julho 02, 2007
Por aqui
Não é segredo pra ninguém
que enredo,
que segredo o que não sei
se sei bem
e até o que nem sei
se algum vintém
puder render pra mim!,
e daí
se por aqui
tanta gente faz assim
e ninguém tem medo
de ir em cana?!,
sei que por aqui
muita gente engana,
mente e ludibria,
muita gente angaria a muque
a simpatia do banana
e a do crente
com truque e alquimia!,
sei que por aqui
muita gente desafia
lei, costume, credo e moral!,
quem a honestidade
comemora por aqui
quando dá a virada,
chega ao cume da escalada
e passa a ser o tal?,
quem por aqui chora
de saudade da retidão
quando chega sua hora
de meter a mão na nossa grana?,
quem?!
que enredo,
que segredo o que não sei
se sei bem
e até o que nem sei
se algum vintém
puder render pra mim!,
e daí
se por aqui
tanta gente faz assim
e ninguém tem medo
de ir em cana?!,
sei que por aqui
muita gente engana,
mente e ludibria,
muita gente angaria a muque
a simpatia do banana
e a do crente
com truque e alquimia!,
sei que por aqui
muita gente desafia
lei, costume, credo e moral!,
quem a honestidade
comemora por aqui
quando dá a virada,
chega ao cume da escalada
e passa a ser o tal?,
quem por aqui chora
de saudade da retidão
quando chega sua hora
de meter a mão na nossa grana?,
quem?!
sábado, junho 02, 2007
Que samba é esse?!
Que samba é esse
que barbariza
a “última flor do Lácio”,
tem pavor do Estácio
e verdadeira ojeriza
a Madureira?!,
não se zangue
com meu reclamo,
mas,
vê-se
que você não é do ramo,
que você
não tem samba no sangue,
você precisa saber
que não é o sujeito
que faz opção pelo samba,
é o inverso,
é o samba
que faz opção pelo sujeito,
e faz de um jeito especial,
via cordão umbilical,
e por toda a vida
lhe cadencia a batida do peito,
por essa razão,
samba é mais que canção,
samba é coração
em verso e melodia!
que barbariza
a “última flor do Lácio”,
tem pavor do Estácio
e verdadeira ojeriza
a Madureira?!,
não se zangue
com meu reclamo,
mas,
vê-se
que você não é do ramo,
que você
não tem samba no sangue,
você precisa saber
que não é o sujeito
que faz opção pelo samba,
é o inverso,
é o samba
que faz opção pelo sujeito,
e faz de um jeito especial,
via cordão umbilical,
e por toda a vida
lhe cadencia a batida do peito,
por essa razão,
samba é mais que canção,
samba é coração
em verso e melodia!
quinta-feira, maio 17, 2007
Pinga!, pinguço, pinga!
Pinga!, pinguço, pinga!,
siga o impulso...
embora você diga
que tá tudo bem,
que tem tudo na mão,
a pinga se vinga
e não demora não,
aí,
você ginga
e vai indo pra frente
à base de soluço
e faz o percurso
seguindo a serpente,
aqui e ali,
ensaia um discurso,
mas,
à míngua do que falar,
respinga,
arrota uma quase-frase
e a quase-frase repete
e quase
desconjunta o maxilar,
e toma vaia,
e um beiço
o outro beiço besunta,
e se intromete
a língua graúda
e ajuda a besuntar,
e você xinga e pragueja,
e a nega fica louca
quando você chega
cheirando
a rama e cerveja,
e choraminga
promessa oca,
e soluça,
e praticamente
a fuça ingressa
no prato de sopa,
e desmaia na cama
sem tirar
sapato nem roupa
e dá de roncar
e de babar na fronha,
no dia seguinte,
dá uma de pedinte
e pede perdão,
mas,
não toma vergonha,
pega e toma um quente
e alega
que a mão é muito exigente!
siga o impulso...
embora você diga
que tá tudo bem,
que tem tudo na mão,
a pinga se vinga
e não demora não,
aí,
você ginga
e vai indo pra frente
à base de soluço
e faz o percurso
seguindo a serpente,
aqui e ali,
ensaia um discurso,
mas,
à míngua do que falar,
respinga,
arrota uma quase-frase
e a quase-frase repete
e quase
desconjunta o maxilar,
e toma vaia,
e um beiço
o outro beiço besunta,
e se intromete
a língua graúda
e ajuda a besuntar,
e você xinga e pragueja,
e a nega fica louca
quando você chega
cheirando
a rama e cerveja,
e choraminga
promessa oca,
e soluça,
e praticamente
a fuça ingressa
no prato de sopa,
e desmaia na cama
sem tirar
sapato nem roupa
e dá de roncar
e de babar na fronha,
no dia seguinte,
dá uma de pedinte
e pede perdão,
mas,
não toma vergonha,
pega e toma um quente
e alega
que a mão é muito exigente!
terça-feira, maio 08, 2007
Matemática...
Quando alguém
fala bem da matemática,
por razão prática,
fico na minha,
aliás,
fico com o pé atrás,
e me explico
com a fração um quarto,
um quarto de palácio
é somente um quarto,
um quarto de barracão
é muito mais
pois quarto, sala, banheiro, cozinha,
solário e despensa
que dispensa comentário,
em um quarto de palácio,
ou dorme o casal
ou o solteiro
ou a solteira sozinha,
em um quarto de barraco,
há escala pra dormir
até em beira de esteira
que é normal
sair gente pelo ladrão,
gente que vai parar
no barraco da vizinha,
não cabe fogão
a um quarto de palácio,
mas cabe
a um de barracão,
apesar
de ter pouco bico
frente ao montão de bocas
loucas pra fazer
um tico de refeição,
e cabe o botijão de gás
que de tão vazio
enche o saco
e dá frio no estômago,
e esse é o âmago da questão,
mas,
na prática,
a conclusão é canja:
saco vazio não fica em pé
e quem não manja
não tem fé
na aplicação da matemática!
fala bem da matemática,
por razão prática,
fico na minha,
aliás,
fico com o pé atrás,
e me explico
com a fração um quarto,
um quarto de palácio
é somente um quarto,
um quarto de barracão
é muito mais
pois quarto, sala, banheiro, cozinha,
solário e despensa
que dispensa comentário,
em um quarto de palácio,
ou dorme o casal
ou o solteiro
ou a solteira sozinha,
em um quarto de barraco,
há escala pra dormir
até em beira de esteira
que é normal
sair gente pelo ladrão,
gente que vai parar
no barraco da vizinha,
não cabe fogão
a um quarto de palácio,
mas cabe
a um de barracão,
apesar
de ter pouco bico
frente ao montão de bocas
loucas pra fazer
um tico de refeição,
e cabe o botijão de gás
que de tão vazio
enche o saco
e dá frio no estômago,
e esse é o âmago da questão,
mas,
na prática,
a conclusão é canja:
saco vazio não fica em pé
e quem não manja
não tem fé
na aplicação da matemática!
sexta-feira, abril 27, 2007
Sem tir-te nem guar-te
Ela veio
sem tir-te nem guar-te
e não sei nem de que parte,
se daqui,
Apuí, Rodeio, Ubatã,
ou de lá,
Amã ou Calcutá,
não sei
se foi serva de rei
ou Minerva de xamã,
sei que vi sua arte
e me apaixonei
assim que seus olhos
olharam pra mim,
assim que meus olhos
olharam nos dela,
e a cortejei,
e me exibi no samba,
e mostrei que n’angola
da favela era o bamba,
e lhe ofereci o que tinha,
a vida e o coração,
e pedi sua mão,
e com a dela na minha
na frente da nossa escola
bem no meio da Avenida,
a gente embala a multidão
com exibição de primeira,
eu, mestre-sala,
ela, porta-bandeira!
sem tir-te nem guar-te
e não sei nem de que parte,
se daqui,
Apuí, Rodeio, Ubatã,
ou de lá,
Amã ou Calcutá,
não sei
se foi serva de rei
ou Minerva de xamã,
sei que vi sua arte
e me apaixonei
assim que seus olhos
olharam pra mim,
assim que meus olhos
olharam nos dela,
e a cortejei,
e me exibi no samba,
e mostrei que n’angola
da favela era o bamba,
e lhe ofereci o que tinha,
a vida e o coração,
e pedi sua mão,
e com a dela na minha
na frente da nossa escola
bem no meio da Avenida,
a gente embala a multidão
com exibição de primeira,
eu, mestre-sala,
ela, porta-bandeira!
segunda-feira, abril 23, 2007
O forte cheiro da merda
Sei que já não sou moço,
meu amigo,
pra ser mais exato,
perdi o embalo
e me tornei antigo,
é isso aí...
o tato foi me ralando
e ficando ralo,
e já estava grosso
quando dei por mim,
a visão
de abalo em abalo
foi ficando chinfrim
e me deixando na mão,
agora,
pra não ficar de fora,
chego tão perto
que quase beijo o fato,
mas,
não vejo certo nem assim,
como já não ouço bem
nem quando berro,
me calo
e da audição já nem falo,
na hora da refeição,
arfo e como
via mastigação postiça
e tomo ferro
que até iguaria
tem gosto de carniça,
e fui bom garfo um dia,
quem diria!...
a cuca está cheia de hiato
e também meia lerda,
de sorte que o intelecto
virou arapuca,
isto posto,
encerro com o olfato
e a custo um cheiro detecto,
e justo
o forte cheiro da merda!
meu amigo,
pra ser mais exato,
perdi o embalo
e me tornei antigo,
é isso aí...
o tato foi me ralando
e ficando ralo,
e já estava grosso
quando dei por mim,
a visão
de abalo em abalo
foi ficando chinfrim
e me deixando na mão,
agora,
pra não ficar de fora,
chego tão perto
que quase beijo o fato,
mas,
não vejo certo nem assim,
como já não ouço bem
nem quando berro,
me calo
e da audição já nem falo,
na hora da refeição,
arfo e como
via mastigação postiça
e tomo ferro
que até iguaria
tem gosto de carniça,
e fui bom garfo um dia,
quem diria!...
a cuca está cheia de hiato
e também meia lerda,
de sorte que o intelecto
virou arapuca,
isto posto,
encerro com o olfato
e a custo um cheiro detecto,
e justo
o forte cheiro da merda!
segunda-feira, abril 16, 2007
De barriga cheia
Quem nasce
em berço de ouro,
quando se queixa,
se queixa de barriga cheia
que não tem
que pedir arrego
e estender a mão
pra se vestir, comer
e conseguir emprego,
nem tem
que fazer crediário
pra existir à prestação,
mas,
quem nasce
em berço comunitário,
meu irmão,
com um montão
de outros pequenos,
se fadiga feito mouro
já no berçário
e está sujeito
a deixar o couro por lá
que é muito feia
a briga pelo peito,
depois,
sem numerário
pra dar lance
e arrematar algum bem
que o dia-a-dia
é um leilão,
tem bem menos
de um terço da chance
que o outro tem
e, via de regra,
não se integra ao páreo
e acaba fazendo feio,
pois,
sem esteio e alavanca,
não arranca,
se arranca,
manca pouco adiante
e estanca e finda
do meio inda distante,
se arranca e não manca
e não estanca
e não se manca
e banca o louco
e arranca o alheio,
quando não cai,
vai pra tranca
ao fim do flagrante,
contudo,
quando não dá tudo
tão errado assim,
em geral,
se arrebenta no trabalho
até se aposentar
e se aposenta no final,
e cheio de avaria,
e com aposentadoria chinfrim,
e nem estrila o coitado,
e vai quebrando um galho
até se quebrar
numa fila de hospital
de mal não diagnosticado!,
mas,
por fim,
tem casa
e casa nova,
a cova rasa!
em berço de ouro,
quando se queixa,
se queixa de barriga cheia
que não tem
que pedir arrego
e estender a mão
pra se vestir, comer
e conseguir emprego,
nem tem
que fazer crediário
pra existir à prestação,
mas,
quem nasce
em berço comunitário,
meu irmão,
com um montão
de outros pequenos,
se fadiga feito mouro
já no berçário
e está sujeito
a deixar o couro por lá
que é muito feia
a briga pelo peito,
depois,
sem numerário
pra dar lance
e arrematar algum bem
que o dia-a-dia
é um leilão,
tem bem menos
de um terço da chance
que o outro tem
e, via de regra,
não se integra ao páreo
e acaba fazendo feio,
pois,
sem esteio e alavanca,
não arranca,
se arranca,
manca pouco adiante
e estanca e finda
do meio inda distante,
se arranca e não manca
e não estanca
e não se manca
e banca o louco
e arranca o alheio,
quando não cai,
vai pra tranca
ao fim do flagrante,
contudo,
quando não dá tudo
tão errado assim,
em geral,
se arrebenta no trabalho
até se aposentar
e se aposenta no final,
e cheio de avaria,
e com aposentadoria chinfrim,
e nem estrila o coitado,
e vai quebrando um galho
até se quebrar
numa fila de hospital
de mal não diagnosticado!,
mas,
por fim,
tem casa
e casa nova,
a cova rasa!
terça-feira, abril 10, 2007
Domingo de sol
Alguém vaiava, alguém aplaudia,
e o da gandaia fez o mesmo,
aplaudiu a esmo e vaiou à toa,
e foi à praia como faz todo dia,
e, aos domingos,
ainda faz galhofa
com a gente da farofa,
o da miopia crente que via
não viu
que carecia de lente boa
e misturou alhos com bugalhos
ao botar nos is os pingos,
e aplaudiu e vaiou
quem vaiava e quem aplaudia,
o da utopia se julga o tal
e já não é tão novo,
tão moço assim
pra acreditar em ilusão,
o que me faz ficar
com a pulga atrás da orelha,
e ele não vaiou nem aplaudiu,
deu em sua telha fazer passeata
pra mostrar ao pessoal
a visão mais sensata
do xis da questão,
e o grosso do povo,
que navega
nos escombros e assombros
de um dia-a-dia chinfrim
e nos ombros tudo carrega,
engoliu sapo de montão
e pediu bis,
mas,
lá na cobertura de luxo,
brindou o bruxo
com seu sócio esperto
a ventura da negociata,
já está no papo
o negócio pra dar caminho
a garoto da periferia
via promoção de regata
de barquinho de papel
em esgoto a céu aberto,
ô!... garção,
por favor,
outra cana
que não tenho grana
pra tratar a depressão
com nenhuma outra terapia!
e o da gandaia fez o mesmo,
aplaudiu a esmo e vaiou à toa,
e foi à praia como faz todo dia,
e, aos domingos,
ainda faz galhofa
com a gente da farofa,
o da miopia crente que via
não viu
que carecia de lente boa
e misturou alhos com bugalhos
ao botar nos is os pingos,
e aplaudiu e vaiou
quem vaiava e quem aplaudia,
o da utopia se julga o tal
e já não é tão novo,
tão moço assim
pra acreditar em ilusão,
o que me faz ficar
com a pulga atrás da orelha,
e ele não vaiou nem aplaudiu,
deu em sua telha fazer passeata
pra mostrar ao pessoal
a visão mais sensata
do xis da questão,
e o grosso do povo,
que navega
nos escombros e assombros
de um dia-a-dia chinfrim
e nos ombros tudo carrega,
engoliu sapo de montão
e pediu bis,
mas,
lá na cobertura de luxo,
brindou o bruxo
com seu sócio esperto
a ventura da negociata,
já está no papo
o negócio pra dar caminho
a garoto da periferia
via promoção de regata
de barquinho de papel
em esgoto a céu aberto,
ô!... garção,
por favor,
outra cana
que não tenho grana
pra tratar a depressão
com nenhuma outra terapia!
quinta-feira, abril 05, 2007
Choveu chuva
Choveu chuva
de molhar pra valer,
chuva de pingo grosso
qual caroço de abacate,
pingo que bate, arde
e faz ferida,
foi chuva
de fazer transbordar
poço seco e fundo,
um colosso de chuva
de deixar o mundo
num beco sem saída,
chuva
que fez ficar a quinta
com toda a pinta de domingo
e bem depois da seis da tarde,
chuva que fez entrar
pela clarabóia escuridão,
e foi cheia
de fazer baleia
sentir falta de bóia,
de levar à paranóia tubarão,
e foi trovão
que fez o chão balançar,
e teve gente tendo treco,
gente no boteco
se afogando em pinga
pra ficar alta
e na enchente
não se afogar,
teve gente à beça
que fez promessa,
mandinga e oração,
e a chuva
não parava não,
parecia que nunca mais
ia amanhecer outra manhã,
mas,
pedi à minha mãe Iansã
e a chuva
virou chuvinha,
uma chuvinha de verão!
de molhar pra valer,
chuva de pingo grosso
qual caroço de abacate,
pingo que bate, arde
e faz ferida,
foi chuva
de fazer transbordar
poço seco e fundo,
um colosso de chuva
de deixar o mundo
num beco sem saída,
chuva
que fez ficar a quinta
com toda a pinta de domingo
e bem depois da seis da tarde,
chuva que fez entrar
pela clarabóia escuridão,
e foi cheia
de fazer baleia
sentir falta de bóia,
de levar à paranóia tubarão,
e foi trovão
que fez o chão balançar,
e teve gente tendo treco,
gente no boteco
se afogando em pinga
pra ficar alta
e na enchente
não se afogar,
teve gente à beça
que fez promessa,
mandinga e oração,
e a chuva
não parava não,
parecia que nunca mais
ia amanhecer outra manhã,
mas,
pedi à minha mãe Iansã
e a chuva
virou chuvinha,
uma chuvinha de verão!
sexta-feira, março 30, 2007
O que foi que eu fiz?!
O que foi que eu fiz?!,
quando mandaram,
assisti calado
ou entusiasmado pedi bis;
como prometi,
garanti que era feliz
quando me perguntaram,
e sorri,
e saiu a foto,
e quem assim me viu
sorriu de mim;
também cumpri
outro voto que fiz,
nunca torci
nem meti o nariz
no que não devia,
e, credo-em-cruz!,
tudo escurecia
e me enchia de dó,
mas,
fingi que só havia sol
porque sol é luz,
e repeti
pra quem quis ouvir;
fui resignado aprendiz,
não me ensinaram nada
e nada aprendi
que não chegou
a minha vez,
e não reclamei
nem fiz alarde;
acordei cedo,
dormi tarde,
trabalhei
como um louco
e ganhei pouco,
e ainda fiz afago
em que me fez
de gato e sapato;
pedi perdão
sem ser culpado
e resignado ouvi o não,
e sempre disse sim;
mesmo assim,
pra mim
o dedo aponta
e a conta
sou eu que pago,
e com juro e correção,
e juro que não sei
o que fiz de errado,
não sei e ninguém me diz!
quando mandaram,
assisti calado
ou entusiasmado pedi bis;
como prometi,
garanti que era feliz
quando me perguntaram,
e sorri,
e saiu a foto,
e quem assim me viu
sorriu de mim;
também cumpri
outro voto que fiz,
nunca torci
nem meti o nariz
no que não devia,
e, credo-em-cruz!,
tudo escurecia
e me enchia de dó,
mas,
fingi que só havia sol
porque sol é luz,
e repeti
pra quem quis ouvir;
fui resignado aprendiz,
não me ensinaram nada
e nada aprendi
que não chegou
a minha vez,
e não reclamei
nem fiz alarde;
acordei cedo,
dormi tarde,
trabalhei
como um louco
e ganhei pouco,
e ainda fiz afago
em que me fez
de gato e sapato;
pedi perdão
sem ser culpado
e resignado ouvi o não,
e sempre disse sim;
mesmo assim,
pra mim
o dedo aponta
e a conta
sou eu que pago,
e com juro e correção,
e juro que não sei
o que fiz de errado,
não sei e ninguém me diz!
A hora é agora
Sugiro que vá e já,
a hora é agora,
trate de largar a albarda,
meta no vento a espora,
arranje e esbanje talento
na caça da caça
que força não abate
nem tiro de espingarda,
sugiro que vá!,
tá na hora,
deixe que a reta
se torça e empene,
deixe que a seta
na direção dê um giro,
deixe
que a paixão engrene,
sinta sua febre
e minta que é perene,
vamos lá, rapaz,
não espere mais
que não vai
haver mais aviso,
quebre o que for preciso,
o que for preciso quebrar,
mas,
celebre a vida como der,
como puder celebrar!,
tá esperando o quê?,
será
que você prefere esperar
que a vida
se desespere com você?
a hora é agora,
trate de largar a albarda,
meta no vento a espora,
arranje e esbanje talento
na caça da caça
que força não abate
nem tiro de espingarda,
sugiro que vá!,
tá na hora,
deixe que a reta
se torça e empene,
deixe que a seta
na direção dê um giro,
deixe
que a paixão engrene,
sinta sua febre
e minta que é perene,
vamos lá, rapaz,
não espere mais
que não vai
haver mais aviso,
quebre o que for preciso,
o que for preciso quebrar,
mas,
celebre a vida como der,
como puder celebrar!,
tá esperando o quê?,
será
que você prefere esperar
que a vida
se desespere com você?
quarta-feira, março 28, 2007
Sou melhor do que você
Você me chama
de pinguço e bebum,
acha graça do meu soluço,
diz que não como,
que faço jejum
pra ter mais espaço
pra encher de cachaça
e que se vai
mais um neurônio
de um irrisório
patrimônio mental
a cada trago que tomo,
e ainda me chama
de bolha honorário,
otário, simplório,
tudo bem,
siga assim,
“falando mal,
mas falando de mim”,
não devo nada a ninguém,
pago o que devo
com meu salário burlesco
que finda
ainda bem fresco,
e pode fazer devassa
na minha vida,
puxar folha corrida,
pedi certidão em cartório,
e abro mão do sigilo
fiscal, postal, bancário,
abro até do sigilio conjugal,
pois,
se tiver queixa a mulher,
é queixa normal de casório
depois de muitas bodas
e de muito amor e suor,
e posso dizer
de cabeça erguida
que sou melhor,
bem melhor do que você,
porque tomo todas,
mas,
não tomo do pobre
cobre e comida!
de pinguço e bebum,
acha graça do meu soluço,
diz que não como,
que faço jejum
pra ter mais espaço
pra encher de cachaça
e que se vai
mais um neurônio
de um irrisório
patrimônio mental
a cada trago que tomo,
e ainda me chama
de bolha honorário,
otário, simplório,
tudo bem,
siga assim,
“falando mal,
mas falando de mim”,
não devo nada a ninguém,
pago o que devo
com meu salário burlesco
que finda
ainda bem fresco,
e pode fazer devassa
na minha vida,
puxar folha corrida,
pedi certidão em cartório,
e abro mão do sigilo
fiscal, postal, bancário,
abro até do sigilio conjugal,
pois,
se tiver queixa a mulher,
é queixa normal de casório
depois de muitas bodas
e de muito amor e suor,
e posso dizer
de cabeça erguida
que sou melhor,
bem melhor do que você,
porque tomo todas,
mas,
não tomo do pobre
cobre e comida!
segunda-feira, março 26, 2007
Se já vale sair de lona e pedir tudo na porrinha
Não me iludo,
minha gente,
se já vale sair de lona
e pedir tudo na porrinha,
virou zona,
aí,
vale mijar na esquina
a qualquer hora,
até na do rush,
e na frente
de moça ou menina,
e que caia na poça
debaixo de vaia
quem não sair fora,
vale dançar no pagode
blush a blush,
bigode a bigode,
vale ficar nua
em qualquer lugar
fazendo pose pro close,
vale usar e abusar
do pó e do fumo,
e o consumo
não tem mais nicho,
é na praia, é na rua,
e o cara usa e abusa
só pra ficar de bode
ou pra virar bicho,
perder o rumo
e dar um giro
afanando e dando tiro,
e vale até
capar meu salário
alegando que é
em meu benefício,
e alegando mais,
que só um otário
não é capaz de ver
que é grande paca
o sacríficio do Erário
no exercício desse ofício,
que só um otário
não é capaz de ver
como é difícil
ter faca e queijo na mão,
ora,
meu irmão,
eu vejo!,
agora,
se você não vê,
acaba de saber a razão!
minha gente,
se já vale sair de lona
e pedir tudo na porrinha,
virou zona,
aí,
vale mijar na esquina
a qualquer hora,
até na do rush,
e na frente
de moça ou menina,
e que caia na poça
debaixo de vaia
quem não sair fora,
vale dançar no pagode
blush a blush,
bigode a bigode,
vale ficar nua
em qualquer lugar
fazendo pose pro close,
vale usar e abusar
do pó e do fumo,
e o consumo
não tem mais nicho,
é na praia, é na rua,
e o cara usa e abusa
só pra ficar de bode
ou pra virar bicho,
perder o rumo
e dar um giro
afanando e dando tiro,
e vale até
capar meu salário
alegando que é
em meu benefício,
e alegando mais,
que só um otário
não é capaz de ver
que é grande paca
o sacríficio do Erário
no exercício desse ofício,
que só um otário
não é capaz de ver
como é difícil
ter faca e queijo na mão,
ora,
meu irmão,
eu vejo!,
agora,
se você não vê,
acaba de saber a razão!
quarta-feira, março 21, 2007
É uma joça cabeça fraca
A quem possa interessar,
é uma joça cabeça fraca,
o infeliz
dá murro em ponta de faca
e ainda dá urro pra espalhar,
o cara
é cornudo de carteirinha,
contudo,
o sabido não repara
e diz
que a vizinha
é quem apronta,
ela é que corneia o marido,
e ainda sacaneia o cara,
seu miúdo,
além de cabeçudo
de marca maior,
é um orelhudo de dar dó,
está com mais de doze
e não sabe fazer conta,
mas,
ele não vê
e ainda faz pose
pra tachar de burro
algum coleguinha do guri,
a filha é mocinha
e já vai por aí
na trilha da patroa
e com fama
de ser boa de cama,
entretanto,
como um bom pai,
sobe o tom
e vai ao pranto
quando fala da santinha,
por mais que o chefe
atarefe o babaca,
ele não saca,
e, todo dia,
tiram o cara do páreo
antes da largada
e ele não pia,
dão-lhe esporro
no lugar do socorro
que deviam lhe prestar
e ele se cala,
leva bala e porrada
e nem se assoma,
e o diploma de otário
emoldura e pendura
bem na sala de jantar!
é uma joça cabeça fraca,
o infeliz
dá murro em ponta de faca
e ainda dá urro pra espalhar,
o cara
é cornudo de carteirinha,
contudo,
o sabido não repara
e diz
que a vizinha
é quem apronta,
ela é que corneia o marido,
e ainda sacaneia o cara,
seu miúdo,
além de cabeçudo
de marca maior,
é um orelhudo de dar dó,
está com mais de doze
e não sabe fazer conta,
mas,
ele não vê
e ainda faz pose
pra tachar de burro
algum coleguinha do guri,
a filha é mocinha
e já vai por aí
na trilha da patroa
e com fama
de ser boa de cama,
entretanto,
como um bom pai,
sobe o tom
e vai ao pranto
quando fala da santinha,
por mais que o chefe
atarefe o babaca,
ele não saca,
e, todo dia,
tiram o cara do páreo
antes da largada
e ele não pia,
dão-lhe esporro
no lugar do socorro
que deviam lhe prestar
e ele se cala,
leva bala e porrada
e nem se assoma,
e o diploma de otário
emoldura e pendura
bem na sala de jantar!
sábado, março 17, 2007
Não discuto futebol
Não dá pra ter otimismo
quando até o futebol
virou roda de fogo,
ficou rota a paixão
e levou a emoção
gota após gota,
e o fanatismo
embotou a razão
e tomou conta do jogo,
virou moda palavrão
dito por senhora,
garota e rapaz
em conflito e quebra-pau,
e, de quebra,
virou moda muito mais,
é crime agora
levar o pendão do time
e pode ser morto o sujeito,
e nego é morto
a torto e a direito,
e não adianta
pedir arrego nem perdão;
no correr da partida,
tem pai
que fica pê da vida
porque o tento não sai
e no rebento planta a mão,
e planta na mulher
se não estiver de plantão
com a cerveja bem gelada;
a situação é tal
que há religioso,
não sei de que fé
nem de que igreja,
famoso pelo hábito
de sair na porrada
com a torcida do rival,
e sai com hábito e tudo,
por isso,
pessoal,
ao estádio já não vou,
escuto pelo rádio,
e com o rádio baixinho
pro vizinho não ficar puto,
no gol,
fico mudo,
e não discuto futebol!
quando até o futebol
virou roda de fogo,
ficou rota a paixão
e levou a emoção
gota após gota,
e o fanatismo
embotou a razão
e tomou conta do jogo,
virou moda palavrão
dito por senhora,
garota e rapaz
em conflito e quebra-pau,
e, de quebra,
virou moda muito mais,
é crime agora
levar o pendão do time
e pode ser morto o sujeito,
e nego é morto
a torto e a direito,
e não adianta
pedir arrego nem perdão;
no correr da partida,
tem pai
que fica pê da vida
porque o tento não sai
e no rebento planta a mão,
e planta na mulher
se não estiver de plantão
com a cerveja bem gelada;
a situação é tal
que há religioso,
não sei de que fé
nem de que igreja,
famoso pelo hábito
de sair na porrada
com a torcida do rival,
e sai com hábito e tudo,
por isso,
pessoal,
ao estádio já não vou,
escuto pelo rádio,
e com o rádio baixinho
pro vizinho não ficar puto,
no gol,
fico mudo,
e não discuto futebol!
sexta-feira, março 16, 2007
Boto a mão no fogo
Pode dizer,
meu amigo,
que sou demagogo,
bronco e cabeçudo,
pode dizer
que eu não ligo,
e ainda digo pra você
e pra quem mais
quiser me ouvir,
por essa mulher,
boto a mão no fogo,
aliás,
cabeça, tronco, membro,
e boto tudo
sem ela pedir,
eu a conheço bem,
me lembro dela
inda no começo
e já linda e travessa,
e daí?!,
se travesso sou também!,
por ela,
boto tudo em jogo,
vou de mão,
cabeça, tronco e membro,
e preste atenção,
companheiro,
nada de Bombeiro
que quero arder a rodo,
quero arder todo nesse fogo!
meu amigo,
que sou demagogo,
bronco e cabeçudo,
pode dizer
que eu não ligo,
e ainda digo pra você
e pra quem mais
quiser me ouvir,
por essa mulher,
boto a mão no fogo,
aliás,
cabeça, tronco, membro,
e boto tudo
sem ela pedir,
eu a conheço bem,
me lembro dela
inda no começo
e já linda e travessa,
e daí?!,
se travesso sou também!,
por ela,
boto tudo em jogo,
vou de mão,
cabeça, tronco e membro,
e preste atenção,
companheiro,
nada de Bombeiro
que quero arder a rodo,
quero arder todo nesse fogo!
Briga, arenga e pendenga dão prejuízo
Pra que tanto choque,
tanta contenda,
pra que tanta injúria,
tanta bala no estoque?,
hein?, pra quê?
Vá por mim,
não se enfureça assim,
não se renda
a essa fúria feroz
que não soma,
que de nós
toma a cabeça
e nos faz perder a paz,
não esqueça
que é mais sensato
medir bem a fala,
fazer da fala uma arte,
e ouvir
é ainda bem mais barato,
pra ser mais preciso,
minha amiga,
meu amigo,
briga, arenga e pendenga
dão prejuízo
até pra quem ganha
que ganha um inimigo!
tanta contenda,
pra que tanta injúria,
tanta bala no estoque?,
hein?, pra quê?
Vá por mim,
não se enfureça assim,
não se renda
a essa fúria feroz
que não soma,
que de nós
toma a cabeça
e nos faz perder a paz,
não esqueça
que é mais sensato
medir bem a fala,
fazer da fala uma arte,
e ouvir
é ainda bem mais barato,
pra ser mais preciso,
minha amiga,
meu amigo,
briga, arenga e pendenga
dão prejuízo
até pra quem ganha
que ganha um inimigo!
sábado, março 10, 2007
Que casal curioso!
Que casal curioso!,
ela é a tal,
ágil e fogosa,
e ele é dengoso,
ela tem jeito de espinho
e ele é frágil feito rosa,
ela toma pinga e cerveja
até ficar em coma
e ele saboreia
um bom vinho,
e de uma taça não passa,
ela é decidida,
esbraveja, sacaneia, xinga,
e ele
é da prosa comedida
e só fala baixinho,
ela faz ginástica,
é fanática por futebol
e joga pelada debaixo do sol,
e ele
tem a cútis bem tratada,
e já fez até uma plástica,
ela usa blusão, butes, tênis,
e ele usa sandália
e sobre a malha um camisão,
ela se espalha e faz zorra,
bota até o pé na mesa,
e ainda por cima arrota
e tem o cacoete
de coçar a genitália,
e ele prima
pela discrição e pela fineza,
ela só tem o primário,
mas é pícara pra chuchu,
ele tem mais estudo,
contudo,
o coitadinho é bem tontinho,
ela diz porra, cacete,
e ele,
pênis e meleca
e pênis apenas
quando é necessário,
ela bebe café
em caneca de metal,
e ele,
em xícara chinesa,
e é ela que paga a despesa,
e, veja você,
é dela a cueca
e dele, a calcinha,
ela é Dorival
e ele,
Dorinha,
é forçoso dizer
que é um curioso casal!
ela é a tal,
ágil e fogosa,
e ele é dengoso,
ela tem jeito de espinho
e ele é frágil feito rosa,
ela toma pinga e cerveja
até ficar em coma
e ele saboreia
um bom vinho,
e de uma taça não passa,
ela é decidida,
esbraveja, sacaneia, xinga,
e ele
é da prosa comedida
e só fala baixinho,
ela faz ginástica,
é fanática por futebol
e joga pelada debaixo do sol,
e ele
tem a cútis bem tratada,
e já fez até uma plástica,
ela usa blusão, butes, tênis,
e ele usa sandália
e sobre a malha um camisão,
ela se espalha e faz zorra,
bota até o pé na mesa,
e ainda por cima arrota
e tem o cacoete
de coçar a genitália,
e ele prima
pela discrição e pela fineza,
ela só tem o primário,
mas é pícara pra chuchu,
ele tem mais estudo,
contudo,
o coitadinho é bem tontinho,
ela diz porra, cacete,
e ele,
pênis e meleca
e pênis apenas
quando é necessário,
ela bebe café
em caneca de metal,
e ele,
em xícara chinesa,
e é ela que paga a despesa,
e, veja você,
é dela a cueca
e dele, a calcinha,
ela é Dorival
e ele,
Dorinha,
é forçoso dizer
que é um curioso casal!
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Esse papo é sério, garoto!
O que é que há?,
você ficou
com a cabeça oca
ou perdeu a medida
e passou a dar bandeira
que seu intento
é ser porra-louca,
cabeça-de-vento
e seguir na zorra
a vida inteira?,
ou será
que essa gorra
tá fazendo você
dormir de touca?,
nessa cabeça
não há massa cinzenta
ou a massa é muito pouca?,
o que é que há
nessa cabeça?,
traça traçando a razão?,
por isso,
quando você fala
exala a boca
essa fala fedorenta?,
o que é que há?,
fala pra mim!,
ou você
não sabe dizer
nem sim nem não?,
tudo bem...
curta o momento
que a juventude é curta,
mas,
não esqueça de crescer
cultivando o pensamento,
senão,
depois,
você vai bater cabeça
e arranjar galo,
vai encher a mão de calo
e não vai ganhar
nem pro arroz nem pro feijão!
você ficou
com a cabeça oca
ou perdeu a medida
e passou a dar bandeira
que seu intento
é ser porra-louca,
cabeça-de-vento
e seguir na zorra
a vida inteira?,
ou será
que essa gorra
tá fazendo você
dormir de touca?,
nessa cabeça
não há massa cinzenta
ou a massa é muito pouca?,
o que é que há
nessa cabeça?,
traça traçando a razão?,
por isso,
quando você fala
exala a boca
essa fala fedorenta?,
o que é que há?,
fala pra mim!,
ou você
não sabe dizer
nem sim nem não?,
tudo bem...
curta o momento
que a juventude é curta,
mas,
não esqueça de crescer
cultivando o pensamento,
senão,
depois,
você vai bater cabeça
e arranjar galo,
vai encher a mão de calo
e não vai ganhar
nem pro arroz nem pro feijão!
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Apesar
Apesar de ser
a tônica da família
a dureza crônica,
apesar
do branco
que dá no cardápio
bem na hora
que vem pra mesa,
apesar
da mobilidade da mobília
que do lar vai ao prego,
do prego volta ao lar
e no lar não se demora,
apesar
da maldade do larápio
que nem assim me alivia
e até tamanco
já tomou de mim,
apesar
de não ter seguro-saúde,
poupança
nem lembrança
de ter tido tutu no banco,
apesar
de não usar sapato amiúde
pra não gastar o furo,
apesar de ter miado
e virado bode
o gato que pus na luz,
apesar do botijão
que não pode
nem ouvir falar em gás
porque tem alergia,
apesar
dessa pobreza tenaz,
apesar
de ser um plebeu
que tem
um dia-a-dia medonho
e não tem
nem onde cair morto,
meu irmão,
da baronesa
eu não abro mão,
entorno até ficar torto,
aí,
parati saindo pelo ladrão,
eu encorno
e sonho que sou barão!
a tônica da família
a dureza crônica,
apesar
do branco
que dá no cardápio
bem na hora
que vem pra mesa,
apesar
da mobilidade da mobília
que do lar vai ao prego,
do prego volta ao lar
e no lar não se demora,
apesar
da maldade do larápio
que nem assim me alivia
e até tamanco
já tomou de mim,
apesar
de não ter seguro-saúde,
poupança
nem lembrança
de ter tido tutu no banco,
apesar
de não usar sapato amiúde
pra não gastar o furo,
apesar de ter miado
e virado bode
o gato que pus na luz,
apesar do botijão
que não pode
nem ouvir falar em gás
porque tem alergia,
apesar
dessa pobreza tenaz,
apesar
de ser um plebeu
que tem
um dia-a-dia medonho
e não tem
nem onde cair morto,
meu irmão,
da baronesa
eu não abro mão,
entorno até ficar torto,
aí,
parati saindo pelo ladrão,
eu encorno
e sonho que sou barão!
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Por força da circunstância (O inferno é aqui)
Primeiro,
a circunstância
me fez fintar a escola,
questão de dinheiro,
de feijão e de arroz,
depois,
foi a vez da infância
que precisei driblar
no meio de tiroteio
que fez furo na bola
e pôs um fim no racha,
aí,
quando dei por mim,
já pulava muro
e corria de faixa
com um curumim
que já era andarilho
conhecido na comarca,
pois vivia na cidade
à custa de pistola
e de trouxinha e sacolé,
e não dava no pé
quando vinha a justa,
ele usava tênis,
e tênis de marca,
tinha celular moderno
e fazia filho
em menina da nossa idade
mal o fim da menarca
fazia dela mocinha,
e ria
de se mijar de tanto rir
quando falavam em inferno,
e dizia:
o inferno é aqui!
a circunstância
me fez fintar a escola,
questão de dinheiro,
de feijão e de arroz,
depois,
foi a vez da infância
que precisei driblar
no meio de tiroteio
que fez furo na bola
e pôs um fim no racha,
aí,
quando dei por mim,
já pulava muro
e corria de faixa
com um curumim
que já era andarilho
conhecido na comarca,
pois vivia na cidade
à custa de pistola
e de trouxinha e sacolé,
e não dava no pé
quando vinha a justa,
ele usava tênis,
e tênis de marca,
tinha celular moderno
e fazia filho
em menina da nossa idade
mal o fim da menarca
fazia dela mocinha,
e ria
de se mijar de tanto rir
quando falavam em inferno,
e dizia:
o inferno é aqui!
terça-feira, dezembro 05, 2006
Auto-retrato
Sou essa figura,
mistura
de rábula e poeta menor
e meu dia-a-dia
é uma parábola chinfrim
escrita em gíria castiça,
mas,
é melhor assim
que com valquíria noviça
tocando sineta
atrás de mim
pra mostrar serviço,
é isso mesmo...
além disso,
sou essa loucura concreta
que me repleta
de mania e veneta
que nenhum dicionário cita,
sou sócio honorário do ócio
e da conversa fiada,
e partidário da dieta
da moela, do chouriço
da lingüiça e do torresmo
regada com muita cachaça,
aí,
cheio dela,
dou de achar graça à toa
e cismo de repetir
o que leio em banheiro de bar,
mas,
um aforismo sanitário
me fez descobrir
que o dinheiro
não é a saída de nada,
pelo contrário,
é a entrada pra vida boa,
bem,
além de prosaico,
sou feio, arcaico,
meio alheio
e não sou nada altivo,
vivo de camiseta,
calça de brim
e mocassim cambeta,
durmo e acordo tarde,
quando pinto e bordo
e o coração
fica tinto e encarde,
me ponho de molho na canção
e sonho de olho aberto,
se tudo anda certo demais
ou alguém me faz mercê
sem razão aparente,
fico cismado,
por fim,
meu camarada,
digo que tanto faz,
que não ligo pra nada,
mas,
tudo me afeta,
e assim
vou indo em frente,
quer dizer,
vou indo de lado
que atrás
vem vindo gente paca
e não sou babaca
de deixar o meu na reta!
mistura
de rábula e poeta menor
e meu dia-a-dia
é uma parábola chinfrim
escrita em gíria castiça,
mas,
é melhor assim
que com valquíria noviça
tocando sineta
atrás de mim
pra mostrar serviço,
é isso mesmo...
além disso,
sou essa loucura concreta
que me repleta
de mania e veneta
que nenhum dicionário cita,
sou sócio honorário do ócio
e da conversa fiada,
e partidário da dieta
da moela, do chouriço
da lingüiça e do torresmo
regada com muita cachaça,
aí,
cheio dela,
dou de achar graça à toa
e cismo de repetir
o que leio em banheiro de bar,
mas,
um aforismo sanitário
me fez descobrir
que o dinheiro
não é a saída de nada,
pelo contrário,
é a entrada pra vida boa,
bem,
além de prosaico,
sou feio, arcaico,
meio alheio
e não sou nada altivo,
vivo de camiseta,
calça de brim
e mocassim cambeta,
durmo e acordo tarde,
quando pinto e bordo
e o coração
fica tinto e encarde,
me ponho de molho na canção
e sonho de olho aberto,
se tudo anda certo demais
ou alguém me faz mercê
sem razão aparente,
fico cismado,
por fim,
meu camarada,
digo que tanto faz,
que não ligo pra nada,
mas,
tudo me afeta,
e assim
vou indo em frente,
quer dizer,
vou indo de lado
que atrás
vem vindo gente paca
e não sou babaca
de deixar o meu na reta!
Duelo de ditados
Quem ama o feio,
bonito lhe parece,
o ditado diz,
mas,
será que merece
a fama que tem?!,
bem,
sempre achei esse dito
meio infeliz,
não sei
o que me dava na telha
quando o ouvia,
mas,
olhava de esguelha
quem o ditado dizia,
aí,
outro dia,
numa entrevista,
um oculista afamado
esclareceu a questão:
“esse ditado
não condiz com a realidade,
na verdade,
quem ama vê com o coração
e o coração
não tem orelha nem nariz,
portanto,
não pode usar óculos
e, sem óculos,
o coitado não tem visão”,
e concluiu o doutor:
“pego meus pergaminhos
e rasgo em pedacinhos
se ficar provado
que não é cego o amor!”
bonito lhe parece,
o ditado diz,
mas,
será que merece
a fama que tem?!,
bem,
sempre achei esse dito
meio infeliz,
não sei
o que me dava na telha
quando o ouvia,
mas,
olhava de esguelha
quem o ditado dizia,
aí,
outro dia,
numa entrevista,
um oculista afamado
esclareceu a questão:
“esse ditado
não condiz com a realidade,
na verdade,
quem ama vê com o coração
e o coração
não tem orelha nem nariz,
portanto,
não pode usar óculos
e, sem óculos,
o coitado não tem visão”,
e concluiu o doutor:
“pego meus pergaminhos
e rasgo em pedacinhos
se ficar provado
que não é cego o amor!”
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Espécie em extinção
Sou otário,
otário de todo,
tão otário
que preciso cochilar
com um olho aberto,
se fechar o outro olho,
é prejuízo certo,
mas,
não me dá estresse,
e tem mais,
sou o único otário que conheço,
por essa razão,
mereço o apodo:
“espécie em extinção”;
mas não tenho culpa não,
a culpa
é da atual malandragem,
malandragem predatória
e nossa história
não cita outra igual,
a culpa
é desse malandro parasita
que não orgulha
a malandragem original,
a culpa
é desse deplorável malandro
com vocação suicida
por falta de visão,
pois esbulha e arrasa o otário
sem contemplação
e vai esgotar o manancial,
apesar
de o otário ser renovável,
e pra esgotar
não mede esforço não,
é teco, xaveco, armação
e muita falta
que falta casa, comida,
escola, condução,
até bola falta...
e é tão sério o problema
que já afetou ecossistema
estrutura e conjuntura,
e já nem encontra eco
no nosso povo
a criação do novo Ministério,
o MECO,
Ministério da Educação
e da Cultura do Otário,
tão necessário
à salvação nacional!,
afinal,
quem é que solanca
e banca a banca?!,
de quem a banca
arranca o vil metal,
e o metal arranca aos mil?!,
e a banca nem se manca!
otário de todo,
tão otário
que preciso cochilar
com um olho aberto,
se fechar o outro olho,
é prejuízo certo,
mas,
não me dá estresse,
e tem mais,
sou o único otário que conheço,
por essa razão,
mereço o apodo:
“espécie em extinção”;
mas não tenho culpa não,
a culpa
é da atual malandragem,
malandragem predatória
e nossa história
não cita outra igual,
a culpa
é desse malandro parasita
que não orgulha
a malandragem original,
a culpa
é desse deplorável malandro
com vocação suicida
por falta de visão,
pois esbulha e arrasa o otário
sem contemplação
e vai esgotar o manancial,
apesar
de o otário ser renovável,
e pra esgotar
não mede esforço não,
é teco, xaveco, armação
e muita falta
que falta casa, comida,
escola, condução,
até bola falta...
e é tão sério o problema
que já afetou ecossistema
estrutura e conjuntura,
e já nem encontra eco
no nosso povo
a criação do novo Ministério,
o MECO,
Ministério da Educação
e da Cultura do Otário,
tão necessário
à salvação nacional!,
afinal,
quem é que solanca
e banca a banca?!,
de quem a banca
arranca o vil metal,
e o metal arranca aos mil?!,
e a banca nem se manca!
quarta-feira, novembro 29, 2006
Quero asas
Quero-quero,
tero-tero,
tem-tem,
quero ser sabiá,
sim-senhor!,
ser pixarro, joão-de-barro,
quero imitar minha voz
como tão bem faz o mainá
e parar no ar
em meio a um voejo
pra dar beijo em beija-flor,
quero ser
pombo mensageiro,
pombo-correio,
ser sobranceiro albatroz
sobre a imensidão do mar,
ser bem-te-vi,
tico-tico,
periquito-verdadeiro,
santo, rico,
qualquer periquito!,
quero tanto ser rolinha,
uiriri, coleiro, andorinha
mesmo que sozinha
não faça verão,
quero mesmo assim,
quero ter asas de xexéu,
asas de chapim,
quero voar sem susto
sobre espantalhos
e pousar justo no chapéu
que não há melhor lugar,
quero fazer ninho
nos galhos mais altos
e ser vizinho do Céu,
quero dar os saltos
que o pinéu dá
quando canta
e ninguém sabe explicar,
mas,
quero cantar
como o irapuru
que tanto nos encanta,
quero ser quenquém,
alegrinho, jaburu,
capitão-da-porcaria e jururu,
não sei não...
quero ser forte,
ter o porte dos açores,
mas,
sem pendores de falcão
que rapinar
não quero não,
quero ser jandaia, arataia,
voar é magia
e quero voar,
quero-quero,
tero-tero,
tem-tem,
canarinho,
e tanto quero
que um dia
hei de ser passarinho!
tero-tero,
tem-tem,
quero ser sabiá,
sim-senhor!,
ser pixarro, joão-de-barro,
quero imitar minha voz
como tão bem faz o mainá
e parar no ar
em meio a um voejo
pra dar beijo em beija-flor,
quero ser
pombo mensageiro,
pombo-correio,
ser sobranceiro albatroz
sobre a imensidão do mar,
ser bem-te-vi,
tico-tico,
periquito-verdadeiro,
santo, rico,
qualquer periquito!,
quero tanto ser rolinha,
uiriri, coleiro, andorinha
mesmo que sozinha
não faça verão,
quero mesmo assim,
quero ter asas de xexéu,
asas de chapim,
quero voar sem susto
sobre espantalhos
e pousar justo no chapéu
que não há melhor lugar,
quero fazer ninho
nos galhos mais altos
e ser vizinho do Céu,
quero dar os saltos
que o pinéu dá
quando canta
e ninguém sabe explicar,
mas,
quero cantar
como o irapuru
que tanto nos encanta,
quero ser quenquém,
alegrinho, jaburu,
capitão-da-porcaria e jururu,
não sei não...
quero ser forte,
ter o porte dos açores,
mas,
sem pendores de falcão
que rapinar
não quero não,
quero ser jandaia, arataia,
voar é magia
e quero voar,
quero-quero,
tero-tero,
tem-tem,
canarinho,
e tanto quero
que um dia
hei de ser passarinho!
sábado, novembro 25, 2006
Salve-se!, salve-se!
Salve!, salve!,
ou melhor,
quer dizer,
ou pior,
salve-se!, salve-se!
quem puder,
homem e mulher,
que os caras têm taras
e comem o que você tiver,
e não tem mais hora nem lugar,
pode ser aqui e agora,
na calada da noite
ou na barulhada do dia,
e não se moite,
não use nem estilingue
nem contrate um King Kong
pra lhe dar garantia
ou pra agarrar o meliante em falgrante,
que alguma ONG
vai te processar
por violação de direitos humanos,
direitos humanos do ladrão!,
afinal,
de suas perdas e danos
vive a economia marginal,
e quem que não colabora
inibe a expansão do PIB
e a distribuição de riqueza,
sem a qual
nunca reduziremos a pó
a divisão de classes,
nunca reduziremos as classes
a uma só classe social,
nunca teremos
nossa pobreza universal:
“olá,
muito prazer,
eu sou o seu ladrão
e vim roubar você,
passe o dinheiro pra cá
e passe todo o dinheiro,
e não seja ridículo,
não se coce
nem esboce reação,
vivo da minha reputação
e não quero motivo
pra lhe dar um tiro,
prefiro dar
sem nenhuma razão,
dá mais emoção
e pro meu currículo,
currículo de ladrão,
esse tiro é muito bom!”
ou melhor,
quer dizer,
ou pior,
salve-se!, salve-se!
quem puder,
homem e mulher,
que os caras têm taras
e comem o que você tiver,
e não tem mais hora nem lugar,
pode ser aqui e agora,
na calada da noite
ou na barulhada do dia,
e não se moite,
não use nem estilingue
nem contrate um King Kong
pra lhe dar garantia
ou pra agarrar o meliante em falgrante,
que alguma ONG
vai te processar
por violação de direitos humanos,
direitos humanos do ladrão!,
afinal,
de suas perdas e danos
vive a economia marginal,
e quem que não colabora
inibe a expansão do PIB
e a distribuição de riqueza,
sem a qual
nunca reduziremos a pó
a divisão de classes,
nunca reduziremos as classes
a uma só classe social,
nunca teremos
nossa pobreza universal:
“olá,
muito prazer,
eu sou o seu ladrão
e vim roubar você,
passe o dinheiro pra cá
e passe todo o dinheiro,
e não seja ridículo,
não se coce
nem esboce reação,
vivo da minha reputação
e não quero motivo
pra lhe dar um tiro,
prefiro dar
sem nenhuma razão,
dá mais emoção
e pro meu currículo,
currículo de ladrão,
esse tiro é muito bom!”
quinta-feira, novembro 23, 2006
Bati de frente com a batida de limão
A sexta-feira tinha tudo
pra ser bacana
e eu ia abafar,
contudo,
comecei a me fiar
no caldinho de feijão
que vinha quente,
e a quituteira era baiana,
e cantei, batuquei, dancei,
e nem sei
em que trecho do caminho
meu queixo caiu,
e caiu literalmente,
bati de frente
com a batida de limão
que a cana era de primeira,
e a batida
não vinha na contramão,
vinha na mão,
na minha,
foi de amargar!,
de repente,
baranga cascuda virou franga
e só na segunda voltei ao lar,
e de bermuda,
e de paletó fui trabalhar,
conclusão:
Raimunda,
minha senhora,
quase me matou,
só não matou
porque dei o fora
e só voltei agora,
dois anos depois,
mas,
no fato
ela ainda fala
por entre os dentes,
panos quentes?!,
nem pensar!,
me trata no berro
e os deveres cotidianos
vão do fogão ao tanque
e do tanque ao fogão,
com escala
no ferro de passar,
e sem rama
sem cerveja
e com dieta completa,
ou seja,
durmo na sala
e não posso nem sonhar
em dar uma chegadinha
naquela cama quentinha
lá do nosso quarto,
e nem digo
que estou farto
porque é o que ela quer,
sou vivo,
meu amigo,
por mais que tente,
ela não me logra,
não vou dar motivo
pra sogra
vir morar com a gente!
pra ser bacana
e eu ia abafar,
contudo,
comecei a me fiar
no caldinho de feijão
que vinha quente,
e a quituteira era baiana,
e cantei, batuquei, dancei,
e nem sei
em que trecho do caminho
meu queixo caiu,
e caiu literalmente,
bati de frente
com a batida de limão
que a cana era de primeira,
e a batida
não vinha na contramão,
vinha na mão,
na minha,
foi de amargar!,
de repente,
baranga cascuda virou franga
e só na segunda voltei ao lar,
e de bermuda,
e de paletó fui trabalhar,
conclusão:
Raimunda,
minha senhora,
quase me matou,
só não matou
porque dei o fora
e só voltei agora,
dois anos depois,
mas,
no fato
ela ainda fala
por entre os dentes,
panos quentes?!,
nem pensar!,
me trata no berro
e os deveres cotidianos
vão do fogão ao tanque
e do tanque ao fogão,
com escala
no ferro de passar,
e sem rama
sem cerveja
e com dieta completa,
ou seja,
durmo na sala
e não posso nem sonhar
em dar uma chegadinha
naquela cama quentinha
lá do nosso quarto,
e nem digo
que estou farto
porque é o que ela quer,
sou vivo,
meu amigo,
por mais que tente,
ela não me logra,
não vou dar motivo
pra sogra
vir morar com a gente!
terça-feira, novembro 21, 2006
Definitivamente magra
Tenho que ser franco,
não são poucas
nessa enorme fila
e nem têm a mesma idade,
e fazem coisas loucas
que vaidade não tem limite,
é muita tinta pra tintura
que não se admite
cabelo branco!,
e o pêlo,
conforme o lugar,
ela depila,
se for dura,
a fartura de cintura
trata com cinta,
e justa, e inelástica,
é... inelástica,
como custa
embrulhar a gordura!,
e trata o apetite com dieta
e dieta repleta de nada,
nada de batata,
nada de canelone,
fritura?!,
nem morta!,
torta?!,
nem pensar!,
que pensar engorda,
se é abastada,
vai de plástica e silicone,
madruga,
pinta e borda na ginástica,
e malha sem parar,
como não malha
nem atleta recordista,
e tem um esteticista
pra cada ruga,
um massagista
pra cada celulite,
um especialista
pra cada tipo de ‘lipo’,
e um pra ‘lipo’ da ‘lipo’
quando a ‘lipo’ básica
não surte efeito
e a paciente
não fica sem a fase
da corrente monofásica,
pois,
quando fica,
não há base que dê jeito
e fica magra,
definitivamente magra!
não são poucas
nessa enorme fila
e nem têm a mesma idade,
e fazem coisas loucas
que vaidade não tem limite,
é muita tinta pra tintura
que não se admite
cabelo branco!,
e o pêlo,
conforme o lugar,
ela depila,
se for dura,
a fartura de cintura
trata com cinta,
e justa, e inelástica,
é... inelástica,
como custa
embrulhar a gordura!,
e trata o apetite com dieta
e dieta repleta de nada,
nada de batata,
nada de canelone,
fritura?!,
nem morta!,
torta?!,
nem pensar!,
que pensar engorda,
se é abastada,
vai de plástica e silicone,
madruga,
pinta e borda na ginástica,
e malha sem parar,
como não malha
nem atleta recordista,
e tem um esteticista
pra cada ruga,
um massagista
pra cada celulite,
um especialista
pra cada tipo de ‘lipo’,
e um pra ‘lipo’ da ‘lipo’
quando a ‘lipo’ básica
não surte efeito
e a paciente
não fica sem a fase
da corrente monofásica,
pois,
quando fica,
não há base que dê jeito
e fica magra,
definitivamente magra!
sábado, novembro 18, 2006
Vou tomar uma Atitude!
Vou tomar uma Atitude
como aquele prefeito
tomava Providência,
mas,
é preciso ter
jeito e ciência,
é preciso saber
tomar Atitude
pra não tomar
tão amiúde
a ponto de ser
amiúde demais
e ficar tonto,
afinal,
saber tomar Atitude
é uma virtude
que não faz mal
a quem sabe bem
quando uma Atitude cabe,
e mais,
jamais esqueça de tomar
uma Providência importante,
mande comprar mais
e com bastante antecedência,
bem antes que a Atitude acabe!
como aquele prefeito
tomava Providência,
mas,
é preciso ter
jeito e ciência,
é preciso saber
tomar Atitude
pra não tomar
tão amiúde
a ponto de ser
amiúde demais
e ficar tonto,
afinal,
saber tomar Atitude
é uma virtude
que não faz mal
a quem sabe bem
quando uma Atitude cabe,
e mais,
jamais esqueça de tomar
uma Providência importante,
mande comprar mais
e com bastante antecedência,
bem antes que a Atitude acabe!
Sou de Deodoro
Sou povo
e sou de Deodoro,
e desde novo moro lá,
na marmita vai a refeição
e vou aflito trabalhar,
e de condução,
e passando por assalto,
e ando um estirão
depois que salto,
e quando vou,
e quando volto,
e não tenho saída
pois o salário dita
esse padrão de vida,
e o bendito não dá
nem pro necessário,
mês sim, mês não,
pago aluguel,
mês não, mês sim,
é a vez da prestação,
mas,
não ando
de chapéu na mão,
sou de vaquinha
pra churrasco na calçada,
sou de pelada, batucada,
adoro branquinha
e cerveja bem gelada,
e, por incrível que pareça,
a cabeça fica inchada
com fiasco do Mengão,
mas,
não faço fita
nem imploro
atenção a ninguém,
se alguém me ignora,
eu ignoro esse alguém,
e nem quero saber
onde mora,
mas,
veja você,
em compensação,
se esse alguém chora,
na hora,
também choro,
e nem sei a razão?!,
pois é...
se você não sabia,
moço,
chegou o dia de saber,
quem é de Deodoro
também é
de carne e osso,
também tem coração!
e sou de Deodoro,
e desde novo moro lá,
na marmita vai a refeição
e vou aflito trabalhar,
e de condução,
e passando por assalto,
e ando um estirão
depois que salto,
e quando vou,
e quando volto,
e não tenho saída
pois o salário dita
esse padrão de vida,
e o bendito não dá
nem pro necessário,
mês sim, mês não,
pago aluguel,
mês não, mês sim,
é a vez da prestação,
mas,
não ando
de chapéu na mão,
sou de vaquinha
pra churrasco na calçada,
sou de pelada, batucada,
adoro branquinha
e cerveja bem gelada,
e, por incrível que pareça,
a cabeça fica inchada
com fiasco do Mengão,
mas,
não faço fita
nem imploro
atenção a ninguém,
se alguém me ignora,
eu ignoro esse alguém,
e nem quero saber
onde mora,
mas,
veja você,
em compensação,
se esse alguém chora,
na hora,
também choro,
e nem sei a razão?!,
pois é...
se você não sabia,
moço,
chegou o dia de saber,
quem é de Deodoro
também é
de carne e osso,
também tem coração!
sexta-feira, novembro 17, 2006
Amar é teu vício!
Amar é teu vício,
teu vício é amar
e adoras ter amantes,
ter diversos amores,
senhores e senhoras,
e amas esses amores
nos mesmos instantes,
nas mesmas camas e horas,
adoras
esse cio que não estanca
e espanca as almas
que caem em teu vazio,
adoras prazeres casuais
e seus reles quereres
que correm pelas peles
como gosma,
gosma que faz chagas,
mágoas e traumas
que externas
e esmagas entre as pernas
quando gozas,
é a paga que pagas
porque não sabes dizer não
e não dosas o despudor,
é a paga que pagas
porque não cabes
só num amor!
teu vício é amar
e adoras ter amantes,
ter diversos amores,
senhores e senhoras,
e amas esses amores
nos mesmos instantes,
nas mesmas camas e horas,
adoras
esse cio que não estanca
e espanca as almas
que caem em teu vazio,
adoras prazeres casuais
e seus reles quereres
que correm pelas peles
como gosma,
gosma que faz chagas,
mágoas e traumas
que externas
e esmagas entre as pernas
quando gozas,
é a paga que pagas
porque não sabes dizer não
e não dosas o despudor,
é a paga que pagas
porque não cabes
só num amor!
Deixe em paz a Juliana!
De que adianta
essa vida
em esquina e botequim
com esse ar borocoxô
de pierrô-vovô
sem colombina?!,
de que adianta
essa inana insana
desse coração
com batida vulgar
e refrão chinfrim?!:
‘quem me dera...
quem me dera
fosse eu
meio Chico,
meio Caetano,
pra Juliana Paes
olhar pra mim’,
não adianta pagar mico,
mano,
você é roscofe demais,
não tem
um tico de inspiração,
ainda por cima,
se embanana
pra fazer uma estrofe
e a rima é um horror,
é ruim demais,
por favor,
rapaz,
deixe em paz a Juliana!
essa vida
em esquina e botequim
com esse ar borocoxô
de pierrô-vovô
sem colombina?!,
de que adianta
essa inana insana
desse coração
com batida vulgar
e refrão chinfrim?!:
‘quem me dera...
quem me dera
fosse eu
meio Chico,
meio Caetano,
pra Juliana Paes
olhar pra mim’,
não adianta pagar mico,
mano,
você é roscofe demais,
não tem
um tico de inspiração,
ainda por cima,
se embanana
pra fazer uma estrofe
e a rima é um horror,
é ruim demais,
por favor,
rapaz,
deixe em paz a Juliana!
quinta-feira, novembro 16, 2006
Comecei bem moço
Comecei bem moço,
esperdicei esbarrão
antes da estréia
que não foi épica,
mas réplica
de estréia típica,
típica no alvoroço,
na correria,
na reação da platéia
que não aplaudiu
nem pediu bis,
preferiu a gritaria:
“pega!, pega!, pega!”,
aí,
carteira na mão,
o aprendiz
de mancebo e ladrão
pôs sebo nas canelas
e se safou
dando uma carreira
pelas vias da cidade,
por fim,
parou e olhou o butim:
duas fotografias
meias amarelas
e feias de dar dó,
assim como ele,
identidade pela metade,
um sobrenome só,
assim como ele,
e prata pra mata-fome
que a fome não ia matar,
e olhe lá!
esperdicei esbarrão
antes da estréia
que não foi épica,
mas réplica
de estréia típica,
típica no alvoroço,
na correria,
na reação da platéia
que não aplaudiu
nem pediu bis,
preferiu a gritaria:
“pega!, pega!, pega!”,
aí,
carteira na mão,
o aprendiz
de mancebo e ladrão
pôs sebo nas canelas
e se safou
dando uma carreira
pelas vias da cidade,
por fim,
parou e olhou o butim:
duas fotografias
meias amarelas
e feias de dar dó,
assim como ele,
identidade pela metade,
um sobrenome só,
assim como ele,
e prata pra mata-fome
que a fome não ia matar,
e olhe lá!
segunda-feira, novembro 13, 2006
Só não me peça pra deixar a boemia!
Já lhe disse,
Neidirene,
tenho coração
pra entrega imediata
e vou botá-lo
em liquidação
em tudo que é vitrine,
de butique chique
a magazine brega,
contudo,
só pra você,
minha perene
Miss Alparcata,
se você quiser,
mulher,
por mais
que vente e neve,
escalo o Himalaia
no dente e na unha,
e só com traje leve,
calção de tricoline
e blusa de cambraia,
e sem mumunha,
se você mandar,
Neidirene,
mando tatuar na testa
“made in USA”
e vou fazer seresta
pra lá de Bagdá,
faço o que for preciso
pra te conquistar,
mulher,
realizo a fantasia
que você quiser!,
só não me peça
pra deixar a boemia!,
que só essa
não dá pra realizar!
Neidirene,
tenho coração
pra entrega imediata
e vou botá-lo
em liquidação
em tudo que é vitrine,
de butique chique
a magazine brega,
contudo,
só pra você,
minha perene
Miss Alparcata,
se você quiser,
mulher,
por mais
que vente e neve,
escalo o Himalaia
no dente e na unha,
e só com traje leve,
calção de tricoline
e blusa de cambraia,
e sem mumunha,
se você mandar,
Neidirene,
mando tatuar na testa
“made in USA”
e vou fazer seresta
pra lá de Bagdá,
faço o que for preciso
pra te conquistar,
mulher,
realizo a fantasia
que você quiser!,
só não me peça
pra deixar a boemia!,
que só essa
não dá pra realizar!
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